Notas iniciais
Olá pessoal, mais um cap pra vocês, a partir de semana que vem vou postar segunda e quinta para essa fic. Nesse cap tem bastante drama, mas é essencial para o desenrolar da estória, boa leitura!

A notícia

Quando a noite começou a cair, nós fomos para casa, após o banho e o jantar fiquei na sala assistindo tevê com os meninos, mas então Jake saiu para ver Leah, e como eu já esperava que fosse eu e Edward ficamos sozinhos novamente, e o pior, estávamos sentados juntos no sofá de dois lugares, muito próximos um do outro.

— Cara, estou enlouquecendo. – Ele disse.

— Por quê? – Perguntei.

— Já faz seis dias que eu nem sei o que é sexo, preciso de algum encontro.

— Nem todas as garotas curtem sexo no primeiro encontro.

— Você é uma delas? – Isso era uma cantada?

— Absolutamente, eu acredito no romance, no flerte, tudo isso antes de qualquer tipo de relação sexual, até mesmo porque eu acho que quando você programa e sonha com como aquilo vai ser, quando finalmente acontece o sexo é bem melhor. – Disse sinceramente.

— Não sabia que você era romântica.

— Todo o mundo é romântico, nem que seja um pouco.

— Você acha?

— Tenho certeza, muitas vezes, a máscara que as pessoas usam pra fingir que não ligam tem a ver com o medo da rejeição e outras vezes é mágoa por um amor antigo ou algo assim. Mas e você? É um romântico assumido?

— Sou sim, mas não tenho nenhuma garota para praticar todo o meu romantismo. – Senti uma ponta de insinuação em seu tom de voz.

— Você é um cara bonito, não vai ficar solteiro por muito tempo.

— Mas não é qualquer uma que ganha o meu coração. – Disse aproximando seu rosto do meu.

— E que tipo de garota ganha o seu coração?

— Alguma assim, feito você.

— O que você está fazendo? – Perguntei a ele.

— Por que você luta tanto contra isso? – Perguntou colocando as mãos em meu rosto e se aproximando, eu estava quase explodindo, mas fui forte o suficiente para me levantar.

— Meu Deus! O que você ia fazer? – Perguntei me fazendo de espantada, era útil para jogar charme e fugir dele ao mesmo tempo.

— Não era óbvio? – Ele disse.

Antes que pudesse responder ouvi meu celular tocando no quarto.

— Espera um pouco. – Eu disse correndo até o quarto.

Quando olhei no identificador de chamada vi que era minha mãe, não me surpreendi, a final quem mais seria? Ela era a única que tinha o meu número.

— Oi mãe. – Eu disse.

— Não é a sua mãe. – Disse uma voz masculina do outro lado da linha.

Imediatamente me desesperei, será que era quem eu estava pensando? Droga! Eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele a acharia, não devia ter deixado minha mãe tão imune.

— Quem é? – Perguntei com medo.

— Aqui quem fala é o legista do IML da Califórnia.

— Deve ser engano. – Disse mais aliviada, ainda bem que não era quem eu pensei que fosse.

— Você é filha de Renee Swan?

— Sim. Por quê? – Perguntei preocupada novamente, agora ainda mais que antes.

— Sinto muito que a notícia que vou te dar seja por telefone, mas tenho que dá-la, sua mãe foi encontrada morta noite passada com três tiros no peito e escreveram com algum objeto pontiagudo em sua barriga a seguinte frase: “Eu te avisei”.

Não, não podia ser verdade! Minha mãe morta?! Não! As lágrimas desceram desenfreadamente, isso parecia uma piada de muito mau gosto, ela não merecia isso.

— Por favor, me diz que isso é um trote. – Eu disse já em desespero. – Por favor!

Edward entrou correndo pela porta assustado com minha gritaria.

— Não senhora. – Ele disse. – Sinto muito pela sua perda, mas a senhora vai ter que vir aqui para enterrar o corpo de sua mãe, pois é o único parente que encontramos dela.

— Sim, minha mãe só tinha a mim. – Eu disse com o rosto inundado em lágrimas.

— Bom, nós a esperamos aqui para providenciar o enterro do corpo em no máximo três dias, obrigado e meus pêsames.

— Espera. – Eu disse antes que ele desligasse.

— Pois não. – Ele respondeu.

— Como descobriu o meu número de celular?

— Li a agenda telefônica de sua mãe, o seu número estava registrado como “filha”.

— Tudo bem, obrigada.

— De nada. – Respondeu.

Encerrei a chamada e senti minhas pernas bambas, perdi o equilíbrio e quase caí, sorte que o Edward estava por perto e me segurou antes que eu chegasse ao chão, nem me importei de me reerguer e continuei chorando feito louca ali mesmo, ele me abraçou forte, eu estava inconsolável, perdi a única pessoa que eu tinha nesse mundo e pelo que escreveram nela a culpa era toda minha, eu nem devia ter nascido, eu causei a morte da minha própria mãe!

— Calma Bella, calma. – Disse Edward me abraçando ternamente.

— Ela morreu Edward, ela morreu. – Eu disse entre soluços.

— Quem morreu?

— Minha mãe.

— O que?! A sua mãe morreu?!

— É você não me ouviu? Ela morreu! Minha mãe, a única pessoa que eu tinha na vida morreu, eu estou completamente sozinha agora.

— Não, não diz isso, você nunca vai estar sozinha entendeu? Eu e o Jake estamos aqui com você pro que der e vier.

— Eu quero morrer. – Gritei.

— Não diz isso, vem vamos jogar uma água no seu rosto, depois eu vou preparar um chocolate quente com marshmallows. Vem.

Ele segurou meus braços e me levou até o banheiro, ligou a torneira da pia, encheu as mãos de água e molhou meu rosto, depois me levou para a cozinha, fiquei sentada em uma das cadeiras da mesa que lá ficava, ele preparou o chocolate quente com marshmallows que ficou ótimo, mas mesmo assim não consegui parar de pensar em minha mãe em nenhum segundo.

Após terminarmos de beber os chocolates, fomos para a sala, e ele ligou a tevê, me sentei ao lado dele que me abraçou forte, fechei meus olhos e enterrei meu rosto em seu peito, molhando sua camisa com meu choro.

— O que você vai fazer? – Ele me perguntou. – Vai a Los Angeles para enterrar a sua mãe?

— Sim, eu e minha mãe só tínhamos uma à outra, eu devia ter trago ela junto comigo, ela não queria, mas eu devia ter insistido, a culpa foi toda minha. – Por essa e por algumas outras razões.

— Para com isso, a culpa não foi sua, você não sabia que isso ia acontecer, não foi sua culpa e ponto.

— Você não entende. Mas enfim, amanhã mesmo vou comprar um passaporte pra Los Angeles e vou pra lá o quanto antes.

— Eu vou com você.

— Não, você não vai.

— Vou sim.

— Não, você não pode. – Eu disse desesperada, já era perigoso eu lá, que dirá ele.

— Tem alguma coisa que eu não possa ver lá?

— Não importa, eu não quero que você vá.

— Eu vou, você não vai viajar sozinha para outro país nessas condições, de jeito nenhum, eu vou, não adianta insistir.

— Eu estou te implorando, por favor, não vai comigo pra lá.

— Não importa o que tenha acontecido lá Bella, estou do seu lado e não vou te deixar sozinha nessa, jamais.

— Tenho alguma chance de te convencer a não ir?

— Não, nenhuma. – Eu estava muito preocupada com isso, principalmente com ele, mas o que eu podia fazer? Deu pra perceber que ele não desistiria nem tão cedo.

— Amanhã, depois da faculdade vou compra o meu passaporte, você já tirou o seu, porque se não tirou nem adianta querer vir comigo já que passaporte demora pra sair.

— Boa tentativa, mas eu já tenho um passaporte. Vou com você amanhã.

— Tá bom, eu quero que você saiba que está sendo muito bom pra mim, nenhum homem nunca fez tanta questão de alguma coisa que envolvesse a mim, exceto um que já não está mais comigo.

— Seu pai?

— O próprio, ele foi um bom homem.

— Quantos anos você tinha quando ele faleceu?

— Eu tinha nove anos, muito nova, eu sei, mas a gente sempre se lembra das pessoas que marcam nossas vidas, principalmente quando elas são as únicas que nos dão valor, até a minha chegada em Londres, ele foi o único homem que realmente gostou de mim, que me tratou devidamente bem. Ah, eu sinto tanto a falta dele.

— A perda dele te fez muito mal não é?

— Você nem faz ideia de quantas coisas seriam poupadas se ele não tivesse morrido.

Edward olhou para baixo realmente tocado com minha situação, quero dizer, uma pequena parte dela, não demorei muito para ir dormir, eu precisava disso, precisava do meu travesseiro para chorar como deveria, sem ninguém preocupado nem me observando com pena, fiquei a noite toda chorando, não consegui dormir nem por um segundo, a dor era terrível, eu queria estar com a minha mãe agora, não importava aonde, só me importava estar com ela de alguma forma, aquilo parecia um pesadelo louco no qual eu não conseguia acordar.

Quando estava na hora de eu ir à faculdade, me levantei, tomei um banho, tomei café-da-manhã, depois saí.

— Olá Bella. – Disse Eric sentando ao meu lado.

— Oi. – Disse tentando ser o mais simpática possível.

— Aconteceu alguma coisa? – Perguntou visivelmente preocupado.

— Não, por quê?

— Você parece triste, muito triste e está com umas olheiras terríveis.

— Uns problemas pessoais, só isso.

— Hum, se quiser conversar sobre isso sou todo ouvidos. – A última coisa que eu queria era falar sobre a minha vida, principalmente com um estranho.

— Agradeço a atenção, mas consigo lidar com meus problemas sozinha.

— Você quem sabe, mas com quem você pretende fazer o trabalho de história do cinema.

— Ah droga, esqueci desse trabalho! É pra quando?

— Segunda que vem, eu sei que falta quase uma semana, mas é que gosto de preparar as coisas rápido, pra não ter dor de cabeça depois.

— Tudo bem, é dupla, você já tem alguém para fazer o trabalho com você?

— Não. – Disse sorrindo. – Eu sabia que você não fala com ninguém na sala, então achei melhor fazer o trabalho contigo.

— Ah, obrigada, é muito doce da sua parte. – Eu disse realmente encantada.

— Eu vou viajar hoje ou amanhã, não sei, e devo voltar quinta ou sexta. A Gente pode fazer o trabalho no sábado?

— Sim, claro, na minha ou na sua casa?

— Pode ser na sua. – Respondi.

— OK. Que horas?

— Pode ser à noite? Porque eu tenho uns compromissos de dia. – Eu disse me lembrando da procura do pai do Jake.

— Pode, a hora que você quiser tá bom pra mim.

— OK, vou estar na sua casa às 22:00h. Tem certeza que seus pais não vão se importar?

— Moro com a minha tia, e não, ela não vai se importar.

— OK, vou confiar em você hein.

Ele me passou seu endereço. Nós assistimos à aula e passamos o intervalo juntos, ele era um cara legal. No fim da aula ele saiu da facul junto comigo e novamente lá estavam Jake e Edward me esperando encostados no carro.

— Estou indo. – Eu disse a Eric.

— Quem são aqueles caras que estão ali encostados naquele carro velho?

— Hei! Não fale assim dele. – Eu disse dando uma falsa bronca e ele sorriu. – É um bom carro. Aqueles caras são meus amigos, Jake e Edward, moram comigo.

— São bonitos.

— Sim eles são, mas agora eu tenho que ir.

— Beijinho. – Ele disse apontando para sua bochecha, eu o beijei.

Fui até aos meninos, Edward estava de cara fechada novamente.

— O que Edward?

— Lá estava você com esse cara de novo.

— Ele é meu amigo, por que isso?

— Nem ligo, por mim, você e ele podem até se casar se quiserem. – Disse fazendo um biquinho sexy, que me fez ter vontade de beijá-lo, era óbvio que ele se importava, o que deixou meu ego nas alturas.

— Para com isso seu bobinho. – Eu disse o abraçando.

— E aí? Vamos comprar as passagens Bella?

— Vamos. – Eu disse triste por me lembrar do motivo de eu estar indo aos Estados Unidos.

— Sinto muito pela sua mãe. — Disse Jake.

— Tudo bem.

— Eu contei pra ele espero que você não se importe. – Disse Edward.

— OK, não tem importância, vamos logo, por favor.

Nós entramos no carro e fomos para o aeroporto, conseguimos tirar as passagens para Los Angeles pra hoje às cinco horas da tarde. Apesar de qualquer coisa eu estava ansiosa, queria chegar logo lá e voltar logo também, eu esperava que certa pessoa não me encontrasse, ou estaria com sérios problemas, mas achei melhor relaxar antes de pensar nessas coisas.

Tínhamos que chegar ao aeroporto com duas horas de antecedência já que era voo internacional, e já eram duas da tarde. Nós fomos para casa, comecei a arrumar minhas malas e as de Edward, Jake nos levou no carro e ficou conosco até a hora de embarcarmos, Edward e eu nos sentamos nas segundas poltronas depois da cabine do piloto, ele segurou minha mão ao perceber o quão tensa eu estava, estava com muito medo do que aconteceria lá e claro que parte era pelo meu medo de aviões também e essa seria a minha desculpa

— Fica calma. – Disse aproximando o rosto do meu.

— Eu tenho medo de aviões.

Ele sorriu e pôs a mão em meu rosto, depois beijou minha bochecha ternamente.

— Vou adicionar isso pra minha lista sobre você.

— Uma lista sobre mim? – Perguntei descrente.

— Sim, não se acha digna de uma lista só sua?

— Achei que essas coisas de lista só existissem em filmes.

— Já ouviu falar que a arte imita a vida?

— Já ouvi falar que a vida imita a arte.

— É, algo assim. – Nós dois rimos.

— Bom saber que sou interessante para alguém dessa forma.

— Não é que você seja interessante, é que quero saber com quem eu moro.

— Ah tá, entendi. – Eu disse sorrindo e ele sorriu também.

Nós conversamos até chegarmos ao nosso destino, ele permaneceu com a mão na minha até o fim da viagem, foi à primeira vez que eu não tive medo nem dormi em viagens de avião, talvez seja pela sua presença que me deixa mais segura.

Quando chegamos já era madrugada, pra nossa sorte já tínhamos contatado um hotel pela internet, já que não poderíamos ficar em minha casa por causa do assassinato que ocorreu lá, uma forte dor no peito apertou por eu ter me lembrado disso. Não ia me acostumar nem tão cedo com o que acontecera com minha mãe. Edward e eu ficamos em suítes separadas, é claro, tomei um banho demorado, estava tão cansada da viagem e de tudo, eu só queria dormir e ponto. Depois do banho fiquei de roupão e enrolei a toalha na cabeça para secar meus cabelos, enquanto abria a mala e escolhia uma roupa para colocar, alguém bateu à minha porta.

— Quem é? – Perguntei.

— Sou eu Bella, o Edward.

— Ah! Oi Edward, vou abrir. – Fui até a porta e abri, eu o observei de cima a baixo e sorri ao vê-lo todo arrumado, mesmo sem entender nada.

— O que? Por que está rindo? — Perguntou.

— Por que está tão arrumado?

— Vamos jantar. – Disse simplesmente como se fosse certo que nós fossemos.

— Você não está cansado da viagem não? – Perguntei.

— Sim, mas não o suficiente para não querer jantar, vamos, por favor, não tem a menor graça jantar sozinho. – Disse quase implorando.

— Ai tá bom. – Disse preguiçosa. – Vou me arrumar.

— Tá, só não demora muito.

— Pode deixar. – Garanti. – Pode ficar aqui me esperando, eu me troco no banheiro.

Peguei um vestido e fui até o banheiro para me trocar.

P.O.V. EDWARD

Sentei-me em sua cama para esperá-la, Bella não demorou muito, quando olhei para ela fiquei boquiaberto com sua roupa, era um vestido simples, mas caia perfeitamente a seu corpo, como se fossem feitos um para o outro, ela estava tão diferente, o que me fez perceber que nunca vi Bella de vestido, em Londres estava tão frio que não tinha oportunidade para usar um, era um desperdício, pois ela ficava muito elegante e parecia mais velha e madura estava com os cabelos presos em um coque despojado e um enorme salto alto, era realmente outra Bella e eu estava cego com o paraíso que estava perante a meus olhos.

— Estou bem? – Perguntou insegura.

— Está linda. – Disse sincero, provavelmente estava com cara de babão, mas eu nem ligava. – Quem é você e o que fez com a Bella?

— Muito engraçado. – Ela disse sorrindo de uma forma irônica. – Não costumo me vestir assim, geralmente é como me visto em Londres mesmo, mas tenho me usado tanto aquele tipo de roupas que senti falta de ficar como uma verdadeira californiana.

— Hum, você fica muito diferente vestida assim.

— Você gosta? – Perguntou num tom sedutor.

— Sim, e muito.

— Bom saber, mas enfim, vamos? Quero dormir logo, estou cansada.

— Vamos.

Descemos até o restaurante do hotel e jantamos, foi muito agradável como eu já esperava que fosse. Depois do jantar subimos para nossas suítes. Deu pra sentir a tensão que sempre ficava entre Bella e eu quando íamos entrar em quartos separados para dormir, era como se tivéssemos que nos separar, mas nossos corpos ansiavam uma pelo outro. Eu sei que esses tipos de pensamentos eram um tanto afeminados, mas não conseguia deixar de senti-los.

Fui para meu quarto, tomei uma ducha rápida e me deitei na cama nu mesmo enquanto pensava nos hematomas de Bella, eu não conseguia tirá-los da cabeça, sabia que era passado, mas mesmo assim, isso não era o suficiente para manter minha curiosidade satisfeita, infelizmente eu tinha que aceitar o que ela me dizia, não podia arrancar a verdade dela, não sei quem fez isso com ela, mas seja quem for, foi alguém que a magoou muito para ela chegar ao ponto de não querer nem mesmo tocar no assunto e de repente essa morte da mãe dela, estava sozinha agora, sem família, sem ninguém por ela, isso me magoava de uma forma que nem tenho como descrever, eu tinha um instinto protetor em relação a ela que não conseguia nem explicar, talvez fosse por pena ou algo assim, mas seja como for, nunca senti tanta necessidade de ver alguém tão bem, pouco me importava o que ela fez ou que houve em sua vida no passado, o que passou, passou, eu não podia me prender a isso.

Por fim de meus pensamentos depressivos finalmente consegui dormir. Quando acordei já eram dez e meia da manhã, eu estava com preguiça de me levantar, mas foi o que fiz, em seguida fui tomar banho, depois fui até a suíte de Bella, em seguida bati à sua porta e para minha surpresa, ela abriu a porta em menos de dez segundos e já estava arrumada.

— Bom dia. – Ela disse me cumprimentando.

— Bom dia. – Respondi. – Já estava acordada?

— Sim, só estava te esperando para que fossemos resolver as coisas no IML, eu sabia que você viria quando acordasse, por isso não quis te acordar.

— OK, vamos então.

Nós saímos e fomos para o IML de Los Angeles, Bella estava nervosa, qualquer um conseguia perceber como ela estava tensa.

— Olá. – Bella disse chegando à recepção.

— Olá. – Respondeu a recepcionista simpática.

— Eu gostaria de falar com o legista, por favor. – Disse Bella.

— Qual é o óbito?

— Renee Swan. – Percebi sua hesitação ao falar o nome de sua mãe

— Só um instante, vou chamá-lo.

— OK. – Respondi.

Ela foi até a sala ao lado e o chamou, imediatamente ele compareceu e parou de frente para mim e Bella.

— Senhorita Isabella Swan. – Ele disse Lendo seu nome na ficha. – Estou vendo aqui que sua mãe só tinha a você e você a ela, certo?

— Sim. – Bella disse com a primeira lágrima descendo por seu rosto.

— Pois bem, a senhorita quer ver o corpo dela?

— Sim. – Bella respondeu absolutamente

— Bella, tem certeza? – Perguntei.

— Claro que tenho, preciso ver minha mãe uma última vez, não importa como ela esteja. Ele pode vir comigo doutor?

— Sim. – O legista respondeu.

— Você vem? – Perguntou quase implorando.

— Onde quer que você vá. – Respondi olhando em seus olhos tristes.

— Me acompanhem. – Disse o homem.

Nós entramos em uma sala cheia de gavetas e paramos em frente a uma delas. Ele abriu uma das gavetas onde estava a mãe dela. Bella se debruçou sobre ela sem se importar com o fato de seu corpo estar inchado e nem com a coloração de sua pele que já não estava mais normal e chorou como louca.

— Mãe. – Gritou ela. – Por que você me deixou mãe, por quê?!

Eu conseguia sentir sua dor, aquilo era muito torturante pra mim, eu tinha vontade de pegá-la no colo e cuidar dela até não aquilo tudo passar, meus olhos encheram de lágrimas, era horrível vê-la daquela forma, mas não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer, o que tornava as coisas ainda piores, eu detestava essa sensação de mãos atadas, ela ficou ali por um tempo.

— Eu posso levantar a blusa dela? – Bella perguntou ao legista. – Quero ver o que fizeram em sua barriga. Não entendi o que ela quis dizer com isso, mas não perguntei.

— Pode é claro.

Bella levantou a blusa de sua mãe e me assustei ao ver que cortaram sua barriga escrevendo “Eu te avisei”. Então não foi consequência de um assalto nem nada assim, foi premeditado, mataram a mãe da Bella calculadamente.

Bella ficou chorando com sua mãe por alguns minutos, até o legista interromper.

— Sinto muito senhorita, mas temos que resolver alguns assuntos.

— Tudo bem. – Disse conformada.

— Me acompanhem, por favor.

Nós nos levantamos e fomos até um escritório bem decorado e com ar condicionado, coisa que eu só via em filmes, porque em Londres só se usava aquecedor, o legista sentou na cadeira atrás de uma grande mesa de madeira maciça.

— Sentem-se. – Ele disse a nós.

Nos sentamos em duas cadeiras do lado oposto ao dele na mesa, ele pegou alguns papéis de uma gaveta e pôs em cima da mesa.

— Bom. – Ele disse. – A senhorita pretende enterrá-la ou cremá-la?

— Quero cremá-la, esse sempre foi seu desejo e assim será. – Disse Bella.

— OK, a senhorita nos passa o endereço da casa de cremação e nós mandaremos o corpo para lá.

Bella voltou a chorar, mas silenciosamente.

— Perdão, é que é tudo tão recente.

— É só isso?

— Sim. – Respondeu o homem.

— Estamos indo então. – Bella disse enquanto se levantava.

Me levantei logo após dela e pegamos um táxi até a casa de cremação mais próxima e resolvemos esse assunto mais rápido do que pensei.

Depois resolvemos quanto à herança que na mesma hora foi passada para o nome de Bella. Eu não fazia ideia do quando ela era rica, rica não, milionária, Bella era dona de uma fortuna que nunca, nem no meu melhor sonho eu teria, é nessas horas que vemos como aquela frase clichê que diz “dinheiro não trás felicidade” é mais do que verdadeira, Bella era rica, mas não era feliz, comigo e com Jake até acredito que ela fosse, mas antes de nós era evidente que sua vida não era das melhores.

Os policiais já estiveram na casa da mãe dela, onde ocorreu o acidente e recolheram todas as provas e vidências que precisavam, então já estávamos liberados para ficar lá.

— Você não me disse que era rica. – Falei olhando para a paisagem fora do táxi que nos levava para sua casa.

— E não era, minha mãe era rica, o dinheiro era todo dela, sou rica agora e você sabe disso.

— Sua mãe, você, tanto faz, você já era rica, tanto que nem trabalha lá em Londres, sua mãe mandava dinheiro sempre que pedia, então não vem com esse papo de rica é a minha mãe não, tá? – Disse visivelmente decepcionado com ela, mas sem olhá-la nem por um segundo, porque eu sabia que se olhasse iria balançar.

— Por que está fazendo isso? – Perguntou num tom incompreensivo. – Gosto que olhem pra mim enquanto falo. – Ela parou de falar esperando que eu a olhasse e foi o que fiz, mesmo que relutantemente. – Será que já não é castigo o suficiente tudo que já estou sofrendo? Vai mesmo me fazer sofrer mais ficando chateado comigo por algo tão bobo? – Agora ela apelou, e muito, eu não podia resistir àquela carinha de cachorrinho sem dono.

— Tudo bem, me perdoe. – Eu disse colocando minha mão em seu rosto e o acariciei.

Algum tempo depois o taxista avisou que havíamos chego, percebi que havia parado em frente a um portão enorme que não escondia a linda paisagem que ficava atrás, nem a mansão que ficava há alguns metros de distância. Bella pagou o taxista, saiu do carro e me chamou para entrar, fui atrás dela.

Depois de andarmos um pouco chegamos a casa dela, confesso que nunca conheci alguém que tivesse uma residência tão bonita, fiquei com vergonha do apartamento que morávamos ao entrar ali, era tudo de um requinte inigualável. Isso só fazia com que eu a admirasse mais, ela poderia ter escolhido qualquer casa sofisticada de Londres, mas ainda sim ela quis ficar na nossa, mesmo sendo simples e modesta e tudo isso por causa de uma sacada, e eu aqui pensando que ninguém além de mim faria isso.

— Por que está aí parado na porta? – Perguntou sorrindo. – Entre.

— Sério que essa é a sua casa? A casa que morava antes de ir para Londres?

— Sim, por que o espanto?

— Isso não parece com você, você não tem cara de quem gosta de tanto luxo.

— É, eu não gosto, mas minha mãe adorava. Você quer beber alguma coisa?

— Tem alguma coisa pra beber aqui? Acabamos de entrar.

— Com certeza minha mãe deixou algo na geladeira, vem.

Nós fomos até a cozinha enorme e super moderna, Bella abriu a geladeira e deu uma olhada. Depois pegou uma garrafa de vinho e pegou duas taças em uma das várias portas do armário, depois encheu nossos copos, nós fomos para a sala e ficamos assistindo tevê em um sofá gigante e muito confortável, bem melhor que o sofá que eu dormia todo dia, eu preferia dormir ali a dormir em qualquer uma das camas do apartamento de Jake, nem sei como Bella se adaptou aquela cama sendo que tinha um sofá daqueles.

Depois de muitas taças de vinho Bella já estava pra lá de bêbada novamente e eu tive que botá-la na cama, dessa vez foi pior, a casa tinha vários andares, eu não sabia em qual ficava o quarto dela, então a deixei no primeiro que encontrei no segundo andar mesmo. Dormi no quarto mais próximo do dela que pude.

Acordei com ela enroscada em meus braços.

— Bella. – Sussurrei a acordando carinhosamente.

— Oi. – Ela disse abrindo os olhos devagar. – Bom dia.

— Bom dia. – Respondi sorrindo.

— Desculpa por estar na sua cama, mas é que acordei de madrugada e não queria ficar sozinha nessa casa tão grande.

— Tudo bem, eu não sabia onde era o seu quarto então te deixei no primeiro que encontrei.

— Tudo bem, o meu quarto fica no último andar.

— Haja perna hein.

— A casa tem elevador.

— Ah! Tem elevador. – Eu disse sarcástico. – Será que não consigo encontrar um defeito decente para esse lugar?

— Pelo visto não. – Ela disse sorrindo. – Vamos levantar?

— Vamos. – Respondi

Descemos até a cozinha e tomamos café-da-manhã. Hoje seria um dia menos agitado que ontem, a mãe de Bella seria cremada às oito horas da manhã e nós poderíamos pegar as cinzas a partir as nove, Bella foi intimada a comparecer na delegacia às duas da tarde, seis horas era nosso voo de volta, depois do café-da-manhã fomos buscas as cinzas, ela chorou durante todo o percurso até o aeroporto abraçada nas cinzas de sua mãe, fiquei ao lado de Bella, mas não adiantou de muita coisa, ela estava inconsolável, mas ao menos agora estaríamos de volta, e eu faria de tudo para concertar seu coraçãozinho.

Notas finais
E aí? Quem vocês acham que matou a mãe da Bella e por quê? Não deixem de opinar! Bjs e até segunda que vem.