Uma sacada em Londres
8 A descoberta de Jake
Notas iniciais
P.O.V. EDWARD
"Na verdade pretendo dormir, estou muito cansada." E eu nasci ontem. Será que ela achava mesmo que não percebi que ela mudou após os beijos no pescoço que ela me dera? Eu só não estava entendendo muito bem o porquê, já que foi ela mesma quem me beijou, mas isso não importava muito agora, o que importava era que eu realmente a desejava, ela era bonita, inteligente, sexy, se ela me desse mole eu a pegaria, sem sombra de dúvidas, já não estava me importando muito com o que o Jake diria, ela valia o sermão, nem sei como me segurei quando ela beijou meu pescoço.
— Edward? — Disse Jake enquanto entrava na cozinha com cara de sono.
— Oi cara. — Respondi. — Estava dormindo ou está com sono?
— Os dois na verdade. — Ele disse sorrindo. — Onde você estava quando cheguei? E a Bella?
— Eu estava na casa da minha irmã, quanto a Bella eu não sei. — Não sei como consegui mentir, eu era péssimo nisso quando se tratava da vida real.
— Hum. Eu estou muito mal. — Ele disse enquanto puxava uma cadeira e se sentava. — Até agora a ficha ainda não caiu. — Ele pôs a mão no rosto.
— O que houve?- Perguntei preocupado, nada abalava Jake, nunca o vi daquela forma antes.
— Não estou muito bem sabe? Descobri algo muito sério.
— O que?- Perguntei.
— Meu pai só me chamou pra dizer que sou adotado. — Disse tenso e rápido.
— O que?! — Perguntei descrente. — Como assim?! Eu cresci com você, vivi na casa dos seus pais e você tinha o jeito tão parecido com eles, eu nunca acreditaria nisso. Sem graça essa sua brincadeira.
— Não é brincadeira! — Disse enquanto seus olhos lacrimejavam. Meu Deus! Ele estava falando a verdade, eu não conseguia acreditar naquilo, estava péssimo por vê-lo daquela forma. Meu melhor amigo estava em pedaços e eu não tinha nada a fazer.
— Cara, — Eu disse. — eu queria muito saber o que dizer agora.
— Eu só quero que você faça uma coisa por mim.
— O que? — Eu poderia fazer qualquer coisa para vê-lo melhor.
— Me ajuda a achar meu pai biológico.
— Claro que ajudo. — Disse sem pensar duas vezes. — Mas por que só o seu pai?
— A minha mãe faleceu no meu parto. O meu pai e ela tinham fugido porque os pais dela queriam que ela me abortasse, mas ela morreu e o meu pai achou que não teria condição de me criar então me doou para um casal rico que queria adotar um menino recém-nascido.
— E esse casal rico são os seus pais. — Deduzi.
— Exato.
— Tudo bem, vamos procurá-lo, mas você sabe o nome dele, onde ele mora?
— Sei, e ainda por cima tenho uma foto de 26 anos atrás, quando nasci.
— Cadê a foto?- Perguntei.
Ele pegou um pedaço de papel velho e dobrado e me entregou, eu desdobrei e lá estava, a foto de um homem muito parecido com Jake, não havia dúvidas, era o pai dele.
— OK. — Eu disse decidido. — Nós vamos encontrá-lo, nem que tenhamos que ir buscá-lo no fim do mundo!
— Muito obrigado por estar ao meu lado, você, não sabe o quanto a sua força está sendo importante pra mim. — Ele disse com os olhos cheios de lágrimas.
— Não fique assim cara. — Eu disse enquanto dava dois tapinhas em seu ombro. — As coisas vão melhorar.
— Deus te ouça.
Jake e eu pulamos de susto ao ouvir alguém esmurrando a porta.
— Já vai. — Gritei.
— Quem será a essa hora? — Perguntou Jake meio assustado.
— Vamos ver. — Eu disse enquanto me levantava da cadeira.
Fui até a sala e quando atendi não me surpreendi nem um pouco com quem era, Rosalie, lá vinha tempestade.
— Rosalie?- Perguntei. — O que faz aqui há essa hora?
— Você sabe muito bem porque estou aqui. — Disse furiosa.
— Para encher o meu saco? — Fui irônico, mas ela não estava pra brincadeiras.
— Por que foi na nossa casa e pegou suas coisas sem nem falar comigo antes?
— Eu achei melhor assim. — Respondi tranquilamente.
— Você nunca chegou ao ponto de pegar as suas coisas. — Ela disse triste.
— Pra você ver aonde nós chegamos. — Respondi.
— Olha, volta pra casa vai. — Ela disse enquanto colocava as mãos em meu rosto. — Vamos esquecer tudo isso, por favor.
— Não. — Respondi imediatamente e ele começou a chorar.
— Você não me ama mais?- Perguntou triste.
— Eu nunca te amei. — Achei melhor ser sincero pra não manter falsas esperanças.
— Como não? E todo esse tempo que passamos juntos? E a nossa vida?
— Que vida Rosalie? Vamos ser honestos um com o outro, se eu te amasse de verdade não estaria tão bem como estou sem você. Não adianta insistir, acabou.
— Você está confuso. Tudo bem, eu entendo, mas isso vai passar e vou esperar por você.
— Você não precisa... Aliás, é melhor você nem fazer isso.
— Mas eu quero... E vou. — Garantiu com a voz firme.
— Por favor, vai embora. — Pedi educadamente.
— Estou indo. — Disse conformada. — Quando você achar que está pronto me faz uma visita.
— Não vou prometer nada. — Disse secamente.
— Tudo bem, estou indo então.
— Adeus. — Disse para ela entender o quanto eu estava disposto a tirá-la da minha vida.
— Tchau. — Ela saiu pela porta e eu a fechei.
E eu me perguntava, pra onde foi todo o meu sentimento por ela? Tudo bem que nunca foi lá algo tão forte assim, o meu lance com ela era mais pele, ela era linda, não havia como negar, a atração que sentia me fazia cego, mas chega uma hora que o amor próprio fala mais alto, agora entendo porque dizem que temos que terminar os relacionamentos antes deles se desgastarem, porque que depois que entram nessa fase é algo cansativo e doloroso.
Fui para a cozinha e lá estava Jake, sentado, com as mãos no rosto, isso era muito chato, eu não gostava de vê-lo assim e nem sabia o que fazer para ele melhorar, eu estava num estado crítico.
— Nós vamos achar seu pai. Fique tranquilo.
— Vamos sim. — Disse esperançoso após tirar as mãos do rosto.
— Você já jantou? — Perguntei.
— Sim, quando cheguei. Vou dormir.
— Ah não vai não. — Eu disse tentando transparecer um humor que eu não tinha. — Nós vamos beber. — Não estava com um pingo de vontade de beber, mas ele precisava disso e eu faria por ele.
— Não sei se é uma boa, eu estou meio...
— Vamos beber. — Ordenei o interrompendo.
— Eu não sei Edward, estou com muitos problemas pra beber agora.
— Nós vamos beber justamente para esquecer os problemas, vamos por favor, eu pago.- Disse tentando convencê-lo.
— OK, vamos, mas a gente racha a conta.
— Já é.
— Vamos chamar a Bella? — Perguntou indeciso.
— Não, ela está cansada e além do mais eu homens precisamos de algum tempo a sós para falar sobre coisas que não podemos na frente delas. — Só Deus sabia do quanto eu queria que ela fosse, mas não iria chamá-la, por mais difícil que fosse, não ia correr atrás dela.
— É, você está certo.
— Eu sei, vamos?
— Vamos.
Peguei meu casaco, minha carteira e nós fomos a o pub que sempre frequentávamos e começamos a beber, ficamos ali até as onze — que é o horário que os pubs fechavam — mas levamos mais cervejas pra casa e continuamos enchendo a cara até de madrugada, conversamos sobre várias coisas, inclusive sobre ela, Bella, eu disse a ele que estava adorando estar com ela e que cada momento ao seu lado era ainda mais especial, ele pela primeira vez não me deu sermão, mas também não aprovou.
Depois de nossa noite de bebedeira ele foi dormir e eu também, não demorei muito para pegar no sono. Ao amanhecer me surpreendi ao ver Jake acordado, tomando seu café da manhã, ele nunca acordava antes de mim, estranho, será que dormi demais?
— Bom dia dorminhoco. — Disse ele.
— Bom dia. — Respondi enquanto me espreguiçava. — Que horas são?
— Umas oito da manhã.
— Acordou cedo! Que milagre foi esse?
— Não faço a menor ideia do que aconteceu. — Ele sorriu
— Cadê a Bella?
— Dormindo.
— Ela não vai pra faculdade hoje não?
— Não, hoje é sábado. — Disse como se fosse óbvio.
— Ah é. — Finalmente me liguei. — Nós vamos procurar seu pai hoje?
— Vamos. — Disse empolgado. Até que ele estava bem melhor que ontem.
Levantei-me, tomei meu café da manhã, depois fui ao banheiro tomar banho, quando saí Bella já estava arrumada tomando seu cappuccino.
— Edward, a Bella vai com a gente. — Disse Jake. — Tudo bem pra você?
Tudo bem? Tudo ótimo, nenhum deles fazia ideia do quanto eu estava feliz por ela querer sair comigo, bom, não exatamente comigo, mas conosco.
— Tudo. — Respondi.
— Tudo bem, eu vou com vocês, mas pra onde? — Perguntou confusa.
Jake começou a explicá-la toda a história, ela ouvia atentamente cada palavra, ficou muito sensibilizada, mas disse para Jake não se afastar de seus pais adotivos de maneira alguma, pois foram eles que o criaram, dava pra notar o quanto a família era algo importante para ela, falava como se tivesse perdido a sua, minha curiosidade sobre seu passado só fazia aumentar, eu queria poder saber mais sobre ela, sobre seus amigos, era sempre bom saber com quem exatamente dividíamos o teto.
Nós fomos diretamente à rua que estava no endereço que o pai dele deixou, e tocamos a campainha esperando ansiosamente que ele atendesse.
— Quem é? — Ouvimos uma voz masculina do outro lado da porta.
— Nós podemos falar com o senhor? — Jake perguntou.
— Quem são e o que querem? — Perguntou o homem desconfiado.
— Meu nome é Jacob e estou com meus amigos Edward e Bella, nós queremos falar com o senhor, abra, por favor. — Jake disse suplicante.
O homem abriu a porta. Ele não era o pai de Jake, parecia ter uns 30 anos ou algo assim, além de ser completamente diferente do homem da foto.
— Diga. — Ele falou com um mau humor evidente.
— Oi, eu queria saber se um homem chamado Billy Black mora aqui.
— Não, eu moro aqui com a minha esposa, Billy Black foi o homem que me vendeu essa residência há seis anos.
— Caramba. — Disse Jake de cabeça baixa.
— Mas você sabe pra onde ele foi? — Perguntei.
— Eu lembro que ele comentou comigo que ia pra Surrey, mas já faz seis anos, então não sei se ele ainda reside lá.
— Mas em qual lugar de Surrey? — Perguntou Bella se manifestando pela primeira vez na conversa.
— Se ele me disse eu não lembro, só sei que é em Surrey.
— Cara. — Disse Jake olhando para mim angustiado e com os olhos cheios de lágrimas e em seguida fitou o chão. — Surrey é enorme, nós não vamos encontrá-lo nunca.
— Jake. — Disse Bella colocando as mãos em seus ombros. — Olha pra mim. — Imediatamente ele olhou para ela. — Você confia em mim?
— Claro Bella.
— Então escute o que vou te dizer: nós vamos encontrar o seu pai, nem que tenhamos que visitar todas as residências de Surrey, está me ouvindo?
— Sim. — Disse com olhos marejados, mas dessa vez de emoção.
Tive que por a mão na boca para me certificar que não estava babando, além de linda, sexy e estonteante, ela ainda era companheira e intensa, o que me fazia perguntar onde esteve esse tempo inteiro, ela me deixava de quatro.
— Gente. — Disse o homem que nos atendeu. — Acho que ainda tenho o número do telefone dele em algum lugar.
— Jura? — Perguntou Jake com a alegria renascendo em seu rosto.
— Sim, vou procurar, esperem um pouco.
— Tudo bem.
Ele entrou e Bella abraçou Jake bem forte e acolhedoramente, juro que queria estar no lugar dele nessa hora.
— Viu? — Disse ela enquanto o abraçava. — Nem tudo está perdido.
— Obrigado por ter vindo Bella. — Ele disse após o fim do abraço. — Sua força está sendo muito importante pra mim, sabe disso não sabe?
— Não ia te deixar na mão, nem vou.
— E a mim? — Perguntei com cara de carente. — Você me deixaria na mão Bella?
Ela sorriu meio sem graça, se aproximou de mim, e colocou a mão direita em meu ombro e a outra segurou minha mão.
— Eu te deixaria na mão, você é chato. — Disse sarcástica.
- É garota? — Perguntei com o rosto mais próximo do dela.
Ela ficou quieta e eu podia jurar que íamos nos beijar, mas o homem abriu a porta com pedaço de papel nas mãos e então ela se afastou.
— Aqui. — Disse o homem oferecendo o papel para Jake que pegou na mesma hora. — Até que achei rápido, espero ter ajudado.
— Ajudou sim. — Disse Jake agradecido. — Muito, muito obrigado.
Essa busca parecia ser longa, mas eu não me importava, contanto que eles estivessem por perto.
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