Uma pia que transborda
17 Parte II: Monstros também choram
Os próximos poemas foram os mais difíceis de revisitar, pois foram escritos numa época de vulnerabilidade absurda. Vocês verão.
Khalil e eu decidimos terminar nosso relacionamento no dia 8 de abril de 2018. Não foi um ano fácil: eu estava no terceiro ano do ensino médio, vestibulares, provas de matérias que eu não entendia, arrecadação de dinheiro para nossa viagem de formatura no final do ano, tudo parecia ruir ao meu redor.
Eu lutava contra mim mesma dia após dia para não ter nenhuma recaída, mas havia vezes (e não eram poucas) em que eu simplesmente perdia. Mesmo depois de ter achado uma válvula de escape nova, minha nova forma de arte favorita.
Era (e ainda é) torturante conviver com a culpa de ter machucado alguém, e com o pensamento de que nosso término foi inteiramente culpa minha (apesar de Khalil negar insistentemente).
Logo será o aniversário de 2 anos de nosso término; Khalil está feliz com sua namorada atual. Eles formam um casal adorável. Ainda não me perdoei por ter feito o que fiz com ele, e, honestamente, não sei se algum dia conseguirei. Enquanto isso me distraio brincando com outros homens e os iludindo — isso infla meu ego de uma maneira inexplicável e nem preciso me apegar a eles, então é perfeito. É engraçado que quando me relaciono com mulheres tendo a assumir uma postura submissa, de modo que se torna impossível sequer pensar em fazer uma daquelas coisas mais rasas.
Tomar anestesia na língua e beber refrigerante. Lavar o sangue de um ralado no joelho. Aquele momento depois de horas vomitando tudo o que havia no estômago. Assim acabou (não literalmente) meu primeiro amor.
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