Uma pequena história sobre sentimentos.
1 Antes da meia noite
Prezo minhas falas do mesmo modo que poupo minhas palavras. Tomo poucas atitudes em relação a muita coisa. Tenho uma espécie de “bloqueio emocional”. Me expresso melhor em palavras, isso é fato. Mas não pode ser um modo de vida. Já que a nossa vida é rodeada de amigos. Parentes. Namorada. Para tudo existe uma ação. E não necessariamente existe uma reação.
Acredito mais na força da atração. Veja só, você se sente atraído por alguém, provavelmente, mais bonito do que alguém do seu ciclo de amizade. Provavelmente você faz um amigo através de outro. Você, provavelmente, come da comida que mais gosta. Isso tudo é atração. Nada é por acaso. Muito menos por “azar” ou “sorte”. Não creio em destino. Nem em predestinação. Creio que a cada passo que damos estamos mais
perto da morte. A cada passo que damos estamos mais próximos de nos tornar quem realmente somos. Não creio em evolução. Nem em mentiras. Mas apesar disso, conto varias. E faço bom uso delas de vez enquanto. Acredito no amor como o melhor sentimento. Mas fico em dúvida entre os piores. Já ouvi muitos falarem que “ódio” seja o pior. Ou “inveja”. Ou um dos 7 pecados capitais. Ou mesmo os 7. Mas não pra mim. “Ciúmes” e “saudade”, concorde comigo, estes são os piores. Nunca vi alguém ficar com ódio por semanas. Ou ficar com inveja de uma só pessoa. Com o ciúmes eu consigo juntar os dois. Passo muito tempo da minha vida tendo ciúmes, e não é de uma única pessoa. A mesma coisa acontece com a saudade. Eles se dissipam. Conseguem atingir todas as classes. Todos os tipos de pensamentos. Por mais puro que sejam, continuam sendo os piores que já senti.
Mesmo sendo ruins, não creio que sentir algo, por quem quer que seja, soe ruim. Pelo contrário. Nada mais belo do que uma poesia de Caio F. de Abreu sobre amor. Ou uma música de Nando Reis enfatizando um tênis que sua amada usa. Nada mais simples do que um sorriso e essa mistura de sentimentos quando você é abraçado por alguém. Você já deve ter parado pra pensar em como seria seu dia se ganhasse um sorriso de quem você ama toda manhã. Mas nunca pensou em dar esse sorriso para quem você não ama. Vou te contar uma pequena anedota: Um menino estranho tinha lá suas manias estranhas. Queria voar de tudo o que é jeito. Balançava os braços parecendo um pássaro quando tem suas asas molhadas e deseja secá-las. Sempre quis ser piloto de avião. Mas nunca foi. Ele sempre achou que o seu dom era voar. Errou por pouco. Seu dom era sorrir. Por muitas vezes era encarado na rua por sua pequena estatura e por sua afeição de “ta olhando o que?”. Mas poucas pessoas realmente sabiam o que ele tinha a oferecer. Por vários dias ele se pôs a ignora-las. Mas viu que não adiantava. Tendo visto isso, decidiu retribuir. Olhava diretamente nos olhos das pessoas fazendo com que elas desviassem o olhar. Mas quando não o desviavam, ele sorria. A expressão das pessoas passavam de “o que é isso?” para “oi, tudo bom?”. Era mágico. As pessoas realmente o viam como ele era. Nada de “ta olhando o que?” e mais de “me olhe”. Foi uma mudança radical. Chegou ao ponto dele se encontrar com um taxista com quem tinha feito uma corrida dois anos atrás e o taxista lembrar dele. Moral da anedota? Bom, nenhuma. Acho que sorrir é uma expressão tão comum que não precisa que eu seja enfático ao ponto de fazer uma apelação.
Mas, saindo dos sorrisos, não há nada melhor do que sonhos incompletos numa noite fria. Aqueles sonhos em que acordamos com vontade de “bis”. De que fossem o primeiro livro. O último episódio de uma temporada. Sejam eles quais forem. Se fossem concluídos seriam perfeitos. Tem aqueles em que a gente sonha milhões de vezes e não entende nada. Outros que a gente acorda sem saber o que aconteceu. E poucos que acordamos realmente felizes por tê-los sonhado. Às vezes eu sinto falta desses. Faz bem acordar feliz de vez enquanto. Já que usualmente eu não acordo. Sou mal humorado pela manhã e não mudo o meu humor para melhor até que eu saia do banho. Talvez o banho devesse virar um sentimento. Sério. Ele me muda. Ele devia ser um sentimento de transição. Antes do banho você está feliz, durante o banho você fica pensativo e quando sai você está triste. E vice-versa. Acho isso, do mesmo modo que interessante, engraçado. Acho que eu realmente posso ser um “choveiro” humano. Ainda estou em transição para uma parte melhor da minha vida, então, porque não ser dúbio?
Já é meia noite. Sim, realmente é meia noite. Eu devia estar dormindo ou coisa do tipo. Mas acho a madrugada tão linda. Ela é o silencio que eu não tenho no dia. A escuridão que não existe as oito. Nessa hora posso ver a lua mais brilhante. As estrelas mais iluminadas. Os meus pensamentos fluem melhor. Mas meus sentimentos só pioram. Começam a colidir. Começam um confronto intenso entre meu consciente e meu subconsciente. Entre o que eu sei e o que eu sinto. É complicado. Às vezes eu preferiria estar no barulho do dia. Na luz. E sem me preocupar com o que eu penso ou sinto. Mas como a vida continua sendo uma vida, e não um roteiro, não posso prever muita coisa. Mas espero prever o fim dessa história. Mesmo prevendo que não seja tão interessante quanto os meus sonhos dessa noite...
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