Chip saiu do quarto, supondo que eu o seguiria, e eu o segui. Passamos por cinco portas até chegarmos ao quarto 48. Um quadro-branco tinha sido grudado na porta com fita adesiva. Nele se liam as seguintes palavras em tinta azul: Alasca tem um quarto só para ela!

O Chip me explicou que (1) aquele era o quarto da Alasca, (2) Alasca tinha cigarros, embora o Chip não tivesse se dado ao trabalho de perguntar se eu fumava, o que (3) não era o caso.

Ele bateu uma vez, com força. Do outro lado da porta, uma voz gritou: “ Entra logo, baixinho, porque tenho uma história das boas para contar. ”

Entramos. Eu me virei para fechar a porta, mas Chip balançou a cabeça e disse: “ Depois das sete temos que deixar a porta aberta se estivermos no quarto de uma garota “, mas eu quase não o ouvi, pois diante de mim estava a garota mais linda da história da humanidade. Ela atropelou o Coronel, falando alto e depressa.

“ Certo. Primeiro dia de férias, eu estou lá na boa e velha cidade de Vine Station, na companhia de um garoto chamado Justin. Estamos sentados no sofá da casa dele, vendo tevê – e olha que eu namoro o Jake, mas o justin é meu amigo desde criança. – Estávamos vendo tevê e conversando sobre o vestibular ou algo assim, e senti que ele estava passando o braço por cima dos meus ombros. Pensei: Ah, não tem importância, somos amigos há tanto tempo. Isso é absolutamente aceitável. Continuamos conversando. Eu estava no meio de uma frase sobre astrologia, eu acho, e ele baixou a mão como uma águia e deu uma buzinada no meu peito.

FON-FON. Uma buzinada forte que durou uns dois ou três segundos. FON-FON. Na hora, pensei: Certo, como faço para tirar essas garras de cima do meu peito antes que me deixem hematomas? Depois: Socorro Deus! Mal posso esperar para contar para o Chip e o Takumi.