Notas iniciais
Iniciamos oficialmente a terceira e última fase da fic :3 Só para vocês saberem, eu já terminei de escrever o epílogo que vai ter altas indicações da minha próxima fic que vai ser spin-off dessa. Não que isso seja importante nesse momento. Voltando ao capítulo: Jay #partiu e temos mais uma pequena amostra de todo o doce que Pietra é. Música do capítulo: A little less sixteen candles, a little more 'touch me - Fall out boy

Durante o café da manhã Caleb informou que as famílias das Selecionadas seriam mandadas para casa após o almoço. A notícia foi recebida com um zum-zum-zum de conversas, as pessoas ali presentes tentavam encontrar uma razão para o adiantamento da partida, que estava previsto para o segundo dia do ano novo.

Jay ergueu as sobrancelhas para mim e eu apenas confirmei com um gesto de cabeça. Aquele adiantamento tinha a ver com o que havia acontecido no dia anterior, nossa discussão e, embora Jay não soubesse dessa parte, a conversa de Caleb com a rainha America.

Enfim, Jay, Patrick e eu aproveitamos juntos as últimas horas antes da dispensa deles sempre acompanhados por Georgie e pude apresentar Jay e Patrick a Henry, cujos olhos, eu juro, ficaram estranhamente muito brilhantes ao abraçar o irmãozinho. Lynn também ficou emocionada, mas atribuiu o fato a um cisco no olho. Aham, sei.

Passei a manhã toda com minha família reunida como eu queria que fosse sempre.

E na hora da despedida um cisco caiu dentro do meu olho e por isso ele marejou. Na verdade foram dois cisco, um em cada olho.

— Não chora — murmurou Jay afagando minha cabeça. — Eu vou te irritar muito ainda, mesmo que vá demorar um pouco para nos vermos ao vivo outra vez.

Assenti meio lacrimosa.

— Se cuida, Jay.

— Você também. Não seja agressiva e conte até dez antes de fazer besteira, tipo levar um tiro.

— Eu não pedi para levar um tiro, estúpido. Agora sai daqui — mandei de brincadeira com a voz tremida.

Meu amigo riu e fez uma reverência enquanto se afastava e eu abraçava Patrick, meu rosto enterrado em seu cabelo macio.

— Seja um bom menino, obedeça ao senhor e à senhora Steelway e ao Jay, e se comporte — recomendei beijando seu rosto.

— Tá bom, Lexi — sussurrou.

Quando o coloquei de volta no chão vi que Jay e Caleb estavam conversando amistosamente em um canto.

— Homens... — suspirou dramaticamente Lynn a meu lado.

— São completamente loucos — concordei. — Todos eles.

— Eu não sou louco — objetou Henry aparecendo do nada ao lado de meu ombro.

— Você é um rebelde — sussurrei. — Quer mais loucura que isso?

Touché! — Lynn riu em tom de conversa. — Viemos nos despedir — completou com uma piscadela.

— Vão voltar para o túnel? — questionei interessada, ainda mantendo a voz baixa.

Os dois assentiram e Lynn levou os dedos aos lábios.

Com um breve discurso do rei Maxon agradecendo a presença de todos, nossas famílias foram escoltadas para os carros pretos do governo, dali para o aeroporto e enfim cada um para sua casa.

Assim que eles partiram Maryse, em um mau-humor digno de prêmio, nos enxotou para o Salão das Mulheres. E ela merecia um prêmio por pior timing da história da Seleção.

Beatrice e eu estávamos conversando (cada dia eu gostava mais daquela menina com cara de boneca de porcelana) sobre como foi bom termos esse tempo com nossas famílias e quando dei por mim estava falando pra ela, sem entrar em detalhes, sobre minha discussão com Caleb. Apesar de tudo o que havia acontecido eu e Pietra, nós havíamos voltado a nos falar embora fosse muito esquisito não voar na cara dela por andar se agarrando com Caleb por aí.

— Não fica assim, o Caleb é um rapaz super gente boa. Ele vai ver que agiu como um sem noção e te pedir perdão e vocês vão fazer as pazes, aposto — disse-me Beatrice com seus olhos verdes/castanhos brilhando. Sério, todo dia eu debatia mentalmente que diabo de cor era aquela.

— Duvido, ele é super orgulhoso. E eu também.

Beatrice riu, sacudindo levemente a cabeça e seu perfume de hortelã atingiu meu nariz.

— E, sinceramente, vocês são loucos — disse. — Principalmente você.

— Por quê? — estranhei.

— Até parece que ninguém notou como vocês ficam perto um do outro — cochichou. — Tá na cara que se gostam!

— Nada a ver, Beatrice. Eu e ele somos só amigos — falei enrubescendo como um tomate.

Então uma pessoa que estava ouvindo sem permissão nossa conversa resolveu opinar.

— Ah, cala a boca! Até um cego vê que Caleb gosta de você e você fica empurrando ele para longe — o tom de Pietra não estava nem um decibel mais alto que um sussurro, mas suas palavras foram como um tapa na minha cara. — Se você não está na competição pede para sair porque existem garotas aqui que dariam tudo para ter a chance de ficar com Caleb como você e você fica se fazendo de difícil para ele.

Encarei-a.

— Me fazendo? É assim que você me vê? Pensei que você achasse bom que eu não ficasse dando mole para ele.

— Claro que é bom, menos uma na competição — ela me olhou com franqueza. — Eu gosto de você, gosto mesmo, mas entre uma amizade meio suspeita e o homem da minha vida…

— Pietra! — Beatrice exclamou horrorizada.

— Ah, cala a boca você também. Não aja como se Caleb não importasse. Nós estamos aqui por ele, não para fazermos amizades.

Beatrice a encarou também.

— Eu nunca seria baixa o suficiente para agir como você. Entre um homem e uma amizade eu escolho a amizade Sempre escolhi, sempre escolherei.

Percebi que todas as demais meninas nos encaravam.

— Então você não é tão esperta quanto parece.

— E você não parece tão cobra quanto é — bufou Beatrice.

— Pietra, eu pensei que você…

— E eu pensei que você tivesse mais de dois neurônios, Alexia. Você é pobre, sua vida é uma droga e quando um cara lindo, gentil, atencioso e rico te corteja você só esnoba. Qual é a sua?

Recebi as palavras como uma bofetada.

— Minha vida é mesmo uma droga, mas eu não estou aqui pelo dinheiro, pela fama ou qualquer coisa estúpida e superficial como você. Estou aqui por Caleb.

— Ah, por favor! Você é uma Cinco, não tem nada que valha a pena para o príncipe. Talvez America tenha conseguido, mas acredite, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

— Uma Cinco? — repetiu Kayla com desdém nível supremo. — Mas eu jurava que as Castas caíram completamente há quase quinze anos! Puxa, eu devo estar muito adiantada no futuro.

— Não se mete que a conversa não chegou no inferninho, vagaba.

E a merda foi jogada no ventilador!

Do que... você me chamou? — a voz de Kayla estava tão fria que eu quis me encolher em posição fetal e me esconder.

— Você e eu somos farinha do mesmo saco, meu bem. Eu sou uma Dois, exatamente como você, querida. Sei como você pensa e acredite, sei como você age.

Kayla chegou bem perto de Pietra. Instintivamente eu e algumas outras meninas nos aproximamos.

— Não se compare comigo nunca — sussurrou de forma letal Kayla. — Você não está no meu nível e jamais estará.

Quando eu achei que precisaria dar uma chave de braço eu Pietra para evitar que ela e Kayla se atracassem no chão (não que eu fosse contra isso), Maryse apareceu em seu jeito irritado nos mandando fazer alguma cosia de útil em vez de ficarmos em pé como seguranças de boate.

Eu e Beatrice ficamos juntas em um canto e outros grupinhos se formaram. Pietra ficou sozinha.

Aquele dia foi totalmente tenso, as meninas viam-se com outros olhos e, admito, Kayla subiu muito no meu conceito. Não que isso importasse a ela, que aproveitou a primeira deixa para sumir.

À noite a porta de meu quarto foi aberta suavemente.

— Alexia? — Caleb sussurrou do batente.

— Hã — murmurei de volta.

— Você está acordada?

— Sim.

Ouvi seus passos abafados no piso se aproximando da cama, que cedeu com o peso de outro corpo.

— Você me perdoa? — sussurrou.

Virei de barriga para encará-lo.

— Pelo quê?

— Por ter brigado com você ontem — ele sacudiu a cabeça. Em desgosto, talvez. — Eu estava bêbado. Não que isso seja um motivo válido para ser um idiota, mas é verdade.

— Você estava bêbado às seis da tarde? — duvidei — Por quê?

— Porque achei que você tivesse escolhido seu amigo em vez de mim e fiquei louco de raiva e descontei tudo em um excelente vinho francês que estava no meu escritório.

— Eu não faria isso — disse-lhe simplesmente.

— Isso é um "Sim, Caleb, eu te perdoo"?

— Sim, Caleb, eu te perdoo. Agora me deixa dormir.

Ele riu e me puxou para seus braços e eu dormi ali, ouvindo seu coração batendo em um ritmo cadenciado que acompanhava as batidas do meu.

Eu estava quase dormindo quando lembrei de uma coisa que queria ter dito no dia anterior.

— Você é um idiota — sussurrei em seu pescoço.

A cama tremeu com seu riso baixo.

— Idiota e ciumento quando o assunto é você.

Notas finais
Pequenos spoilers e dicas do fim da fic podem ser encontrados aos quilos nesse capítulo, apenas. Hoje à noite eu vou responder os reviews, vou estudar à tarde e depois tem educação física