Uma nova princesa para uma nova Illéa
7 Primeiro encontro
Notas iniciais
Tinha acabado de ouvir Pietra fazendo um discurso sobre a família dela e o livro que ela planejava publicar com o pai quando Diana entrou discretamente na sala.
Ela caminhou rapidamente em minha direção.
— Senhorita Alexia, um convite para a senhorita. Do príncipe. — A intenção dela era sussurrar, mas estava tão animada que provavelmente a sala toda podia ouvir.
Beatrice fez cara de "Eu disse". Lembrei que no dia que conhecemos o príncipe ela havia dito que Caleb havia gostado mais de mim que das outras.
Desdobrei o bilhete para encontrar escrito:
17:15. Seu quarto.
– C.
Ergui o olhar para ver todos os olhos postos em mim.
— Hum, obrigada, Diana — falei dobrando o bilhete. — Daqui a pouco eu vou para o quarto e falo com vocês.
Ela pareceu satisfeita e se retirou fazendo reverências.
Depois de falar que Caleb havia pedido um encontro comigo, as meninas me bombardearam de perguntas dos mais variados tipos, mas no fim tudo se resumia a porque ele pediu um encontro comigo.
— Não sei, moças. Hoje eu descubro, amanhã eu digo a vocês — falei pelo que me pareceu a quinta vez. — Vou para meu quarto.
Já estava na porta quando ouvi um "Aposto que ela é a próxima a sair".
Exatamente às cinco e quinze Caleb bateu à porta.
Marcie abriu afobada.
— Alteza.
— Olá. Ela está pronta? — Ele estava ainda mais formal.
— Estou — respondi levantando-me e indo em sua direção.
— Até mais, moças.
— Atéé — as três fizeram coro dando risadinhas. Profissionalismo é isso aí.
Fechei a porta fazendo uma careta para minhas criadas. Elas riram ainda mais.
Caleb estendeu o braço para mim e eu o peguei.
— Você está muito bonita — murmurou.
Pensei em três ou quatro coisas para dizer. Acho que por ele ser o príncipe tinha que dizer sempre isso. “Você está bonita”, “Essa cor te valoriza”, “Não, o país vai maravilhoso”.
— Obrigada, você também está — e isso era verdade. O homem era naturalmente lindo. — Aonde estamos indo, Alteza?
— É apenas um lugar que eu gosto — respondeu deliberadamente vago.
— Por acaso não é um calabouço secreto no qual você vai esconder meu corpo junto com o de outras garotas mortas, não é?
Ele me olhou como se eu fosse louca. O que, na verdade, eu era.
— É claro que não!
— Ah, que pena. Achei que eu veria alguma coisa interessante antes do jantar. Aparentemente vou ter que me contentar com você. Não que esse não seja um bom prêmio de consolação.
— Prêmio de consolação?
Pisquei para ele.
— Prêmio de "oh-que-bom-ele-não-vai-me-matar" soa meio estranho.
Ele riu. Tentei não gostar desse som.
— Você é uma coisinha engraçada.
— Fico feliz por saber que te divirto, Alteza — murmurei com um sorrisinho.
— Oh, você faz muito mais do que apenas me divertir.
Ignorei essa.
Permanecemos em silêncio pelo caminho. Eu não sabia o que se passava na mente dele, mas eu pensava no motivo de tanto mistério.
Finalmente ele parou diante de uma porta totalmente comum.
— Chegamos.
Caleb abriu a porta de um pequeno cômodo. Pela sua localização — bem no alto — supus que fosse uma torre.
Ele pegou a minha mão e me puxou para a janela. Geralmente eu odeio contato físico, mas eu não estava exatamente muito inclinada para afastá-lo mesmo se ele estivesse fazendo mais. E então eu vi o que ele queria me mostrar: o pôr do sol sobre Angeles.
Pousei a mão que ele não estava segurando no peito.
— Oh, Caleb — sussurrei. — É lindo.
— Eu sei. É um dos lugares mais lindos do palácio. Sempre que quero ficar sozinho, é aqui que eu venho.
— Entendo perfeitamente o apelo.
Virei-me para ele e por um momento eu esqueci totalmente o que ia dizer. O pouco sol que restava refletia em seu cabelo louro de um jeito que o fazia parecer ainda mais impossivelmente lindo.
Acho que babei.
— O que foi? Você está bem?
Alguém me segura senão eu vou agarrar esse cara.
Pisquei sentindo o calor subir pelo rosto. Eu nem o conhecia, pelo amor de Deus. Qual o meu problema?
— Desculpe, acho que fiquei um pouco perdida em pensamentos.
Ele sorriu, obviamente sabendo onde meus pensamentos estavam.
— Tudo bem, isso às vezes acontece.
— Sobre o que você quer falar? — Mudei de assunto.
— Hum... me conte sobre a sua vida lá fora.
— Você sabe sobre a minha vida, tenho certeza que tive que responder sobre isso na ficha da Seleção.
— Lá só dizia que você canta, tem um irmão e toca um monte de instrumentos.
— E falo três idiomas.
— Sim, mas eu quero saber coisas mais específicas. Como são os seus amigos? E a sua família? Você tinha alguém especial?
Olhei de soslaio.
— Que raio de pergunta é essa?
— É uma pergunta válida — salientou.
Revirei os olhos. Acho que não adiantava lembrá-lo que só faz a inscrição quem quer.
— Eu não tenho muitos amigos, mas adoro os que tenho. Minha família se resume ao meu irmão e a outra resposta é não.
— E a respeito de seu pai?
— Não nos damos bem.
Ele pesou minha resposta.
— Por que não?
— Vários fatores. — Encostei-me na parede para olhá-lo melhor. — E sobre a sua vida? Deve ser mais interessante que a minha.
— Não realmente. Quando não estou no escritório ou em alguma reunião geralmente estou treinando, escrevendo, lendo ou desenhando. Minha vida é muito reservada e tento sempre me ocupar com alguma coisa.
— E quanto às garotas?
Ele riu, mas pude notar que ficou desconfortável.
— Não tenho muita prática com garotas. Sempre que saio do palácio… o que não costuma acontecer muito… é por assunto oficial, entende? Nunca tive tempo e permissão para me apaixonar ou sequer vê-las desse jeito antes.
— Então você nunca beijou ninguém?
Caleb abriu a boca para responder e a porta foi aberta por um rapaz aparentemente da idade dele, com a pele negra e intensos olhos escuros.
— Caleb? — Ele chamou como se o estivesse procurando. — Opa. Não sabia que você estava com companhia.
— Está na hora?
O outro jovem assentiu.
Caleb se virou para mim. Ele pegou a minha mão e a beijou.
— Lamento por isso — murmurou para mim. — Treino de muay thai. Eu esqueci de desmarcar. Te vejo em breve.
Saí da torre e voltei para o meu quarto. Por alguma razão tinha um sorriso tão grande estampado no rosto que quase machucava.
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