Notas iniciais
Quarta feira é de...... DORGAS! Não, pera... é dia de post. Pessoalmente eu gostei da interação Príncipe Caleb x Alexia... Só me resta a opinião sincera de vocês. A música de hoje é A Beautiful Mess - Jason Mraz. Essa música é da playlist da própria Kiera para escrever a Seleção. É meio lenta e isso me irrita muito mas tem uma letra bem principesca (Jessi, não ria)

Tinha acabado de ouvir Pietra fazendo um discurso sobre a família dela e o livro que ela planejava publicar com o pai quando Diana entrou discretamente na sala.

Ela caminhou rapidamente em minha direção.

— Senhorita Alexia, um convite para a senhorita. Do príncipe. — A intenção dela era sussurrar, mas estava tão animada que provavelmente a sala toda podia ouvir.

Beatrice fez cara de "Eu disse". Lembrei que no dia que conhecemos o príncipe ela havia dito que Caleb havia gostado mais de mim que das outras.

Desdobrei o bilhete para encontrar escrito:

17:15. Seu quarto.

– C.

Ergui o olhar para ver todos os olhos postos em mim.

— Hum, obrigada, Diana — falei dobrando o bilhete. — Daqui a pouco eu vou para o quarto e falo com vocês.

Ela pareceu satisfeita e se retirou fazendo reverências.

Depois de falar que Caleb havia pedido um encontro comigo, as meninas me bombardearam de perguntas dos mais variados tipos, mas no fim tudo se resumia a porque ele pediu um encontro comigo.

— Não sei, moças. Hoje eu descubro, amanhã eu digo a vocês — falei pelo que me pareceu a quinta vez. — Vou para meu quarto.

Já estava na porta quando ouvi um "Aposto que ela é a próxima a sair".

Exatamente às cinco e quinze Caleb bateu à porta.

Marcie abriu afobada.

— Alteza.

— Olá. Ela está pronta? — Ele estava ainda mais formal.

— Estou — respondi levantando-me e indo em sua direção.

— Até mais, moças.

— Atéé — as três fizeram coro dando risadinhas. Profissionalismo é isso aí.

Fechei a porta fazendo uma careta para minhas criadas. Elas riram ainda mais.

Caleb estendeu o braço para mim e eu o peguei.

— Você está muito bonita — murmurou.

Pensei em três ou quatro coisas para dizer. Acho que por ele ser o príncipe tinha que dizer sempre isso. “Você está bonita”, “Essa cor te valoriza”, “Não, o país vai maravilhoso”.

— Obrigada, você também está — e isso era verdade. O homem era naturalmente lindo. — Aonde estamos indo, Alteza?

— É apenas um lugar que eu gosto — respondeu deliberadamente vago.

— Por acaso não é um calabouço secreto no qual você vai esconder meu corpo junto com o de outras garotas mortas, não é?

Ele me olhou como se eu fosse louca. O que, na verdade, eu era.

— É claro que não!

— Ah, que pena. Achei que eu veria alguma coisa interessante antes do jantar. Aparentemente vou ter que me contentar com você. Não que esse não seja um bom prêmio de consolação.

— Prêmio de consolação?

Pisquei para ele.

— Prêmio de "oh-que-bom-ele-não-vai-me-matar" soa meio estranho.

Ele riu. Tentei não gostar desse som.

— Você é uma coisinha engraçada.

— Fico feliz por saber que te divirto, Alteza — murmurei com um sorrisinho.

— Oh, você faz muito mais do que apenas me divertir.

Ignorei essa.

Permanecemos em silêncio pelo caminho. Eu não sabia o que se passava na mente dele, mas eu pensava no motivo de tanto mistério.

Finalmente ele parou diante de uma porta totalmente comum.

— Chegamos.

Caleb abriu a porta de um pequeno cômodo. Pela sua localização — bem no alto — supus que fosse uma torre.

Ele pegou a minha mão e me puxou para a janela. Geralmente eu odeio contato físico, mas eu não estava exatamente muito inclinada para afastá-lo mesmo se ele estivesse fazendo mais. E então eu vi o que ele queria me mostrar: o pôr do sol sobre Angeles.

Pousei a mão que ele não estava segurando no peito.

— Oh, Caleb — sussurrei. — É lindo.

— Eu sei. É um dos lugares mais lindos do palácio. Sempre que quero ficar sozinho, é aqui que eu venho.

— Entendo perfeitamente o apelo.

Virei-me para ele e por um momento eu esqueci totalmente o que ia dizer. O pouco sol que restava refletia em seu cabelo louro de um jeito que o fazia parecer ainda mais impossivelmente lindo.

Acho que babei.

— O que foi? Você está bem?

Alguém me segura senão eu vou agarrar esse cara.

Pisquei sentindo o calor subir pelo rosto. Eu nem o conhecia, pelo amor de Deus. Qual o meu problema?

— Desculpe, acho que fiquei um pouco perdida em pensamentos.

Ele sorriu, obviamente sabendo onde meus pensamentos estavam.

— Tudo bem, isso às vezes acontece.

— Sobre o que você quer falar? — Mudei de assunto.

— Hum... me conte sobre a sua vida lá fora.

— Você sabe sobre a minha vida, tenho certeza que tive que responder sobre isso na ficha da Seleção.

— Lá só dizia que você canta, tem um irmão e toca um monte de instrumentos.

— E falo três idiomas.

— Sim, mas eu quero saber coisas mais específicas. Como são os seus amigos? E a sua família? Você tinha alguém especial?

Olhei de soslaio.

— Que raio de pergunta é essa?

— É uma pergunta válida — salientou.

Revirei os olhos. Acho que não adiantava lembrá-lo que só faz a inscrição quem quer.

— Eu não tenho muitos amigos, mas adoro os que tenho. Minha família se resume ao meu irmão e a outra resposta é não.

— E a respeito de seu pai?

— Não nos damos bem.

Ele pesou minha resposta.

— Por que não?

— Vários fatores. — Encostei-me na parede para olhá-lo melhor. — E sobre a sua vida? Deve ser mais interessante que a minha.

— Não realmente. Quando não estou no escritório ou em alguma reunião geralmente estou treinando, escrevendo, lendo ou desenhando. Minha vida é muito reservada e tento sempre me ocupar com alguma coisa.

— E quanto às garotas?

Ele riu, mas pude notar que ficou desconfortável.

— Não tenho muita prática com garotas. Sempre que saio do palácio… o que não costuma acontecer muito… é por assunto oficial, entende? Nunca tive tempo e permissão para me apaixonar ou sequer vê-las desse jeito antes.

— Então você nunca beijou ninguém?

Caleb abriu a boca para responder e a porta foi aberta por um rapaz aparentemente da idade dele, com a pele negra e intensos olhos escuros.

— Caleb? — Ele chamou como se o estivesse procurando. — Opa. Não sabia que você estava com companhia.

— Está na hora?

O outro jovem assentiu.

Caleb se virou para mim. Ele pegou a minha mão e a beijou.

— Lamento por isso — murmurou para mim. — Treino de muay thai. Eu esqueci de desmarcar. Te vejo em breve.

Saí da torre e voltei para o meu quarto. Por alguma razão tinha um sorriso tão grande estampado no rosto que quase machucava.