Uma nova princesa para uma nova Illéa
34 Adeus ano velho
Notas iniciais
Na festa de Ano-novo eu praticamente não vi Caleb, ele ficava andando de um lado para o outro com as meninas. Não liguei muito para vê-lo com a maioria das meninas, mas admito que meu sangue ferveu quando ele tirou Pietra para dançar.
Em compensação, eu dancei a noite praticamnete toda com Georgie. O garoto era um pé de valsa, apesar de estar no meu colo a maior parte do tempo.
Estávamos girando pelo salão, quando chegamos perto de Caleb e Kayla resolvemos dançar no mesmo lugar.
— O primeiro beijo do ano é meu — sussurrei quando fiquei bem próxima a Caleb. Kayla ouviu mas muito discretamente se fez de surda.
Caleb sorriu.
— Você vai ser a primeira em tudo nesse ano — prometeu.
Eu ri e levei Georgie para outro canto.
— Você tá bem, Lexi? — perguntou quando pousei-o no chão perto das mesinhas redondas com toalhas brancas.
— Claro anjo, eu só preciso descansar. Você não é leve não.
Ele riu.
— Sou sim!
— Não é não — teimei com um sorriso.
Georgie correu para longe, rindo-se.
Sacudi a cabeça. Eu amava aquele menino.
— Um docinho esse príncipe George — comentou alguém.
Virei-me e ali estava Beatrice tirando uma mecha de cabelo do rosto displicentemente.
— Não é? Dá vontade de levar para casa. Ele e Patrick se dão tão bem!
Beatrice sorriu.
— Os irmãos mais velhos deles também se dão muito bem, ouvi dizer — ela piscou.
Fiquei vermelha.
— Só um pouquinho.
Beatrice riu e então ficou séria.
— Escuta, acho que eu tô meio bêbada então preciso desesperadamente falar com você. É um assunto meio embaraçoso, mas ainda assim…
— Pode falar.
— Então… — começou e então mexeu nos babados do vestido branco, sem jeito.
— Contagem regressiva! — Gritou alguém.
Olhei para Beatrice e ela deu de ombros.
— Vamos lá.
Nos juntamos às pessoas que se amontoavam para sair, fazendo a tradicional contagem de dez até um.
— FELIZ ANO NOVO! — Gritamos todos ao mesmo tempo enquanto os fogos eram disparados da passarela de defesa do castelo em direção à floresta e algum infeliz jogava champanhe em nós todos.
— É tão lindo! — gritei para Beatrice que estava bem a meu lado, tão ensopada quanto eu.
— Também acho! Quero passar outro Ano Novo aqui!
— Provavelmente você estará aqui — disse Caleb em um tom mais alto que o normal porém sem gritar e nós nos viramos para ele. Caleb deu de ombros. — Talvez.
— Adoro toda essa certeza que exala de você — gritei ironicamente para ele.
— Certeza eu não tenho nem que qual é o meu nome, Alexia! — brincou abraçando-me só com um braço. — Você sabe disso.
— Jeito de falar — respondi voltando os olhos para o céu onde o show pirotécnico continuava.
Depois da queima de fogos a festa continuou, lá pelas tantas da madrugada eu vi Emily desaparecer por um corredor lateral com um cara em roupas de gala brancas e outras garotas dançando com ainda outros caras, alguns, reconheci, eram guardas. Caleb não parecia se importar com isso e veio sentar junto de Beatrice e de mim, ela saiu alegando que queria beber alguma coisa.
— Gostando da festa?
— Muito. É incrível, Caleb — afirmei e ele abriu um sorriso lindo.
— Que bom. Você vai ver muitos eventos como esse ainda — murmurou e seus olhos brilharam com uma nova luz. — O que acha de sairmos daqui?
— O que você está aprontando? — perguntei imediatamente desconfiada do brilho em seus olhos.
— Alguma vez eu aprontei alguma coisa? — perguntou fingindo-se de ofendido.
Seus olhos ainda brilhavam intensamente.
— Tudo bem! — Joguei as mãos para o alto. — O que você sugere?
— Me encontre no corredor em cinco minutos. Não podemos sair juntos — explicou — vai chamar muita atenção.
Fiz como foi pedido, saí sem encarar e nem avisar ninguém.
Caleb sorria no corredor e estendeu-me o braço.
— Vamos para o seu quarto? — sua voz trazia certa incerteza.
— Pronto, não quer mais sair de lá — brinquei pegando seu braço.
— Não mesmo. Aquele quarto está cheio do seu cheiro, gosto de ficar lá.
— Isso é fofo. Meio esquisito, mas fofo.
— Meio esquisito, mas fofo — repetiu. — Esse vai ser o nome da minha autobiografia.
— Quero pelo menos meio capítulo sobre mim — avisei.
— Você aparecerá em muito mais que meio capítulo — discordou.
Continuamos nosso caminho em silêncio.
— Alexia? — chamou Caleb quando passamos para o segundo andar.
— Hum?
— Posso te fazer uma pergunta?
Olhei-o de lado.
— Claro.
Caleb apertou mais firmemente minha mão e respirou fundo.
— Digamos que você permaneça aqui até até a final, e desconsiderando o fato de que sempre que estamos bem acontece alguma coisa que faz você se retrair, você … — Caleb parou de falar.
Meu coração batia ensandecido no peito por absolutamente motivo algum.
— Eu …
— Alexia, você, hipoteticamente, estaria disposta a ser minha minha esposa?
Estaquei e olhei o seu rosto, havia apreensão e uma pontada de medo genuíno ali.
— Caleb, eu hipoteticamente estaria mais do que disposta! — afirmei jogando-me em seus braços, bastante feliz por não ter nenhum guarda patrulhando ali para presenciar o beijo pouco casto que trocávamos.
Caleb me beijou até que tudo a meu redor começou a girar e eu encostei a testa na dele, ofegante.
— Vem, vamos para o quarto — aparentemente sentindo que eu vi um duplo sentido na frase simples, Caleb completou: — Eu não vou atacá-la e nem fazer nada indecoroso.
Rindo, o puxei pela mão.
— Eu sei que não faria, nem pensei nisso — menti de leve. Por seu sorriso cúmplice eu soube que ele não se deixou enganar.
Quando chegamos ao fim do corredor Caleb não permitiu que eu acendesse a luz do quarto, ainda alegando que daria muito na cara que tinha gente ali e riu quando eu estremeci de cima a baixo lembrando do quanto eu detestava o escuro. Acendi o pequeno abajur ao lado da cama, que iluminava bem e ainda dava um ar de romantismo ao quarto. Não que eu buscasse isso.
Sentei na cama, encostando as costas na cabeceira e Caleb deitou com a cabeça no meu colo.
— Folgado — brinquei acariciando seu cabelo louro.
— Só um pouco — bocejou. — Mas voltando ao assunto de antes, o que você iria querer aqui no palácio?
— Só a minha família — dei de ombros.— Patrick é muito jovem e eu não suporto a ideia de perder a infância dele. E não seria nada mal que meus amigos pudessem vir aqui de vez em quando.
— Posso providenciar isso. Me conte mais sobre você? Eu gosto de ouvir sobre a sua vida lá fora.
— Hum… o que você quer ouvir? Tenho muitas histórias.
Ele sorriu de olhos fechados.
— Imagino. Conte-me as que você mais gosta.
Eu tentei pensar em alguma coisa, mas de repente eu não tinha nenhuma história engraçada o suficiente. Bom, nenhuma história na qual eu não acabei quase morta ou presa e depois se tornou uma aventura fantástica. Precisei puxar fundo na memória para não acabar contando uma história que envolvesse Jay — melhor evitar a fadiga — e acabei lembrando de uma das primeiras histórias com Kim, quando Ethan tomou coragem e perguntou "Kim, você é namorada da Alexia?", o engraçado foi a sequência de palavrões (em três idiomas) que ela proferiu para o que agora é o amor da vida dela.
Não contei a história, percebi que Caleb estava respirando muito levemente. Ele tinha dormido!
Rindo o puxei para cima e tirei os seus sapatos e deixei com os meus. Eu praticamente desmaiei na cama e, naqueles estado entre o sonho e a realidade senti seus braços me envolvendo.
Horas depois ele estava respirando baixinho no meu pescoço quando um som alto de vidro estilhaçando me fez pular na cama.
Caleb também acordou, assustado, e estendeu os braços diante de mim, protetivo. A combinação vidro quebrado + minhas lembranças não é exatamente a melhor e eu me encolhi levemente antes de afastar seu braço e acender o abajur.
A silhueta escura de braços cruzados deu de ombros levemente.
—Feliz ano-novo, Alteza.
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