Uma nova chance para Amar.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Fernando Oliveira, favor comparecer a unidade de terapia intensiva com urgência.” — Mal termino de almoçar e já escuto chamarem o meu nome, ser o médicoplantonista do hospital central, não é nada fácil. Saio correndo do refeitório em direção ao vestiário, me troco novamente e vou para a terapia intensiva. Nem no meu ultimo dia de trabalho aqui, tenho sossego. E por falar em ultimo dia de trabalho, amanhã eu estou voltando pro Brasil. Voltar pra casa exatamente no momento em que minha carreira está em Ascenção, não é nem de longe uma boa ideia. Mas o papai precisa de mim pra cuidar dos negócios da família. Não estou satisfeito com isso, porem agora não posso pensar em mais nada que não seja o meu trabalho. Chego a Unidade de terapia Intensiva e encontro a enfermeira Eva, ela parece desesperada.
- O Que aconteceu enfermeira Eva?
- Doutor o paciente do leito oito teve uma piora do quadro, e precisamos do senhor imediatamente.
- Sim vamos vê-lo agora — Ela me acompanha, só que o nervoso dela não parece diminuir com a minha presença.
Aproximo-me do leito, e verifico os sinas vitais do paciente, e a frequência cardíaca é cada vez menor.
- Precisamos de Adrenalina endovenosa, e Traga também Epinefrina -.ordeno a enfermeira Eva, continuo monitorando o paciente ,e cada segundo é precioso. A enfermeira Eva chega e administramos a medicação como tentativa de recuperar o ritmo normal dos batimentos, mas nenhum sinal de alteração, as coisas só pioram. O monitor indica cada vez menor a frequência, não temos alternativa a não ser usar o desfibrilador.
- Prepare o desfibrilador Eva, e que seja rápida e não se esqueça de nada.- Ela corre pela UTI e empurra rapidamente o carrinho pra perto de mim. Ligar, carregar, e agora aplico a descarga elétrica no paciente, mais nada parece mudar a linha reta no monitor. Tento mais uma vez, aplicando um ciclo de 2 em 2.e graças aos Céus o paciente reage. Para minha tranquilidade o monitor volta a bipar dando sinal de normalidade.
- Parabéns doutor o senhor conseguiu, — a enfermeira me parabeniza , dando sinal de profundo alivio. Deixando pra trás os minutos de tensão que vivemos. Agora sim posso respirar mais tranquilo.
Deixo a Terapia intensiva, e vou conversar com o doutor Reis, preciso me despedir dele, não posso mais evitar essa despedida. Deixar esse hospital esta me matando por dentro. Por um lado tenho a carreira que sonhei, por outro lado tem um pai e uma família que precisa de mim. “Que dilema é sua vida Fernando”, repreendo a mim mesmo mentalmente. O corredor desse hospital é sempre muito movimentado, vou sentir falta disso tudo aqui, mas faço minha melhor cara de paisagem e entro na sala do doutor do Reis.
- Boa tarde doutor posso entrar?
- Claro que sim Fernando entre — Ele sabe muito bem por que estou aqui , por isso percebo que ele não esta feliz em me ver.
- Então é isso ,você veio se despedir?
- Sim senhor, vim me despedir por que já esta chegando a hora de eu deixar o plantão.
- Fernando, você não vai mesmo mudar de ideia?
- Doutor Reis, o senhor sabe que não posso fazer isso, o meu pai esta precisando de mim no Brasil.
- Filho é que você é o melhor Plantonista que temos aqui, e pra mim não é fácil perder alguém tão experiente e dedicado como você.
- Eu sei doutor, saiba que pra mim não é fácil, deixar pra trás tudo que conquistei aqui. É que o meu pai precisa se afastar por uns tempos da direção da Universidade em que ele é um dos donos. E resolveu que ninguém melhor do que eu pra assumir o lugar dele.
- Sim eu compreendo, seu pai precisa de você, e contra isso não posso lutar. Porem quero adverti-lo de que o seu lugar vai estar guardado pro caso de querer voltar.
- Sim, obrigada doutor Reis, quero lhe dizer que assim que eu puder eu volto.
- Vou estar te esperando de braços abertos — Com sua ultima declaração, não tenho como não abraça-lo, ele é como se fosse meu segundo pai, me deu todo apoio quando cheguei aqui.
Depois te ter saído da sala do doutor Reis, me despedi dos meus amigos e colegas de trabalho, e entreguei meu crachá no setor pessoal. No caminho para meu o apartamento vou pensando que a hora mais triste chegou .Sim a hora de ir embora já se aproxima. Mesmo triste devo admitir que tenho tudo o quero, uma carreira brilhante, um família importante. Todo tipo de reconhecimento que um médico recém-formado podia sonhar. Tenho tudo que sempre sonhei menos o amor de uma mulher. Pensamentos vão e pensamentos voltam , e minha vida continua um grande dilema. Agora é só esperar o momento de voltar pra casa amanhã.
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