Uma noite estrelada

1 A pedra da sorte


Era outono, e o ar carregava o doce perfume das folhas caídas e das abóboras maduras. As colinas ao redor do vale brilhavam com tons de laranja e dourado, e o céu noturno parecia um manto de estrelas. Olivia estava terminando de regar as últimas plantações antes de seguir para a cidade, mas naquela noite algo a puxava para a praia, onde ela sabia que encontraria ele.


Sebastian estava lá, como de costume, sentado na ponta do cais com os pés balançando sobre a água. A luz da lua refletia nas ondas suaves, e o som do mar parecia acompanhar o ritmo da música que saía do fone de ouvido pendurado em seu pescoço. Ele a viu chegar e deu aquele meio-sorriso tímido que sempre fazia o coração dela acelerar.


— Oi, Liv — disse, tirando um dos fones. — Não esperava te ver aqui tão tarde.


Ela sorriu, sentando-se ao lado dele.

— Eu só… senti vontade de dar uma volta. E você? Observando as estrelas?


Ele deu de ombros, mas havia um brilho suave nos olhos dele.

— É o único lugar onde consigo pensar direito. Longe da bagunça da casa, sabe?


Ficaram em silêncio por um momento, apenas ouvindo o som das ondas. Olivia notou que Sebastian segurava algo nas mãos: uma pequena pedra lisa, quase como uma concha, que ele girava entre os dedos. Curiosa, perguntou o que era.


Ele hesitou, como se estivesse decidindo se compartilharia ou não.

— É… uma pedra da sorte. Minha mãe me deu quando eu era criança. Disse que, se eu segurasse ela e fizesse um pedido olhando para o céu, talvez ele se realizasse — riu baixinho, como se achasse a ideia boba. — Eu não acredito muito nisso, mas… às vezes, eu tento.


Olivia sorriu, sentindo um calor no peito.

— E o que você pediu hoje?


Sebastian a olhou por um instante, os olhos mais suaves do que o normal.

— Não sei se devo contar. Dizem que, se você contar o pedido, ele não se realiza.


— Então faz outro — ela sugeriu, apontando para o céu estrelado. — A noite tá perfeita pra isso.


Ele riu, um som raro e genuíno, e olhou para as estrelas.

— Tá bem. Mas você tem que fazer um também.


Segurou a pedra com mais força, fechou os olhos por um segundo e depois passou a pedra para ela. Quando seus dedos se tocaram, foi como se uma corrente elétrica leve e quente passasse entre ambos.


Olivia segurou a pedra, ainda morna do toque dele, e olhou para o céu. Fechou os olhos e fez seu pedido em silêncio:

Quero que ele saiba o quanto ele significa pra mim.


Quando abriu os olhos, Sebastian estava a observando, não o céu.

— O que você pediu? — perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.


— Você primeiro — retrucou Olivia, brincalhona.


Ele hesitou, então se inclinou um pouco mais perto.

— Eu pedi… coragem — disse, engolindo em seco, como se as palavras fossem difíceis. — Coragem pra dizer o que sinto. Porque… eu não sou muito bom nisso. Mas você, desde que chegou ao vale… mudou as coisas. Fez este lugar parecer menos vazio.


O coração de Olivia disparou, e ela sentiu o rosto esquentar. Antes que pudesse responder, Sebastian continuou, as palavras saindo rápido, como se tivesse medo de parar.

— Eu gosto de você. Muito. Mais do que sei explicar. E toda vez que te vejo, fico querendo te chamar pra ficar mais. Pra falar mais. Pra… sei lá, te mostrar o que vejo quando olho para o céu.


Olivia ficou sem palavras por um momento, apenas olhando para ele. Então, sem pensar muito, segurou a mão dele, a pedra da sorte ainda entre seus dedos.

— Eu também gosto de você, Sebastian. Muito.


O sorriso dele foi como uma estrela cadente: rápido, brilhante, perfeito. Ele apertou a mão dela suavemente, e ambos ficaram ali, no cais, sob o céu infinito. As ondas continuavam a dançar, e as estrelas pareciam brilhar ainda mais forte, como se soubessem que algo especial havia começado naquela noite.


— Quer saber? — disse ele, depois de um tempo, ainda segurando a mão de Olivia. — Acho que essa pedra da sorte funciona mesmo.


Riram juntos, e, pela primeira vez, Sebastian não parecia querer estar em nenhum outro lugar. A noite estava apenas começando, e o futuro parecia cheio de promessas. Quem sabe, de muitas outras noites estreladas ao lado dele.

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