Uma noite especial
1 Capítulo único
Aquele sábado seria um dia especial, nosso aniversário de casamento. Pensando, bem nem sei como consegui aquela mulher pra mim, era muito surreal. É, eu consegui a garota... Mas nossa comemoração tinha que ser algo tão bonito e perfeito quanto ela era pra mim, por isso, dessa vez, eu tinha que me superar.
Depois de queimar meus neurônios pensando num lance maneiro pra comemorar nosso quinto aniversário de casamento – desculpa ficar falando isso toda hora, mas é que eu ainda não acredito que eu consegui roubar aquela mulher difícil pra mim! É, eu tô com um sorriso babaca na cara ¬¬— consegui pensar numa coisa e claro que foi uma ideia de gênio. Nem Elena poderia ter uma ideia melhor que aquela, nossa que orgulho do meu cérebro!
Fui até o Grill e falei com o dono daquela bagaça, e de verdade, não me pergunte o nome do proprietário porque eu não sei! Ric ia me ajudar a arrumar o troço todo e ia ficar demais, Elena nunca mais ia esquecer.
Durante o sábado passei o dia todo no Grill com Ric deixando tudo pronto, mas como minha mulher chatinha não sabia das minhas boas intenções, passou o sábado todo me procurando e me ameaçando de morte. O que eu preciso fazer pra essa mulher parar de desconfiar de mim?!
—Parar de ser galinha e cafajeste? É, talvez funcione! – Alaric respondeu do nada. Ele tava lendo pensamentos agora?
—Virou telepata?
Meu amigo de fé, meu irmão, camarada apenas gargalhou e continuou o serviço dele. Continuamos nossa arrumação com o rádio ligado na altura máxima, fazendo com que eu sentisse meu coração bater no lugar do meu cérebro, e devo dizer que a nossa performance de Single Ladies e depois de Run The World ficou magnífico, talvez eu até poste no YouTube* pra ficar famosinho da internet.
Quando o restaurante ficou pronto, eu e Ric fomos embora. Cheguei de mansinho na pontinha do pé mas Elena tem ouvido de tuberculoso, e me ouviu chegar. Antes que eu virasse na esquina do corredor, ela brotou na minha frente.
—Onde você estava, Damon Salvatore? – ela realmente tava com raiva, seus olhinhos castanhos pareciam vidrados.
—AMOR DA MINHA VIDA! – abri um sorriso colgate – Senti tanto sua falta hoje.
—Não me enrola Damon, onde você tava?
—Ué amor, eu tava com Ric, com mais eu poderia estar?! Apesar que eu poderia estar com a Caroline – ela me chamou pra relembrar os velhos tempos – ou com a Katherine... ou com a Rose...
Antes que eu pudesse pensar em terminar minha lista de futuras – impossíveis – pretendentes, Elena lascou um tapa no meu peito. Aquela mulher é pequena mas tem uma força que não é de Deus!
—AH MEU DEUS, ELENA! Isso dói peste.
Gritei esfregando o local do tapa e ela continuou lá, indiferente. Aquela tampinha simplesmente me virou as costas e saiu em silêncio, me deixando somente com a visão da bunda dela rebolando.
—Olha que assim você me seduz hein!
Em resposta a minha brincadeira, ela me mandou o dedo do meio e continuou andando. Caminhei rindo em direção ao nosso quarto. Tirei a roupa – hey não me ataquem hein, eu sou muito bem casado e só tenho olhos pra minha esposa u.u – e entrei embaixo do chuveiro da suíte. A água morna fazia bem pra mim e meu amigo de baixo, nos deixava felizes e relaxados. Fiquei tão relaxado que comecei a pensar em Elena ali no chuveiro comigo, e quando dei por mim, eu já tava me massageando pra cima e pra baixo. Me repreendi mas quando olhei pra baixo tive pena de mim: meu amigo me olhava como quem dizia "ô filho de uma boa vadia não me deixa assim!". Juro que me sensibilizei mas não dava pra arrumar aquilo naquela hora. Pensei na minha avó beijando meu avô, aquela babação sem fim, e quando olhei pra baixo... Puft tinha sumido! Yes, esse truque nunca falha, fica dica.
Vesti minha cueca boxer Calvin Klein* — morram de inveja! –, uma calça jeans escura, uma camisa de mangas curtas preta, calcei meus coturnos pretos – estavam bem russos, mas na volta eu limpo –, peguei o resto das coisas e saí.
Botei o pé na rua, senti meu celular vibrar no bolso da frente. A foto de Elena piscava na tela com a identificação em cima. Chata da minha vida.
—O que foi, Elena? – atendi.
—Onde você tá, Damon?! Que saco, hoje é nosso aniversário!
—Eu sei amor, só me encontra no Grill em dez minutos.
—Vamos jantar no Grill? Aonde vamos praticamente a semana inteira? É bom que esteja brincando comigo!
—Só vá!
Desliguei a ligação na cara dela, e eu sabia que se minha surpresa não desse certo ela não deixaria eu molhar o biscoito pela eternidade a fora. Quando cheguei ao Grill me orgulhei da minha própria genialidade, tinha ficado muito legal! Havia luzes pisca-pisca no teto, e enrolados nas colunas, estávamos à meia luz e apenas uma mesa no centro do salão. Coloquei uma música qualquer que tava no pen drive que Ric havia me dado, e então sentei no balcão e esperei com uma dose de uísque.
—Acho melhor que seja importante, Damon Salvatore ou se não eu... – ela estancou no portal do salão, e então sua boca se abriu num O perfeitinho – Ah, meu Deus...!
Ri da surpresa dela, e pulei do balcão. Caminhamos juntos na mesma direção, e só parei quando pude envolve-la nos meus braços. Elena sorriu alisando minha bochecha.
—O que é isso?
—Meu presente de aniversário. Se tiver alguma coisa errada a culpa é do Ric! – ri da minha piadinha boba.
Puxei a cadeira pra ela sentar – é, minha mãe me educou pra ser um príncipe! – e servi o champanhe. Elena vestia um vestido verde até os joelhos, saltos e o cabelo preso – um verdadeiro milagre hehe. Nossa, eu não queria ter que dizer isso o tempo inteiro, mas eu amo essa mulher!
Deixei Elena no salão, e fui até a cozinha. Cacete, esqueci da comida! Fucei a geladeira e achei metade de um empadão de frango que devia ser de algum funcionário. Tava gelada, não com cara de "oi sou sua refeição de casamento" mas era o que tinha, e ia ter que ser suficiente pra minha chata. Peguei a tal da vasilha, e joguei o pedaço de empadão no prato, caiu igual um tijolo! Peguei um par de garfos e facas, e voltei ao salão. Ela riu quando coloquei o prato com nossa comida gelada, zero sofisticação.
—Então, eu não lembrei que a gente ia comer, nem o imprestável do Ric lembrou daí...
—Isso é empadão gelado? – minha morena perguntou já gargalhando.
—Lena qualquer coisa fica boa com champanhe!
Comemos nosso empadão gelado com champanhe entre risadas e olhares. Tava sendo melhor do que eu imaginava essa noite. A música, a comida, o clima... perfeitos. Num dos meus típicos ataques de doideira, tirei os coturnos.
—O que você vai fazer?
—Vamos dançar.
Elena riu mas tirou os saltos com empolgação e pegou minha mão. Vai ficar bem gay, mas eu me sinto pegando o céu quando pego na mão dela. Sabe aquele emoticon do whatsapp que tem dois corações no lugar dos olhos? Provavelmente eu tô com essa cara! A primeira música que começou a tocar foi At Last.
Coloquei minha mão em suas costas e dançamos grudadinhos. Com certeza o presidente e a dona primeira dama morreram de inveja porque arrasamos! Vez ou outra eu lhe dava um beijo, e então ela sorria pra mim e encostava a cabeça no meu ombro. Sem dúvida vai pro nosso top 10 de momentos românticos. Mas logo em seguida começou a tocar Crazy In Love aí nosso instinto de diva aflorou e eu e minha digníssima senhoura começamos nossa performance. Foi espetacular! Praticamente ensinamos a Beyoncé como é que se faz.
—Sabe eu não esperava isso de você. — ela confessou depois que cansamos de ensaiar nossa turnê Salvatore's On Tour e deitamos no chão do Grill.
—Achou mesmo que eu fosse esquecer?
Eu tava virado de frente pra ela, enquanto a minha morena maluca tava deitada de barriga pra cima encarando o teto.
—Não sabia que eu era tão ruim assim! — sorri.
Ela me deu um sorriso amarelo e me encarou no fundo dos olhos. Me dava um puta frio na barriga quando Elena fazia isso porque eu tinha a sensação que ela podia ver minha alma e ler os meus pensamentos. Jamais me acostumaria com isso. Cheguei mais perto e fechei meu braço na sua cintura, sua respiração batendo na minha cara. Seus olhos completamente grudados nos meus.
—Você sumiu o dia todo, achei que você tinha... esquecido. — confessou com vergonha.
—Eu jamais esqueceria garota! Tu tá louca se acha mesmo que um dia eu vou esquecer a data que eu finalmente te lacei. — respondi rindo.
Ela veio de bom grado e me tascou um beijo. Beijasso! Beijo com língua na garganta. Aquele beijo que você olha em volta pra ver se alguém te avistou de pau duro. Daqueles que tu quase morre engasgado sem conseguir respirar direito.
Nós ainda ficamos um bom tempo lá no restaurante, depois largamos a bagunça lá e fomos pra casa. Entre beijos e safadezas seguimos pro nosso quarto e fizemos um monte de coisas que vocês não precisam saber. Mas olha vou falar: molhei o biscoito a noite toda. Fiz nheco-nheco a semana toda, dancei mambo na horizontal até dizer chega! O resto não posso contar. Agora tenho que ir porque Elena tá me puxando... não cansa de dançar mambo essa mulher!
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