Uma mudança total
35 Gente nova, vingança e surpresa
Notas iniciais

Acordei com meu despertador que estava tocando a linda música que o Miguel fez para mim, fui para o banheiro e fiz minha higiene, me vesti, desci as escadas e entrei na cozinha. Maty já estava fazendo meu café da manhã e Jow já estava sentado á mesa comendo.
– Bom dia Ally! — Maty disse sorridente.
– Bom dia Maty! — Falei sentando-me.
– Bom dia Ally! — Jow disse ainda comendo.
– Bom dia... Ãn, por que acordou tão cedo Jow? — Perguntei.
– Hum, por que eu quis?
– Hum, então tá... — Voltei então minha atenção para Maty. — Tudo bem Maty?
– Tudo e com você? — Ela disse pondo um copo de suco de laranja e um prato de panquecas na mesa á minha frente.
– Tudo perfeito! — Falei colocando mel nas minhas panquecas.
– Que bom! — Ela sorriu e saiu da cozinha.
Ficamos em silêncio enquanto comíamos nossos cafés da manhã, até que Jow acabou de comer e foi lavar seu prato.
– Ãn, por que está lavando os pratos? — Perguntei enquanto bebia o suco.
– Para não dar trabalho a Maty. — Ele continuou lavando.
– Tá... — Acabei meu café da manhã e coloquei na pia. — Vai lavar o meu também é?
– Claro! — Ele disse sorrindo e pegando meu prato, em seguida passou a esponja nele.
– Okay. — Sorri e deixei a cozinha.
Chegando á sala encontrei meus pais sentados no sofá assistindo TV.
– Bom dia Mãe! Bom dia Pai!
– Bom dia filha! — Eles disseram em uníssono.
– To indo para escola. — Falei abrindo a porta. — Tchau.
– Tchau, tenha um bom dia! — Minha mãe falou, enquanto meu pai estava concentrado na TV.
Saí e fechei a porta, dei alguns passos para ir até á limusine e de repente ouvi a porta se abrindo rapidamente pelas minhas costas, virei-me e olhei para trás, Jow saía com uma maleta grande em mãos e ainda colocando alguns papéis nela, seus cabelos bagunçados e um olhar preocupado.
– Por que saiu? — Perguntei confusa.
– Ãan... — Ele se desconcentrou do que estava fazendo e me olhou confuso. — Ah, te explico na limusine. — Ele sorriu e finalmente ajeitou seus papéis.
Caminhamos até a limusine e entramos juntos nela.
– Pode contar agora? — Perguntei-lhe enquanto me ajeitava no banco.
– Claro... Hum, promete não contar nada á sua mãe?
– Sim. — Franzi o cenho "o que ele não queria que eu contasse á minha mãe?".
– Eu vou arrumar um emprego de meio-período para pagar as coisas de que preciso. — Ele sussurrou em meu ouvido, senti meus pelos se eriçarem por todo meu corpo quando ele disse aquelas palavras, mesmo sendo uma frase que não tinha sentido eu ficar assim.
– M-mas mamãe disse que iria pagar tudo para você e também está lhe dando uma mesada, não precisa trabalhar.
– Você não entende Ally... — Ele encostou-se ao banco e olhou para o horizonte.
– Não entendo o que?
Ele ficou calado.
– Tudo bem se não quiser falar! — Virei-me para o outro lado e olhei pela janela.
Ficamos em silêncio até chegarmos á minha escola, quando eu estava saindo da limusine Jhonny segurou-me pelo braço e finalmente falou algo.
– Depois conversamos. — Ele disse sério e então me soltou.
Fechei a porta e entrei na escola confusa. "Como assim depois conversamos, o que ele tem para me dizer?" fiquei pensando até encontrar Karen e Kaique conversando seriamente, fui até eles e só pude ouvir uma coisa antes de pararem de conversar para olhar para mim.
– ...eles não podem saber... — Karen dizia.
– Oi gente! — Falei sorridente. — Sobre o que estão falando?
Kaique não falou nada e saiu de cabeça baixa e com uma áurea ruim em volta.
– O-oi Ally...! — Karen falou se atrapalhando nas palavras e ao mesmo tempo sem graça.
– O QUE AQUELE VEADO FEZ COM VOCÊ? — Perguntei nervosa.
– O-o Kaique? N-nada.
– É óbvio que fez algo, olhe como está estranha!
Karen não disse nada, apenas me deu um abraço apertado e segurando o choro. Á abracei de volta.
– Não chore! Seja o que for que ele fez, vai pagar!
– Ally, j-já lhe disse q-que Kaique n-não m-me fez nada!
– E por que está assim? — Pergunto confusa.
– Ãan... — Vi que ela estava buscando uma resposta em seus pensamentos e então neste momento vi Miguel chegando e olhando para todos os lados, quando me viu, abriu um grande sorriso e veio até mim. Deu-me um beijo apaixonante e então olhou para Karen que o olhava estranhamente.
– Oi Karen! Por que essa cara? — Ele perguntou tão confuso quanto eu.
– Oi Miguel. — Karen disse secamente. — Ally, eu vou para a sala.
Karen foi para a sala de aula. Eu e Miguel nos entreolhamos tentando entender o que acontecera ali.
– Não entendi. — Falei.
– Muito menos eu! — Ele disse.
– Hum, será que Kaique não fez alguma coisa errada?
– Não importa, vamos aproveitar enquanto não começou a aula?
– Sim. — Falei e ele me lançou um sorriso malicioso.
Fomos de mãos dadas até a grande árvore que tem ao lado da escola, nela estavam vários nomes de casais e corações, alguns estavam riscados, pois deveriam ter terminado o namoro.
– O que acha de escrevermos nossos nomes? — Miguel perguntou pegando um canivete que tinha na mochila.
– Você tem um canivete na mochila? — Perguntei assustada e surpreendida.
– Sim.
– Ok então. — Falei tentando espantar meu susto. — Eu quero!
– Então vamos lá. Eu não sei fazer corações, poderia fazer um? — Ele disse dando-me o canivete.
– Ok. — Peguei-o e fiz um lindo coração, bem maior do que os outros.
– Tá ótimo! — Ele analisou o coração sorrindo, pegou o canivete de minha mão e colocou "M + A" dentro do coração, depois guardou o canivete em sua mochila novamente.
– Ficou lindo! — Falei e abracei-o pelo pescoço.
– Nosso amor vai durar muitos e muitos anos, como essa árvore! — Ele disse.
– Que assim seja! — Beijei-o.
Ele estava encostado na árvore e então trocamos de lugar, de modo que ele me prensou contra a árvore e beijou-me com vontade, começamos uma incrível dança de línguas, senti seu maravilhoso e gostoso gosto, ele tinha escovado bem os dentes, pois estava com o hálito fresco, imediatamente fui á outro mundo, esquecendo-me tudo que me cercava, naquele momento senti que havíamos só nós dois no mundo, ali em uma árvore, nos beijando apaixonadamente, até que minha linda fantasia acabou, ouvimos a voz de Kaique nos chamando.
– Ei casal, hora de entrar na sala! — Ele disse e paramos de nos beijar.
– Obrigado Kaique. — Miguel disse e parou de me prensar contra a árvore.
De mãos dadas fomos para a sala. Sentei-me e atrás de mim estava Miguel, e Kaique ao lado dele, em minha frente a Karen, ao meu lado esquerdo a Suh e ao meu lado direito Megan.
– Oi Suh, nem te vi hoje! — Falei.
– Né, e ai?
– Tudo beleza e você?
– Suave.
Sorri e então o professor de geografia entrou na sala.
– Olá alunos! Temos dois alunos novos, então vamos apresenta-los. Peter por favor levante-se e fale-nos sobre você.
Imediatamente um loiro lindo e fofo levantou-se, ele era muito, "muito" fofo mesmo, usava aparelhos, seus dentes eram tortos e o físico era magro e um pouco forte, sua pele clara e seus olhos azuis como o céu, vi que Suh olhava-o intensamente e seus olhos brilhavam a cada palavra do garoto.
– Bom dia, meu nome é Peter Carter, tenho 17 anos, vim da Holanda para estudar aqui por causa da proposta de emprego de meu pai. — Ele se sentou.
– Obrigado Peter. Agora Luke, levante-se.
Um lindo moreno de cabelos pretos para cima se levantou, estava usando uma touca azul-marinho e tinha várias tatuagens, tinha lindos olhos castanhos e parecia um típico bad boy, com certeza muito lindo, antes de falar, ele primeiro percorreu seus olhos pela sala, quando encontrou meu olhar sobre ele me deu uma piscada e sorriu, imediatamente corei, não entendi a causa daquela piscada, então se voltou para o professor e começou a falar.
– Olá e bom dia, meu nome é Luke Malik, fui expulso do colégio onde estudava e vim pra cá. — Então se sentou.
– Obrigada Luke... Agora peguem seus livros, por favor, e abram-nos na página 57.
O professor nos explicou várias coisas, Suh estava tão encantada por Peter que não prestava atenção na aula. Quando o professor perguntou para o Kaique onde ficava a África ele respondeu: "Na página 60!", todos rimos. Quando acabou a aula e fomos todos para o intervalo, Karen e Kaique desapareceram na multidão, provavelmente para conversar, e então vi Luke me olhando com olhos sedutores novamente, começou a caminhar em minha direção, mas eu estava tão envergonhada depois daquilo que aconteceu na sala que percorri os olhos pelo pátio procurando o Miguel ou algum de meus amigos, quando avistei Susie e Megan cochichando algo em um canto, fui até elas praticamente correndo.
– Olá! — Falei nervosa.
– Oi Ally! — Megan disse sorridente. — Lembra que falei que a Michelle iria ter uma humilhação pública? É isso que vai acontecer agora!
– Sério? — Não pude conter meu sorriso que ia de orelha á orelha.
– Sim! — Suh sorriu animada.
– O que irão fazer? — Perguntei curiosa.
Megan não disse nada, apenas olhou para um canto do pátio perto dos banheiros, neste canto estavam dois baldes de água com uma aparência meio marrom. Dei um sorriso perverso e então Miguel chegou do nosso lado dando-me um beijo no pescoço, imediatamente me arrepiei.
– Oi amor. — Ele sussurrou em meu ouvido.
– Oi Miguel.
– Não mereço um "amor"? — Ele perguntou sorrindo.
– Claro! Amor! — Dei-lhe um beijo.
– CAHAM! — Megan tossiu e continuou. — Oi pra você também Miguel!
– Ah, oi Megan! — Miguel sorriu.
Megan sorriu.
– Ally, a humilhação vai ser agora, vai vir? — Ela perguntou-me.
– Sim, até mais "amor"! — Falei e Miguel sorriu.
– Até, "amor"! — Ele disse.
Deixamos Miguel lá e fomos até o canto do pátio onde estavam os baldes.
– O que é isso mesmo? — Perguntei-lhes.
– Uma mistura de água de vaso sanitário e lama! — Suh disse animada.
– A maioria das coisas quem fez foi a Suh, eu que não teria coragem de tocar em lama e água de vaso sanitário! Ugh!
– Bom, vamos? — Suh disse pegando um dos baldes e Megan pegou outro.
Andamos com os baldes até a mesa da Vacachelle e de suas amiguinhas, algumas pessoas olhavam para nós, ela estava de costas, então foi muito mais fácil jogar os baldes, antes que suas amiguinhas pudessem avisa-la, Suh e Megan jogaram os baldes rapidamente e imediatamente começamos a rir, todos começaram a olhar e rir também, enquanto Vacachelle se levantava com os cabelos sujos de lama e a água do vaso pingando, virou-se para trás e olhou-nos com seus olhos brilhando de raiva.
– O-O QUE FOI ISSO?! — Ela gritou.
Todos ainda gargalhavam, mas então as gargalhadas foram cessando aos poucos á medida que a briga (mais conhecida como "treta") começava, todos prestavam atenção em nós.
– Nossa vingança! — Megan disse. — Por você ter quase matado a Ally!
– Essa daí deveria morrer! — Ela apontou para mim. — Assim nenhum de nós teria mais problemas! — Vacachelle falou como se não se arrependesse do que fez no acampamento.
Eu iria falar algo, mas desisti, afinal não fui eu que tinha armado a vingança. Todos ainda nos olhavam, com olhos e ouvidos atentos a cada movimento da briga (treta).
– Querida, você precisa se tratar hein? — Megan disse. — Desapega do Miguel, ele não te quer mais!
– Isso é o que você pensa!
– Você ainda acha que ele vai te querer? — Susie começou a gargalhar. — Ele com certeza não quer uma louca como você para viver ao lado dele!
– POIS ELE VAI MUDAR DE IDEIA! — Ela começou a alterar o tom de voz.
– E por que eu mudaria de ideia? — Miguel saiu da multidão e todos fizeram: "OOOOOOOOOOOOH".
Ele andou até mim e ficou parado ao meu lado.
– Que bom que está aqui querido! — Ela disse.
– Como assim? — Miguel ergueu uma sobrancelha.
– Por que tenho uma notícia para você! — Ela falou com animação em sua voz.
De onde estava consegui ver Karen chorando e soluçando no peito de Kaique, ainda não sabia por que ela estava assim, pensei em ir até ela, mas então Vacachelle começou a falar.
– Por um motivo que vai mudar nossas vidas para sempre... — Ela sorriu até as orelhas e acariciou sua barriga, imediatamente soube o que ela queria dizer, não podia ser, fiquei atônita. — ...Estou esperando um filho seu! — Ela deu um pequeno riso.
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