Uma mudança total
31 Balada
Notas iniciais

Percebi que tinha dois carros, além da Lamborghini do Miguel tinha um Ascari prateado.
– De quem é o carro cinza? – Perguntei.
– É meu... – Kaique disse. – E não é cinza, é prateado.
– Então, Ally, Megan e primo da Ally vêm comigo... — Miguel disse. – Suh e Karen vão com o Kaique, pode ser?
– Pode. – Todos concordam e entramos nos carros.
O carro do Kaique seguiu o nosso, de longe vimos a grande placa que onde estava escrito: Balada Paradise. Miguel estacionou o carro em um estacionamento que havia abaixo da balada, logo atrás vimos Kaique também entrar, estacionamos os carros e saímos deles.
– Aê, tchau pessoas! – Susie sorriu e entrou na balada.
– Meio louquinha ela... – Karen disse, e olhou para o Kaique. – Tinha que ser sua prima.
– Mas ela ta certa. – Kaique disse e agarrou a mão da Karen. – Vamos dançar! – Os dois entraram na balada.
– Apressados. – Resmunguei. – Pensei que iríamos ficar todos juntos, como amigos.
– “Amigos”? – Miguel sorriu. – Vamos Ally.
Ele me puxou, deixamos o Jow para trás...
– M-mas e o Jow?
– Ahn... Ele se vira, a noite é nossa.
– Mas ele é meu primo... Vou falar com ele! – Soltei-me de Miguel e fui até Jow. – Jow!
– Ahn, sim?
– Desculpa por te deixar aqui... Ér... Quer vir conosco?
– Não precisa Ally... – Ele sorriu desajeitado. — Eu me viro!
– Tá bom... – Sorri. – Qualquer coisa me chame!
– Tá.
Fui até Miguel, que estava encostado na porta da balada falando com uma loira com os peitos quase pra fora da blusa, pernas torneadas e uma saia que amostrava o útero(roupa dela).
– Caham! – Dei uma tosse falsa enquanto chegava perto dos dois.
A loira me olhou de cima a baixo com uma cara não muito satisfeita.
– Ah, Ally, essa é a Rebecah. Rebecah, essa é a Ally, minha namorada!
– Prazer! – Fingi estar bem contente.
– Prazer, o Migs falou muito de você!
– Migs? – Olhei para Miguel o fuzilando com os olhos.
– O apelido que dei para ele! Fofo não é?
– É, muito fofo! “Migs”, eu vou procurar a Karen e o Kaique! – Saí de perto deles quase correndo.
– Ally! – Miguel gritava atrás de mim.
– O que é? – Parei sem olhar para trás.
Ele pegou em meu braço tentando-me fazer virar para ele, me soltei dele e ele veio para minha frente.
– Eu acabei de conhecê-la, desculpa, e-eu não sabia que ela ia fazer isso!
– Então Miguel, você tem uma quedinha por loiras né?
– Ei, Ally. O ciumento aqui sou eu. — Ele falou. — E eu não gosto de putas!
– Não gosta tanto que tava falando com uma, olha Miguel, vou ir procurar a Karen e o Kaique e... – Olhei para trás de Miguel e lá estavam Karen e Kaique se agarrando perto da mesa do bar.
Miguel percebeu que eu estava de olhos arregalados olhando pra lá e também olhou.
– Acho que eles não vão querer ser atrapalhados... – Miguel disse rindo e por incrível que pareça naquela situação eu também comecei a rir.
– P-pare! Não me faça rir, eu estou brava!
– Ela que veio falar comigo. — Ele disse. — Meu charme chamou a atenção dela.
– E você ainda diz uma coisa dessas?! Ahn... Mas que charme mesmo?
– O que te conquistou!
– Caham. Quem te disse isso?
– Seus olhos.
– E desde quando olhos falam?
– Hum, se eles suam, como é que eles não falam?!
– Essa conversa não vai levar a lugar nenhum.
– Isso mesmo, aceite que você me ama, que eu te amo, e que aquela garota é uma loira oxigenada.
– Oiie Migs! – Rebecah saiu da multidão, com certeza estava escutando nossa conversa.
Respirei fundo.
– Becah, você não percebeu que estamos tendo um papo sério?! – Falei.
– Oh, me desculpem, só iria perguntar se aceitariam uma bebida... – Ela ia saindo, mas segurei o braço dela.
– Olha aqui, não se meta mais com o homem dos outros, tá?! – Disse a ela bem séria.
Ela se soltou de mim e saiu da nossa vista.
– E você... – Olhei para Miguel. – Não ouse falar com nenhuma mulher prostituta com o útero aparecendo e os peitos pra fora de novo entendido?
– Sim senhora! – Ele fez uma de soldado e bateu continência.
– Ei, eu não sou senhora!
Ele começou a rir.
– Tá bom “senhorita”, vamos dançar?
– É pra isso que viemos aqui não é?
Fomos para a pista e começamos a dançar no ritmo da música, era uma das minhas músicas favoritas “Meg & Dia — Monster”. Dancei feito uma louca e Miguel só acompanhando meus passos.
– Você dança hein?! – Ele disse ofegante.
– Claro né!
– Vamos beber alguma coisa?
– Tá. – Parei de dançar e fomos até o bar.
– E ai?
– E ai o que?
– Vai querer o que?
– Ahn... – Pensei. – Água!
– Água?
– É!
Miguel comprou água e eu bebi.
– Não vai beber nada? – Perguntei.
– To pensando se bebo uma cerveja, mas acho que não... Não quero ficar bêbado logo hoje.
– Mas por quê?
– To dirigindo né?!
– É mesmo... Me esqueci desse detalhe...
– E também não quero beber pra depois não me lembrar das coisas...
– Que coisas?
Miguel ficou calado, eu iria perguntar novamente, mas então Karen e Kaique vieram até nós cambaleando.
– Eae rapaziada! – Kaique falou com a voz embargada e se sentou no banquinho.
– Hum... Esse ai não tem condição de dirigir. – Falei.
– Ei, mô. – Karen agarrou o pescoço do Kaique. – Compra uma bebida para mim?
– Claro. – Ele sorriu. – Moço, me vê dois elefantes rosa, por favor.
– Moço, não precisa tá? – Falei. – Estamos de saída.
– Vamos embora? – Miguel fez uma cara triste.
– Sim, não podemos ter paz com esses dois bêbados falando coisa com coisa...
– É, mas e o carro do Kaique?
– Hum... Eu dirijo?
Miguel me olhou estranho.
– Tem certeza? – Ele perguntou desconfiado.
– Eu tenho carteira de motorista Miguel, sei dirigir! Acha que sou burra?
– N-não... E a Susie?
– Vou ir procura-la, cuida deles ai! – Falei me afastando.
– Virei babá foi?
– Foi! – Fui me afastando mais e não pude mais ouvir Miguel.
Procurei Susie por tudo que é canto e finalmente achei-a conversando com uma garota com piercing e um garoto que era igual a garota, só que não tinha piercing e sim tatuagens, não consegui vê-los direito por causa das luzes.
– Suh! – A chamei gritando.
– Oi? – Ela gritou olhando para mim.
Cheguei mais perto dela.
– Precisamos ir!
Os dois personagens estranhos me olharam de cima a baixo, eu estava acostumada com isso, mas eles me deram medo.
– Já? Por quê?
– Porque o Kaique e a Karen estão bêbados, e precisamos tirá-los daqui!
– Ele bateu o recorde! Essa foi a vez que ele ficou bêbado mais rápido.
– Susie. – A garota de piercing disse. – Não sabia que você andava com pessoas desse tipo.
– “Desse tipo”? – Perguntei.
– Sim, vocês são tão fúteis. – A garota disse. – Aposto que são riquinhos mimados.
– RIQUINHA MIMADA?! — Elevei meu tom de voz. Garota folgada.
– Vamos embora, Ally. – Suh pegou na minha mão.
– Susie, você vai mesmo com essa pessoa? – O de tatoo falou.
– Sim, ela é minha amiga.
– Você precisa arrumar novas amizades urgente!
– Tchau, falou?! Meu primo está bêbado, e eu tenho mais o que fazer do que ouvir vocês falando de quem eu deva ou não ser amiga. – Susie me puxou para longe deles.
– Nossa...
– Onde esta o Kaique e a Karen? – Ela perguntou.
– Vem! – Puxei-a e fomos para o bar.
Miguel estava tentando segurar Kaique e Karen estava tentando fazer Miguel soltar Kaique, ou seja, tava uma confusão! Eu tive que segurar Karen e Suh teve de ajudar Miguel a levar Kaique pro carro dele.
– Euu não vooou! – Kaique tentava se soltar. – Cadê meus direitooos?
– Deixem meu bebê se soltaar! – Karen gritava enquanto eu á levava para o carro de Miguel.
Após botarmos Kaique no carro dele e Karen no de Miguel discutimos o que iríamos fazer.
– Então gente, eu dirijo o carro de Kaique com ele e Suh dentro e levo pra casa do Kaique certo? – Perguntei.
– Sim, mas como você vai voltar pra casa? – Suh perguntou preocupada.
– Depois que Miguel levar Karen pra casa dela ele vai me buscar.
– Tudo certo então? – Miguel perguntou e assentimos.
– Perai, me esqueci de um pequeno detalhe! – Falei. – O Jow! Tenho que entrar e procurar ele!
– Eu vou com você! – Miguel disse.
– Não precisa, fica aqui com a Suh cuidando dos bêbados, já volto! – Falei entrando na balada ignorando qualquer comentário de Miguel.
Procurei Jow por um bom tempo e finalmente o encontrei, mas infelizmente, ele estava acompanhado por uma pessoa um tanto insistente e puta, a Rebecah... Fui correndo (literalmente) para onde eles estavam e finalmente cheguei bem perto.
– Ally! – Ele se animou quando me viu se aproximar, deu pra perceber que estava bêbado.
– JOW! – O gritei com raiva.
– Ué, o que foi?
Rebecah deu um sorrisinho.
– Oie Ally! – Ela falou ainda com o sorrisinho.
Jow estava tão concentrado em botar o dedo em sua bebida que nem se importou em perguntar: “De onde vocês se conhecem?”.
– O que você tá fazendo com ele? – Puxei-o para longe dela.
– Ele é meu namorado, sou da faculdade dele! – Ela tentou puxa-lo de volta.
De repente me veio á cabeça que aquela era a namorada que Maty falou que foi na minha casa assistir filme com ele.
– O QUE?! – Fuzilei Jow com os olhos. – É verdade?
– O que?
– Não se faça de tonto! Essa ai é sua namorada?
– É, a Rebecah, ela é da minha sala, mó gostosa néah?
– JOW! Vou te levar pra casa agora!
– E o que você é dele pra levar ele de mim?! – Ela o segurou.
– Eu sou a prima dele, solta! – O puxei e fiz ela larga-lo.
Corri segurando a mão de Jow esperando que ela não nos alcançasse, afinal ela estava de salto alto. Chegamos á garagem e Miguel e Susie já estavam dentro dos carros. Coloquei Jow no carro de Miguel e pedi para ele o levar para casa. Após isso fui para o carro do Kaique, era tão luxuoso! Peguei as chaves da mão de Suh e dirigi até á casa de Kaique.
– Por favor, que meus tios não estejam em casa. – Suh disse enquanto eu e ela apoiávamos Kaique no ombro.
– Cara! Seus tios são bra-bravos? – Kaique perguntou.
– Meus tios são seus pais... – Ela disse com paciência.
Quando entramos só a empregada estava em casa, jogamos o bêbado no sofá.
– E agora? – Perguntei.
– Não sei. Esse cara só me dá trabalho!
– Quem faz isso com você, Suuuuh?! – Kaique deitou no sofá.
– Ignore. – Susie disse. – Liga para o Miguel, vou ver o que faço com esse ser aqui.
– Tá, mas antes me responde uma coisa?
– O que?
– Porque o Kaique tem essa mania de beber tanto?
– Digamos que... – Ela se sentou no outro lado do sofá. – A nossa família não é um exemplo.
– Como assim? – Eu estava agora na frente dos dois, de pé.
– Sabe, de tanto ver o pai bebendo ele quis experimentar e deu nisso. – Ela apontou com a mão para o Kaique dormindo no sofá.
– E seus pais, o que aconteceu com eles? – Perguntei, ela fitou o chão e quando ia me responder ouvi um barulho de buzina. Miguel? Mas eu nem havia ligado para ele ainda...
– NÃO! SÃO MEUS TIOS! – Susie se levantou desesperada.
– Vamos jogar ele na banheira!
– Vamos logo!
Pegamos Kaique juntas e o levamos para seu quarto, ele estava todo bagunçado, cuecas espalhadas, bonecos pequenos espalhados no chão, CDs, etc. Botamos ele na banheira e abrimos o chuveiro.
– AAAAAAAAh! – Ele gritou. – Vocês estão loucas?
– Ufa... – Suh respirou aliviada.
Ouvimos uma porta abrir e a voz de um mulher gritar:
– KAIQUEEEEEEEEEEEE!
– Ai, merda! Minha tia! – Susie falou. – Vou ali “amenizar” a situação, o deixa normal!
Ela diz como se fosse fácil e...
– VOCÊ VAI ME DEIXAR NUM BANHEIRO SOZINHA COM UM TARADO?!
– Por favor! – Ela disse e saiu do banheiro.
– Então... hã... er...
– Calma Ally, não vou te fazer nenhum mal! – Kaique falou.
– Espero!
– Pensando bem... – Kaique fingiu que iria tocar na minha bunda.
– Aaaaah! Seu tarado! – Dei um tapa na mão dele.
– Aii! Eu não ia tocar em você, o Miguel é meu amigo!
– Uhum... Você já ta melhor?
– Sim... – Ele se levantou da banheira.
– Vou pegar uma toalha e vou te dar uma roupa!
– Tá, vê se não pega roupa suja!
– Você bota roupa suja dentro do guarda-roupa?
– Ahn, algumas sim...
– Esquece, vou só te dar a toalha e saio do quarto pra você se trocar... – Falei e Sai do banheiro.
Peguei uma toalha que estava pendurada na porta e levei para Kaique, saí do quarto e deixei ele se trocar.
Fale com o autor