Uma mudança total
23 Brigas
Notas iniciais

A inspetora nos dividiu em um grupo de meninas e outro de meninos, ela ficou no nosso grupo e um professor ficou guiando o grupo dos meninos, nossos grupos se separaram e enquanto todas nós seguíamos a inspetora, Vacachelle veio para meu lado e cochichou:
– E agora você esta sozinha!
– Você acha que eu tenho medo de você? — A desafiei.
– Sem os garotos, você não é nada! Na verdade você nunca foi! Você era uma nerd estranha e continua sendo! – Ela me empurrou.
Não sei o que deu em mim, quando percebi eu havia puxado-a para o chão, estava puxando os cabelos dela no chão e as pessoas em volta.
– O que está havendo aqui senhorita Alice e senhorita Michelle? – A inspetora veio em meio à multidão e parou um pouco longe de nós.
– Ela me empurrou e puxou meus cabelos, inspetora! – Michelle falou enquanto Jennvaca a ajudava a se levantar.
– É mentira inspetora! – Falei pegando as muletas que estavam no chão enquanto Megan e Karen me ajudavam a levantar.
– Como vou saber quem está certa agora?! – A inspetora disse. – Alguém viu?
– Eu vi professora, a Michelle que se jogou pra cima da Ally! – Ashley falou.
– Mentira, foi a Alice que puxou o cabelo da Michelle! – Um menino do terceiro ano do ensino médio disse.
– As duas estão de castigo! – A inspetora disse.
– Mas isso é injusto, inspetora, foi ela que... – Vacachelle começou a falar, mas a inspetora a interrompeu.
– Já disse que as duas estão de castigo e vão tomar uma advertência! – Ela gritou.
– Mas... EU NÃO POSSO FICAR DE CASTIGO HOJE! — Gritei desesperada.
– Por quê? — A inspetora fingiu se importar. — Algum compromisso?
– Sim!
– Devia ter pensado nesse compromisso enquanto puxava o cabelo da sua amiga...
– Amiga?! Inspetora, por favor! – Larguei as muletas e fiquei de joelhos.
– MENINA! – A inspetora veio até mim desesperada. – Tudo bem, tudo bem! O castigo de vocês começa só amanhã! Satisfeita? – Ela me ajudou a levantar.
– Obrigada inspetora! Obrigada! – Dei um beijo em sua bochecha.
Voltamos para o acampamento, mas o Miguel não estava lá. Vesti outra roupa, fiz um coque frouxo no cabelo e fui para perto do Rio. Miguel estava sentado em um tronco á beira do rio.
– Demorou hein?! – Ele disse.
– É... Tive uns contratempos... – Falei sentando ao seu lado.
– Ah...
– Então, por que me chamou aqui? – Perguntei.
– Ér... Era pra eu ter feito isso antes... – Ele disse.
– O que?
– Ally... Desde que te conheci quando tinha 14 anos me apaixonei por você... E isso que eu sinto não parou nem quando eu deixei a escola, mesmo depois de tudo que você me fez... Eu... Eu continuei apaixonado... Voltei para tentar me vingar, mas não consegui... Quando olhei para você, vi em seus olhos a mesma Ally que conheci quando tinha 14 anos... E percebi que ainda estava apaixonado por você... Até tentei te evitar nos primeiros dias de aula... Mas começou a se tornar difícil depois...
– ...M-miguel... – Fiquei sem palavras.
– E-eu amo você Ally... – Ele pegou algo de seu bolso.
– Eu t-também... – Sorri.
– Você quer namorar comigo? – Miguel falou me amostrando um anel de ouro com um diamante no meio.
Fiquei tipo sem palavras, veí, não acredito AAAAAAAAAAAAAAH, só posso estar no paraíso, sonhando com idiotices que nunca vão acontecer na real, mas com certeza aquilo era real demais pra eu achar que era um sonho, depois de tudo o que ele tinha me falado e dito que me amava e tudo mais, a minha cabeça estava dizendo “Sim, sim, sim!”, mas como eu sou difícil, dificílima eu simplesmente disse:
– Ãhn... Ér... Posso pensar?
– Claro! Você tem todo o tempo do mundo para pensar! – Ele me abraçou. – Mas fica com isso? – Ele falou botando o anel em meu dedo.
– Sim! – Sorri.
– E agora? — Ele perguntou.
– O que?
– Já pensou?
– Só se passaram alguns segundos, Miguel.
Ele se levantou.
– Vou voltar para o acampamento, você vem?
– Não... Vou ficar mais um tempo aqui.
– Ok! — Ele me deu um beijo na bochecha e se foi.
Eu fiquei lá, pensando... Eu só tinha uma certeza, que eu ia aceitar, mas ia tentar ser difícil por um tempo... O que é muito difícil já que o Miguel é um gato, romântico, fofo e muito mais... Meus pensamentos foram interrompidos.
– Oi Ally! – Uma voz doce, tão doce que acabava sendo chata que eu já conhecia bem veio se aproximando.
– O que você quer Michelle? – Revirei os olhos enquanto ela se sentava ao meu lado.
– Então, você sabe que não podemos brigar né?!
– Sim, diz logo o que você quer!
– Só quero que sejamos amigas!
– O QUE? Depois de tudo que você me fez quer ser minha amiga? Ficou louca?!
– Que anel é esse? — Ela perguntou se referindo ao anel que o Miguel havia me dado.
– Hã... É um anel que o Miguel me deu...
– COMO ASSIM?! — Michelle me empurrou e caí no rio.
Como eu estava com o pé engessado não conseguia movê-lo, a correnteza estava muito forte e estava me puxando para trás, por mais que eu tentasse nadar para frente eu não conseguia ir pra frente.
– MICHELLE, ME AJUDA!
– NÃO! – Michelle começou a chorar desesperadamente.
– VOCÊ ESTÁ LOUCA?
– ESTOU SIM, O MIGUEL NUNCA ME DEU UM ANEL!
– MICHELLE, ME AJUDA, EU POSSO MORRER! – Gritei.
– É isso que eu quero... – Ela lambeu os próprios lábios. – Adeus Alice... – Ela saiu.
– SOCORRO! SOCORRO!
Por mais que eu gritasse, tinha quase certeza de que não iria ser salva. O acampamento ficava um pouco longe do rio que eu estava e ele levava para mais longe ainda do acampamento. Enquanto eu era levada pela correnteza, vi um galho preso a uma árvore, o segurei e fiquei lá por um bom tempo, na esperança de que fosse salva. Não consegui me segurar por muito tempo, o galho acabou quebrando, eu balançava meu pé (o que ainda estava bom) o mais forte possível, desse jeito consegui chegar á margem.
– A-ai! Mas que sorte... — Falei me jogando no chão. — Vamos lá Ally você não precisa de nenhum super-herói!
Tentei me levantar, mas eu estava sem as muletas, isso dificultava muito. Fui me arrastando até chegar perto de uma árvore, abracei-a e fui me levantando.
– Eu consigo sozinha. – Me encorajei.
Fui andando com um pé só (me apoiando nas coisas) consegui chegar perto do acampamento, já dava para alguém me ouvir.
– SOCORROOO! ME AJUDAAA! – Gritei.
Eu estava ficando quase sem voz. Por sorte alguém me viu, veio correndo até mim, olhei para a pessoa.
– A-Ashley?
– Sim! Vem! — Ela disse.
Apoiei-me nela, conseguimos chegar à enfermaria... Colocaram-me na cama.
– Oi de novo caminha! – Falei.
Ashley saiu e alguns minutos depois Miguel, Susie, Karen, Megan, Júlia e Kaique chegaram.
– ALLY! — Miguel correu até mim. — Me desculpa! Como eu pude ter te deixado sozinha?! Sou um idiota!
– A culpa não foi sua... – Falei.
Miguel pegou minha mão para se certificar de que eu ainda estava com o anel e sorriu.
– Ela está encharcada, meninos, por favor, saiam daqui, depois vocês entram de novo! – Megan disse expulsando Miguel e Kaique.
Karen saiu e foi buscar umas roupas minhas no ônibus, ficamos esperando por um tempo, tirei a roupa molhada e me enxuguei em uma toalha que tinha em um cesto enorme cheio de toalhas, e vesti a roupa que Karen trouxe, junto com outro sapato que trouxera.
– Obrigada meninas! – Falei.
– Como foi que isso aconteceu? – Susie perguntou.
– Ér... Nada...
– Ally, fala, não pode ser que você mesma se jogou no rio.
– Tá... A Michelle ficou revoltada com o fato de que o Miguel me deu um anel e não deu um pra ela e me empurrou no rio.
– O que?! Aquela vaca é louca ou o que?! Ela queria te matar é?! – Karen falou revoltada andando de um lado para outro.
– Sim...
– Meu Deus... Se ela foi capaz disso, imagine no que ela não será capaz... Precisamos ter cuidado com essa vaca, que está mais para cobra, pronta para dar o bote... – Megan disse.
– Calma Megan... — Susie disse. — Não fale mal os animais assim!
– Eu falo mal das porra dos animais como eu quiser! – Megan riu.
Depois de um tempo Miguel e Kaique entraram novamente na casa, e o Miguel trouxe minhas muletas e botou-as ao lado da cama.
– Então, você melhorou? – Miguel perguntou acariciando meus cabelos (que ainda estavam molhados).
– Sim... Mas acho que vou ficar resfriada...
– Como foi que isso aconteceu Ally? – Ele perguntou preocupado.
Não quis falar por que com certeza o Miguel ia armar mó barraco com a Vacachelle e eu não queria isso.
– A Vacachelle! – Megan disse.
– O QUE?! – Miguel parou de me acariciar e saiu da casa apressado.
– Megan... Eu não queria isso! – Falei me sentando na cama e pegando minhas muletas.
– Malz Ally! – Megan me seguiu enquanto eu saia da casa.
Fui atrás de Miguel, quando o avistei, ele estava gritando com Michelle, que chorava desesperadamente, tinha um bando de gente curiosa em volta deles, cheguei mais perto e segurei o braço de Miguel.
– COMO VOCÊ PÔDE FAZER ISSO MICHELLE?! VOCÊ QUERIA MATAR A ALLY? É ISSO MESMO? – Miguel gritava.
– M-miguel, eu achei que só assim você voltaria a me amar e... – Miguel á interrompeu.
– EU NUNCA TE AMEI MICHELLE! Não queria que você pensasse assim, desculpa se te iludi... Mas esqueça de o que aconteceu entre nós! Acabou Michelle, acabou. Entenda isso!
– A c-culpa é toda sua! – Michelle apontou para mim. – Eu te odeio Alice! Te odeio! – Ela saiu correndo.
Miguel me abraçou, fiquei sentindo pena da Michelle, ela foi iludida, mas do mesmo jeito, ela não tinha o direito de me matar só por causa de uma coisa que não fui eu quem tinha feito á ela... Ou sim. Ah, mesmo assim o Miguel não poderia ter humilhado a menina na frente de todos... Não sei se sinto pena ou raiva.
– Você não deveria ter feito isso... – Falei. — Você a humilhou...
– Ela tentou te matar! — Ele virou-se para mim.
– MESMO ASSIM! – Falei. — E AGORA?! EU POSSO ESTAR CORRENDO RISCO!
– V-VOCÊ DEVERIA PARAR DE PENSAR EM SI MESMA! — Ele ficou vermelho. — FOI O SEU ORGULHO QUE CAUSOU TUDO ISSO.
– E-eu... — Abaixei a cabeça. — Eu não iludi ninguém!
– Você me iludiu! Lembra? Eu fui a única pessoa que falou com você, e depois você me humilhou.
– I-isso não vem ao caso.
– Eu fiz isso por você Ally, eu quis te proteger... Acho que exagerei.
Não falei mais nada, fui para a nossa barraca e fiquei lá sentada, acabei adormecendo.
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