Uma lição de amor

27 Só um dia comum no 3º ano.


Notas iniciais
Esse final de semana vou correr com os capítulos, como sabe minha história esta no concurso de histórias e preciso finalizar em 3 dias.

Narrado por Jacob


Fiquei em silêncio por alguns segundos depois que ela terminou de falar. A proximidade ainda estava ali, o calor do corpo dela também, mas a cabeça… a cabeça parecia tentar alcançar um lugar diferente. Afastei um pouco o corpo, passando a mão pelo rosto, tentando organizar o que tinha acabado de ouvir.

Olhei para ela de novo.

– Por quê?

A pergunta saiu mais baixa do que eu esperava.

– Eu estou indo rápido demais?

Ela negou quase no mesmo instante, se aproximando de novo, como se quisesse diminuir qualquer distância que eu tivesse criado.

– Não é isso.

A voz dela veio calma, mas firme.

– Só… muita coisa aconteceu essa semana.

Ela apoiou as mãos no meu peito, mantendo o olhar no meu.

– Eu voltei para o terceiro ano, ainda tem toda a situação com a diretora… as pessoas podem começar a tirar conclusões erradas.

Fiquei em silêncio, absorvendo aquilo.

E, no fundo, eu sabia que ela tinha razão.

Soltei um suspiro leve, balançando a cabeça.

– É… você está certa.

Confessei, mesmo que não fosse exatamente o que eu queria ouvir.

Passei a mão na nuca, meio sem jeito.

– Só não gosto dessa ideia de ter que esconder.

Ela sorriu de leve, como se já esperasse essa reação, e passou os braços ao redor da minha nuca, me puxando de volta para perto.

– É temporário.

Disse baixo.

– Só até as coisas se ajustarem.

Olhei para ela por um segundo, sustentando aquele olhar, e acabei cedendo.

Minhas mãos voltaram para a cintura dela, puxando-a contra mim, sentindo o corpo dela encaixar no meu com uma facilidade que já estava ficando perigosa.

Inclinei o rosto, deixando meus lábios deslizarem pelo pescoço dela, sentindo o perfume leve que ela usava, fechando os olhos por um instante.

– Eu vou respeitar.

Falei baixo, próximo demais da pele dela.

– Mas isso não muda o fato de que você ainda é minha namorada.

Senti ela rir de leve, os dedos se perdendo no meu cabelo, num gesto lento que me fez respirar fundo.

Sem pensar muito, passei um braço por baixo dela e a ergui, sentindo ela se segurar em mim enquanto eu dava alguns passos até a mesa. Sentei ela ali com cuidado, mantendo as mãos na cintura dela por um segundo a mais do que o necessário.

Nossos olhares se encontraram de novo.

E, dessa vez, não tinha dúvida, nem pressa… só vontade, inclinei o rosto e a beijei outra vez.


O beijo mudou.

Não foi só intenso, foi mais profundo, mais lento, como se a gente tivesse passado de um ponto onde já não dava mais para fingir que era só impulso. Minhas mãos permaneceram na cintura dela, mas agora apertavam com mais firmeza, puxando-a para mais perto, enquanto os lábios dela respondiam aos meus na mesma intensidade. O ar ficou mais pesado, mais quente, e por um momento eu simplesmente deixei acontecer, deixando o corpo seguir aquilo que a cabeça já não controlava tão bem.

Quando senti os dedos dela puxando minha camisa, um gesto pequeno, mas cheio de intenção, algo dentro de mim acendeu de vez… e, ao mesmo tempo, me fez parar.

Afastei o rosto com dificuldade, ainda ofegante, apoiando a testa na dela por um segundo antes de criar um pouco de espaço entre nós.

Ela me olhou, confusa.

Sorri de lado, tentando recuperar o fôlego.

– Calma…- Passei a mão pelo rosto, respirando fundo – Eu quero isso.

Confessei, olhando direto para ela – Muito.

Deixei escapar um riso baixo, meio sem jeito.

– Mas não aqui… não desse jeito.

Ela ainda me observava, tentando entender, e eu aproximei de novo, mais calmo dessa vez.

– Eu quero que aconteça direito- Falei mais baixo – Não numa oficina, com cheiro de óleo e ferramentas em volta.

Vi o sorriso dela surgir devagar, mas também percebi o leve constrangimento no olhar, como se ela tivesse ficado sem saber como reagir.

Passei o polegar de leve pelo rosto dela – Ei… não é um não.

Expliquei com carinho – É só um “não assim”.

Ela soltou um pequeno riso, mais tranquila.

Aproximei de novo, roçando os lábios no dela, mas sem aprofundar o beijo dessa vez.

– Porque, sinceramente… eu te desejo de um jeito que até dói- Admiti, sem rodeios.

Respirei fundo antes de continuar, já com um meio sorriso.

– Sexta-feira… quando a Ayla estiver em La Push…- Fiz uma pausa, olhando para ela – Depois do jantar do seu pai.

Ela me observou por um segundo e então sorriu, daquele jeito que me desmontava fácil.

– Falando nisso…

Disse, inclinando levemente a cabeça – Eu queria te convidar para ir comigo.

Franzi a testa, surpreso, pisquei, assimilando o que ela tinha acabado de dizer.

– Tem certeza que quer levar um mecânico fedendo a óleo?

Ela gargalhou e acariciou meus ombros. — Quero levar meu mecânico sexy e lindo- Ela confirmou com um aceno leve, ainda sorrindo.

E eu acabei sorrindo junto.

– Bom...pedindo dessa forma ...eu vou com você.


Os dias seguintes passaram mais rápido do que eu esperava. Entre o trabalho na oficina, contas para fechar e clientes aparecendo sem avisar, minha rotina continuava a mesma… mas, ao mesmo tempo, tudo parecia diferente. A presença da Nessie na minha casa virou quase parte do dia, ela aparecia depois da escola, ajudava a Ayla com as tarefas, jantava com a gente, e, sem perceber, foi ocupando um espaço que antes era silencioso demais.

Ayla então… nem se fala.

A alegria da minha filha era outra. O jeito como ela corria para a porta quando ouvia o carro da Nessie, o brilho nos olhos, as histórias sem fim… aquilo mexia comigo mais do que eu gostaria de admitir. Ver as duas juntas, rindo, conversando, dividindo aquele tipo de carinho… me fazia perceber o quanto Ayla sentia falta de uma presença feminina, de alguém que olhasse para ela com aquele cuidado.

E, no meio disso tudo, eu também estava me acostumando rápido demais.

Rápido demais ao sorriso da Nessie, ao jeito dela, ao toque dela.

Talvez rápido demais ao que eu estava sentindo.

Eu estava na oficina, mexendo no computador e revisando uns pedidos de peças, quando ouvi a porta abrir sem cerimônia. Nem precisei levantar o olhar direito.

– Já podem entrar.

Falei, meio automático.

Paul apareceu primeiro, com aquele sorriso de sempre, e Rachel veio logo atrás.

– Olha só… trabalhando.

Rachel comentou, cruzando os braços.

– Alguém tem que fazer isso aqui funcionar.

Respondi, fechando a tela e me recostando na cadeira.

– Viemos buscar a Ayla, vamos pegar a estrada no fim da tarde.

Paul completou.

Assenti – A Ayla ainda não chegou da escola, mas a mochila dela já está pronta.

Paul arqueou a sobrancelha, surpreso.

– Garota esperta!

Antes que eu respondesse, Seth apareceu encostado na porta, como se estivesse só esperando o momento.

– A mochila dela está pronta há uma semana.

Disse, rindo.

Rachel soltou uma gargalhada – Eu não duvido.

Balancei a cabeça, sorrindo de lado.

– Ela está animada.

– Animada? – Seth riu. – Ela está contando os minutos.

Acabei rindo junto, mas logo olhei para Rachel.

– Vocês têm certeza que não vão ter trabalho levando ela com vocês?

Rachel se aproximou, colocando a mão no meu ombro.

– Jake… relaxa, vai dar tudo certo.

- Ela inclinou a cabeça, me olhando de um jeito mais atento – E aproveita a noite com a Nessie- Senti o canto da boca subir de leve – Vocês precisam de um tempo.

Antes que eu respondesse, Seth soltou: – Precisam mesmo, porque eu não aguento mais flagrar vocês dois se pegando na oficina.

– Ei!

Levantei na hora, dando um tapa leve na nuca dele.m – Fica na tua.

Paul caiu na risada, e Rachel não ficou atrás.

– Viu, a noite é de vocês !

– Vocês são impossíveis.

Murmurei, balançando a cabeça, mas sem conseguir segurar o sorriso.

Foi quando meu celular começou a tocar sobre a mesa.

Olhei a tela e vi o número da escola, o meu sorriso se desfez dando espaço a preocupação.

Atendi rápido e ouvi a voz da diretora do outro lado, formal como sempre.

– Senhor Black, preciso que o senhor venha buscar Ayla.

Fechei os olhos por um segundo, soltando um suspiro.

– Aconteceu alguma coisa?

Houve uma pequena pausa antes da resposta.

Desliguei a chamada, passando a mão pelo rosto.

– Eu preciso ir até a escola- Peguei a chave do carro já caminhando para a saída – O furacão Ayla atacou outra vez.



Narrado por Renesmee


A manhã na escola passou mais agitada do que o normal, talvez porque eu mesma não estivesse completamente focada. Ainda assim, mantive o ritmo da aula, explicando, corrigindo, chamando a atenção de um ou outro aluno mais disperso. Quando o sinal do recreio finalmente tocou, foi como se a sala inteira tivesse sido liberada de uma prisão.

– Calma! Um de cada vez!

Tentei organizar, mas já era tarde.

As cadeiras arrastaram, mochilas foram esquecidas no chão, e em poucos segundos quase todos já estavam correndo para fora da sala, rindo e gritando pelo corredor.

Quase todos.

Ayla permaneceu sentada, me olhando com aquele ar curioso que eu já estava aprendendo a reconhecer.

Cruzei os braços, me apoiando na mesa.

– Você não vai pro recreio?

Ela balançou a cabeça.

– Vou… mas eu queria saber uma coisa primeiro.

Inclinei levemente o rosto.

– O que foi?

Ela se levantou, caminhando até mim.

– Que horas você vai pra La Push amanhã?

Sorri, não resistindo ao jeito ansioso dela, e me abaixei um pouco para ficar na altura dela, apertando de leve o nariz pequeno.

– Você está ansiosa demais, sabia?

Ela fez um bico.

– Muito.

Ri baixo.

– Ainda não sei exatamente o horário… mas você precisa parar de pensar só nisso — Passei a mão nos cabelos dela com carinho – Vai lanchar, brincar com seus amigos… depois falamos sobre isso.

Ela pensou por um segundo e assentiu.

– Tá bom- Deu meia volta, mas parou antes de sair, como se tivesse lembrado de algo importante demais para deixar passar, então virou novamente para mim.

– Nessie…

– Oi?

Ela me olhou com uma seriedade que não combinava muito com a idade.

– Você está namorando o meu pai?

Fiquei parada por um segundo surpresa demais para responder na mesma hora.

– Por que você está perguntando isso?

Ela deu de ombros, como se fosse óbvio.

– Porque você vai lá em casa todo dia- fez uma pausa, me analisando – E meu pai gosta de você.

Não consegui segurar o sorriso que escapou.

– E como você sabe disso?

Ayla respondeu sem pensar duas vezes.

– Porque ele está feliz.

Aquilo me pegou de um jeito inesperado.m, respirei fundo, ainda olhando para ela.

– E você… gostaria que eu namorasse seu pai?

Ela abriu um sorriso imediato.

– Sim! Respondeu de forma simples e direta.

Engoli em seco, sentindo um calor subir pelo rosto, e tentei manter a postura.

– Isso é um assunto de adultos, Ayla- Falei com suavidade – Depois conversamos melhor, pode ser?

Ela revirou os olhos, claramente insatisfeita com a resposta.

– Tá bom…Murmurou, sem muita convicção.

Apontei para a porta.

– Agora vai pro recreio.

Ela saiu, ainda meio contrariada, mas obedecendo.

Fiquei ali por um segundo, observando a porta vazia… e então deixei escapar uma risada baixa.

Ayla era impossível.


A sala ficou em silêncio depois que Ayla saiu, um silêncio raro, quase estranho depois de tanta energia acumulada. Aproveitei aqueles minutos para organizar algumas atividades sobre a mesa, mas minha cabeça não estava exatamente ali. Ainda pensava na conversa com ela, na forma simples como disse que o pai estava feliz… e no quanto aquilo mexeu comigo mais do que eu esperava.

Meu celular vibrou sobre a mesa, me tirando dos pensamentos, olhei a tela e vi o número da minha mãe.

Atendi – Oi, mãe.

A voz dela veio animada do outro lado.

Filha, só liguei para confirmar o jantar de hoje à noite, está tudo certo?

– Está sim, eu vou.

Respondi, caminhando devagar pela sala e fiz uma pequena pausa antes de completar:

– Na verdade… você pode colocar mais um lugar na mesa?

Houve um segundo de silêncio – Mais um lugar? A voz dela mudou completamente. – Renesmee Cullen… você tem algo para me contar?

Fechei os olhos por um instante, já imaginando a cena do outro lado.

– Mãe…

Então é verdade? Ela praticamente me ignorou – Você está namorando?

Soltei uma risada leve, mordendo meu labio – Calma… não é bem assim.

Não é bem assim, mas você está levando alguém para o jantar da família?- Ela parecia cada vez mais animada. – Eu quero saber tudo.

– Você não vai saber tudo agora- Respondi, tentando manter a calma – Só… guarda um lugar, por favor.

Seu pai vai ficar muito feliz- Ela disse, claramente satisfeita – Muito feliz mesmo.

Respirei fundo, já imaginando a reação do meu pai porém antes que ela pudesse continuar o interrogatório, ouvi alguém me chamar na porta.

– Professora?

Olhei e vi a secretária.

– Um segundo, mãe.

Voltei ao telefone.

– Eu preciso desligar, depois a gente conversa.

Renesmee, não me deixa assim…

Mas já era tarde.

Desliguei, guardando o celular.

– Aconteceu alguma coisa?

Perguntei à secretária, caminhando até ela.

– A diretora pediu para você ir até a sala dela agora.

Franzi levemente a testa, sentindo um aperto no estômago.

– Agora?

– Agora.

Assenti e a acompanhei pelo corredor, tentando pensar no que poderia ser. Minha mente foi direto para mil possibilidades, nenhuma exatamente tranquila.

Quando chegamos à porta da diretoria, ela apenas indicou que eu entrasse.

Respirei fundo e empurrei a porta e congelei por um segundo, a cena na minha frente era… caótica.

A turma inteira do terceiro ano estava ali dentro.

E a diretora…

Estava completamente coberta de tinta azul.

Por um milagre, consegui segurar o riso, pressionando os lábios enquanto tentava manter a postura.

Passei os olhos pelas crianças, algumas com cara de culpa, outras claramente tentando não rir também.

Respirei fundo.

So… um dia comum no terceiro ano.