Uma lição de amor
18 Constrangimento
Narrado por Jacob
Eu permaneci ao lado da cama enquanto o médico terminava de examinar a Ayla, observando cada movimento com uma atenção quase exagerada, como se em algum gesto eu fosse encontrar uma resposta melhor do que as palavras que eu ainda não tinha ouvido. Ver minha filha ali, deitada, com o rosto levemente corado pela febre e o corpo ainda frágil depois de tudo, mexia comigo de um jeito que eu não conseguia disfarçar. Quando Renesmee disse que tinha chamado o pai, eu não imaginei que isso me deixaria mais tranquilo tão rápido… mas, de alguma forma, deixou.
Edward Cullen terminou de ajustar o termômetro e analisou o resultado com calma, mantendo aquela postura serena que contrastava completamente com o turbilhão dentro de mim.
– Ela está com febre, mas é esperado – ele disse, com a voz firme e controlada. – Ficou horas na chuva, o corpo reagiu. Eu vou medicar, e com descanso ela deve melhorar rápido.
Soltei o ar devagar, percebendo que eu nem tinha notado que estava prendendo a respiração.
– Não é nada mais sério?
Ele negou com a cabeça enquanto preparava o remédio.
– Não. O susto foi maior do que o problema em si. Ela é forte.
Observei enquanto ele administrava a medicação com cuidado, e só depois disso consegui relaxar um pouco os ombros, como se finalmente tivesse permissão para diminuir a tensão.
– Obrigado por vir.
Ele me olhou por um instante, com um leve sorriso.
– Não precisa agradecer.
A porta do quarto se abriu nesse momento, e Rachel entrou devagar, olhando primeiro para Ayla antes de se aproximar mais.
– Eu emprestei uma roupa para a Renesmee – ela disse, ainda com o tom preocupado. – Ela estava encharcada. A Ayla está bem?
Assenti, passando a mão de leve pela testa da minha filha.
– Está sim. Só febre por causa da chuva.
Rachel pareceu mais aliviada e se aproximou da cama.
Ayla se mexeu um pouco, os olhos abrindo devagar.
– Pai…
– Estou aqui, pequena.
Ela piscou algumas vezes, ainda sonolenta.
– Cadê a Nessie?
Antes que eu respondesse, vi um pequeno sorriso surgir no rosto de Edward, como se ele já estivesse acostumado com aquele tipo de pergunta.
Inclinei levemente a cabeça, ajeitando melhor o cobertor nela.
– Ela foi trocar de roupa, está toda molhada.
Fiz uma pequena pausa antes de acrescentar:
– E esse aqui é o pai da Nessie.
Ayla virou o rosto na direção dele com curiosidade, analisando com uma atenção que só criança tem, como se estivesse montando um quebra-cabeça na própria cabeça.
– Você tem o cabelo da mesma cor que o dela.
Edward soltou uma risada leve, claramente divertido com a observação.
– Tenho mesmo.
Ela assentiu, satisfeita com a própria conclusão, como se aquilo explicasse tudo.
Edward então deu um passo para trás, pegando suas coisas.
– Eu preciso ir, mas qualquer alteração… a Renesmee pode me ligar.
Assenti imediatamente.
– Obrigado. De verdade.
– Ela vai ficar bem – ele reforçou.
Fiz um gesto com a cabeça.
– Eu te acompanho.
Saímos do quarto juntos, enquanto Rachel se sentava ao lado da Ayla, passando a mão com carinho pelos cabelos dela. Antes de fechar a porta, ainda olhei uma última vez para minha filha, agora mais tranquila, e senti aquele peso no peito finalmente diminuir um pouco.
Ela estava ali, segura.
E isso, naquele momento, era tudo que importava.
Narrado por Renesmee
Eu ainda estava tentando me aquecer quando me encostei na pia do banheiro, enrolada na toalha, sentindo o corpo finalmente reagir depois de ter ficado tanto tempo debaixo da chuva. Minha cabeça ainda estava cheia de tudo que tinha acontecido naquela noite, mas pelo menos Ayla estava bem, e isso já fazia tudo parecer um pouco menos pesado.
A porta se abriu devagar, e Rachel apareceu com um pequeno sorriso, segurando algumas peças de roupa.
– Trouxe isso pra você.
Me estendi a mão, pegando o conjunto.
– Obrigada.
Ela deu de ombros, com naturalidade.
– Eu sempre trago uma roupa extra. Nunca se sabe.
Soltei uma risada leve, mesmo ainda cansada.
– Isso foi muito útil agora.
– Fique à vontade – ela disse, já se virando para sair. – Vou deixar você se trocar.
Assenti, e quando a porta se fechou, soltei um suspiro longo, daqueles que parecem carregar metade do peso do dia embora.
Olhei para a roupa nas minhas mãos e comecei a me vestir. O vestido era curto, leve, com a saia rodada, confortável o suficiente para aquele momento. Depois peguei a toalha e comecei a secar o cabelo, tentando ao menos tirar o excesso de água antes de enrolá-lo.
Quando terminei, respirei fundo mais uma vez e saí do banheiro.
Assim que cheguei na sala, a primeira coisa que vi foi meu pai conversando com Jacob. Os dois estavam de pé, em uma conversa tranquila, mas quando entrei, os olhares se cruzaram comigo quase ao mesmo tempo.
Por um segundo, fiquei parada ali.
Então me aproximei.
– Como ela está?
Meu pai respondeu antes mesmo de Jacob.
– Está bem. A febre já foi medicada, agora é repouso.
Assenti, sentindo um alívio sincero.
– Que bom.
Ele pegou as coisas dele, claramente se preparando para sair.
– Eu já estou indo. Quer que eu te leve pra casa?
Por impulso, meus olhos foram até Jacob.
Ele também me olhava.
Por um segundo, pensei em ir. Seria o mais lógico. Mais simples.
Mas…
– Eu vou ficar mais um pouco.
Respondi, voltando o olhar para meu pai.
Ele assentiu, como se já esperasse isso.
– Tudo bem.
Jacob e ele se cumprimentaram com respeito, um gesto simples, mas firme. Então me aproximei do meu pai.
– Eu te acompanho até o carro.
Saímos juntos, o ar da noite ainda úmido e frio depois da chuva. Caminhamos em silêncio por alguns segundos até chegarmos ao carro.
Quando ele abriu a porta, parou antes de entrar e me olhou com atenção.
– Tem alguma coisa acontecendo entre você e o Jacob?
A pergunta veio direta, mas sem pressão.
Senti meu coração dar um pequeno salto.
– Não.
Respondi rápido, talvez rápido demais.
Ele arqueou levemente uma sobrancelha, mas não insistiu. Apenas sorriu de canto, daquele jeito tranquilo que ele sempre fazia quando parecia entender mais do que eu dizia.
Ele se aproximou um pouco e beijou minha testa.
– Ele parece um bom homem.
Não respondi.
Só senti um calor subir pelo rosto.
Meu pai entrou no carro logo em seguida, e eu fiquei ali parada por um instante, vendo ele dar partida.
Um sorriso pequeno, meio tímido, escapou antes que eu pudesse impedir.
Quando voltei para dentro da casa, o silêncio da sala me envolveu de um jeito diferente de antes. Não era mais aquele silêncio pesado de preocupação. Era outro tipo de quietude, mais calma… mas ainda carregada de tudo que tinha acontecido.
Jacob estava ali.
De pé, no meio da sala, como se tivesse ficado exatamente no mesmo lugar desde que eu saí. Assim que entrei, os olhos dele encontraram os meus, e por um instante nenhum de nós disse nada. Só ficamos ali, nos encarando, como se ainda estivéssemos tentando entender aquela noite.
Foi ele quem quebrou o silêncio.
– A Ayla está perguntando por você.
A voz dele saiu mais suave agora, bem diferente do tom desesperado de antes.
Assenti de leve.
– Eu já vou lá ver ela.
Dei um passo à frente, mas ele falou de novo, me fazendo parar.
– Renesmee…
Olhei para ele.
Ele passou a mão pela nuca, como se estivesse escolhendo as palavras.
– Obrigado.
Franzi a testa de leve.
– Pelo quê?
Ele soltou um pequeno suspiro.
– Por tudo. Por hoje… por ter ido comigo, por ter ajudado a encontrar ela… se não fosse você, eu não sei…
Balancei a cabeça antes que ele terminasse.
– Você não precisa me agradecer.
Minha voz saiu mais baixa, sincera.
– Eu faria qualquer coisa por ela...
Dei mais um passo, ficando mais perto dele sem perceber. A distância entre nós diminuiu de um jeito natural, como se nenhum dos dois estivesse realmente pensando nisso.
– Ela foi me procurar – completei. – Eu também me sinto responsável.
Jacob me olhou com mais intensidade dessa vez.
– Você não tem culpa de nada.
As palavras dele vieram firmes, sem espaço para discussão.
Ficamos em silêncio por alguns segundos depois disso, mas não era desconfortável. Era… diferente. A proximidade, o olhar dele, o jeito como tudo parecia mais lento ali naquele momento.
Eu podia sentir.
Algo mudando.
Foi quando a voz de Rachel surgiu, quebrando completamente o clima.
– Nessie, a Ayla está te chamando…
Ela parou no meio da frase ao nos ver.
Os olhos dela passaram de mim para Jacob e depois voltaram, com um brilho divertido.
– Opa…
Um sorrisinho apareceu no rosto dela.
– Atrapalhei?
Soltei o ar em uma risadinha sem graça, me afastando um pouco.
– Não.
Rachel cruzou os braços, ainda sorrindo.
– Tenho minhas dúvidas.
Jacob desviou o olhar por um segundo, claramente tentando disfarçar.
– Eu… vou ver a Ayla.
Falei rápido, já me virando antes que Rachel resolvesse comentar mais alguma coisa.
Mas, mesmo caminhando em direção ao quarto, eu ainda conseguia sentir o olhar dele em mim.
E isso… não ajudava em nada a manter a calma.
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