Uma lição de amor
38 Dia dos pais
Narrado por Jacob
A casa dos Cullen estava cheia, como sempre ficava nessas datas. Vozes se misturando, risadas vindo da sala, o cheiro de comida boa no ar… aquele tipo de bagunça organizada que, de algum jeito, sempre acabava sendo confortável. Eu encostei no balcão por um momento, observando tudo antes de voltar a prestar atenção na conversa.
Dois anos.
Ainda parecia estranho pensar nisso às vezes. Dois anos desde que a Renesmee Cullen entrou de vez na minha vida, desde que aquela casa deixou de ser só um lugar e virou… nosso lugar. A rotina com a Ayla, os dias comuns, as noites tranquilas, as pequenas discussões que terminavam em risada. Não tinha sido perfeito, mas tinha sido real. E, pra mim, isso valia mais do que qualquer outra coisa.
Claro que isso não impedia o Edward Cullen de me lembrar, com certa frequência, que “já estava mais do que na hora” de oficializar tudo. Eu já até sabia o tom de voz que ele usava quando tocava no assunto. E, honestamente, eu não discordava… só não tinha feito ainda.
— Você tá me ouvindo ou já foi embora? — a voz do Edward me puxou de volta.
Soltei um pequeno riso.
— Tô ouvindo, sim.
Ao lado dele, Alec Volturi parecia mais interessado no assunto.
— Essa ideia da Black Customise… — ele cruzou os braços, pensativo — customização completa ou mais estética?
Endireitei a postura, animando um pouco mais.
— Completa. Motor, estrutura, visual… o cliente chega com o carro comum e sai com algo único.
Alec assentiu, interessado de verdade.
— Eu tenho um modelo em mente. Algo mais clássico, mas com desempenho moderno. Se fizer do jeito certo… — ele deu um leve sorriso — eu viro cliente.
— Pode apostar que eu faço — respondi, confiante — vai ser o primeiro da lista.
— Espero que sim — ele retrucou, com aquele ar tranquilo de sempre.
— Já tô vendo que essa conversa vai longe — a voz da Bella surgiu atrás de nós, interrompendo antes que a gente começasse a discutir detalhes demais — mas vocês podem continuar depois. Agora é hora dos presentes.
Ela apontou na direção da sala com um sorriso firme.
— Todos os pais, pro sofá. Sem discussão.
Edward suspirou baixo, mas já estava indo. Eu dei de ombros e segui junto, ainda rindo.
Quando entrei na sala, a cena me fez diminuir o passo sem perceber.
No tapete, Renesmee estava sentada, com o pequeno Alex no colo, enquanto Ayla tentava ensinar alguma brincadeira pra ele, completamente concentrada. Nessie ria de alguma coisa, com aquele sorriso leve que eu já conhecia bem demais.
Por um segundo, eu só fiquei olhando e a admirando, me aproximei devagar e
Ayla foi a primeira a me notar.
— Papai!
Ela largou o que estava fazendo e veio até mim, puxando minha mão com empolgação, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela olhou de mim pra Nessie, com aquela expressão curiosa que sempre vinha antes de alguma pergunta perigosa.
— Quando vocês vão pedir um irmãozinho pra mim pra cegonha?
O silêncio durou exatamente meio segundo, depois, a sala inteira explodiu em risada.
Eu fechei os olhos, passando a mão no rosto, já rindo também.
— Ayla…
Mas ela continuava me olhando, completamente séria, esperando uma resposta de verdade.
Olhei pra Nessie.
Ela já estava rindo, claramente se divertindo com a situação.
Balancei a cabeça, puxando minha filha pra perto.
— Nós conversamos sobre isso depois, pequena.
— Depois quando? — ela insistiu.
As risadas aumentaram de novo e eu só consegui rir junto com eles.
Eu me sentei no sofá ao lado do Edward Cullen e do Alec Volturi, cruzando os braços enquanto observava a movimentação na sala. Do outro lado, Elizabeth , Renesmee , Bella e Ayla já estavam organizadas, com caixas e sacolas espalhadas pelo tapete. O pequeno Alex estava no colo da Elizabeth, completamente alheio ao evento, mas claramente sendo usado como o mensageiro oficial dos presentes.
Elizabeth foi a primeira a se levantar. Pegou uma caixinha pequena, bem embalada, e se aproximou do Alec com um sorriso que já denunciava que ela estava se divertindo com aquilo.
— Esse aqui… — ela começou, olhando para o filho antes de voltar para ele — é do Alex, mas eu ajudei um pouco, porque ele ainda não tem muito talento pra escolher presente.
Alec arqueou a sobrancelha, curioso, enquanto pegava a caixa.
— Eu estou com medo.
Ela cruzou os braços, ainda sorrindo.
— Ele só pediu uma coisa… que você não apareça mais nas reuniões com aquela gravata horrível que você insiste em usar.
A sala soltou uma risada leve, Alec abriu a caixa com calma, tirando de dentro uma gravata nova, elegante, bem mais moderna do que qualquer coisa que eu já tinha visto ele usar.
Ele olhou para a peça por um segundo, depois para Elizabeth.
— Então isso é uma intervenção?
— Considere um upgrade necessário — ela respondeu, sem perder o tom.
Alec inclinou levemente a cabeça — Diga ao Alex que eu aceito.
— Eu digo… — ela respondeu, satisfeita — ele vai ficar orgulhoso.
Em seguida, ela pegou outra caixa, dessa vez um pouco maior, e se virou para o Edward. O sorriso dela mudou, ficando mais suave.
— Esse é meu.
Edward recebeu o presente com atenção, claramente já esperando alguma coisa mais emocional.
— Você não facilita — ele comentou, quase em tom de brincadeira.
Elizabeth deu de ombros.
— Alguém tem que equilibrar essa família.
Ele abriu a caixa com cuidado, observando o que estava dentro antes de levantar o olhar pra ela.
— Obrigado filha, adorei.
— Não precisa agradecer — ela respondeu, mais séria agora — você sempre esteve presente… do seu jeito, mas esteve. Isso já vale muita coisa.
Edward assentiu, absorvendo aquilo sem fazer piada, o que por si só já dizia bastante.
Logo depois, Bella se aproximou, segurando outro presente.
— Agora o meu — disse, com um sorriso leve.
Edward suspirou, mas havia um brilho divertido no olhar dele.
— Eu estou começando a achar que estou sendo favorecido aqui.
— Está mesmo — respondi, sem perder a oportunidade — dois presentes já? Tá fácil demais pra você.
Alec apoiou, com um leve aceno de cabeça.
— Concordo, ta parecendo favoritismo.
— Vocês dois são insuportáveis — Bella retrucou, rindo enquanto entregava o presente.
Edward abriu a caixa, ainda sorrindo, claramente acostumado com aquilo tudo.
— Eu aceito o favoritismo — ele disse, tranquilo — alguém precisa manter o padrão alto.
As risadas vieram de todos os lados.
Bella então se afastou um pouco, olhando ao redor antes de apontar.
— Sua vez, Nessie.
Nessie se levantou do tapete, pegando um presente e indo até o pai. O sorriso dela era leve, mas tinha algo ali… algo que me fez prestar mais atenção.
Ela entregou a caixa para Edward.
— Feliz dia dos pais.
Ele recebeu com cuidado, olhando pra ela por um segundo a mais antes de abrir.
— Obrigado querida.
Nessie então voltou alguns passos, e foi aí que ela falou, casual demais pra não levantar suspeita.
— O seu presente… — ela disse, olhando pra mim — vai ser entregue pela Ayla.
Eu franzi a testa, imediatamente curioso, olhei para Ayla, que já estava com um sorrisinho suspeito no rosto, claramente envolvida em alguma coisa.
Voltei o olhar pra Nessie.
— O que vocês estão aprontando?
Encarei Nessie, tentando arrancar alguma pista daquele sorriso suspeito, quando vi Ayla se levantar do tapete com uma caixa nas mãos. Ela caminhou até o centro da sala com uma concentração quase solene, como se estivesse prestes a fazer algo muito importante, e, de certo modo, estava mesmo. Todo mundo ficou em silêncio, observando, já esperando alguma coisa fofa vindo dela.
Ela parou bem na minha frente e estendeu a caixa.
— Esse é seu, papai.
Eu peguei devagar, olhando pra ela com um sorriso que já não dava pra segurar.
— Foi você que fez?
Ela assentiu, toda orgulhosa — Fui eu, eu te amo.
Um coro automático de “ownn” tomou conta da sala, e eu só consegui rir, puxando ela pra perto e beijando a testa dela com carinho.
— Eu também te amo, pequena.
Afastei um pouco e comecei a abrir a caixa, já imaginando alguma arte abstrata cheia de cor… e não estava errado. Lá dentro tinha uma camisa completamente manchada de tinta, com as cores misturadas de um jeito caótico e, bem no meio, escrito com letras tortas e cheias de personalidade: te amo papai.
Soltei uma risada na hora.
— Isso aqui é arte moderna — comentei, erguendo a camisa pra mostrar.
As risadas vieram de todos os lados.
— Eu vou usar no Natal — completei, sério o suficiente pra fazer ela acreditar.
Os olhos dela brilharam.
— Mesmo?
— Mesmo.
Ela sorriu satisfeita, como se tivesse cumprido a missão do ano.
Mas antes que eu pudesse guardar a camisa, ela já estava pegando mais duas caixinhas pequenas que estavam no tapete.
Franzi a testa.
— Tem mais?
Antes que ela respondesse, Edward Cullen se inclinou um pouco no sofá, com aquele ar provocador.
— Olha só… parece que você também está sendo favorecido.
Eu olhei pra ele, arqueando a sobrancelha.
— Favorecido nada — respondi, apontando pra ele — eu só justiça.
Alec Volturi soltou um riso baixo ao lado.
— Marmelada.
Balancei a cabeça, voltando a atenção pra Ayla, que agora segurava as duas caixinhas com um cuidado exagerado, como se aquilo fosse ainda mais importante do que a primeira, ela voltou a caminhar na minha direção, agora segurando uma das caixinhas menores com um cuidado que parecia até exagerado para o tamanho do presente. O jeito concentrado dela, com as duas mãos firmes segurando a caixa, chamou minha atenção na hora. Quando ela parou na minha frente e estendeu o presente, disse com naturalidade:
— Esse é da Nessie.
Meu olhar foi direto para Nessie, que estava de pé ao lado da mãe, observando tudo com aquele sorriso tranquilo que, naquele momento, parecia esconder alguma coisa. Eu já conhecia aquele olhar. Não era só carinho, tinha intenção ali.
Peguei a caixa e comecei a abrir, ainda tentando adivinhar o que vinha pela frente. Dentro, encontrei um chaveiro, simples, bonito, nada exagerado, mas com um cuidado que dava pra perceber que não tinha sido escolhido de qualquer jeito. Levantei o objeto, analisando melhor, enquanto a sala ficava em silêncio por um instante.
— É pra você não perder mais as chaves — Nessie disse, com aquele tom leve que quase parecia inocente.
A reação foi imediata. A sala inteira caiu na risada, e eu balancei a cabeça, soltando um riso junto.
— Ah, então virou piada agora?
— Não é piada, é prevenção — Alec comentou, com aquela calma dele que só piorava a situação.
Olhei de volta pra Nessie, fingindo uma indignação que não durou muito.
— Eu perdi uma vez.
Ela arqueou a sobrancelha, claramente se divertindo.
— Três.
Antes que eu pudesse responder, Ayla confirmou, completamente séria:
— Três.
Soltei o ar, derrotado, rindo de mim mesmo enquanto guardava o chaveiro no bolso.
— Tá bom… essa eu perdi.
Então apontei para a outra caixa ainda nas mãos da Ayla, que até então parecia estar esperando o momento certo.
— E essa? — perguntei, já desconfiado.
Ela não respondeu de imediato. Em vez disso, olhou para Nessie. E Nessie olhou de volta. Foi rápido, mas suficiente pra acender um alerta dentro de mim. Aquela troca de olhares não era por acaso.
— De quem é? — insisti, agora mais atento.
Ayla então me entregou a segunda caixa, com o mesmo cuidado de antes.
— Esse também é seu.
Peguei devagar, sentindo que o clima na sala tinha mudado um pouco. As risadas tinham diminuído, e havia uma expectativa silenciosa no ar. Abri a caixa com mais atenção dessa vez, tentando entender o que estava acontecendo.
Dentro… só um envelope.
Franzi a testa, confuso.
— Tá… isso aqui já tá ficando estranho.
Abri o envelope com cuidado, ainda sem saber o que esperar. No instante em que puxei o conteúdo, meus olhos reconheceram antes mesmo do meu cérebro processar completamente.
Fiquei olhando por um segundo a mais, como se precisasse confirmar que não estava interpretando errado. A imagem estava ali, nítida o suficiente, e, no canto, havia uma imagem, uma carinha redondinha, com os olhos fechados, ainda pequeno, mas estava ali.
Meu peito apertou e tudo ao redor pareceu diminuir, como se o barulho da sala tivesse se afastado. Eu não ouvi mais ninguém. Não vi mais ninguém.
Levantei o olhar devagar e procurei por ela, Nessie estava ali, me olhando, com um sorriso que dizia tudo sem precisar de uma única palavra.
Eu fiquei alguns segundos em silêncio, ainda olhando aquela imagem nas minhas mãos, como se, de alguma forma, ela pudesse desaparecer se eu piscasse. Meu coração começou a bater mais forte, e eu levantei o olhar devagar, procurando Renesmee Cullen, precisando confirmar aquilo vindo dela, não só de um pedaço de papel.
— Amor… você…
As palavras saíram incompletas, travadas no meio do caminho, porque eu ainda não tinha certeza se conseguia dizer aquilo em voz alta.
Ela sorriu e então apenas balançou a cabeça, confirmando.
— Sim… — a voz dela saiu calma, mas carregada de emoção — vamos ter um bebê.
Eu nem pensei em mais nada, levantei no mesmo instante, deixando o envelope cair no sofá, e fui até ela sem medir força, sem medir nada. Segurei Nessie pela cintura e a puxei para meus braços, girando ela no meio da sala enquanto uma risada escapava de mim, alta, livre, sem controle.
— Eu vou ser pai de novo!
Minha voz ecoou pela casa, e dessa vez não fui só eu.
A sala inteira explodiu em comemoração, Edward já estava rindo, pegando Ayla no colo enquanto ela também comemorava, Bella veio na nossa direção com um sorriso emocionado, seguida por Elizabeth e Alec , todos falando ao mesmo tempo, dando parabéns, rindo, tornando aquele momento ainda mais real.
Eu ainda segurava Nessie, como se não quisesse soltar nunca mais, olhando para ela como se estivesse vendo tudo de novo.
E talvez estivesse.
— Eu sabia! — Ayla gritou do colo do Edward, completamente empolgada — eu sabia que ia vir um irmãozinho!
As risadas aumentaram ainda mais.
Foi então que Edward, ainda segurando ela, resolveu falar, com aquele tom que já vinha carregado de provocação.
— Bom… agora não tem mais desculpa.
Olhei pra ele, já imaginando.
— Do que você tá falando?
Ele deu um meio sorriso.
— Casamento.
A sala inteira reagiu na mesma hora.
Bella virou para ele, já reclamando.
— Edward!
Mas já era tarde, as risadas vieram de todos os lados e eu balancei a cabeça, rindo também, mas, no fundo… aquilo já não parecia mais pressão.
Parecia só… o próximo passo.
Soltei Nessie com cuidado, descendo devagar até ficar de joelhos à frente dela.m, coloquei as mãos na cintura dela, com mais calma agora, com mais atenção, como se aquele gesto precisasse ser sentido por inteiro.
Inclinei o rosto e beijei a barriga dela e nesse momento, olhando pra mulher que mudou completamente a minha vida, um filme pqssou pela minha cabeça, nunca que eu imaginaria que a nova professora da minha filha iria me ensinar uma lição mais importante de todas.
Uma lição de amor.
Fim
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