Uma garota nos meus sonhos
11 sorte não existe -depois de tudo
Notas iniciais
ou estou me ocupando pra não pensar nos verdadeiros problemas... ah love sucks, como ja diriam.
Não percam as cenas dos próximos capitulos! ( não sei qualé a desse espaçamento louco, mas volta tda vez que eu tento arrumar, =\)
#10 Sorte não existe
O sol estava se pondo próximo ao deque. A fusão de cores mal me distraia mais. Quase dois meses tinham se passado e mais ninguém vinha me ver, tudo bem eu não os culpo.
Peguei mais uma das pedras e joguei quase no meio do lado acertando uma das bóias de sinalização das barcas. Eu conseguiria acertar o Rony dentro de um barco com essa força. Eu realmente era boa nisso...
– Uma pena que não se pode viver só arremessando pedras...
– Bom, eu agradeço por isso, sou horrivel em jogar qualquer coisa
Eu me assustei, eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar do planeta, mas ainda assim não tive a coragem de me virar.
– Sabe, o Rony está preocupado com você...- Victória continuou falando. Era por isso que ela estava aqui? Pra acalmar o Rony? Eu senti a raiva subindo pela minha garganta. — Jess está se esforçando para ser o Romeu, mas ainda assim, ela não é boa atriz.
Jess era o que faltava pra acabar com minha calma. Olhei finalmente para Vicky, não sei que cara eu fiz, mas não deveria ser boa já que ela deu um passo para trás. Me virei e arremessei a pedra com força, e ela foi três vezes mais longe do que o normal.
– Eu sinto muito por ter te ofendido Victória, mas eu não consigo mais voltar, eu não...eu fiz você chorar...
Ela pegou a minha mão e me olhou quase suplicando. E eu me odiei mais uma vez. Ela estava perto demais, seu perfume seus cachos soltos e aqueles olhos que me puxavam pra mais perto dela.
– Celine, eu... eu estou confusa, eu quando você fez aquilo eu me senti...
– Não importa. — Eu não queria ouvir dela eu já sabia. Ela sentiu repulsa? Medo? Coloquei meus dedos sobre a boca dela.- Meu avô me tirou da peça, ele nunca volta atrás de nada.
– E é por isso que você está me ignorando esse tempo todo? Seu avô mandou você fazer isso também? — Victória estava quase gritando, e eu não entendia. Eu pensei que depois de ter feito ela chorar eu era a ultima pessoa na face da Terra que ela gostaria de ver.
Mas eu parecia estar enganada...
– Eu vi você chorando... Eu então percebi que não sou boa pra você. Victória, eu, eu...
Ela pegou uma pedra e ficou do meu lado, com uma cara de raiva arremessou uma pedra. Não pude deixar de rir, ela era realmente horrivel naquilo. A pedra mal saltou um metro e já caiu na água.
– Eu gosto de você Celine...e eu quero poder ficar perto dos meus amigos. — Ah amigos,aquilo soou como um soco no meu estomago.- e sobre o que aconteceu, tudo bem você estava atuando...é normal alguém se perder no processo...
Ela pegou outra pedra. Eu sorri e olhei pra ela,tão perto... só que impossível pra mim. Eu entendi o recado, eu podia ficar perto,mas nunca tendo o que eu queria. Seria possível viver assim?!
Antes que ela pudesse arremessar eu me aproximei segurando o seu braço. Eu só podia ser masoquista.
– Você está posicionada errado. Se colocar sua perna direita para trás,você vai conseguir girar o corpo junto com o movimento, e a pedra vai muito mais longe...- Coloquei uma mão na cintura dela e a outra no braço. Eu podia sentir o calor da pele dela com o meu toque e era como se eletricidade corresse por todos os meus dedos.- Agora você olha para onde quer arremessar e faz um movimento com o corpo todo.
Me afastei um pouco, e ela fez como eu falei. A pedra voou uns 4 metros. Nada mal,ela era forte. Só que ainda assim, faltava treino. Ou motivação. Talvez só eu gostasse de ficar jogando coisas por ai.
Ela se virou com um pequeno sorriso, só que deu um passo para trás. E então eu percebi. Eu não me importava de ficar assim, se era para vê-la sorrindo daquele jeito. Era mais do que eu merecia afinal.
– Eu senti sua falta. — Eu falei, sem hesitar. Eu não ia insistir num sentimento que ela não correspondia. Mas ainda assim eu precisava de um tempo. — Sabe eu já vou indo, eu preciso decorar de novo algumas frases se eu quiser implorar pelo meu papel de volta pra Mcnally.
Me virei e fui em direção ao meu carro, eu pensei ter escutado Victória falar algo, mas antes que eu me virasse, eu escutei um " até o ensaio de amanhã."
Continuei andando e vi Rony encostado na porta do meu carro. Então tinha sido ele o responsável por tudo aquilo, bom eu não precisava esconder minha frustração para ele. Mesmo de longe acho que ele entendeu tudo. Victória ela a garota dos meus sonhos, e eu era a melhor amiga dos sonhos dela. Talvez você chame isso de azar, eu prefiro chamar isso de minha vida..
Mas eu tentaria ficar perto dela assim, cada migalha era melhor do que o tempo que eu passei longe dela, como se um pedaço meu tivesse faltando. Olhando cada janela, cada porta esperando que ela aparecesse, inventando motivos na minha cabeça pra que ela se jogasse nos meus braços.
Pensar nisso tudo tinha feito com que algumas lágrimas aparecessem no meu rosto, Rony automaticamente colocou uma mão sobre o meu ombro.
–Celine, como você está?- Ele parecia triste e preocupado comigo, quase me senti mal por ter ignorado ele esse tempo todo. Mais importante do que os amigos que tentam mandar em você são aqueles que estão do seu lado mesmo quando tudo dá errado, quando você já está no fundo do poço.
– Relaxa Rony, eu vou me acostumar com tudo isso... – Abri a porta do carro e nós entramos.
Enquanto a estrada ia passando eu pensava em um jeito de lidar com tudo aquilo. Como se aquele beijo não tivesse acontecido.
Respirei fundo pensando na Victória.
Bom, só dói quando eu respiro.
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