Uma garota nos meus sonhos
5 Same old story
Notas iniciais
Espero que gostem e continuem acompanhando! ;]
#5 Same old story
6:00 a.m
Acordei um pouco antes do despertador, mas sabia que não conseguiria pegar no sono de novo, já que a imagem do Will pulando do maldito penhasco continuava na minha cabeça. Aquele pesadelo já fazia parte de mim.
Bom, melhor aproveitar para me arrumar com calma, tomei um banho demorado e coloquei o “uniforme” que não passava de uma camisa social azul clara, já que o jeans foi permitido há uns anos atrás. Só que pelo que me lembro, as meninas ainda gostavam de colocar a saia e a meia até o joelho. Tanto faz eu acho só que não estava no pique de usar um uniforme estilo Kimi no Todoke. Pus meu jeans sem rasgos, uma regata preta e a camisa social por cima e a deixei aberta.
Coloquei meus fones de ouvido, liguei o ipod no máximo e escolhi uma musica aleatória, como sempre. Logo reconheci “18 wheeler” da Pink. Era o que eu precisava, respirei fundo e fui em direção às salas de aula.
Os alunos do ultimo ano tinham todas as aulas em um anfiteatro, e como eram só 15 pessoas os grupinhos se espalhavam para cada canto, e alguns pouco sociáveis conseguiam ficar isolados sem problemas. Mas é claro, pouco sociável não queria dizer odiado, como eu era, e como Jessica deixou bem definido isso quando uma garota veio me cumprimentar e só com um olhar fuzilante fez a menina sair correndo. Suicídio social, era isso que eu representava e todo mundo no fundo queria ser convidado para as festas de Jessica Hills.
A única coisa que me doeu foi que ela estava me olhando enquanto fazia uma trança no cabelo de Victoria, do outro lado da sala. E Vicky nem olhou para mim ela só continuou com a cabeça baixa, olhando para a mesa.
Ok, eu tinha entendido o recado. Sentei sozinha, longe de todo mundo e esperei as aulas começarem.
...
12:00
Horário do almoço, meu avô exigia que eu almoçasse com ele todos os dias, eu não me importava na verdade. Ele ficava falando das noticias do jornal, eu acenava a cabeça às vezes e depois podia ir embora.
Eu teria minha reunião do grupo à tarde, mas não me importava. Jessica e Victoria estavam nele e só de pensar nisso perdia vontade de fazer qualquer coisa. Eu preferia sumir a ser ignorada daquele jeito. Por que diabos eu ligava tanto para aquela garota? O que ela tinha de mais afinal?
Matei aula para ficar na biblioteca, e a senhora que cuidava de lá não ligava já que eu era a única visita fazia dias. Passei o dia ouvindo minhas musicas e esquecendo o mundo um pouco.
Até que quando estava indo embora para o dormitório, parei para olhar um livro aberto no meio de uma mesa. Era todo detalhado, e enorme. Foi quando o peguei para ver a capa que ouvi uma voz.
- Ouvi por ai que se você tocasse uma bíblia seus dedos queimariam e o tal de William levaria sua alma pra julgamento.
Poxa, tinha que admitir que aquela tinha sido criativa. Me virei deixando o livro na mesa e me preparei para mandar o folgado ir se ferrar. Foi ai que vi que não sabia quem era. Mas como ele estava rindo da minha cara não tinha motivos pra levar a serio.
- Poisé, eu fiquei treinando, mas ainda posso fazer fumaça sair das minhas mãos se eu tocar na agua benta. – E agora ele nem segurava o riso. Garoto estranho, não por ele ser alto e ter um monte de sardas e ser alto, mas por querer puxar conversa justo comigo.
- Eu sou Mike, do primeiro ano, mas por aqui eu sou Rony.
Rony, ele gostava de ficar andando com uma vassoura por ai, ou tentou colorir um hamster com uma varinha. Não entendi o porquê, mas preferi não perguntar.
- Eu sou...
- Celine, é eu sei. – E ele ainda veio falar comigo, realmente era um cara estranho, nem Victoria... Bom deixa pra lá, pensar em como ela estava fingindo que eu não existia me deixava triste.
- Prazer Rony, e você? Está em alguma fase rebelde em que quer acabar com a sua reputação? Porque é isso que vai conseguir comigo.
- Eu só quero acreditar que sou capaz de escolher meus próprios amigos. – Ele me olhou sorrindo e percebi que ele falava sério.
- Então que tal comermos alguma coisa no vilarejo, não acho que meu avô se incomode de me deixar usar o carro. – Já que agora eu não ia poder fugir mesmo.
- Vamos nessa, eu estou com uma baita fome.
Assim que saímos da biblioteca escutei uma conversa estranha vinda um pouco longe do corredor.
- E então ela disse que não estava passando bem e foi para casa... Sério! Ela estava muito estranha, e agora quando liguei para senhora Curtis ela me disse que Vicky ia faltar a primeira semana inteira para descansar em casa e...HEY OLHA POR ONDE ANDA!
Paralisei por completo quando ouvi o nome da Victoria, tanto que continuei na frente das garotas quando elas passaram conversando e acabei trombando em cheio com a amiga da Jessica.
- Qual é o seu problema garota? – Jessica estava furiosa, parecia que eu tinha passado lepra pra amiga dela.
- Foi mal, eu estava distraída... O que aconteceu com a Victoria? Ela está bem?
- Não é da sua conta como ela está ou não, ou será que você sabe o que acontecer?- ela estava me olhando com uma cara estranha agora. Como eu fiquei em silencio ela continuou falando. – Ou você mostrou sua verdadeira face pra ela naquela salinha amaldiçoada?
Perai, o dia da sala da biblioteca, ela pensa o que?
- Não peguei seu raciocínio sagaz querida...
- NÃO SOU SUA QUERIDA! – E eu não queria que ela fosse, mas só de ver como ela ficou vermelha percebi que tinha deixado ela louca de raiva. – Eu estou falando de você ter tentado por a mão na Vicky enquanto estavam sozinhas lá e agora ela não quer voltar mais...
- Oi? Você bateu a cabeça com força Jess, eu não sei por que ela foi embora, mas eu não tenho nada a ver com isso.
- Celine, vamos embora. — Rony parecia agitado enquanto falava.
Foi ai que me lembrei do Rony, e as garotas também pareciam olhá-lo pela primeira vez.
- Haha, Celine você vai formar um grupo de depravados agora? E você Rony como vai seus irmãos?
Rony não respondeu só que seus punhos estavam cerrados e ele tremia. Percebi que ele era só um garoto assustado na frente daquelas duas. O puxei pelo braço para sairmos de lá, mas ainda pudemos ouvir a amiga da Jessica falando.
- Hey Rony, se tiver algumas sobras do restaurante dos meus pais, pode deixar que eu mando elas pra sua casa...
Foi ai que percebi, ele tinha falado comigo porque não faria diferença. Ele era um alvo assim como eu.
Quando entramos no carro, ele me falou rouco.
- Me chamam de Rony, por que eu tenho seis irmãos e vivemos em um sitio. Como o negocio de barcas do meu pai não dá muito dinheiro, eu às vezes uso algumas roupas dos meus irmãos. Eu gosto do apelido porque sempre fui fã de Harry Potter... Mas sabe, se não quiser falar comigo eu...
Sorri para ele e falei a única coisa que me veio a cabeça.
- Eu só quero acreditar que sou capaz de escolher meus próprios amigos, Rony. Agora vamos logo comer alguma coisa, porque tenho que voltar antes que me tranquem pra fora.
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