Uma galáxia-INTERATIVA
17 Because you weren't there to dry my eyes
Notas iniciais
O clima da nave não ficou nem um pouco melhor quando Jon e o resto do pessoal voltou o rapaz simplesmente sumiu enquanto os outros tentaram recepcionar os visitantes, mas estes logo perceberam que não era uma boa hora e foram embora prometendo voltar. O clima estava péssimo por isso Nanda tratou de cozinhar alguma coisa, enquanto Peter tentava animar a todos, mas como se pode animar alguém quando não se tem nem animo o suficiente para si mesmo? Todos comeram em silencio, como se uma aura negra estive pairando por cima deles, Aaron pegou os pratos e lavo-os enquanto o resto do pessoal continuava sentado.
–Alguém sabe alguma coisa do Jon?- questionou Nanda que era a única que não tinha perdido nenhum familiar, como se ter uma vida simplória e calma por fim tivesse compensado. Como ninguém sabia a resposta à garota saiu da sala e caminhou para fora da nave, acabou achando o rapaz sentado em cima de uma árvore. A garota escalou-a e se sentou no galho junto ao rapaz.- Quer falar com a tia Nanda?- disse a garota tentando provocar uma risada nele, mas não obteve nem um pequeno sorriso.
–Eu não sei se ela tem razão te ter escondido tudo àquilo ou não, eu realmente não sei- disse o rapaz baixinho tanto que Nanda teve que se aproximar dele para poder ouvir já que os sussurros das folhas das árvores cobriram o som da voz do rapaz.
–Acho que ela teve um motivo, se todos nós tivéssemos acordado e descoberto que nossos pais tinham morrido teríamos sofrido muito mais, mesmo com apenas dois dias aqui temos amizades e vínculos que construímos depois de viver todas essas enrascadas, e esses vínculos vão nós manter vivos.
–Está dizendo que nós suicidaríamos se tivéssemos descoberto isso ontem de manha?
–Quem sabe? Não poder mudar as coisas, não é mesmo?- questionou a garota passando a mão pelo cabelo curto de Jon.- Eu só queria ter uma confirmação que amanha estaremos vivos.
No outro lado da floresta, perto de um rio agitado, e próximo da nave Sirius estava deitado, por todo lado fogueiras e crianças mostravam a alegria da noite. O rapaz se surpreendeu quando alguém se deitou ao seu lado na grama baixa quando se virou deu de cara com Judy, o rapaz simplesmente revirou os olhos para a loira, e então só então se lembrou que ela não podia ver o gesto, mesmo assim se manteve calado.
–Você não confia neles, não é mesmo?- questionou a garota, o rapaz precisou de um momento para saber de quem ela falava, já que podia tanto estar referir aos militares como o grupo que ele treinara durante a manha, mas internamente o rapaz sabia que ela falava dos recém-chegados, como se tivesse lendo seus pensamentos.
–São mentirosos, cruéis, e traiçoeiros por natureza- disse o rapaz com o olhar fixo em uma estrela em particular, mais brilhante que as outras e extremamente distante aquela estrelas significava casa, mesmo que não fosse o Sol era uma das poucos estrelas de sua galáxia natal que podia ver dali.
–Por quê?-questionou a garota tentando usar a retórica, mas esta era uma habilidade que demorava muito para se adquirir.
–Eles são frutos da ganância dos homens, bisnetos e tataranetos de grandes magnatas que venderam tudo que tinham, talvez até filhas bastardas ou seres geneticamente modificados, para terem dinheiro para entrar nas três naves.
–Não concordo com você, como podem ser cruéis se choram por seus parentes falecidos e amigos como vocês choram por seus mortos? Como podem ser mentirosos se o amor e o desespero está presente a todo momento em suas vozes? Como podem ser traiçoeiros se abraçam uns aos outros para consola-los pelas mortes? E por fim como podem ser frutos da ganância se mesmo na miséria oferecem o pouco de bom humor que tem para tentar nós recepcionar? Me responda Sirius- mandou a garota, o rapaz estava prestes a dar uma resposta mal educada quando viu as lágrimas escorrendo dos olhos mortos da garota. Por que afinal aquele era seu povo, tinha sido raptada de um dos pesquisadores que tinham começado a projetar aquela nave talvez tivesse algum sobrinho lá ou algum outro parente e mesmo assim voltara com Sirius e os resto, pois as consequências seriam graves para o grupo se a garota não voltasse com eles.
Mas antes que o rapaz pudesse responder qualquer coisa à garota se levantou e saiu batendo o pé, Judy passou ao lado de Melissa e Ian que tinham uma conversa interessante sobre os recém-chegados e seus costumes. Os dois riam e conversavam como velhos amigos, mesmo nunca tendo percebido a existência do outro.
–Adoro noites como essa- disse a garota com um sorriso leve no rosto, seus cabelos castanhos estavam soltos por suas costas e seus olhos da mesma cor faiscavam a luz da fogueira.
–Sinto saudades de quando tudo era tão simples- disse apontando para as crianças correndo.
–Se a vida fosse tão simples cansaríamos dela logo, mas todas as emoções que vivemos fazem a vida valer a pena- disse a garota passando a mão por cima do fogo sentindo o calor das chamas a uma distancia segura.
–Mas será que todos os riscos valem a pena?-questionou o rapaz puxando a mão da garota para longe do fogo.
–Tudo que fazemos tem um propósito, se doeu vai servir de lição, se deu certo vai ser algo para nós orgulharmos.
Enquanto eles continuavam sua conversa Judy acabou trombando com Sebastian, o garoto estava um pouco distante de todos olhando para todos que conversavam.
–Desculpe- disse Judy se equilibrando em uma árvore, o rapaz se afastou levemente tinha um ódio por qualquer toque de pele, talvez devido sua história de vida difícil.
–Tudo bem- disse o garoto de pele escura sorrindo amigavelmente para a garota, era dez centímetros mais baixo do que a garota, que já era considerada baixinha, e se estremamente esguio.
–Por que está aqui sozinho?- questionou a garota, quando o rapaz não respondeu ela sorriu amigavelmente para ele e disse:-Você não tem muitos amigos, então vou ser sua amiga- a garota começou a tagarelar com ele, mesmo respondendo com “sim”, “não”, “talvez” o rapaz tinha gostado de poder conversar com alguém, fazia tanto tempo que alguém tentara se aproximar dele.
Mais próximo do que se possa imaginar Deina estava sentada em cima de um emaranhado de raízes chorando, aquela era a primeira vez em sete anos que permitia que as lágrimas escorressem, chorava por seus pais, por seu irmão mais velho, por sua irmã do meio, por seus colegas mortos, mas principalmente uma pessoa em particular, sua irmãzinha, sua preciosa Elisa. Seu nome nunca estivera em nenhum arquivo da nave, então não estaria no relatório de mortos, mas não tinha como ela estar viva enquanto o resto de sua família estava morto, não sobreviveria sem eles. Quando por fim parou de chorar seu rosto estava vermelho e inchado, seu corpo rígido e gelado e sua frustração tinha ido embora, se levantou e continuou caminhando na direção indicada por seu mapa eletrônico que piscava sem parar lhe lembrando que tinha uma ultima missão antes de fazer qualquer coisa, antes de tentar se juntar aos seus familiares. Sim, tinha mentido para Peter dizendo que voltaria, por que algo dentro dela dizia que se não mentisse ele não a deixaria ir, mas também havia outro motivo, uma pequena parte dela acreditava que sua busca teria um final feliz, que a manteria viva por mais algum tempo
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