Notas iniciais
Um agradecimento especial a @Earth_Gravity tanto pela capa, quanto pela betagem, ambos impecáveis!!!

(POV Shikadai)


Tinha tudo para ser apenas uma festa a fantasia lotada de jovens adultos dançando em meio a luzes e música em excesso. Realmente, eu não era lá o maior apreciador de baladas, mas tinha sido arrastado para uma nessa noite por Boruto e Inojin.

Olhei para minha fantasia e fiz uma careta. Maldito o dia em que eu deixei os meus amigos escolherem a minha roupa. Estava derretendo dentro daquele conjunto ridículo de urso, sem contar nos olhares de deboche que recebia por todos os cantos por conta dele.

Procurei pelos dois imbecis no meio daquele mar de gente, mas só encontrei Inojin perigosamente perto de Himawari. Seria interessante ficar para ver a reação de Boruto ao perceber o amigo dando em cima de sua irmã, porém eu precisava mesmo sair — pelo bem da minha sanidade.

Me espremi entre as pessoas até finalmente chegar na saída daquela boate. A brisa fresca da noite era absurdamente reconfortante, ao contrário do ambiente de antes. Me sentei na calçada, pensando no que faria a seguir.

— Posso me sentar aqui? — Olhei para a mulher e assenti. Ela tinha longos cabelos pretos que estavam uma verdadeira bagunça, como se tivesse saído de uma briga. Sua fantasia de pirata também não se encontrava em uma situação melhor.

— O que aconteceu? — perguntei sem conter a curiosidade.

— É isso que a gente ganha por tentar ajudar a separar uma briga — ela resmungou, escondendo o rosto entre as mãos.

— Briga?

— Você não faz ideia do que acontece no banheiro feminino de uma balada. — Ela riu sem graça. — Parece que alguma garota derrubou bebida no cabelo da outra e, quando percebi, já tinha virado uma confusão.

— Você se machucou. — Apontei para um arranhão em seu braço. Ela olhou para onde eu mostrei e fez uma careta.

— Eu devia mesmo ter ficado em casa.

— Somos dois então. Ao que parece, meus amigos acharam que seria uma boa ideia me fazer passar vergonha com essa fantasia. — Segurei a cabeça da fantasia no alto, ainda sem acreditar que tinha me dado o trabalho de vesti-la.

— Eu achei bem fofo. — Mesmo assim ela segurava a risada.

— Pode rir, eu riria se estivesse no seu lugar. — Dei de ombros, colocando a cabeça no chão ao meu lado.

— Aposto que recebeu inúmeras cantadas de mulheres desesperadas para conquistar o urso mais bonito da pista.

— Pode debochar a vontade. Isso aqui só prova que eu realmente não devo nunca mais escutar Boruto e Inojin.

— Boruto Uzumaki? — Fiquei surpreso por ela conhecê-lo. — Está explicado o porquê da fantasia inusitada. Boruto não é o cara mais sensato, se é amigo dele, deveria saber disso.

— Você parece o conhecer bem.

— Nossas mães são amigas desde a infância.

— Sarada Uchiha? — Lembrava-me vagamente de Boruto comentando sobre uma garota de personalidade irritadiça que sempre ia na sua casa.

— Isso mesmo. — Ela estendeu a mão para me cumprimentar. — E você é?

— Shikadai Nara.

— Shikadai… gostei do nome. Pela sua cara de assustado, imagino que Boruto deve ter feito minha caveira para os amigos dele.

— Não é bem assim. — Ela levantou a sobrancelha, duvidando da minha resposta. — Na verdade só um pouco, felizmente ele não pareceu acertar em nada.

— O que quer dizer?

— Você é bem mais legal do que ele falou. — Sorri e pude ver as suas bochechas ficarem ligeiramente rosadas.

— Você me conheceu num momento oportuno.

— Chama isso de oportuno? — Dei risada. Aquilo era tudo, menos oportuno.

— É, você tem razão.

Um trovão interrompeu nossa conversa e ambos olhamos para o céu. Não demoraria a chover.

— Acho melhor eu voltar para lá. Minha carona vai ficar preocupada — ela falou, já se levantando e tentando arrumar a roupa.

— O que acha de irmos comer alguma coisa? — Estava gostando da companhia dela e não tinha interesse algum em voltar para aquela festa. — Posso te dar uma carona depois.

— Um convite envolvendo comida e fugir desse antro de loucos? Se está tentando me seduzir, então devo avisar que está conseguindo, Nara.

— Te seduzir?

— Claro, fantasia de urso e me chamando para comer está ficando irresistível, Shikadai. — Senti meu rosto esquentar por gostar da forma como meu nome saiu de sua boca.

— Então meu objetivo logo estará completo. — Levantei e pisquei em sua direção.

— Objetivo? — perguntou confusa.

— Beijar a garota mais bonita da festa. — Ela me deu um tapa no braço e não segurei a risada.

— Uma cantada barata dessas não vai te levar a lugar algum. — Sarada me mostrou a língua.

— Só preciso chegar até a lanchonete, garanto que o lanche de lá vai fazer o resto do trabalho.

— Acho melhor não prometer o que não pode cumprir.

Assim que comecei a caminhar, ela me seguiu de perto até o estacionamento e, quando chegamos no meu carro, abri a porta para Sarada entrar.

— Então eu prometo que vai terminar a noite me pedindo no mínimo um beijo — falei de forma convencida antes de fechar a porta. Pude ouvi-la dar gargalhadas dentro do carro enquanto eu dava a volta.

— Você é convencido.

— Isso não parece ser problema para você, sabe que eu tenho razão.

— Veremos então.

Deixei que ela escolhesse a música e tentei não fazer careta quando um rock pesado me assustou. Vez ou outra eu olhava para o lado e a via cantando baixinho de olhos fechados, fazendo me sorrir com a cena.

— Chegamos. — Ela olhou para a fachada da lanchonete pensativa. — Algum problema?

— Eu sinto que já vim aqui, talvez quando era bem criança.

— Se sua mãe é bem amiga da Sra. Uzumaki, então com certeza você já veio aqui. Pelo que eu sei, Hinata Uzumaki tem o recorde de comer mais lanches em uma competição. — A surpresa em seu rosto me fez rir. Realmente, essa era a reação de todos quando descobriam que a mãe do Boruto era uma verdadeira esfomeada.

Entramos e nos sentamos perto da janela, estendi o cardápio ao mesmo tempo que olhava o que estava em minhas mãos. Enquanto a garçonete anotava os nossos pedidos, observei a parede em destaque no fundo, onde havia um enorme mural com fotos antigas e recentes dos clientes.

— Olha lá, quem sabe você não acha uma foto sua de quando era criança. — Ela se virou para ver e sequer me respondeu, indo até o mural. Levantei, deixando nossas coisas ali, e a segui.

— Parece que esse lugar é bem antigo, olha só quanta gente já passou por aqui. — Sarada falou enquanto olhava concentradamente cada pequena foto. Fui para o lado oposto, onde eu sabia que tinha uma foto minha criança num aniversário do Boruto que comemoramos aqui.

— Olha aqui. — Mostrei a foto para ela.

— Não acredito! — Ela apontou para a garotinha que estava do meu lado cantando parabéns. — Eu também estou nessa foto! Que coincidência.

— Coincidência não, prefiro acreditar que foi o destino.

E ficamos ali, olhando para as fotos até que o lanche ficou pronto.

Como esperado, Sarada amou o lanche e disse que passaria a frequentar aquele lugar mais vezes. Depois de muito insistir, ela deixou que eu pagasse toda a conta, mas me fez prometer que na próxima vez ela pagaria. Concordei, feliz em saber que a garota já contava com uma próxima vez.

— Deve passar das três já. — Olhei para o celular e, realmente, já eram três e quinze.

— Me diverti bem mais do que na festa. — Ela encostou no carro. — E no final nem choveu. — Parei a sua frente e coloquei uma mexa de seu cabelo atrás da orelha. — Isso me lembra que eu ainda não pedi por um beijo. — Ela sorriu de forma convencida.

— Nossa noite ainda não acabou — sussurrei, deslizando o nariz por seu pescoço, que se arrepiou imediatamente. — Sabe, Sarada, você tem um cheiro delicioso.

— Só o cheiro? — Ri baixinho contra seu pescoço. Depois eu quem era o convencido.

Levei minhas mãos até sua cintura fina, puxando seu corpo contra o meu, e pude ouvi-la suspirar.

— Seria bem mais fácil se me pedisse para te beijar, sabia? — Disse despreocupadamente e ela bufou, mas não se afastou, ao invés disso, colocou os braços ao redor do meu pescoço, aproximando nossos rostos. Um sorriso malicioso surgiu nos lábios rosados logo em seguida.

— Eu não precisarei pedir se antes tomar a iniciativa. — Não tive tempo de processar suas palavras porque, no segundo seguinte, sua boca estava colada à minha.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!