Selina se deu ao luxo de afundar na cadeira mais próxima, sem pensar em muita coisa e muito menos no ambiente ao seu redor. A única coisa que estava em sua mente era o fato de ter acabado de ser pedida em casamento. Parando para pensar, ela nunca imaginou se casar com alguém, não estava nos seus planos se apaixonar. Sua vida se resumia a sobreviver e, se ela conseguisse sair dessa situação precária um dia, já estava bom. Agora. haviam lhe oferecido muito mais do que ela esperava ou imaginava.

Gostaria de passar o resto da vida com Bruce? A resposta era sim, apesar dos contras, apesar da vida que levavam, apesar dos traumas. Ele era um bom homem, um homem disposto a cuidar dela e do filho dela, deles, como ele fez questão de enfatizar. Parando para pensar, Selina teria, por um lado, conforto e segurança, um lar, uma família, coisas que nunca teve. E não seria bom finalmente tê-las?

Era quase surreal demais para se acreditar completamente. Ela só precisava de mais um momento e um pouco de ar. Imaginou que toda aquela tensão não seria nada boa para o bebê. Sorriu com o pensamento, estava genuinamente preocupada com o filho. Ela ficaria feliz em vê-lo crescendo com tudo do bom e do melhor do que de maneira miserável..

Ainda sozinha e refletindo, Alfred se aproximou de mansinho, sem ter consciência do que estava acontecendo.

—A senhorita está se sentindo melhor? — ele fez questão de checar — posso fazer alguma coisa por você?

—Não Alfred, quer dizer, obrigada — ela se corrigiu — talvez um dos seus chás seria bom.

—Claro, eu já volto — ele saiu lentamente, alegre em poder ajudar.

Quando ele retornou com o chá e Selina tomou um gole dele, sua decisão já estava tomada.

—Está bem melhor, se me permite dizer — Alfred comentou depois de um tempo.

—Ah eu estou aliviada de ter me recuperado de um choque — ela replicou, num tom mais descontraído — culpe o seu patrão por isso.

—E o que ele teria feito? — o mordomo estreitou os olhos, intrigado.

—Ele quis se casar comigo porque estou grávida, quer dizer, ele deixou claro que não é só por isso, mas enfim,, foi o que o motivou — ela explicou a situação.

—Oh, eu... devo lhe dar os parabéns, senhorita? — o mordomo ficou em dúvida genuína por um momento.

—Claro, acho que sim, é o que as pessoas normais escutam quanto estão na minha situação — ela comentou — é que não somos tão normais assim.

—Se me permite a franqueza, um pouco de normalidade era o que vocês precisavam — Alfred disse em resposta — eu desejo que sejam felizes, mesmo não abandonando a missão de vocês.

—Bom, você nos conhece bem — ela se permitiu dar um sorrisinho de lado — vamos ver como as coisas vão ficar agora.

Alfred diria mais alguma coisa se não tivessem sido interrompidos pela presença soturna de Bruce. Selina percebeu isso depois de um segundo e se virou pra ele. Parecia abatido e hesitante, completamente na expectativa. Como sempre, o olhar dele a comoveu.

—Cedo demais para pedir sua resposta? — ele tentou obter o que queria.

—Não — ela deu um sorrisinho rápido e balançou a cabeça — tá, eu me caso com você.

—Mesmo? — ele murmurou, surpreso.

—Era isso que queria, não era? — ela se aproximou, o abraçando e olhando para ele.

Bruce se deu ao luxo de retribuir o carinho, a envolvendo em seus braços também.

—Só não esperava que fosse tão rápido — ele respondeu, olhando fixamente para ela.

Selina percebeu que os cantos da boca dele tremeram um pouco, um esboço de um sorriso. Ela tocou o rosto dele, de um jeito terno, que sempre o deixava aliviado.

—Não dói sorrir — ela disse suavemente, entendendo a dor dele — ainda mais quando se tem um motivo genuíno pra isso.

Bruce então cedeu e sorriu da forma mais feliz e genuína que conseguiu, olhando para o motivo de sua fidelidade. Ele a beijou a seguir, ternamente, agradecido, por Selina e sua criança fazerem parte de sua vida.