Notas iniciais
Oi pessoas tudo bom? Espero que sim e ,por favor, não me taquem pedras okay?! Sei que demorei mais que o de costume, mas é que esse capítulo me deu um pouco de trabalho devido ao encaixe das coisas e para agravar minha situação eu tenho estado com minha rinite extremamente atacada e isso acaba desencadeando uma conjuntivite alérgica o que faz com que eu não consiga ler por conta da irritação nas vistas. Ainda não estou 100%, mas estou fazendo o possível para pelo menos não deixar vocês esperando demais por conta desses meus problemas de saúde. Enfim...espero que vocês gostem desse capítulo, agradeço de coração a todos os comentário fofos e também aos leitores fantasmas né?! Pq eles também contam. Peço perdão pelos erros que com certeza terão e se tiver algum muito grotesco me avisem que eu corrijo okay?! *OBS: As partes em itálico são as lembranças da Kyoko. Bjs a todos e até!!! =D Imagens meramente ilustrativas e encontradas no Google. Crédito total ao artista que assina a obra.

Em todas as criações grandes ou pequenas

Você é a única que supera todas

Mais preciosa que qualquer diamante ou pérola

Eles quebraram o molde quando você veio ao mundo.

—Amoras?!

Saga sorriu acariciando a nuca de Kyoko.

—Sim! Suas frutinhas cabeludas se chamam amoras e eu já disse isso varias vezes. — Respondeu, deslizando a ponta dos dedos pelo caminho da espinha dela. —Estou feliz que já consiga andar.

— É...ainda não estou cem por cento, mas Saori me ajudou muito. Tenho que agradecê-la depois.

— Mas...mesmo assim ainda não cresceu. – Saga tocou o local da ferida onde dali deveria sair a cauda. Ela se remexeu desconfortável.

—É... – Kyoko respondeu sem ânimo.

O cavaleiro ficou pensativo, preso naquela sensação gostosa da pele quente ainda colada na sua. Não queria mais sair dali, não queria ter que se desfazer daquele abraço, daquele cheiro e daquele calor. Era tão bom...

Já queria Kyoko para si desde que pisou em sua casa, mas agora depois daquela consumação, ele queria mais. Não queria somente o corpo queria também o coração, mas...será que ela também queria assim? Mas antes disso ele precisava sanar sua maior dúvida...

— Kyoko...Porque eu? – Ele perguntou, mirando os olhos bicolores. O rosto ainda exibia o tom rubro pelo orgasmo recente e os cabelos e o corpo ainda molhado de suor. —Como chegou ao santuário? Como você me encontrou?

—Só te digo se me disser como conseguiu isso.

Kyoko deslizou o dedo por cima de uma cicatriz que Saga carregava no peito bem em cima do coração; ela era longa, funda e na horizontal. Sempre teve curiosidade em saber, mas sem entender bem porque nunca havia tido coragem suficiente para perguntar. Achava que ela era tão diferente das outras que ele carregava que talvez ele não quisesse lhe dizer. O cavaleiro deslizou a língua pelos lábios em um ato instintivo para umedecê-los por conta do nervosismo. Não queria ter que falar sobre isso ainda mais depois de saber do sofrimento dela no passado. Tinha medo de Kyoko não entender, ou melhor...não aceitar.

— Eu perguntei primeiro. – Ditou sorrindo e Kyoko bufou. — Eu falarei depois de você, prometo. – E um selinho para selar o acordo.

— Está bem...- Bufou rendendo-se. —Há alguns anos eu...tive que fazer o resgate de uma mulher que havia atravessado por uma das fendas. Ela estava bem debilitada por causa do ar e ...balbuciava palavras sem sentido. Fiquei observando por um tempo, tentando entender o que ela dizia, mas você sabe...sou curiosa e não nego isso. Como não entendi muito bem eu dei de ombros e fiz minha obrigação: Peguei a mulher e atravessei com ela pela mesma fenda por onde ela havia passado e tratei do envenenamento, mas...– Kyoko fez uma pausa, se acomodando melhor no colo de Saga. Ainda estava sentada sobre as coxas dele e as mãos em seu peito. — Quando cheguei...fiquei surpresa.

Saga franziu o cenho quase unindo as sobrancelhas.

— As estrelas estavam agitadas, cortando o céu de uma maneira que eu nunca havia visto no mundo dos homens, mas o que estava acontecendo ali todos os mundos tinha ciência... Era uma Guerra Santa.

—O quê? – Saga sentiu o coração falhar uma batida. Suas lembranças cortando seu peito como uma faca afiada. Não...será que....

—Eu senti cheiro de morte, cheiro de dor. Pensei em voltar. Eu sabia que não devia ir, aquilo não era um problema meu. Nunca o Makai interferiu na luta dos deuses e não seria naquele dia que iria acontecer, mesmo sabendo que eu...não devia, eu simplesmente não consegui ignorar...

Que...energia. Eu...nunca senti nada parecido. — Falou consigo mesma.

A kitsune curiosa mordeu o próprio lábio pensando se deveria ou não fazer aquilo. Não queria se envolver na briga dos deuses, mas que mal teria somente em espiar?

“Não Kyoko, chega! Você já fez sua parte, agora é hora de voltar.”, repreendeu-se em pensamento.

—Eu dei as costas e...tentei voltar, mas não consegui. Senti uma confusão de sentimentos e agonia vindo mais distante. Era...tão triste que eu senti meu corpo responder de imediato em forma de dor então...eu não resisti. Eu fui até lá.

— Hum! Um cemitério, que mórbido. — A raposa escondeu-se onde achou conveniente sem conseguir piscar. Camuflagem era um de seus maiores dons, não tinha com que se preocupar.

E das sepulturas, punhos romperam os caixões como nos filmes de terror. De uma delas, Shion foi o primeiro a surgir no corpo jovem de 18 anos onde somente trapos cobriam as partes necessárias. O ariano esticou o corpo e como uma invocação Afrodite de Peixes e Máscara da Morte de Câncer saíram da mesma maneira.

A kitsune ficou em silêncio, sua respiração prendeu-se na garganta e os olhos atentos sem nem ao menos piscar. Nunca em sua vida havia visto homens saírem de suas sepulturas de maneira intacta e...bela. O deus dos mortos era digno de aplausos por aquele feito.

Sorrateira, esgueirou-se pela escuridão farejando o cheiro do grande mestre e dos outros assim que eles iniciaram seu caminho. Entretanto ao sentir uma nova confusão de energias, ela manteve-se no mesmo lugar. Não podia interferir, mas nada a impedia de olhar. Seria apenas uma telespectadora dos passos daqueles...mortos vivos ou seja lá o que eram.

—Perai, você estava lá?! Viu Shion, Afrodite e Máscara?! Então...você...

— Sim...- respondeu mirando os olhos verdes e perplexos de Saga.

Kyoko olhou ao redor quando sentiu três energias ainda mais forte que as três primeiras vir mais atrás. Precisava se esconder e rápido. Pulou rápido, transformando-se em uma sombra negra em forma de raposa, subindo pelo enorme pilar e se escondendo em meio à escuridão no relógio das doze casas.

Curiosa mirou mais três homens com mantos encapuzados caminhar até a casa de Áries. Seus olhos não desgrudando nenhum segundo daquela cena. A energia pesada e triste emanando como um perfume natural de cada um. Ela podia sentir em cada passo e cada movimento uma tristeza e dor que a atraía ainda mais para aquele confronto. Eles diziam que precisavam lutar mesmo no fundo seus corações berrando em negativa.

—Eu vi o desespero e a decepção estampada no rosto de Mu quando Capricórnio se mostrou primeiro, vi Camus de Aquário surgir com toda sua frieza e altivez... e aí...- Kyoko mordeu os lábios novamente, viajando nas sensações daquele dia. —Eu vi você.

Saga nada disse, não conseguia. Ela havia estado tão perto e presenciado aquele...horror e sua vergonha. Sua face queimou e seu coração doeu. Odiava lembrar-se daquilo. Mesmo sabendo que o que tinha feito era por um bem maior ainda assim sentia vergonha. Vergonha por ter sido um traidor, vergonha por ter atacado Mu covardemente. E Shaka? Deus, Shaka! Haviam matado Shaka da maneira mais covarde que um cavaleiro de ouro podia ser e isso ele nunca conseguiu esquecer mesmo depois do perdão de Atena.

Kyoko nem sequer piscou quando Saga de Gêmeos finalmente se mostrou imponente, sério e arrogante. Ela soltou o ar que havia prendido devagar e em seguida o puxou de volta pelas narinas, farejando e diferenciando o cheiro dele em meio aos outros, mesmo estando tão longe. Agora ela conseguia distinguir e saber de onde vinha aquela dor. Era Saga quem pesava mais. Era como se a dor dele fosse maior que a de seus companheiros, mas...porque ele sofria mais que os outros? Por que ele mesmo tão sério emanava uma dor e tristeza maior que a de seus companheiros se estavam nas mesmas condições? O que ele tinha feito? E por que ele....

—Sangue...

Kyoko sussurrou, ficando pasma assim como Mu ao ver melhor que ninguém as lágrimas de sangue jorrar das entranhas da alma de Saga.

“Homens não choram lágrimas de sangue. Que dor é essa? Por que ele está chorando?”

Um sorriso irônico entortou seus lábios e seus olhos mudaram de cor: — Acho que vou gostar desse show.

Assim que Mu fora paralisado por Shion, os três seguiram sua ordem de levar a cabeça de Atena a Hades. Kyoko não conseguiu ouvir claramente o que eles diziam, mas mesmo assim pulou sobre as pilastras, se esgueirando pela escuridão ao encalço dos três. Sua curiosidade estava falando tão alto que acabou se deixando levar de vez. Seus olhos só desviaram da figura de Saga por um segundo quando o relógio das doze casas foi aceso por Dohko, mas mesmo assim ela não parou. Voltou a fixar sua atenção total no homem mais velho e seguiu no mesmo passo, escondendo sua presença, energia e cheiro. Não podia ser sentida, tampouco vista ou aquilo poderia acabar muito mal. Queria saber onde aquilo daria, já tinha escutado falar daquelas Guerras, mas nunca havia lhe despertado a curiosidade de ver de perto seja lá como elas fossem até aquele dia. Não sabia o nome dele...ainda, mas sabia que nunca tinha sentido a dor de um homem humano como sentiu daquele.

Na casa de Gêmeos, fundiu-se a escuridão das sombras com perfeição. Sentiu o corpo estremecer de susto e surpresa ao ver o golpe lançado por Saga até seu irmão. Ele era incrivelmente poderoso, mal podia acreditar que um homem humano tivesse tanto poder. Sentiu-se ainda mais tentada em ver até onde ele iria chegar, até a que ponto ele iria para cumprir sua missão e o principal: descobrir a origem de tanta dor e culpa.

—Explosão Galáctica!! – Saga lançou seu golpe mais poderoso. Destruindo a ilusão causada por seu gêmeo.

— A ilusão desapareceu.

—Não podemos ficar aqui parados para sempre. – Respondeu o mais velho a Camus. – Em todo caso... “eles” ainda estão nos seguindo.

"Ora, ora então...ele também percebeu a presença daqueles espectros fracotes? Melhor eu redobrar minha atenção.” , pensou a kitsune misturada em meio as sombras.

—Sim, estão colados atrás de nós. O cosmo de Aldebaran que deixamos para trás sem luta, também desapareceu. Um deles deve ter ficado para trás e o matou. – Ditou Camus.

—Vamos lutar com eles agora e acabar com isso? – Shura ergueu a mão na altura do rosto em posição de ataque.

—Não! Ainda não. – Saga interrompeu. – Podemos fazer isso depois. —Nossa missão agora é chegar até a câmara de Atena o mais rápido possível.

—Sim! — Afirmou Camus e Shura.

— Vamos até Atena! – Ordenou o geminiano.

—Admito que, matar aqueles espectros fedidos e fracos, tomando suas sapures para não ter que enfrentar Aiolia foi uma ideia e tanto. O leão seria burro demais para perceber, mas contra Shaka...

Na casa de virgem Kyoko achou melhor ficar o mais distante possível. Shaka emanava uma energia poderosíssima o que fazia algo lhe dizer que aquele confronto não seria nem um pouco parecido com os anteriores, não ficando nem um pouco surpresa ao ter sua confirmação. Shaka estava sozinho, mas mesmo assim não iria deixar por menos.

— Khan!! — Ele gritou invocando sua barreira protetora.

“Que energia, ele está tentando conter os três. Se continuar nesse ritmo ele vai..."

—Ohn!!

Kyoko nem teve tempo de processar aquela informação, pois Shaka elevou seu cosmo ao máximo, abrindo os olhos e desencadeando uma explosão enorme. Os espectros que assistiam a batalha foram arremessados para longe e se a kitsune não fosse quem fosse teria sido atingida também.

O teto da casa de virgem ficou em pedaços, mas para surpresa de todos Shaka parecia ter saído ileso, tirando fato de um pequeno arranhão surgir em seu belo rosto, tudo estava em seu devido lugar.

— Naquele dia eu senti meu sangue gelar nas veias quando vi Shaka e vocês frente a frente. Ele...quase não havia conseguido deter o primeiro ataque então eu pensei...

“Tolo, irá enfrentar os três juntos sozinho? Será que esse cara não vê que é loucura? Ahn...homens...sempre tão tolos e imbecis. Tudo bem que fugir não seria digno, mas ele podia simplesmente deixa-los ir...não é?!”

Kyoko mantinha o sorrisinho travesso nos lábios e o olhar atento em todos os passos dos cavaleiros. Shaka caminhou devagar até uma grande porta talhada com uma enorme flor de lótus onde dava acesso ao belo Jardim das Árvores Salas Gêmeas. Em questão de minutos a batalha corpo a corpo se iniciou, mas também não durou muito tempo. Shaka prendeu ambos os três em seu maior golpe tirando os cinco sentidos deles um de cada vez e os deixando encurralados. Kyoko mal pode acreditar que Saga, Camus e Shura se uniriam daquela maneira, chegando à conclusão que ambos os três não passavam de...

“Covardes...não sei porque eu ainda me impressiono.”, Kyoko meneou a cabeça em desagrado. Aqueles homens não tinham honra? Shaka já estava na desvantagem por enfrentar três e ainda para completar eles se uniriam daquela maneira só para vencer? Ou quem sabe...medo de morrer e voltarem para as tumbas de onde nunca deveriam ter saído?

Uma energia gigantesca quase findou o jardim de virgem. A Kitsune protegeu as vistas com o braço e esperou até que tudo voltasse ao normal e quando finalmente conseguiu abrir os olhos, seu coração falhou uma batida.

—Shaka...caiu. – A voz de Mu soou calma, mas carregada de uma tristeza quase palpável.

E foi nesse momento que Kyoko perdeu o ar. Uma dor horrível lhe afligir no peito como um soco forte, a confusão dos sentimentos de todos os cavaleiros daquele lugar fora tão intensa que invadiu sua mente e seu corpo como ondas de choque.

Ela podia sentir a revolta de Aiolia e a tristeza sem fim de Mu de Áries ao perder seu melhor amigo, sentiu o ódio de Milo por Camus de Aquário, seu melhor amigo que agora havia se tornado para ele o maior traidor do santuário, sentiu Shun sangra por dentro e chorar assim como Seiya, Shiryu e Hyoga. A confusão no coração de Kanon que mal podia acreditar que seu irmão havia tido coragem para um ato tão cruel e covarde.

Gemeu de dor e tristeza, mas não por ela mesma, mas sim pela dor deles. Respirou fundo, fechando os olhos com força e tentando se concentrar somente em seu alvo. Não podia desabar ali ainda mais por sentimentos que não lhe pertenciam. Shaka havia feito sua escolha e isso não era um problema seu, aquela dor não era sua.

“O que foi isso? Eu...o quê?!”

Kyoko ficou ainda mais estática ao mirar a imagem de Shaka caminhar até as árvores e sem piscar, fixou sua audição e atenção nas últimas palavras dele...

—As flores brotam, e morrem... as estrelas brilham, mas um dia se apagarão...Tudo morre... A terra, o sol, a via láctea e até mesmo todo este universo não é exceção! Comparado a isto, a vida do homem é tão breve e fugida como um piscar de um olho...Neste curto instante, os homens nascem, riem, choram, lutam, sofrem, festejam, lamentam, odeiam pessoas e amam outras! Tudo é transitório... E em seguida, todos caem no sono eterno chamado morte...

Saga mal conseguia respirar e seu coração parecia querer explodir dentro do peito. Kyoko narrava sua vergonha com detalhes que talvez nem ele mesmo soubesse. Ela estava lá o tempo inteiro e ele nunca percebeu. Ela estava lá olhando para si, seguindo seus passos e seus atos, vendo-os se digladiar e principalmente matar Shaka da pior maneira possível, mesmo que fosse um ato necessário. Sentiu a face queimar de vergonha e sem tem o que fazer deixou seus olhos serem cobertos pela franja.

A kitsune sentiu a oscilação do coração daquele homem que nem em seus melhores sonhos imaginou ter Kyoko em sua vida ainda mais daquela forma.

—Então...foi assim que você me conheceu? Sendo um espectro de Hades e matando Shaka de forma covarde?

— Não. – ela respondeu e Saga voltou a mirar os olhos bicolores de Kyoko. — Foi a partir da morte dele que eu conheci você.

O grego fitou com dúvida e espanto o sorriso doce e os olhos fechado da kitsune. Ela não podia ser mais adorável mesmo narrando algo que para ele era um de seus piores pesadelos, seu carma, sua vergonha e ela percebendo a confusão no rosto e no coração do amado tratou de continuar a explicar.

— Saga...eu vi você matar Shaka e enfrentar seu irmão, mas também o vi chorar em silêncio de remorso e uma culpa que ainda está aqui...- Tocou o coração dele. —... até hoje. Também vi você e os outros engolirem o orgulho e fazerem o que deviam fazer mesmo que lhes doesse no íntimo. Vi o quanto todos vocês sofriam tendo que se enfrentarem mesmo quando seus corações berravam para que aquela guerra acabasse. Depois disso eu segui vocês até onde Atena já esperava. Você chorou como um menino quando ela cortou a própria garganta com o punhal que você segurava. Você não a matou, mas mesmo assim sente e se culpa como se você tivesse feito aquilo.

Kyoko passou a mão na franja de Saga e o obrigando a olhar para si quando o mesmo sentiu os olhos arderem. Sentiu vontade de chorar, mas não queria. Não na frente de Kyoko.

— Depois da morte de Saori eu observei você, Camus e o outro saírem com um manto nos braços. Farejei o cheiro de sangue, mas não parecia haver corpo ali...

Kyoko seguiu ao encalço da tríade mantendo-se ainda mais oculta do que antes quando se deu conta para onde eles iam. Farejou de imediato o cheiro de morte que exalava do Castelo de Hades onde se encontrava a entrada para o Meikai. Sabia que ali não podia vacilar, espectros de todos os tipos andavam de um lado para o outro, fazendo a guarda de Pandora e de tudo em volta.

Pulou por sobre as árvores e vendo por uma janela Saga carregar o manto sujo. O pequeno espectro fraco e de aparecia grotesca correu saltitante até sua “senhora”, atravessando uma porta com ambos os três.

—Kuso!(Droga!) – Ela sussurrou quando os perdeu de vista. Olhou ao redor e encontrando uma claraboia. Subiu o mais rápido que pode, mas sem se deixar ser vista até enfim encontrar a tríade ajoelhada diante de Pandora.

—Hum! Ela nem é tão bonita assim. – Falou consigo mesma, dando de ombros e voltando a focar-se no diálogo.

—Trouxeram o corpo de Atena no prazo de doze horas. Não esperava menos dos cavaleiros de ouro conhecidos como os mais poderosos. – Ditou Pandora com sua voz melodiosa. Kyoko remedou a moça que não fazia nem ideia de que era observada. —Agora retirem o manto e me deixem ver o cadáver de Atena.

Um silêncio estranho pairou no ambiente. Saga estava mudo graças ao golpe de Shaka. A kitsune não conseguia entender, mas sabia que de algum modo ele se comunicava diretamente com aquela mulher.

—Por que perguntam isso agora? O imperador Hades nunca faria falsas promessas. Podem confiar em sua palavra.

“Promessas vinda do deus dos mortos só pode ser morte na certa, fala sério.” Sorriu travessa, dando de ombros e focando-se novamente no diálogo.

Pandora sorriu, mas logo em seguida seu cenho se franziu de irritação:

— Não! O imperador Hades é um deus, ele não se mostra diante dos humanos. Eu verei o corpo e isso será suficiente.

Kyoko remedou outra vez, fazendo gestos com as mãos e mostrando a língua. Não sabia explicar, mas no fundo não estava gostando nem um pouco do tom da mulher. Quem ela pensava que era para falar com eles daquele jeito?

— Agora podem tirar o manto. – ordenou Pandora. Kyoko voltou a ficar atenta. Seus olhos se prenderam novamente em Saga e suas orelhas se ergueram em alerta total.

Um brilho intenso iluminou os olhos verdes do cavaleiro de gêmeos e a kitsune teve que levar as duas mãos a boca para não gargalhar da cara de espanto de Pandora quando Shura a pegou colocando sua mão afiada bem no pescoço.

— Ela bem que mereceu. – Riu baixo escarnecendo de Pandora.

—Aiolia!!! – O grito de Milo e Mu chamou a atenção de Kyoko. Ela deu a volta no parapeito até onde pode ver um clarão da luta entre Radamanthys e os três.

—Hum! Covarde. – Sussurrou voltando a posição inicial.

—Eu já entendi... – Disse Pandora. —...respeito à dignidade de vocês. Claro nunca deixaram de ser Cavaleiros de Atena, mas não estão esquecendo de um detalhe muito importante?

Saga, Camus e Shura sentiram o corpo ser empurrado e caíram no chão assim que os primeiros raios de sol tocaram suas peles. Pandora sorriu vitoriosa ao ver os homens daquela maneira. Kyoko focou-se ainda mais no que acontecia. Eles estavam machucados e isso era inegável, mas o sol? O que eles haviam se tornado vampiros por acaso?!

Pandora revelou enfim o que Kyoko queria saber. Ficou pasma em saber que eles só tinham doze horas. Saga estava morrendo, assim como seus dois amigos. Olhou compadecida para Aiolia que lutava desesperadamente contra o juiz mesmo sabendo que não venceria. A barreira fazia seu trabalho como ninguém, deixando Radamanthys ainda mais poderoso, ou melhor, os cavaleiros muito mais fracos.

A mulher deu as costas, saindo por uma porta com um sorriso vitorioso estampado no belo rosto. Zelos o espectro nojento, pulou até Camus o chutando e o humilhando mais do que já estava.

Kyoko colocou as duas mãos no vidro, olhando de um lado para o outro e não vendo ninguém mais. Sentiu pena de Camus, mas não podia fazer nada além de esperar. Os gemidos de dor do cavaleiro eram agoniantes e ela sentiu mais nojo ainda de Zelos.

—Vamos, Seiya! – A voz de Shun se fez presente e Kyoko saiu de onde estava. Abaixou para não ser vista, mas ambos os bronzes estavam tão desesperados que mesmo que ela tivesse ficado no mesmo lugar eles nem sequer notariam sua presença.

Pularam no lugar espatifando a janela e surpreendo Zelos. Kyoko voltou a observar. Ela não iria perder a chance de ver aquele espectro covarde se dar mal e para sua satisfação ele realmente se deu.

Hyoga o golpeou, mas a cena a seguir foi de partir seu coração...

— Não mestre, por favor, não me deixe! – Hyoga chorava abraçado ao corpo de Camus.

O corpo do cavaleiro começou a se desfazer como se ele todo fosse composto por milhões de vagalumes. A kitsune sentiu-se compadecer do pequeno cisne e mais ainda dos outros que pediram em seu último fôlego de vida que aqueles jovens protegessem o que julgavam ser o certo. Saga com muito esforço fez algo que Kyoko jamais esperava. O homem ficou de pé, erguendo seu rosto e finalmente encontrando seus olhos bicolores. Foi somente por um segundo que ela pode contemplar o rosto belo do cavaleiro e aquele verde mar que eram os olhos de Saga até a vida dele ser levada enfim na forma de pequenas estrelas.

As estrelinhas que formavam o corpo do cavaleiro subiram em um espetáculo luminoso, refletindo nos olhos dela o brilho de cada uma delas. Uma última e solitária não teve força para subir, mas foi devidamente aparada com zelo na palma da mão de Kyoko.

Ela sorriu singela. Não sabia dizer quais das sensações era a mais forte em seu coração, mas de uma coisa sabia: Ela nunca iria esquecer a força de vontade e a bravura daqueles homens que deram suas vidas para deixar o mundo melhor.

—Arigatou...

O pequeno vagalume se apagou e o sorriso no rosto dela se abriu mais. Estava feliz por ter ficado até o fim. Valeu e muito a pena cada minuto, cada segundo daquela aventura. Saga havia olhado para si, mas ela não soube dizer se para ele aquilo havia feito alguma diferença. Ele estava morto enfim, mas ela não se entristeceu já que ele e seus sentimentos ficariam guardados eternamente em sua memória.

— Destruição máxima!!!

O berro de Radamanthys tirou Kyoko de seus devaneios e ela não ficou para ver o que aconteceria com Zelos. Estava na hora de sair dali o show já havia acabado e não tinha mais nada para ver. Pulou por sobre as pilastras até tocar o solo.

Na entrada do castelo o juiz acabava de jogar Aiolia no Cocytos, mas um cheiro e uma energia conhecida fez Radamanthys virar num pulo, surpreendido e extremamente perplexo com o que viu. De onde ela havia saído? Ele não percebeu nenhuma presença ali além daqueles que ele já havia visto então, como ela havia chegado ali sem que ele percebesse?

— Quem é você?

“Ah não.”, pensou a kitsune. Uma careta de insatisfação brotou em seu rosto. Aquele juiz era um saco e não estava com a menor vontade de sequer olhar para as fuças daquele metido a besta.

—Eu perguntei quem é você. – Indagou firme o homem e a kitsune bufou. Não teria jeito, teria que confrontá-lo.

Kyoko virou lentamente até ficarem frente a frente. Radamanthys franziu o cenho ainda mais sem conseguir acreditar no que seus olhos estavam vendo. Aquilo só podia ser obra de sua imaginação.

Kyoko olhou para os lados, ignorando o juiz e focando-se no corpo de Milo inerte no chão. Ele estava morto e isso era um desperdício. Sentiu pena dele, mas mesmo assim não demonstrou.

— Sō kawaī. (Tão fofo.) Mottainaidesu. (É um desperdício.) – Agachou, acariciando o rosto de Milo, afastando os cabelos para ver melhor sem se importar com o olhar fuzilante de Wyvern sobre si.

Radamanthys trincou os dentes. Quem ela pensava que era para ignorá-lo daquela maneira?

Seu cosmo começou a se elevar e Kyoko voltou a fitá-lo de modo ainda mais desdenhoso e um sorriso jocoso.

—Você é mais esquentadinho do que já ouvi falar. – Ela caminhou devagar até próximo ao parapeito do lugar. Um vento frio sacudiu seus cabelos prateados e Radamanthys não soube dizer porque seu alerta apitou a mil por hora. —Não precisa ficar nervoso...Estrela Celeste da Fúria. – os olhos escanearam toda a sobrepeliz do Juiz com ar de nojo. — Eu não vim aqui lutar com você.

O juiz riu com escárnio, mas ela não se abalou.

—Lutar comigo você disse?

—É... — fez uma pausa. — Ahhh Radamanthys, posso te chamar de Rada? Enfim... você sabe, seria...- Kyoko gesticulou, girando as mãos no ar como quem procurasse as palavras. – Um desperdício um juiz do submundo morrer logo no início da Guerra Santa, não é?!

O juiz semicerrou os olhos e aproximou-se perigosamente. Ela era muito abusada para proferir um absurdo como aquele e ainda continuar com aquele ar de despreocupada mesmo estando diante de Radamanthys, o juiz mais poderoso a servir o imperador Hades.

—Quem você pensa que é olheiro do Makai para vir até aqui me desafiar dessa maneira? Esqueceu-se com quem está falando? Quer se juntar a eles? – Ditou como um cão raivoso. Kyoko sorriu ainda mais debochada. Meneou a cabeça em conjunto com os olhos que giraram sem se abalar.

“Aff...que saco.”

—Acho que você está se esquecendo dum pequeno detalhe...Juiz. – Radamanthys mirou Kyoko dos pés à cabeça. Sentiu vontade que quebrar seu pescoço, pois mesmo com toda sua imponência ela não se deixou abalar. O sorrisinho sarcástico e o olhar desdenhoso não morreram e nem estremeceram por um segundo o que o deixava ainda mais irritado. —Eu não sou esses homens. A barreira do seu senhor não tem efeito sobre mim, assim como o ar do meu mundo não tem efeito contra vocês, espectros, então...acho melhor evitarmos a fadiga. Eu não vim aqui para matar juízes e sei que você não está aqui para tentar matar um Kage já que sua...senhora...- Desdenhou.—...está descendo as escadas para o Meikai com um bando de moleques de armaduras ao encalço dela, então sugiro que esqueça que me viu e vá fazer seu serviço.

Radamanthys mesmo não mostrando engoliu em seco com aquela revelação. Então Kyoko era um Kage?! Ela só podia estar blefando. Ela não aparentava nem em um milhão de anos ser quem dizia ser. Já tinha ouvido falar deles, mas nunca havia tido o prazer, ou melhor, o desprazer de ver um assim tão de perto, se é que ela estava dizendo a verdade. Respirou fundo admitindo para si mesmo que no quesito prioridades ela estava falando a mais pura verdade. Ele não estava ali para se confrontar com alguém que só estava ali por curiosidade e que se calhasse de se enfrentarem ele se atrasaria já que youkais do nível dela eram digníssimos de respeito. Não que esse fato o fizesse sentir medo, isso nunca, mas sabia identificar quando um oponente era perigoso. Admitiu internamente que a barreira de Hades facilitava e muito para os espectros, mas naquele caso não sabia o que poderia acontecer caso entrasse em confronto com ela mesmo ela não aparentando ser nenhuma ameaça.

De repente Zelos gritou quando o golpe de Hyoga o acertou tirando Kyoko e o Juiz daquele confronto de olhares.

—Pode ir, sei que está preocupado com ela. Eu...até queria ficar um pouco mais, mas...você sabe...- Kyoko caminhou devagar pelo lugar, balançando os braços de modo infantil. — ...eu tenho...coisa para fazer. O show foi incrível e eu juro...de coração que eu queria ficar até o final.

Kyoko começou a flutuar e seu corpo a transparecer. O vento do cocytos soprou forte e sua imagem sumiu com ele. Radamanthys olhou ao redor, mas nada viu. Bufou de desprezo dando as costas para aquele poço que não parecia ter fim, mas quando seu primeiro passo ecoou pelo local, dedos frios envolveram seu pescoço por trás de modo carinhoso e a voz melodiosa sussurrou rente a seu ouvido:

— É uma pena, mas eu iria adorar ver você perder a cabeça quando a barreira do seu senhor não puder mais lhe proteger...covarde!

Radamanthys virou rápido, disparando um soco potente que acertou um pedaço do parapeito. Kyoko não estava mais ali e somente sua risada fantasmagórica pode ser ouvida se afastando até sumir de vez. O Juiz ainda tencionou ir atrás, mas a voz de Seiya e Shun o lembraram de onde ele deveria estar no momento. Virou ainda mais rápido, exalando ódio por todos os poros de seu corpo. Kyoko havia despertado o pior de si depois daquela ofensa.

— Você não tem juízo mesmo. – ralhou Saga sem acreditar no descaramento de Kyoko.

— Ora não me repreenda, eu não fiz nada tá bom?! Só estava olhando e ele veio cheio de...autoridade para cima de mim. Quem ele pensa que é?! Só porque usa uma sobrepeliz horrível pode falar comigo do jeito que quer? — Kyoko cruzou os braços sobre o peito, fechando os olhos e fazendo um biquinho de forma travessa. Saga não aguentou e soltou uma gargalhada gostosa.

— Está bem eu não irei questionar algo que tenha feito a anos atrás, mas se isso te faz feliz saiba que Kanon matou Radamanthys.

— Sério?! – Kyoko quase pulou de alegria. — Bem feito juiz insolente.

— Mas Kan também morreu na luta. — completou.

— Ãhhhh... – A kitsune fez um muxoxo e suas orelhas abaixaram de forma triste. Saga achou ainda mais graça daquilo, abraçando a raposinha e lhe dando um beijo estalado nas bochechas.

— Agora é sua vez. – ela disse empolgada. Saga sorriu matreiro.

— Como você veio parar aqui? – questionou. Kyoko franziu o cenho.

— Eu já disse como vim você está me enrolando, Saga.

— Não estou falando daquela época, estou falando de agora. Passaram-se quase dez anos desde a Guerra Santa.

Kyoko ficou em silêncio, mirando os orbes verdes e questionador do cavaleiro sobre si. Remexeu-se um pouco no colo dele, se acomodando um pouco mais, se é que isso ainda era possível.

— Depois da conversa com Radamanthys eu voltei pro Makai, ou melhor, eu fui direto para casa de Hiroaki. Saga ele era meu mestre, ele me salvou. Ele me ensinou tudo que eu sei e eu corri para contar a ele sobre vocês, mas...

Uma fenda foi aberta próximo ao lago da mansão de Hiroaki. Dela Kyoko saiu como uma pluma, tocando o chão de forma lenta e leve. O sorriso não se desfez por um segundo e muito menos a imagem dos cavaleiros saiu de sua mente. Ainda sentia o turbilhão de sentimento de todos eles palpitando junto com cada batida de seu coração. A voz de Saga, Shaka e dos outros pareciam ainda mais vivas do que quando estava lá presente mesmo que eles nunca soubessem disso.

— Que sorrisinho é esse?! – A voz de Naomi despertou Kyoko de seus devaneios que deu de ombros passando pela outra.

A youkai mais velha fez uma cara de nojo quando a raposa passou por si, entrando pela sala onde Hiroaki estava sentado majestoso sobre suas próprias pernas.

— Minha nossa onde você estava, está fedendo. – resmungou Naomi.

— E você não cheira exatamente como um buquê de flores. – devolveu Kyoko. Hiroaki gargalhou esticando a mão para ela que aceitou de bom grado.

— Não ligue para o que Naomi diz, ainda está linda. – e o youkai beijou a raposa com ardor.

—Tenho uma coisa pra te contar.

Kyoko e Hiroaki disseram ao mesmo tempo e ambos ficaram olhando no rosto um do outro. Uma gargalhada gostosa tomou conta do lugar por alguns minutos até eles finalmente se acalmarem.

— Tudo bem, pode dizer primeiro. – Hiroaki ditou.

— Ahn não, eu quero ouvir você primeiro. Você sabe que não vou aguentar de curiosidade. – O youkai ergueu uma das sobrancelhas com ar de desconfiança, mas o sorriso em meio às covinhas de Kyoko era demais para ele resistir.

— Está bem. – A mão tocou a cintura da kitsune a acomodando melhor. Um toque suave no rosto dela. —Kyoko...eu, Naomi e Yukio decidimos não mais manter o acordo com o mundo superior.

—Como assim? Não querem mais tomar contas das fendas?

—Não, nós não queremos mais ficar presos Kyoko, queremos liberdade. Não só para nós e sim para o Makai inteiro.

—O quê? Hiroaki isso...isso é...

— Kyoko imagine como seria poder viver livre, ir de um mundo para outro sem ter que dar satisfações, nos alimentarmos como devíamos sem nenhuma restrição. Chega de proteger essa raça inútil que só tem olhos para seus próprios umbigos.

A kitsune sentiu o coração bater na garganta com as palavras de seu mentor e amante. Se a barreira fosse cortada o Makai inteiro teria livre acesso ao mundo dos homens, os mesmos homens que deram suas vidas há pouco tempo atrás para proteger pessoas inocentes assim como ela fazia há anos e anos.

—Não! – falou firme, levantando do colo de Hiroaki. —Eu não vou compactuar com isso.

— Depois desse dia eu fui embora e fiquei um ano sem dar as caras. Hiroaki me procurou e me convenceu a voltar, mas ele nunca desistiu, sempre tentou me convencer, mas eu nunca cedi. Ele fez questão de me mostrar a maldade humana em vários cantos do mundo, fez questão de me lembrar de coisas que eu só queria esquecer. Começamos a nos desentender com muita frequência até um dia que...- Kyoko fez uma pausa ponderando as palavras que iria usar. Não sabia se contar a Saga que Hiroaki havia pedido sua mão em casamento pela enésima vez bem ali sentada em seu colo seria uma boa ideia. — Estávamos treinando... – omitiu por precaução. — ...ele tentou me convencer outra vez e acabamos discutindo e...eu o ouvi ordenar que Yukio fosse atrás de mim. Eu mal pude acreditar, ele nunca havia me machucado, mas...estava tão cego naquela loucura que não pensou em mandar me matar.

Saga mal piscava, não queria perder nenhuma palavra. Ela parecia aflita com tudo que dizia. Era como enfiar o dedo em uma ferida que nunca cicatrizava.

—Eu ainda fiquei no Makai por um tempo, mas sem ter mais para onde ir eu fugi pro mundo dos humanos. Me mantive escondida pela Finlândia por um ano e meio. Guilhermo me ajudou, mas...eu não queria colocar ele e sua família em risco então, ele me indicou um amigo de confiança em Gálatas. Vivi na casa de um senhor simplório, mas que tinha um bom coração. Era uma vila comum, pequena de pescadores. Ele sabia quem eu era, mas...por dinheiro, as pessoas fazem qualquer coisa...

Kyoko sentiu o corpo afundar na água quente da banheira simples, mas aconchegante da pequena casa onde vivia. Seus olhos se fecharam na tentativa de relaxar nem que fosse por um segundo, coisa que jamais consegui fazer desde que fugiu do Makai. Lembrou-se de como era bom estar nos braços de seu mentor, mesmo que não o amasse como ele desejava. Era aconchegante e pelo menos tinha carinho, coisa que não teve muito em sua vida.

Abriu os olhos quando o som de vidro se partindo a deixou em estado de alerta. Levantou devagar, olhando em volta com atenção. Saiu da banheira caminhando sorrateira até o quarto sem se preocupar com sua nudez, olhando de um lado pro outro. Devagar deu um passo e antes de Kyoko terminar um yokai invadiu o quarto pela janela, atacando a kitsune com uma kunai. Kyoko desviou de um lado para o outro e segurando o pulso do inimigo antes da arma acertar seu rosto.

—Miramoto mandou lembranças.

— Vai pro inferno com Miramoto!

Kyoko deu uma joelhada forte, desestabilizando o inimigo e tomando sua arma. Girou o corpo rápido, passando por ele e cravando a kunai na cabeça do monstro que caiu morto. Antes de poder se vestir um youkai Oni, enorme arrombou a porta com toda sua força, destroçando a madeira e um pedaço da parede. Kyoko pulou pela janela, cobrindo as partes íntimas com sua própria pelagem.

Do lado de fora, uma luta árdua se iniciou. O tengu Miramoto havia levado mais de cem aliados para matá-la. Kyoko sacou sua espada, cortando as gargantas e às vezes partindo os monstrengos ao meio. Ela sempre agia assim, era melhor matar do que morrer. Os golpes eram sempre direcionados as partes vitais com uma precisão gigantesca o que lhe poupava tempo e energia.

Um grupo de youkais juntaram-se em uma armadilha, rodeando Kyoko e a encurralando contra um penhasco. Ela desviou de dois, matou quatro, mas um surgiu das sobras de seu comparsa, aproveitando o momento de distração para cravar sua espada bem na barriga dela. Kyoko ainda tentou desviar, mas por conta da falta de espaço e dos outros ataques ela não conseguiu e acabou sendo acertada. No reflexo segurou a lâmina do adversário impedindo com a mão livre a mesma de atravessar seu corpo. Soltou um rosnado de dor, mas sem sair do lugar.

— Desgraçada. — Berrou outro tengu, usando as costas do outro youkai e pulando por cima dele. — Morra Kyoko!!!

Sem ter como desviar e presa no golpe de adversário, a kitsune fez a única coisa que podia; segurou a lâmina com mais força erguendo o inimigo pela espada e o usando como escudo. O tengu cravou sua espada na garganta de seu companheiro gerando um peso e uma pressão enorme na direção de Kyoko. Ferida não conseguiu segurar e quando deu por si estava debaixo da água. Ela havia caído do penhasco.

—Eu nadei o mais rápido que pude, mas ainda assim tive que me livrar daquele tengu maldito que quase me matou. Eu perdi minha espada quando cai, mas consegui tomar a dele, o matei e continuei nadando para longe dali. Quando dei por mim estava próxima a um cais. Um navio enorme estava prestes a zarpar então eu me agarrei nele e subi pela popa.

Kyoko tremia dos pés a cabeça sem saber se era de medo ou de frio. Estava ferida e fraca. Precisava comer e descansar pelo menos um pouco para iniciar uma nova fuga, mas... para onde?

Apoiada nas paredes do navio, ocultou sua presença, entrando na primeira porta que encontrou. Era algum tipo de armazém com caixas de madeira enorme contendo vinhos e outros tipos de bebidas. Sua respiração estava ofegante e seu corpo não parava de tremer.

— Que...frio. — Balbuciou se encolhendo entre duas caixas e ficando ali; sozinha, ferida, com frio e com fome até pegar no sono.

Algum tempo depois, Kyoko deu um pulo de susto quando a porta do armazém bateu contra a parede. Se encolheu ainda mais, tapando a boca com as mãos ao ouvir vozes masculinas no local.

—Ei Pietro, pega aquela garrafa de whisky para àquele metido a besta do quarto 28.

—Aff...esse cara está se achando só porque é Cavaleiro de Ouro. — desdenhou o homem.

Kyoko fechou os olhos por conta da dor, se encolhendo entre as caixas como uma criança amedrontada, mas o som metálico batendo sobre uma delas exalou um cheiro delicioso.

"Comida?!"

O homem depositou a bandeja bem em cima de caixa onde ela estava escondida, dando as costas para pegar o whisky que lhe foi pedido. Kyoko aproveitou a deixa, levantou um pouco e fitando o prato que vinha devidamente coberto, talheres e uma bandeja menor com uvas, duas maçãs e algumas tâmaras.

Os olhos da raposa brilharam ao ver as frutas. Estava faminta e sem perder tempo passou a mão no cacho de uvas, voltando logo a se esconder. O homem nem se deu conta do que faltava assim que pegou a bandeja e saiu resmungando em italiano sobre o homem do quarto 28 não passar de um stronzo.

Devorou as uvas antes mesmo de o homem sair do lugar. Estava faminta e aquilo não era o suficiente, precisava de mais. Seus olhos brilharam ao vê-lo fechar a porta e sem pensar duas vezes saiu como um predador atrás da presa.

Pelo teto, Kyoko ultrapassou o homem como uma sombra. Encostou em um dos corredores assim que identificou o quarto citado anteriormente e esperando o pobre homem. Suas garras apontaram como navalhas prestes a partir o homem ao meio. Sua respiração prendeu-se na garganta ao ouvir o cantarolar. Ele estava próximo, não podia errar, pois no estado em que estava só teria uma chance e quando estava prestes a pegar seu jantar o som de uma porta abrindo a fez voltar a trás.

"Droga!"

—Ah! desculpe a demora senhor. Aqui está o que pediu. Tenha uma boa noite. — Disse dando as costas.

Kyoko sentiu-se irritar com aquilo. Agora seria obrigada a procurar comida em outro lugar, ou quem sabe uma nova vítima.

—Espere! — a voz grave do homem do quarto 28 fez a raposa perder a respiração. Aquilo só podia ser obra de sua imaginação.

"O quê?!!Isso, isso é...loucura só posso estar vendo uma miragem." Kyoko ficou em choque. Nem sequer piscou ao fitar a imagem do último homem que imaginou ver até aquele momento: Saga, o Cavaleiro de Gêmeos estava ali, em carne, osso e arrogância.

—Eu não consegui acreditar. Achei que estava ficando louca. Você estava bem ali de pé diante dos meus olhos e ainda por cima reclamando que faltava um cacho de uvas na sua bandeja e que precisava de toalhas limpas. — Kyoko abaixou o olhar e suas orelhas acompanham seu semblante triste. — Saga...eu não fiz de propósito, eu...nunca quis envolver você nisso, mas...eu estava sozinha, não tinha pra onde ir, eu não tinha a quem recorrer. Eu sabia que você não se lembrava de mim, que nem sequer sabia da minha existência, mas...- Fez uma pausa suspirando e tentando manter o controle.— Eu ainda fiquei em dúvida se era mesmo você ou obra da minha imaginação, mas sua voz, o cheiro, seus cabelos, tudo era tão igual e...sua energia, não tinha como não ser. Eu fiquei ali, sentada naquele corredor te vigiando até o navio atracar e você sair. Eu te segui pelas ruas até... O santuário de Atena.

—Por que você não foi falar comigo? — Saga interrompeu triste.

—Eu tentei, eu fiquei pensando o tempo todo enquanto estive te vigiando, mas...eu não sabia como você iria reagir ou...se iria querer falar comigo. Eu ensaiei várias frases, mas eu não consegui e foi nessa oscilação que acabei deixando você me perceber ali nas ruas de Rodório.

—E você tentou fugir de mim em vez de se mostrar.

—Você estava tão sério e...arrogante. Eu vi o quanto você era forte no passado e eu estava ferida, enfraquecida, com fome e com sede. Não teria nenhuma chance contra você, eu não teria chance contra ninguém naquele dia e eu...fiquei com medo de...de...você não...me aceitar.

Kyoko praticamente cuspiu as palavras, prendendo o choro na garganta e virando o rosto para Saga não a ver daquela maneira. Não queria parecer frágil, ela não era frágil, sempre esteve sozinha e mesmo quando Hiroaki estava ao seu lado ela ainda assim sentia-se vazia e só. Não podia ser fraca, a vida não deixava e para não ter fraquezas ela se mantinha assim, sozinha. Já havia sofrido demais ao perder o pequeno Akira, o filho morto pelo próprio pai bem diante de seus olhos e nunca se esqueceu da dor. Ele fora o único humano que só quis de si sua amizade e que gostava dela como era sem pedir nada em troca.

Saga tocou o queixo de Kyoko, forçando os olhos bicolores a mirarem os verdes seus. Ela ainda tentou fugir, mas isso era algo que ela sabia que nunca havia conseguido fazer desde que o viu pela primeira vez.

— Achou que eu não...iria aceitar você? Ou...que não te ajudaria? Que te deixaria morrer? Que deixaria você sozinha? Ou...te prenderia numa jaula, não é?! — Kyoko ficou parada um tempo até ter coragem e assumir seu maior medo em um aceno.

—Eu estava sozinha, Saga não tinha ninguém. Não podia procurar Keiko e colocar ela em risco também. Eu escrevi uma carta para ela dizendo onde estava e mandando que viesse para cá porque até então eu achava que ela estaria protegida aqui no meio de vocês. – Resmungou chorosa. Mesmo não querendo era difícil conter as emoções. Ela era forte, mas tinha sentimentos.

— Você podia ter me contado.

— Como Saga? Eu me senti...horrível quando Eva veio para cá. Você...me deixou por ela e nunca me ouvia. Você não acreditava em mim, como eu podia te contar uma coisa dessas? O que você ia pensar de mim?

Pequenas gotas brilhosas se formaram no canto externo dos olhos de Kyoko, escorrendo por seu rosto rubro e caindo sobre a cama em forma das pedras preciosas. Saga sentiu o coração partir ao meio com aquela confissão. Sabia que ela tinha ficado triste com tudo aquilo, mas mesmo assim havia uma linha tênue entre desconfiar e ter certeza e era isso que tinha agora. Não havia só magoado simplesmente e sim tocado em sua ferida da pior maneira possível, quebrando-a e decepcionando-a mesmo sem ter intenção. Ela havia ido atrás dele e era dele quem esperava ajuda, mas não foi bem assim, pois quando ela mais precisou a havia trocado por Eva. Não sabia pôr em palavras o quanto estava arrependido daquilo. Se pudesse voltar no tempo...

— Ahhh Kyoko...

Não aguentou somente olhar para ela daquele jeito frágil, linda e...nua. Não deixou que falasse mais nada, calando a raposa com um beijo mais do que apaixonado e carinhoso, forçando o corpo dela a deitar sobre a cama, acomodando-se melhor ainda entre suas pernas.

Era óbvio e quase palpável o quanto ela estava apaixonada, mesmo que ainda não tivesse posto isso em palavras. Saga não queria mais vê-la chorar, muito pelo contrário, queria ver todos os dias as covinhas lindas e encantadoras que ela possuía. Se pudesse colocaria Kyoko em uma redoma de vidro para que ninguém além dele pudesse tocá-la e protegê-la. Não deixaria ninguém nunca mais machucá-la.

— Você me seguiu na guerra santa e invadiu meus sentimentos sem pedir licença e muito menos me pagar uma bebida. — Os beijos seguiram dos lábios para o pescoço. — Muito ousado de sua parte. — Do pescoço para os seios. — E indiscreto também, mas não tem problemas porque... — Um beijo entre os seios fez Kyoko arfar. A língua atrevida rodeou um dos mamilos róseo e com uma leve mordida ganhou um gemido manhoso como resposta. — Eu descobri algumas coisinhas bem interessantes sobre você também...raposa do Makai.

A ponta dos dedos de Saga deslizou pelas coxas grossas em conjunto com a carícia inicial, dando a volta na mesma e deslizando devagar para a parte detrás. A Kitsune tremeu, se arrepiando e soltando um gemidinho baixo e dengoso; Ali era um de seus pontos fracos.

— Você conhecia o santuário, não precisava ficar necessariamente comigo, podia ter ficado com qualquer um de nós. Você só precisava chegar aqui.

A mão livre dele subiu até a orelha dela, acariciando a parte detrás e como num passe de mágica o rosto dela se enrubesceu dez vezes mais, os olhos se fecharam assim que tremeu dos pés a cabeça. A kitsune mal conseguia processar as palavras do cavaleiro. Era como se seu cérebro tivesse entrado em curto e nenhuma frase que vinha em mente ela conseguia dizer. Aquilo só podia ser brincadeira. Nunca havia ido pra cama com Saga. Nem ao menos tinham trocado carícias. Já tinham se beijado sim, mas...não para algo do tipo então, como diabos ele havia descoberto aquilo?

— Nani...nanishiteruno? (O que está fazendo?).

—Por que eu Kyoko?

—Wakaranai. – Saga sentiu o tesão ferver nas veias ao ver Kyoko daquela maneira e principalmente, falando daquele jeito. Ela mais parecia uma daquelas bonequinhas das revistas pornográficas que Seiya vivia mostrando a Milo e os outros. Ela ficou tão vermelha que foi impossível esconder que finalmente havia sentindo vergonha de algo, fazendo o ego de Saga crescer infinitamente.

— Sabe...o Seiya é japonês e...Saori mesmo tendo nascido aqui foi criada no Japão, então quando eles chegaram aqui...falavam assim igualzinho a você. E sabe ele era um menino muito travesso, sempre que fazia uma besteira e alguém o questionava ele dizia: wakaranai, traduzindo: Eu não sei. — Kyoko gemeu mais alto quando Saga intensificou as carícias com beijos pelo pescoço. — Mas no seu caso eu sei que você sabe então, vou perguntar outra vez: Kyōko, naze watashi ga? (Kyoko, por que eu?).

— Naze...anata ni horemasita.

Essa frase eu não conheço, será que dá para ser mais...clara? — Kyoko mordeu os lábios ao sentir a língua do geminiano tocar a ponta de sua orelha.

—Porquê...porque eu me apaixonei por você. — respondeu, fechando os olhos com força e desviando o rosto. Estava enlouquecendo com aquelas carícias estratégica do geminiano.

Saga sentiu-se nas nuvens, mas nada disse. Um sorriso jocoso entortou seus lábios ao ouvir o que queria saber. Sem mais forçou Kyoko a girar na cama, lhe dando as costas e ficando a sua mercê. Seus olhos desceram pela espinha até a ferida onde deveria estar a cauda dela. Desceu até lá e com a ponta da língua deslizou dali até retornar a orelha a base de um gemido longo e delicioso.

—Sabe o que mais gosto em você? — ela negou com a cabeça. — A sua transparência Kyoko, ela me fascina. Esse seu jeito espontâneo de fazer e dizer as coisas... — dois dedos se enterraram na intimidade dela, arrancando um gemido tão alto que Saga achou que até Afrodite pudesse ter ouvido da casa de peixes. — ...me enlouquece de uma maneira que mal posso explicar e já que você finalmente se abriu para mim eu também me abrirei para você.

Saga aproximou-se mais e sussurrando disse ao pé do ouvido:

— O que eu sinto por você é algo que vai além da paixão e mesmo que eu ainda não consiga por isso em palavras lhe mostrarei lhe dando isto. — Indicou com a mão livre.

— O que? — Kyoko estremeceu nas mãos do homem. —Não....Saga, eu...

— Shiiii...não quero ouvir suas negativas Kyoko. Eu lhe darei uma cauda nova nem que para isso eu tenha que usar até a última centelha do meu cosmo.

Continua...

Notas finais
Olha só, quem diria. Então a Kyoko viu o Saga na guerra santa?!! Que cara de pau a dela, e abusada tbm. Encarar o Rada assim na maior e ainda chamar o maluco de covarde. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk.... Gente confesso que coloquei um pouco de mim nessa cena pq eu detesto o Rada(desculpe os fãs), para mim ele foi um puta de um covarde nessa cena. Agora, aí aí aí...como é que o Saga vai fazer pra dar uma cauda nova pra Kyoko? Cena para os próximos capítulos. Gente perdão novamente pelos erros, relevem que eu to dodói e não queria deixar vocês esperando mais do que já deixei. Obs: A parte negritada é um trecho de uma musica do 'N Sync - (God Must Have Spent) A Little More Time On You. Ela é simplesmente linda demais e eu achei que combina e diz muito a forma com o Saga vê a Kyoko, mesmo que ele não diga, pq vocês sabem.....o orgulho é fd!! kkkkkkkkkk Bjs gente e até!!! =D