Uma estranha no ninho - Vol. I
30 Uma estranha metade dele.
Notas iniciais

O beijo calmo e cheio de paixão do cavaleiro de gêmeos deixou a kitsune de pernas bambas. Pensou que se ainda estivesse de pé, com toda certeza Saga teria que abraça-la ainda mais forte para que não caísse. Kyoko deixou-se guiar com tudo que podia pelos lábios saborosos e habilidosos que aquele homem incrivelmente possuía. A maciez e o sabor que ele tinha era algo que a kitsune jamais poderia pôr em palavras. Nunca imaginou que um simples beijo podia ser tão bom.
Saga afastou-se só um pouco dos lábios de Kyoko, mas só para seguir os beijos para o queixo, depois o nariz, a testa e as bochechas. Em seguida abraçou a kitsune com tanta força que Kyoko achou que seria partida em duas. Gemeu um pouco de dor pelo ato, um ato que mesmo assim não a incomodou, muito pelo contrário, só encheu seu peito de mais segurança e alegria.
—Por todos os deuses! Eu pensei que...pensei que tinha perdido você. Pensei que nunca mais poderia te tocar...deus!!! — Saga dizia, agarrado a Kyoko.
— Que? Me...perder?- indagou confusa.
— Ele tirou você de mim...- segurou o rosto dela entre as mãos, olhando dentro dos olhos dela. —... ele...tirou você de mim.
— Saga, eu...eu...o que houve comigo? Porquê? Por que eu...me sinto assim? Estou tão...confusa. Me ajuda? Por favor, me ajuda. Eu...não sei o que fazer. Eu...
—Shiiiii...tudo bem. Vai ficar tudo bem, Kyoko. Eu não vou deixar você...-voltou a beija-la. —...não vou.
Outra vez Kyoko se deixou guiar pelos lábios e tudo mais que Saga pudesse lhe dar. Seu medo por ele ou de qualquer coisa se esvaiu como num passe de mágica. Saga era com certeza seu complemento. Sua outra metade. A estranha metade de seu coração que achou que sequer existia.
As mãos de Saga envolviam Kyoko com possessão e carinho, distribuindo beijos por onde seus lábios podiam alcançar. Ela por sua vez, agarrava-se nos cabelos macios e cheirosos dele, disputando espaço em meio aos beijos que recebia. Seu corpo ardendo em brasas de forma alucinantemente excitante. Era como se seu próprio corpo agisse por vontade própria, mostrando à sua mente o quanto necessitava matar a vontade desconhecida em suas memórias, mas estranhamente fixa em seu corpo e coração.
— Me mostra como é? Me faz lembra? Eu quero lembrar...
Os olhos de Saga brilharam ainda mais excitante com o pedido de Kyoko. Era como um sonho. Um sonho bom que se realiza. Ela estava tão viva quanto o frio que contrastava com o calor que o incendiava até a alma. O sabor da pele, a textura dos lábios, o cheiro dos fios prateados exatamente como lembrava, mas agora ainda melhor.
Desesperado, Saga deitou Kyoko no chão, se esfregando no corpo dela como que marcando aquilo que era seu outra vez. Kyoko abriu as pernas, dando espaço para o cavaleiro se encaixar ali, virando o rosto, dando espaço para ele explorar ainda mais seu pescoço. Os lábios de Saga, marcando sua pele como ferro quente, distribuindo marcas vermelhas por onde passava.
— Eu preciso de você. Preciso do seu corpo, de seus lábios, de seus dedos, suas unhas...- Saga parou só por um instante, mirando os olhos cerrados da kitsune com todo o sentimento que possuía. — ...eu te amo! Te amo demais.
Kyoko ficou paralisada com as palavras do homem. Mesmo com toda a enxurrada de sentimentos que sentia não esperava mesmo ouvir uma declaração daquelas. Saga por sua vez sabia que aquilo mexeria demais com todos os parafusos dela. Kyoko sabia que tinha algo muito mais forte do que ela mesmo conseguia explicar, mas mesmo assim ainda não sabia que isso era seu amor por ele. Saga não disse aquilo na esperança de ouvir ela dizer também. Disse porque queria dizer, disse porque a amava e queria que soubesse.
— Eu vou te fazer lembrar...- sussurrou rente aos lábios dela sem desviar o olhar.- ...lembrar de mim...- ficou de pé, pegando Kyoko no colo em seguida.-...de nós.
Devagar Saga deixou o corpo de Kyoko se acomodar na cama, tendo o seu sobre ela. A raposa não conseguia dizer nenhuma palavra, somente resmungar de prazer com as caricias que se estendiam agora em seus seios ainda cobertos. A boca experiente explorando cada cantinho de sua pele nos mínimos detalhes. Saboreando com prazer e saudade o gosto que ela tinha; luxúria e desejo.
A kitsune se remexia sob ele, agoniada em como aquilo podia ser tão bom. Seu coração disparado no peito, aquecendo seu corpo em chamas mais do que já estava. Sentia as mãos e os lábios de Saga como brasas, arrepiando os pelos de seu corpo em cada toque.
Ondulou os quadris em um ato desesperado para um contato maior com o dele. Saga sorriu satisfeito, olhando aqueles olhos de raposa lhe implorar por mais.
Sim! Aquela era sua Kyoko! Sem medo, sem hesitação, sem arrependimentos.
Desceu um pouco mais, beijando e mordiscando o abdômen dela. Kyoko até que tentou, mas acabou rindo com gosto das cócegas que sentiu. E como um menino, Saga mordiscou ainda mais, fazendo de propósito. Ouvir Kyoko gargalhar daquele jeito moleca era música para seus ouvidos. Uma felicidade sem tamanho tomou o coração do geminiano. A quanto tempo não ouvia aquilo? A quanto tempo não sentia aquela sensação? A quanto tempo não via aqueles furinhos fofos enfeitar o sorriso lindo de Kyoko? A quanto tempo não via a sua Kyoko. Aquela que os deuses lhe deram como presente...
...sua Kyoko. Somente...
— Hahahaha...isso...isso faz cócegas.
Saga ficou parado somente olhando ela gargalhar até se acalmar. Não sabia porquê, mas mesmo feliz seu sorriso morreu. O ar melancólico moldou seu rosto fazendo a kitsune se compadecer. Kyoko não entendeu a mudança.
— Ei, o que houve? — sussurrou mais do que disse. — Eu disse alguma coisa errada?
Saga ficou em silêncio, reparando em todos os detalhes que ela possuía. Por todos os deuses! Como sentia falta daquela raposinha mal-humorada e exageradamente linda!
E pela falta se deixou deitar sobre ela, enterrando seu rosto choroso na curva do pescoço, abraçando Kyoko de um jeito tão saudoso que ela sentiu um frio no estômago. O que Saga sabia? O que ele estava escondendo que o deixava tão mal e triste?
— Saga, ei! — sussurrou, acariciando os cabelos dele.
Gêmeos respirou fundo, se deliciando com o perfume que ela possuía. Ergueu o rosto outra vez e sorriu.
—Amoras.
—Ãhn?!
Sorriu seu melhor sorriso. Aquele sorriso que era a única lembrança sua na mente de Kyoko. E sem dizer mais nada voltou a saborear dos lábios dela, erguendo com cuidado o corpo dela só para se desfazer das roupas: Primeiro a blusa; os seios arrepiados pelo frio da noite gélida de inverno fez seu membro pulsar, apertado pela box. Kyoko arfou ao sentir o hálito quente bater no bico do seio antes de ser sugado devagar. As mãos grandes acariciando sua cintura até uma delas tomar o outro seio, para a loucura da kitsune.
— Ahhh...isso é...
— Bom?- interrompeu o cavaleiro, mudando a posição das carícias.
Kyoko só teve forças para menear a cabeça em concordância. Não conseguia para de pensar no quanto aquilo era tão bom e principalmente em como ele sabia exatamente onde e como tocar em seu corpo. Por mais que não quisesse acreditar era óbvio que Saga a conhecia muito melhor do que imaginou. Ela não precisava dizer onde era bom ou maravilho, pois Saga tateava seus pontos mais secretos como uma leitura erótica em braile.
E muito a contragosto, Saga deixou os seios fartos para dar atenção ao resto do corpo dela. Desceu até a barriga, dando beijos molhados e pequenas lambidas. Brincou um pouco por ali; no umbigo pequeno e nos ossinhos das ancas, satisfeito em ouvir os gemidos baixo que ela emitia e que só serviram como combustível para sua saudade e prazer.
— Isso está me enlouquecendo! — resmungou Kyoko ao sentir os toques dele em suas coxas, descendo até as panturrilhas.
— Então isso significa que estou fazendo tudo certo, não é?!- beijou os pés dela devagar.
Kyoko arfou se contorcendo ao sentir seu dedão ser abocanhado bem devagar. Suas unhas perfurando o lençol na imaginação daqueles lábios e língua em outra parte de seu corpo. Parte esta que já doía de tesão e carência.
— Ahhhh...meu...Deus! Onde você aprendeu a fazer essas coisas?
Um sorriso cafajeste mudou completamente o semblante calmo do cavaleiro de gêmeos. Saga estava lutando e muito para conter a necessidade absurda de satisfação que seu corpo e mente imploravam em ter. Não queria assustar Kyoko indo mais rápido e afoito do que devia. Estava tudo incrível demais para acabar por conta de seu desespero e necessidade. Estava a dois anos e meio sem aquilo. Dois anos e meio sem o cheiro dela, sem o gosto, o sorriso, tudo! E agora que seu sonho se tornava realidade ele não iria estragar.
— Quais coisas? — indagou com falsa inocência, descendo as mãos para a parte de trás das coxas roliças, bem próximo a popa do bumbum.
—Ahhhhh...essas! — ela respondeu arqueando na cama.
— Com você! — respondeu sem parar o que fazia e acrescentando beijos próximo a virilha.
As penas tremulas de Kyoko tombaram uma para cada lado do corpo, deixando sua intimidade cor de rosa exposta. Saga entendeu muito bem o que ela queria, e a mão em sua cabeça o puxando para aquele meio melado de prazer fez sua boca salivar.
Não se opôs aquilo nem em pensamentos, matando com ânsia a saudade do sabor e da textura que ela possuía, se dedicando ao sexo oral além do que já sabia. Um sorriso bobo o fez parar só por alguns segundos quando ouviu o gemido languido e alto sair dos lábios de Kyoko. Os dedos longos presos em seus cabelos de forma desesperada em mantê-lo ali.
Kyoko sentiu o ar faltar com aquela sensação incrivelmente nova e deliciosa. Saga era muito melhor do que qualquer youkai que já experimentara na vida. Talvez pelo fato de saciar os desejos sexuais com humanos ser naturalmente melhor ou Saga era bom por si só. Não sabia explicar. Nunca havia ido para cama com humanos desde sua vida patética de abusos por humanos. Nunca tinha sido bom, na verdade sempre achou que isso nunca seria bom com humanos em hipótese alguma, mas para sua surpresa Saga estava ali para provar que com vontade e da maneira certa o ato era divino! Não tinha palavra melhor para descrever a sincronia da língua com os dedos grossos que se arremetiam dentro de si. Kyoko só fazia mover os quadris a fim de aprofundar ainda mais o ato. Estava desesperada por alívio, mas também curiosa.
— Para! — pediu puxando Saga.
— O quê? Mas...porquê?
Kyoko ofegou tentando pôr os miolos de volta no lugar. Sentia o corpo ferver, louco por alívio, mas em contrapartida seu desejo ia além de si mesma: Queria dar prazer também.
— Vem! — falou puxando Saga pelos ombros e o forçando a deitar.
De início Saga até pensou em resistir. Não queria ter pressa. Estava até surpreso consigo mesmo por estar tão calmo quando achou que perderia a razão. Mas ao ver Kyoko mudar de posição, montando em seu corpo de maneira invertida mudou completamente de ideia. Estava louco por senti-la também, e aquela posição não deixaria nenhum dos dois em falta.
— Não é justo só você brincar.
Saga sorriu de lado, se ajeitando ainda melhor embaixo dela. Retirou a camisa em um único puxão, deixando a parte de baixo para Kyoko fazer como achasse melhor. A kitsune arfou ao ver o abdômen sarado do cavaleiro, deslizando os dedos pelos gominhos até os caminhos insinuantes nas ancas dele. Degustou o umbigo fundo dele, descendo até o membro duro. Sorriu safada, mas gemendo logo em seguida ao sentir os dedos lhe invadir, agora, ainda mais ousado, pois com os da outra mão Saga acariciava seu orifício traseiro.
— Filho da mãe! Nem pense em...ahhhh — gruiu sentindo a outra invasão.
— Você dizia alguma coisa, Kyoko? — ironizou movimentando ainda mais os dedos.
Kyoko rosnou um palavrão, jurando por tudo que conhecia que aquilo teria volta, mesmo sendo delicioso. Usou a cauda como um espanador bem no rosto dele afim de irritar Saga, mas a única coisa que conseguiu foi ouvir a risada deliciosa dele e os movimentos se aprofundar mais.
Sem ter muito o que fazer contra aquilo — e também não queria -, Kyoko desatou o nó que segurava a calça dele e puxando para baixo, e logo em seguida a box. Suas pupilas se contraíram mais do que naturalmente já eram ao ver o belo membro lhe encarar com toda sua altivez.
—Bonito, altivo e...imponente, exatamente como você.
Kyoko estancou ao ouvir a voz de Saga pronunciar as mesmas palavras junto consigo. Mirou-o por cima dos ombros sem conseguir acreditar no que tinha ouvido; como ele sabia que diria aquilo?
— Vai ficar parada só me olhando ou...vai enfiar todo na boca e depois me dizer o quanto ele é gostoso? — completou afim de desperta-la. Não aguentava mais ficar sem aquilo.
Kyoko sorriu safada voltando a encarar o membro de Saga. E sem rodeios fez como ele dissera: Segurou com uma mão e enterrou na boca até onde aguentou, sugando com força e encharcando de saliva. Uma satisfação sem igual tomou todo seu ser com o gemido quase animalesco emitido por Saga.
— Agora entendo porque é tão convencido. Você é delicioso! — confessou a kitsune.
Kyoko nunca gostou tanto daquilo como naquele momento e pior, nunca imaginou que seria ainda melhor com um homem humano. Os dedos de Saga entravam e saiam de seus orifícios de forma cadenciada sem perder o cuidado mesmo estando louco de prazer. As unhas afiadas de Kyoko raspavam nas coxas tensas dele, sentido os músculos se contraírem toda vez que sugava o sexo com um pouco mais de força. Sabia que se mantivesse aquele ritmo, Saga não aguentaria por muito tempo, apesar de que estava tão próxima do clímax quanto ele. Os gemidos abafados pelas bocas ocupadas em levar cada qual ao prazer máximo aumentava pouco a pouco.
— Não para, por favor! — Kyoko gemeu de boca cheia.
Um gemido rouco fora a resposta de Saga ao pedido dela, dizendo naquele ato que também estava no limite. Seus quadris se moviam de forma involuntária, aumentando seu prazer de forma avassaladora. Kyoko não se incomodou, muito pelo contrário, deixou que ele fodesse seus lábios como quisesse. Saga era gostoso demais para ter algo negado.
Um tremor forte tomou conta do cavaleiro de gêmeos, que sem querer acabou por gozar primeiro. Jatos e mais jatos inundando a boca de Kyoko em um prazer enlouquecedor. O gosto agridoce do prazer dele lhe satisfazendo como nenhum outro jamais fizera. E como era bom! Os gemidos roucos invadindo seus ouvidos até a alma, as mãos poderosas agarradas em suas coxas como que buscando algum apoio, os músculos se contraindo por baixo da pele morena em contraste com as gotas do sêmen que não conseguiu conter. Como ele era bonito! Como teve coragem de nega-lo e, pior, humilha-lo tanto? Onde estava com a cabeça? Ah! Mas se arrependimento matasse...
Sorriu satisfeita, vendo a última gota do líquido sair pelo pequeno orifício e escorrer devagar até seus dedos. Colheu aquilo e levou a boca. Distraída, abstraiu o fato de ainda não ter se satisfeito e muito menos notou que Saga já estava quase recuperado do êxtase. Só se deu conta do fato quando ele enfiou um dos braços por baixo de sua coxa esquerda, forçando o corpo de Kyoko a cair no futon.
—Aahhh!! Que susto! — resmungou dando um tapa na coxa dele.
— Não devia baixar a guarda assim, Vossa Alteza! — beijou devagar as pernas dela.
— Por que não? Eu gosto de ser surpreendida.
— É uma pena eu só saber disso agora. Se soubesse...- subiu mais até o sexo de Kyoko. —...teria lhe... — passou a língua devagar. —...surpreendido antes.
— E eu teria matado você. — se remexeu, abrindo mais as pernas.
—Duvido!
Sem demora voltou ao que fazia antes, enfiando dois dedos dentro dela e deslizando a língua sobre o emaranhando de nervos que tinha ali. Adorou ouvi-la gemer alto, rebolando como podia a pedido por mais. As unhas agarrando seu braço com força, marcando a pele sem dó. Os arrepios subindo deliciosamente pelas pernas, esquentado seu corpo de forma animalesca. Palavras despudoradas e algumas em outra língua incendiaram o corpo do cavaleiro de gêmeos.
Kyoko sem aviso, abocanhou o membro de Saga outra vez. Estava ensandecida, louca de prazer. Virando de lado e jogando a perna esquerda por cima do ombro dele afim de prendê-lo ali, mas Saga não permitiu; empurrou-a de volta na cama intensificando os movimentos. Kyoko gemeu alto, arqueando sobre a cama ao sentir as pernas adormecerem. Um tremor incontrolável sacudiu seu corpo inteiro em um orgasmo intenso, delicioso. O gemido incontrolável ecoando por todas as paredes do quarto e com certeza por todos os corredores daquele casarão, satisfazendo o ego do cavaleiro de gêmeos mais do nunca.
Saga se manteve ali, saboreando o gosto que sua amada kitsune possuía. Era o mesmo. Nada havia mudado. Mesmo depois de tudo ela ainda era a mesma; linda, sexy e apaixonante.
—Isso foi...foi...incrível! — confessou ofegante.
Saga se esgueirou pelo corpo dela, beijando a pele branca com carinho até alcançar os lábios. Kyoko sentiu o próprio gosto nos lábios macios daquele homem tão bom.
— Hummm...que bom que gostou. Eu estou aqui para isso, Vossa Alteza. E eu ainda nem comecei.
Um sorriso bobo deixou as covinhas fofas dela a vista e Saga teve certeza de ter se apaixonado ainda mais por ela. Era como um sonho. Um sonho bom que finalmente se realiza.
— Eu achei que você já estava cansado. — sussurrou envolvendo o pescoço dele.
— Você. Sempre tirando conclusões precipitadas sobre mim.
—Me desculpe...- pediu baixinho, sentindo Saga se acomodar entre suas pernas. -...eu não devia ter dito aquelas coisas.
— Shiiii! Tudo bem...- voltou a beija-la de forma suave ao ouvir ela resmungar com a penetração. — ...não vamos mais falar sobre isso, okay?!
— Okay! — respondeu ofegante.
Ambos arfaram de olhos fechados: Kyoko ao se sentir completamente preenchida e Saga por se sentir esmagado por ela. Lembrava-se com clareza o quanto ela era apertada e quente, mas naquele momento ela parecia ainda mais. Talvez pela falta de sexo durantes os dois anos e meio, e ainda mais pela saudade que sentia dela. As unhas afiadas perfuraram as costas de Saga, marcando a pele com posse.
— Ahhh...pelos deuses! Kyoko, eu...
—Se mexe, por favor! Não aguento mais.
De forma calma o ato se iniciou, devagar e sem nenhuma presa. Os olhos presos um no outro sem deixar nada escapar. Kyoko queria ver todas as expressões que Saga podia ter. Era tão bom! Os lábios dele eram como mel. O jeito carinhoso que se arremetia contra si mesmo cheio de prazer e ânsia, não perdia o ritmo. Os corpos se encaixavam de maneira única e inexplicável. Era como se ambos tivessem sido feitos um para outro. Não havia um só toque, um só gesto daquele homem que não expressasse o quanto sentia saudades, o quanto a amava e queria bem.
— Eu te amo!
Kyoko engoliu em seco. Amor! Palavra tão pequena, mas com tanta força como nenhuma outra haveria de ter. Nunca pensou em ouvir ela de um homem humano. E era bom! Dele era maravilhosamente bom. Seus olhos marejaram de felicidade. Saga parou por um segundo, observando as lágrimas dela rolar pelo lençol.
—Eu...estou tão feliz...- Kyoko sorriu.
Saga enterrou o rosto na curva do pescoço dela, voltando a se arremeter. Adorou ouvir os gemidos que ela emitia. As mãos agarrando seus cabelos, a boca afoita buscando a sua com máxima urgência, pedindo e repetindo pedidos de prazer. Saga atendia a todos com prontidão. Kyoko era sua. Os deuses a moldaram para si. Ela seria sua até o fim e não deixaria ninguém a tirar de seus braços outra vez.
Ergueu o tronco ficando de joelhos, apoiando um dos pés dela em seu peito, tendo como recompensa a visão deslumbrante do corpo nu de Kyoko a sua mercê.
Depois disso Kyoko perdeu as contas de quantas vezes foi mudada de posição afim de prolongar o ato. Toda vez que Saga sentia o orgasmo se aproximar, mudava a posição, deixando somente Kyoko se satisfazer. Queria dar a ela todo prazer que merecia ter, matando também sua saudade.
Com um gemido alto, ela anunciou seu terceiro orgasmo, rebolando sobre o membro que pulsava dentro de si. As mãos de Saga agarraram sua cintura, mantendo seus quadris parados para não gozar.
— Droga! Me larga! Isso não é justo.
— Que malcriada! Hummm... devia ser eu a reclamar disso. É a terceira vez pra você só essa noite.
— Por isso mesmo. Eu...- fez uma pausa, virando um pouco para olhar para Saga. — ...eu quero sentir. Quero fazer você gozar também. Me sinto...estranha assim. — Kyoko corou. Não queria que ele percebesse que se sentia insegura.
Saga sorriu. Se Kyoko soubesse o esforço que estava fazendo para manter aquele ritmo...
—Vem cá!
Saga saiu da posição, voltando a ficar por cima dela. As pernas de Kyoko envolveram sua cintura de modo tão possessivo que Saga não conseguiu não rir da cara emburrada dela.
— Eu não vou fugir. — disse beijando-a.
—Eu prefiro me prevenir. — resmungou emburrada.
Ele então voltou a se mexer, estocando forte seu órgão contra o dela. O suor escorrendo por seu corpo, molhando seus cabelos e o corpo de Kyoko de forma intensa. A kitsune agarrada aos braços fortes, puxando o corpo dele de encontro ao seu. Os gemidos abafados de Saga mexiam com todos os seus sentidos de forma única. A intensidade dos movimentos dele se intensificando, imprensando seu corpo contra o futon com gana e êxtase. Saga estava no limite, bem como havia dito.
Kyoko sorriu devassa. Sua mão direita agarrou a nuca dele, seus olhos mudaram de cor tornando-se dourados. Sentia e ouvia o retumbar frenético do coração dele querer explodir dentro do peito, o sangue quente correndo nas veias daquele corpo delicioso, másculo. Queria sentir o prazer dele dentro de seu corpo, queria ouvir, ver Saga delirar de prazer. Estava farta de esperar.
—Goza pra mim! — sussurrou rente ao pé do ouvido.
Saga sentiu como se levasse um choque. Sabia que estava prestes a explodir de prazer, mas daquele jeito? Não mesmo! Não tão...forte. Seu corpo se contraiu de forma intensa, agarrando o corpo de Kyoko com gana. Seu prazer saindo em jatos, fazendo a kitsune se deliciar com aquela sensação. Era tão quente! E pulsava forte. Saga sentia o corpo querer se partir em pedaços, mas logo a sensação de leveza começou a cair sobre si. Sua respiração forte a se acalmar assim como seu coração. Os dedos de Kyoko deslizando pelos fios molhados de seus cabelos com carinho. Um carinho que a muito lhe faltava.
Ficou ali, deitado na mesma posição. Não queria sair dali. Sair do aconchego do corpo quente e macio que sua Kyoko possuía. E ela? Ah! Ela? Sorria feliz como a tempos não sorria.
Baa-san tinha razão. Saga merecia e muito mais que uma chance. Merecia sim seu corpo, sua alma, seu coração.
♊oOoOo♊
Logo depois da sessão de horrores protagonizada por Cheshire, os shinobis deram ordens para que os guardas tomassem a ordem do lugar outra vez e que se houvesse mais algum capanga de Kazuia por ali, deveriam ser todos mortos. Yamoto e Ookami seguiram em grupos separados para averiguar quantos mais estragos haviam pelo lugar. Águia e Cheshire ficaram no casarão por precaução. Havia um traidor no meio deles, era bom não vacilar com a segurança de Kyoko.
Águia entrou furioso em seus aposentos, andando de um lado para o outro. Não conseguia entender como aquele absurdo podia estar acontecendo. Ume, sua amada Ume estava se deixando levar por um...branco azedo sem sal como Mu de Áries. Aquilo só podia ser um pesadelo.
— Chikushou(Porra!) – Águia passou ambas as mãos nos cabelos negros, afastando a franja do belo rosto jovem e sexy que possuía. Os olhos iluminados pela fúria e os dentes trincados.
Duas batidas na porta despertaram o youkai de seus devaneios. Nem precisou dar permissão, pois essa nem precisava. Ume abriu a porta devagar, observando o semblante carrancudo do shinobi.
— Como você está? – perguntou se aproximando, mas Águia se afastou.
—Hum! Pareço bem para você?
Ume virou o rosto um pouco para a direita a fim de fugir daquela situação. No fundo sabia que não devia se aproximar dos humanos, mas simplesmente não conseguia mais evitar as investidas singelas e doces do ariano.
— Quantas vezes eu vou ter que dizer pra você ficar longe daquele cara? – Águia virou com ambas as mãos na cintura. Sua vontade era de partir Mu em dois. — Será que você não entende?
—Mu-sama não é como os outros! — volveu a garota se aproximando mais.
—E o que te garante isso?
—Se ele fosse mal, Kyoko-sama não teria trago ele para cá.
—Kyoko não sabe a diferença entre a esquerda e a direita. Ela está...- crispou os punhos. —...enfeitiçada por aquele...cavaleiro. Por causa dele, por causa deles, ela...está como está.
—Quem matou Kyoko-sama foi Hiroaki-sama, não Saga. – rebateu a mocinha de forma brava.
—Não! Ele não a matou, só a DEIXOU MORRER! ELE SÓ PRECISAVA MANTE-LA SEGURA, SÓ PRECISAVA CUIDAR DELA E NEM ISSO ELE FEZ! NENHUM DELES! Doze cavaleiros, DOZE! E nenhum...NENHUM DELES TEVE CORAGEM DE AJUDÁ-LA MESMO DEPOIS DO QUE FEZ POR AQUELE...IDIOTA DE GÊMEOS!! – devolveu furioso.
Ume achou melhor não discutir. Águia estava furioso e não ouviria nada que tivesse a dizer naquele momento por mais que tivesse razão. Não pelo menos em meio a uma discussão.
— Saga não pode proteger a Kyoko, assim como Mu não poderá te proteger. Eles têm Atena. – fez uma pausa. — Se acontecer alguma coisa, quem você acha que eles irão escolher? Acha que Saga e Mu deixarão de proteger a deusa deles para proteger você e a Kyoko? Kyoko-dono morreu porque Saga preferiu proteger as pessoas inocentes. Não o condeno, afinal era uma de suas maiores obrigações. Kyoko era só um mero detalhe.
Um silêncio tenso se instalou no ambiente por alguns segundos. O youkai bufou rendido; caminhou até sua cama sentando ali com ambas as mãos nos cabelos. Odiava perder o controle de suas emoções principalmente com Ume. A amava demais para trata-la mal seja lá por qual motivo fosse, mas só de pensar em algo acontecer com ela já sentia-se morrer um pouco mais.
As mãos pequenas e cálidas seguraram o rosto do shinobi com carinho, fazendo ele fechar os olhos claros de forma calma e depois abri-los na mesma velocidade. Os olhares se encontraram e toda a fúria que Águia sentia naquele momento se esvaiu completamente com o sorriso doce de Ume. No fundo não condenava Mu totalmente, pois como macho ele sabia o quanto a youkai era apaixonante, só não conseguia aceitar que ela não resistisse a ele.
— Sei que está preocupado, mas vai fica tudo bem.
Águia segurou a mão direita dela dando uma risada anasalada e triste.
—Não quero perder você. – sussurrou
Ume sorriu ainda mais, unindo suas testas com carinho. Águia suspirou satisfeito com o perfume dela. Era como a mais bela e frágil flor de cerejeira.
— Não vai. – ela disse, repousando a cabeça dele em seu peito.
♊oOoOo♊
Camus crispou o cenho ao sentir o algodão embebido no que parecia ser álcool encostar em seu lábio inferior. Um corte um ligeiramente fundo causado por um soco ainda sangrava um pouco. Fechou os olhos quando Baa-san repetiu o gesto, mas nada disse. Somente observava a senhor mexer em seus apetrechos e cuidar das suas feridas, e depois as de Mu e Afrodite.
— Ele te acertou de jeito, bonitão. – disse a senhora sorrindo de lado.
Camus resmungou qualquer coisa, trocando um olhar com os amigos. Mu entendeu o que o olhar sério de Aquário queria dizer. Eles não conseguiam esquecer e nem entender o que os shinobis de Hiroaki haviam dito sobre a tal “Naomi”.
— Espero que todas as crianças estejam bem. – começou o ariano.
— Tenho certeza que sim. E, aliais, obrigada pelo que fizeram. Eu nem sei o que teria sido delas se vocês dois não estivessem lá.
— Não tem que agradecer. É o mínimo que podemos fazer pela Kyoko. – respondeu Mu.
—E tenho certeza que depois de hoje, ela não terá mais desculpas para dar em relação a nenhum de vocês e principalmente de Saga. Ahhh...como é teimosa aquela Kitsune.
— A quanto tempo conhece a Kyoko? – perguntou Camus.
Baa-san sorriu, colocando um curativo na testa dele. Era estranho tocar em Camus. A pele dele era tão mais fria do que conhecia dos humanos, mas isso não o tornava menos lindo do que era. Melhor dizendo: perfeito! Só não era mais perfeito por ser humano. Por que as coisas eram tão injustas?
— A mais tempo do que você imagina. – disse calma.
— Pardon pela minha intromissão, ma chérie, mas como a conheceu? – continuou.
Baa-san sorriu terminando os curativos em Camus. Ele era muito inteligente para uma pergunta com aquela. Olhou para uma das servas que estavam no lugar ordenando que a moça continuasse de onde parou. Afrodite ficou sem entender aquela reação da senhora e mais ainda o sorrisinho de Mu. O aquariano observou a velha sair da casa e sem mais seguiu atrás dela.
— Você non me respondeu.
Baa-san parou. Odiava lembra-se daquele dia. O dia em que uma parte sua fora salva por Kyoko e outra roubada por Suzuki.
Ela era a maga do lugar, a curandeira que ensinara a Kyoko a arte de controlar seus anticorpos para se curar mais rápido e também os humanos. A senhora que cuidava da saúde dos shinobis, dos guardas, das crianças, mas que por causa da inveja alheia não podia curar a si mesmo.
—Por que você está me perguntando quando já sabe a resposta?
Então Camus caminhou até ela. Os pés afundando na neve que lhe agradava como a mais doce brisa matutina. O vento calmo carregando os flocos brancos de neve que caiam sobre seus longos cabelos, enfeitando-o e o embelezando ainda mais – se é que isso ainda era possível.
— Por que eu quero ouvir você me dizer. – ele disse enfim, ficando de frente a ela. — O que houve?
—Suzuki sempre foi invejoso, cruel. Kyoko, linda, bondosa. Tudo que ele não é. Eu? Bem. Eu era só uma moça do campo, amiga de infância de um bom pescador e vítima da inveja e cobiça de alguém que não sabe perder. – fez uma pausa respirando fundo. —Kyoko tentou me salvar, mas não conseguiu. Ela tentou fazer tudo que podia, lutou contra todos a sua frente, mas não conseguiu. Se culpa por isso até hoje, pois além de Akira, eu também sou uma das vítimas que ela não conseguiu ajudar. Eu dormi por quase uma semana. Quando acordei, estava aqui, no casarão. A primeira coisa que fiz foi olhar minhas...mãos. – Camus apertou o cenho. — Eu odeio Suzuki com todas as minhas forças. Já perdi as contas de quantas vezes desejei que ele morresse, pois talvez assim ele...me devolvesse o que tirou de mim...
Baa-san ergueu a mão, tocando com as costas dos dedos o rosto naturalmente sério e jovem de Camus. A deusas deles era tão boa. Além de ressuscitá-lo ainda deu a ele a aparência de dezoitos anos. Ele não se opôs, aceitando o carinho doce daquela que só aparentava ser uma senhora.
—...minha juventude, meu rosto que ele...usa como se fosse seu.
Ela então sorriu, os olhos embaçados pelas lágrimas que sempre teimavam em sair quando lembrava daquela história. Achou que já era suficiente por hora. Camus era muito inteligente e descobriria quem era tão rápido quanto ele mesmo podia pensar. Baa-san apertou as bochechas dele em uma forma típica de descontração, até porque o que mais uma velha como ela poderia fazer com alguém com Camus?
Passou por ele sem olhar para trás, caminhando devagar pela neve densa e o frio cortante daquela noite.
—Naomi!
Ela então parou. Era tão raro ouvir alguém dizer seu nome.
Virou somente um pouco e seus olhos se encontraram com os azuis sério do guardião de aquário. Ele ficou de pé; os cabelos bailando com o vento frio.
—A parte de ser casada era real? – falou alto. A voz grave e carregada pelo sotaque francês.
Naomi riu um pouco. Humanos...como eram tolos!
— E quem seria louca de se casar com Yamoto?!
Zombou arrancando enfim um sorriso daquele homem...
...e como era lindo.
♊oOoOo♊
No dia seguinte a neve ainda caia forte, deixando a temperatura mais baixa ainda do que deveria estar. Kyoko abriu os olhos devagar, sentindo um peso, mas também um calor extremamente bom sobre seu corpo. Tentou se mexer, movendo um pouco a perna direita. Em seguida tentou levantar, em vão, pois o “peso” que caia sobre seu corpo se enroscou ainda mais ali, enfiando a mão em seus cabelos e o nariz em seu pescoço. A pele quente nua roçando devagar na sua arrepiou até seus pelos mais improváveis.
Sorriu ao se dar conta do que era e mais ainda em ser quem era; primeiro enrubesceu violentamente ao lembrar de tudo que fez noite anterior. Depois ficou incrédula em saber que todas aquelas sensações incríveis foram causadas por um homem.
—Uall!!- resmungou.
Ergueu sua cabeça só um pouco, mas o movimento só serviu para incomodar Saga ainda mais. Ele de forma possessiva, se enroscou ainda mais no corpo de Kyoko, dizendo em gesto que ela não ousasse tentar sair dali.
Sem ter muito o que fazer, até por que não queria, ficou somente deitada, curtindo o contato bom do corpo másculo de Saga sobre o seu e as lembranças de tudo que fizeram. Enfiou a mão por debaixo do grande cobertor de pele, tateando a dele com carinho, sentindo os caminhos que os músculos definiam o corpo de forma tentadora e sexy. As costas grandes, largas; a curva da espinha, descendo até o cóccix e seus dois furinhos, um de cada lado como uma indicação de: Aperte um pouco mais em baixo. Sorriu com o pensamento infantil, mas fazendo como desejava, massageando devagar o bumbum durinho dele.
— Hummmm...delicia!
Kyoko sorriu safada, sussurrando para ele. Saga resmungou se remexendo. Não queria ter acordado naquela hora. Estava frio e o corpo dela era quentinho, bom. Bom demais! As mãos de Kyoko se encheram novamente nas nádegas dele agora com mais força, forçando o corpo dele e o membro duro da manhã roçar no seu. Saga reclamou outra vez, achando que já estava passando da hora de castiga-la por ter se mexido quando indicou que não fizesse e mais ainda por tê-lo acordado e abusado de seu corpo nu.
Sem sair da posição empurrou a perna direita de Kyoko com a sua para fora, ganhando espaço e se acomodando melhor ali. Ela não se opôs, muito pelo contrário. Adorou ser recepcionada com tanta estima.
Gemeu baixinho com a invasão dolorida, mas não menos prazerosa. Ele era delicioso demais para ter qualquer pedido que fosse negado. Já não bastava a idiotice em ter ficado tanto tempo sem aquilo?
— Que jeito bom de dar bom dia. — Kyoko se remexeu um pouco para um encaixe perfeito. — É assim todos os dias? Acordar de pau duro?
— Quase sempre. Qual homem não acorda? Agora assim...- moveu mais intenso. —...só quando se tem uma kitsune safada a apertar minha bunda enquanto tento ser romântico.
Kyoko gemeu sorrindo. Jogou o pescoço para trás afim de dar mais acesso a Saga. Ele aproveitou tudo que pode, amando Kyoko até a exaustão. Não conseguia se cansar dela e a saudade de seus carinhos só fazia crescer a cada instante. Tinha dito a ela que ele em si não era um sonho, mas agora questionava se estar com ela não era um sonho.
Depois de se amarem por mais algumas vezes, acabaram por pegar no sono outra vez, mas agora, depois de algumas horas, Saga foi quem acordou primeiro. Espreguiçou-se com cuidado para não acordar Kyoko. Adorava ver ela dormir. Ficou assim por alguns segundos. Quando achou suficiente, deixou a amada onde estava, caminhando pelo quarto do jeito que veio ao mundo. Pegou um cigarro em cima da penteadeira, acendeu o mesmo com o isqueiro dado por Máscara e enfim caminhou até a porta de acesso ao engawa. Ficou ali parado por alguns instantes, observando o lago congelado e a árvore completamente branca pela neve. Tragou seu cigarro com força.
— Se você acordá-la, eu te mato.
A voz imponente de Saga e seu semblante assassino não intimidaram Cheshire. O shinobi ignorou o cavaleiro de gêmeos, continuando o que fazia; velar o sono de Kyoko.
Ele a observava com seu sorriso de lado, flutuando em cima dela como se Saga não existisse. Na verdade, estava louco por ter um motivo para matar Saga.
—Ela é tão linda, tão perfeita... — Cheshire afastou uma mecha do cabelo de Kyoko para vê-la melhor. — ...porque tinha que se apaixonar por você?
Saga saboreou de seu vício com calma, dispensando a guimba para o além. Virou ainda mais imponente, fuzilando o youkai com o olhar. Se Cheshire tivesse a noção de como odiava quando fazia aquilo já teria cavado um buraco e se enterrado.
—Por que você não morre simplesmente? — disse Saga caminhando até o banheiro.
O neko virou o rosto na direção do cavaleiro. Um sorriso gigante mostrava todos os dentes de forma horripilante. Se fosse outra pessoa ali já teria morrido de medo.
Depois de alguns minutos Saga voltou ao quarto, agora devidamente banhado e vestido. Olhou para cama ficando satisfeito em ver que Kyoko ainda dormia como um fofo rolinho primavera e agora Cheshire já não a bajulava mais. Estava agora do lado de fora observando o jardim. Com uma toalha no pescoço, caminhou até próximo dele, parando quando achou que devia. Sua paciência com aquele intrometido já estava a níveis de irritação alarmantes.
—Você deveria respeitar a Kyoko pelo menos um pouco. Ficar nos observando enquanto transávamos não foi muito educado da sua parte. – falou Saga cruzando os braços.
— Ahhh Saga, não se preocupe. A Kyoko já está acostumada comigo, afinal...- virou olhando para ele. —...essa não é minha primeira vez.
Saga estancou. Como assim não era a primeira vez? Aquela era a primeira vez que tocava em Kyoko desde que chegou no Makai.
—Como é que é?!
Cheshire abriu seu sorriso enorme, dando um pequeno pulinho para sentar no ar; as pernas cruzadas e os braços também. Achou graça da cara séria e ao mesmo tempo boba de Saga. Como ele era idiota!
—Eu sempre fico me perguntando como Kyoko-sama pode ter se apaixonado por alguém tão...inútil como você. – flutuou para próximo de Saga. —Eu...sempre fico pensando se ela lembrar de todas as coisas que você fez a ela e que tudo que está acontecendo com ela é culpa sua, se ela ainda vai querer você.
—Eu tentei salvar ela! – gruiu gêmeos.
—Tentou? Hum...por telepatia talvez, porque...eu não vi você lá...
Cheshire desapareceu, mas só para reaparecer bem atrás de Saga. A boca quase colada ao ouvido, fazendo os poucos pelos do corpo dele se arrepiar como poucos conseguiram em toda sua vida.
—...quando ele cortou a garganta dela. – completou.
O gato sumiu outra vez, voltando a reaparecer no lugar onde estava. Saga não conseguiu dizer uma palavra sequer, os olhos verdes arregalados de surpresa em saber daquela nova informação.
— Não era você Saga quem estava lá. Era seu irmão. Até ele, Kanon, tentou salvar a Kyoko...menos você.
— Você estava lá...- sussurrou incrédulo.
—O tempo todo. – sorriu maligno. Caminhou um pouco pelo lugar, voltando a refazer o caminho. —Yamoto havia dito isso a você, não lembra. “ Ela nunca está sozinha, Saga”. – os olhos azuis brilharam em um misto de verde tão ameaçador que fez gêmeos se arrepiar ainda mais.
— Você...viu ela morrer. Você viu ela morrer e não fez nada. – Saga apertou os punhos. — Você a deixou morrer, desgraçado, traidor!
O cenho de Cheshire crispou de uma maneira que Saga sentiu-se paralisar. Nem quando ele tentara mata-lo no primeiro dia ele havia emanado uma aura tão ameaçadora e hostil como aquela. Era como se o shinobi pudesse mata-lo só com aquilo. E antes que pudesse se dar conta, um golpe forte lançou Saga contra o lago, estraçalhando o gelo e o fazendo afundar na água congelante. Sem dar chance dele se recuperar o shinobi agarrou o pescoço do cavaleiro, arrancando ele daquele inferno de gelo e o jogando contra o chão.
Saga piscou aturdido, tentando levantar o mais rápido que podia, mas quando assim o fez Cheshire já estava lá flutuando bem na sua frente. Os rostos tão próximos que respiravam o mesmo ar.
— Não ouse me culpar por seus erros, cavaleiro inútil. Não era eu quem deveria estar ali, era você! Era você quem deveria manter a Kyoko em segurança. Você é tão idiota que até seus amigos enganam você. Você sabia que estavam tentando matá-la e mesmo assim você a abandonou.
— Não! Eu...
— Você a abandonou como fez com seu irmão no Cabo Súnion e traiu a confiança dela assim como fez com sua deusa quando tentou matá-la com um punhal!
— NÃO!!! – Saga berrou, disparando um soco na direção de Cheshire, mas sem sucesso. As palavras dele mexendo com algo inexplicável dentro de si. Algo que já não sentia a anos e anos. Não! Aquilo não podia ser real.
— Você é um fraco Saga. Diz que veio aqui salvar Kyoko-sama, mas...
“ Sagaaaa...” (sussurro)
—... será que você pode salvar a Kyoko...
“Sagaaaa...” (sussurro)
Saga virou de um lado para o outro desesperado. Aquela voz...aquela voz ele nunca esqueceria daquela voz. Não! Não era possível. Athena o havia livrado. Athena o havia libertado daquele mau a anos. Não era possível que ele estivesse ali na sua mente outra vez.
—...de si mesmo? – completou o shinobi sorrindo.
Saga caiu de joelhos, levando ambas as mãos à cabeça. A voz em sua mente chamando seu nome mais e mais, a presença daquele que a anos não sentia, minando suas forças afim de sobrepujar seu autocontrole, sua sanidade. Um pesadelo tão vivo e forte quanto o frio que queimava sua pele. Urrou como um animal desesperado sob o olhar soberbo e impiedoso da sombra da sua amada Kyoko.
— Ah coisas sobre Hime-sama que você nem sonha, Saga.
— Quem...quem é...você? – rosnou como pode.
O gato então caminhou até ele, agachando. Os olhos azuis mirando a alma de Saga como talvez nenhum inimigo tenha feito em toda sua vida, mas a resposta que veio de Cheshire era a última que Saga podia esperar.
—Eu sou...a outra metade de Hiroaki.
Continua...
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