Notas iniciais
Oiiii Povuuuuu tudo bom com vocês? Espero que sim. Bom e lá vem eu novamente com mais um capítulo, espero que vocês gostem e que me perdoem sinceramente pelos erros. Desde já agradeço o carinho de vocês e por todos os comentários fofos. Bjs da angell e boa leitura!

O céu do santuário parecia ainda mais lindo do que o de qualquer outro lugar da Terra. As estrelas brilhavam intensamente em explosões numa sequência infindável, mas mesmo com tantas espalhadas naquele cobertor imenso negro somente duas em especial tinham sua total atenção e devoção. Kyoko esticou a mão de maneira infantil, na tentativa de alcançar uma delas, depois esticou a outra e como uma criança brincava tentando pegá-las.

Como seria poder tocar? Ter o poder das estrelas na palma da mão? Segurar um pedaço, só um pedacinho do céu?

— Castor e Póllux. – A voz forte do cavaleiro de Gêmeos fez Kyoko levar um susto. Saga ficou a observar os céus até se deixar sentar ao lado dela.

Kyoko nada disse, sentando devagar e abraçando as próprias pernas. Saga entendeu o gesto de “não se aproxime” e preferiu acatar.

As coisas já não eram mais tão boas e divertidas quanto antes. A discussão horrível de alguns dias atrás ainda amargava como fel em sua boca. Tentou algumas vezes se desculpar, mas a muralha erguida por Kyoko deixou tudo ainda mais difícil e distante.

Com a chegada de Eva as coisas mudaram da água para o vinho e Kyoko já não mais aparecia na casa de Gêmeos. Saga sentia os ossos rangerem de aflição e confusão sempre que via em seus pensamentos o mar de mel lhe convidar a mergulhar naquela imensidão de mistério e sensualidade. Tentava a todo custo acreditar que Eva era a melhor opção e que Kyoko só passava de um fetiche, mas seu coração parecia estar mais determinado a lhe enlouquecer do que a inveja que sentiu de Aiolos a anos atrás. Sentia-se perdido, sozinho e sem saber o que fazer, só sabia que não queria magoar ninguém. Estava se esforçando e muito, mas a kitsune parecia não querer cooperar deixando mais claro do que água em seus atos e palavras o quanto a presença de sua agora atual amante ter voltado para o santuário estar sendo um estorvo e ele, Saga, já não sabia mais em quem acreditar...

Duas semanas antes...

Na cozinha Eva bebia um copo de suco encostada ao batente da porta que dava acesso a um tipo de quintal extenso e gramíneo, com algumas árvores floridas e alguns pés das frutinhas cabeludas. No varal poucas peças de roupas e dois lençóis balançavam devagar com o vento. Os olhos azuis celestes presos ao satélite natural e toda sua magnitude, vagueando seus pensamentos por somente uma pessoa: Saga.

“Por que ele está tão diferente? Ele mal me toca, mal olha para mim. Deus o que tenho que fazer? Não quero perdê–lo. Não...”.

O som de passos trouxe a morena de volta a realidade. Seus olhos faiscaram sobre a raposa que roubava algumas uvas e tâmaras na fruteira. Quando se deu por satisfeita pegou um pêssego grande e suculento, observou a fruta e sorriu, exibindo suas covinhas fofas em meio às bochechas rosadas. Eva sentiu o sangue ferver só de olhar para ela. As coisas eram ótimas antes de Kyoko aparecer e em sua cabeça ela era o motivo de Saga estar tão distante. Mal ela sabia que sua desconfiança fazia todo sentido do mundo.

Por que ela tinha que ser tão perfeita? Por que os deuses haviam sido tão injustos a dar a um monstro tanta beleza? Por quê?

Na mente enciumada de Eva, Kyoko tinha tudo que uma mulher humana podia querer; a raposa tinha altura, tinha seios fartos e cintura fina, coxas grossas e um sorriso lindo entre um dos furinhos mais fofos e desejados por uma mulher. Ela não era frágil, não era fraca, não tinha medo do escuro ou de altura, não reclamava de uma unha trincada ou quando quebrava; não sofria de TPM e nem das dores da menstruação. Ela era ágil, inteligente e independente como ninguém e seus cabelos eram tão brilhosos como a luz do luar e tão macios quanto a pétala de uma rosa. Ela não precisava de horas de salão ou o sofrimento da depilação, do maquiador ou da esteticista e mesmo quando corria por aí com seus pés no chão e o rosto sujo de poeira, o corpo molhado de suor ela ainda assim era perfeita. Por que a vida tinha que ser tão injusta e dar a um...ser como ela tanta beleza? Tantas qualidades? Até a própria Afrodite podia sentir inveja.

Inveja...

No mundo não há pior sentimento. A inveja é filha do orgulho, autora do homicídio e da vingança, o início das sedições secretas, a perpétua atormentadora da virtude. A inveja é a imunda lama da alma; um veneno, um azougue que consome a carne e seca a medula dos ossos, assim disse Sócrates.

Por inveja Dionísio, o Tirano, castigou Filoxênio, o músico, porque este sabia cantar; e Platão, o filósofo, porque este sabia disputar melhor que ele mesmo.

Por inveja Caim, o assassino, matou seu próprio irmão e os judeus cometeram o maior pecado de todos entregando o filho de Deus para morrer.

E foi justamente por conta desse sentimento que Eva justificava ser seu amor por Saga que ela faria qualquer coisa.

— Olá Kyoko, comendo há uma hora dessas? – A morena aproximou-se observando com desdenho sua rival.

— Eu não sabia que existia hora para comer. – A raposa respondeu sem interesse.

— Se continuar a comer assim irá explodir de gorda.

Kyoko mastigou algumas uvas devagar observando com desdenho Eva e sua observação ridícula. Olhou para o próprio abdômen e depois para seu bumbum, deu de ombros voltando a comer. Eva rosnou de raiva, entendendo que aquele comportamento não era só uma provocação e sim uma afronta.

— Já pensou se você engordar? Será um horror! Imagine estrias e...celulites explodindo por todo seu corpo.

Kyoko deu um sorrisinho, sem conseguir acreditar no que ouvia. Eva era uma recalcada só podia. – Meu metabolismo é muito mais acelerado do que de qualquer pessoa nesse santuário. Não se preocupe, eu não vou engordar. Vou continuar comendo e comendo e nenhuma...estria ou celuseilaoque irá...explodir pelo meu corpo...nunca!

Eva trincou os dentes de ódio. – Você não acha que está dando muita despesa para o Saga?

— Não...ele não liga. Frutas são só frutas e podem ser encontradas em qualquer lugar da terra. – Respondeu sem dar muita importância e voltando a pegar mais algumas uvas.

— Está equivocada minha cara, não é porque ele não diz nada que significa que concorde ou que goste. Você...vive por aí e ele tem que ficar...correndo atrás de você como uma criança de cinco anos. Será que você não se envergonha disso? Uma...uma... – Kyoko franziu o cenho. – ...nem sei o que você é. Não consigo encontrar adjetivos para você. Fica se comportando dessa maneira e acha que é normal?

— Qual é o seu problema Eva? Está chateada porque o Saga não tem cumprido seu papel como homem desde que pisou nessa casa? – Eva sentiu o coração falhar uma batida. Realmente Saga ainda não havia encostado um dedo em si desde que chegou e o mais irritante era que ele sempre aparecia com desculpas para evitar a relação. – Se o Saga não está com tesão de te comer, não me culpe.

— Por que você não volta pro buraco de onde você saiu aberração? – Eva rosnou em resposta. Kyoko sorriu. – Aqui não é o seu lugar. Seu lugar é junto com monstros e animais iguais a você.

— Monstro...engraçado Eva, o seu namoradinho não pensa como você. — Kyoko cruzou os braços, mas sem se desfazer do sorrisinho sacana.

— Acha mesmo? Você se acha muito boa não é?! Tem tanta certeza do que Saga pensa ou o que ele acha sobre você. – Eva caminhou um pouco e pegando uma faca dentro de uma gaveta. Kyoko descruzou os braços ficando em alerta. Não era possível que aquela maluca ia tentar alguma coisa consigo, não mesmo. – Pois bem Kyoko...eu vou te provar que Saga é como um homem qualquer e que ele pensa exatamente como eu.

Kyoko ficou estática ao ver Eva desferir alguns golpes em seu próprio braço, fazendo quatro cortes na vertical. A morena limpou a faca na própria roupa e sorriu para a raposa, aproveitando da reação dela para segurar em uma de suas mãos. Kyoko de início não entendeu aquilo, estranhando quando sentiu sua mão quente. Olhou e era sangue.

— Você é louca. – Balbuciou

— Vamos ver o que o Saga pensará sobre isso, Kyoko.

A morena sem aviso começou a gritar e a segurar a ferida. A outra levou um susto com aquilo. Sinceramente não estava esperando. A morena chorava e clamava por Saga teatralmente como se tivesse perdido um dos braços. Seus gritos se intensificaram quando instintivamente Kyoko deu um passo em sua direção e tanto Saga quanto Kanon surgiram na cozinha, exacerbados.

— Mas o que é isso? – Perguntou o mais velho abismado com a cena.

— Saga...ai... – Eva gemeu. O mais velho correu, pegando um pano na gaveta e quando viu o braço da moça seu olhar acusador caíram sobre a raposa.

— Por que fez isso? – Inquiriu tenso. Kyoko ficou em silêncio, sem saber se aquela pergunta estava realmente sendo feita para si.

— O quê?!

— Está tudo bem amor, deixa isso para lá, eu não devia ter tentado pegar o pêssego. – Eva disse manhosa.

— Por que fez isso, Kyoko?

Ela ficou incrédula com aquela acusação. Saga só podia estar louco em acreditar naquele teatro.

— Eu não fiz isso.

— Não?! Então porque suas unhas estão sujas de sangue?

Finalmente a youkai caiu em si entendendo aquele teatro: Eva cortou o próprio braço e sujou suas mãos de sangue para que Saga acreditasse que os cortes tinham sido feitos por ela, mas o pior de tudo era que aquela loucura deu certo e ele nem sequer chegou a cogitar em outra opção que não fosse aquela.

— Eu não posso acreditar nisso, está me acusando?

— Eu já te falei para não atacar ninguém ainda mais por causa de comida! – Saga repreendeu ríspido e sério. Realmente Kyoko já havia tentado morder Kanon algumas vezes por causa de frutas e pães, mas dessa vez era inocente.

— Eu já disse que não fui eu! – Vociferou fechando os punhos de raiva e indignação.

— Gente calma. – Kanon pediu. – Saga leva a Eva para o quarto, eu vou pedir a alguém para chamar um médico, deixa que eu cuido da Kyoko.

— Eu não preciso que cuidem de mim, já disse que não fiz nada. Essa maluca cortou os próprios braços e você está pondo a culpa em mim. – berrou olhando nos olhos de Saga.

— Como acha que eu vou...

— CHEGA!! – Kanon ordenou com um berro fazendo ambos cessarem a discussão. – Saga leva logo a Eva.

Saga ainda trocou mais um olhar com a raposa, saindo com Eva logo em seguida. Kyoko sentiu um nó na garganta com tudo aquilo. Eva nem precisou acusá–la diretamente para que Saga acreditasse naquela loucura e aquilo com toda certeza era algo totalmente inesperado de alguém que a havia acolhido com carinho, sem questionar. Sentiu-se triste com a acusação do mais velho mesmo Kanon tentando justificar a atitude do irmão. Para Kyoko nada justificava aquilo e para ela, Eva era uma louca e, pior, manipuladora.

O que de tudo não estava errada...

As coisas pioraram depois que Saga sentiu-se culpado e lhe pediu desculpas. Eva sentiu seu ódio crescer ainda mais e suas investidas pioraram. Ela queria que Kyoko saísse da casa de gêmeos, mas Saga não permitia e não concordava. A raposa ainda tentou por si só sair indo morar com Shaka, mas o mesmo a convenceu que fugir do problema não era a melhor saída, mas também não a forçou a voltar. Entendia e imaginava o quanto estava sendo difícil, já que para ele o sentimento de Kyoko por Saga era tão claro quanto água. Saga sentia-se confuso no meio das duas sem saber em quem acreditar, ele sabia que a kitsune não era fácil de se lidar, mas também não a culpava totalmente. Eva jurava ser inocente, assim como Kyoko.

A morena completamente cega por seu ciúme chegou ao ponto de simular que Kyoko havia tentado matar Jack afogado. A raposa sempre tirava um cochilo embaixo de um pé de cerejas, lógico depois de se fartar e Eva não perderia uma oportunidade de ouro.

Jack era um filhote, mas mesmo assim era a única coisa na terra que fazia Kyoko tremer de medo. Ela fugia de Jack mais do que o diabo fugia da cruz, mas o cãozinho parecia não entender e em um dia que Thetis se descuidou ele seguiu a raposa até o rio...

e Eva também.

Jack chorava e se batia, afundando e retornando a superfície daquela água gélida. Kyoko tremia de desespero em saber que por seu medo ele morreria afogado. Thetis ficaria arrasada.

— Por que fez isso? – Kyoko berrou de ódio.

— Ora, mas não foi eu quem fez isso. – Eva sorriu. – Foi você Kyoko. Você não gosta do Jack. Eu não tenho motivos para matá-lo, já você... tem todo o motivo do mundo. Vejamos: Jack a seguiu até aqui e você por medo o jogou no rio e ficou observando ele morrer. Perfeito! – Disse a mulher com toda sua calma.

Kyoko desesperada ajoelhou na margem, cavando a água na tentativa inútil de guiar o filhote até lá. – Jack...Jack...nada pra cá...por favor! — Seus olhos arderam de tristeza por saber que ele morreria por conta de seu medo e mais ainda por saber que Saga não iria acreditar em sua inocência. O cachorro afundou novamente e depois de alguns segundos voltou à superfície. Eva sorriu balançando a cabeça de um lado para o outro achando tudo muito...fácil e divertido, afinal Kyoko não era tão intocável quanto achou.

— Ai ai, você é tão patética. – A mulher entrou no lago caminhando devagar até o filhote e finalmente o tirando da água. O bichinho tossia e espirrava por conta de toda a água que havia engolido. – Hora da atuação. – Ela sorriu e em seguida começou a gritar, chamando por Kanon e Thetis.

No final tudo saiu como planejou. Thetis e Kanon ficaram chateados com aquilo, e Kyoko e Saga discutiram como nunca. O desentendimento fora tão sério que até Aldebaran teve que intervir, já que a youkai, desesperada, avançou para cima de Eva e quase entrando em uma luta corporal com Saga...

— Por que você não pode acreditar em mim? – Kyoko berrou a plenos pulmões enquanto era segurada por Kanon.

— Como posso acreditar em você desse jeito? Como posso acreditar se você tem agido como um... – Saga parou e Kanon engoliu em seco.

A raposa trincou os dentes sem saber se era de ódio ou de tristeza. Ela sabia o que ele iria dizer.

– Como um o que Saga? — Os olhos bicolores faiscaram presos nos verdes dele. – FALA!! – berrou.

— Como um animal! – Ele disse entre os dentes. Eva sorriu vitoriosa por finalmente provar a Kyoko o que ela tanto temia.

Depois daquilo Kyoko foi embora e não voltou mais para casa de Gêmeos e era do saber de todo o santuário que ela e Saga já não tinham mais contato. O geminiano nunca em sua vida amargou tanto de arrependimento e saudade. Sentia falta da bagunça, das risadas, das brincadeiras e de seu cheiro. Das covinhas e de seus olhos, e das presas pontiagudas raspando em sua pele...

— Posso te morder?

— Não! – Ele sempre respondia.

Mas nem mesmo Shion com toda sua sabedoria e calma conseguiu convencer Kyoko a voltar.

Saga respirou fundo pensando em algo para amenizar aquele silêncio estranho entre eles. Olhou novamente para o céu tendo uma ideia. – Está vendo? – Apontou, indicado as duas estrelas grandes que brilhavam intensamente. – Aquela é Castor e aquela é Póllux, se você traçar assim... – Ele fez o gesto das linhas no céu, marcando e dando forma a constelação. – Formará a imagem da minha constelação guardiã, Gêmeos.

Kyoko se manteve em silêncio, tentando imaginar naquela imensidão de azul tão escuro com pontos brilhantes a imagem que Saga se referia, mas sinceramente não conseguia ver nexo no que ele dizia e também não estava com nenhuma vontade.

— Castor e Pollux eram irmãos de Helena de Troia, mas só Pollux e Helena eram filhos de Zeus. Certa vez, Zeus havia se apaixonado por Leda, a esposa do rei de Esparta, Tíndaro e para se aproximar dela ele se transformou em um belo cisne. Dessa paixão foram gerados os gêmeos Castor e Pollux. Os dois tiveram os melhores tutores de sua época e ambos se transformaram em guerreiros incríveis. Porém, certa vez ambos os irmãos desafiaram dois jovens para um duelo pela mão de duas jovens que já estavam prometidas, mas Castor, por ser mortal, acabou sendo morto nessa batalha. Pollux ficou tão desesperado pela perda de seu gêmeo que tentou se matar para encontrá-lo, mas por ser imortal ele não conseguia. O drama foi então imortalizado nos céus por Zeus, onde os gêmeos aparecem abraçados formando a constelação de Gêmeos.

— Acha que se você morresse por amor seu irmão tentaria se matar para encontrar você? – Ela perguntou. Saga sorriu com a comparação.

— Eu...não sei se ele faria isso por esse motivo, mas sei que Kanon daria a vida pelo que é certo e eu também.

— Você mataria ou morreria para manter seu irmão seguro cavaleiro? – Saga ficou em silêncio fitando os olhos inquisidores sobre si. Sentiu falta do olhar encantador e das covinhas no sorriso matreiro. Qual foi a última vez que a viu sorrir? E porque isso estava sendo tão importante agora? O cheiro da fruta chegou ao seu nariz e como uma faca, perfurou seus sentidos, rasgado sua garganta e estilhaçando seu coração como caco de vidro. Kyoko levantou e sem dizer mais nada caminhou para o lado oposto no topo da Casa de Sagitário.

— Eu morreria pelo bem de meu irmão sem pestanejar. Faria qualquer coisa por ele, desde que fosse a coisa certa. – Respondeu se reerguendo.

Kyoko parou observando Saga por cima dos ombros. Deu uma risada anasalada. – Que bom cavaleiro, então você dá honra a constelação que o protege.

— Kyoko, eu... – Saga tentou...

— Boa noite, cavaleiro. – Em vão. Kyoko como um borrão de tinta negra pulou de cima da casa em direção a peixes sem olhar para trás.

Saga ficou observando a raposa pular pela escadaria das doze casas, sentindo uma vontade anormal de ir atrás dela e ordenar que voltasse para casa, mas não podia. Kyoko era livre, não tinha poder algum sobre ela e muito menos direito. As frutinhas cabeludas agora enchiam a casa de peixes que era onde ela morava agora. Seu íntimo gritava que mantê-la segura e por perto era sua responsabilidade e não de seus companheiros, não que eles não fossem capazes, mas sim porque queria estar por perto para protegê-la caso alguém a atacasse outra vez.

♊ oOoOo ♊

— Esse filme é ótimo! – Kanon rolava de rir no sofá com Thetis assistindo a um filme de comédia na TV e comia um balde de pipoca.

Saga nem sequer olhou, passando a passos duros até a cozinha. Kanon que de bobo não tinha nada, já havia sacado e muito a atual estado de seu gêmeo, mas achou melhor não se meter. Saga já era bem grandinho e saberia decidir sobre o que era melhor para si.

Na cozinha ele já bebia seu terceiro copo d’água consecutivo quando foi enlaçado pelo pescoço largo.

— Senti sua falta. — Eva disse.

Saga se afastou, colocando a garrafa e o copo em seus devidos lugares sem olhar para a morena.

— Onde estava? — ela perguntou.

— Por aí.

Eva cruzou os braços e com o cenho franzido: — Esse seu por aí seria correndo atrás de uma “certa” raposa com um olho âmbar e outro azul?

— Para o seu governo Eva, correr atrás de uma “certa” raposa é uma de minhas obrigações agora e se isso lhe incomoda me faz um favor, pega suas coisas e vai embora. – Saga saiu da cozinha tão rápido quanto entrou e Eva não soube o que dizer.

Eva era uma arqueóloga vítima de um deslizamento causado em uma batalha de Saga contra um espetro exilado por desobedecer as ordens de Hades. A moça ficou entre a vida e a morte e se não fosse salva por ele teria morrido. Encantou-se completamente ao ver o cavaleiro pela primeira vez e desde então não deu sossego ao mesmo até que cedesse aos seus encantos. Depois disso iniciaram um romance, mas nada fixo, pois o trabalho dela e os afazeres de Saga não permitiam. Eva havia estado com Saga três meses antes de ele sair em missão e por conta disso ficaram um ano inteiro separados e sem se falar, mas quando soube do retorno dele não tardou em pegar um avião da França para Grécia o mais rápido que pode. Só que o que ela não contava era encontrar na casa de seu salvador e amado uma criatura sobrenatural tão...rara e lindíssima sob sua proteção.

— Saga...- Eva caminhou atrás dele até o quarto. Ele já havia se jogado na cama. Um braço sobre os olhos e outro sobre o abdômen. – Me perdoa, me perdoa meu amor eu...não queria aborrecer você é só que me preocupo e sinto sua falta.

O homem bufou rendido. Eva era uma boa moça e não era justo trata-la mal por conta de seus dilemas interiores. A culpa não era dela e sim sua por não conseguir se decidir. – Tudo bem Eva, eu não devia ter descontado meus problemas em você.

A moça sorriu satisfeita, mas não tão satisfeita, pulou sobre os quadris do amado e este não moveu um músculo, não se sentindo nem um pouco contente com aquilo. – Você é lindo, senti tanto sua falta. – Eva choramingou. Uma mão em cada lado do rosto dele e iniciando um beijo sensual.

Saga sentiu-se incomodar de imediato com a falta de algo, mas achou que era coisa da sua cabeça. Seus dedos tocaram de leve nas coxas da morena procurando por algo que nem mesmo ele sabia o quê. Parou o beijo deixando seus olhos verdes deslizarem pelo rosto corado da mulher que sussurrou:

— Faz amor comigo? – E uma trilha de beijos se iniciou dos lábios dele até o pescoço, depois o peitoral e o abdômen.

— Eva...eu... não estou muito disposto hoje. — Saga sentiu um incomodo ainda maior embrulhar seu estômago, fazendo seu íntimo berrar com todas as letras que não era bem aquilo que queria. Os beijos da moça deslizaram até seus ossinhos do quadril, alcançando seu sexo adormecido e mordiscando por cima da calça.

— Shiii... você não vai precisar se esforçar. — Eva sorriu maliciosa, expondo o membro flácido para iniciar o oral com toda sua prática. Ele ainda tentou argumentar outra vez, mas a moça não estava disposta a desistir.

O fato de Saga ultimamente estar lhe negando sexo fazia seu orgulho sangrar e somente uma pessoa vir à mente como responsável. Não, não era possível! Saga era seu e seria até a morte. Sugou e lambeu com todo seu empenho e por ação natural do corpo ele despertou. Saga soltou alguns gemidos e preferiu fechar os olhos na tentativa de se concentrar melhor nas sensações de seu corpo quando ela começou a cavalgada. Eva gemeu languidamente, rebolando e deslizando sobre o membro tenso e mesmo sentindo muito prazer, o fato de Saga estar diferente era mais do que notável. Ele mal se mexia e tocava em seu corpo. Intensificou as investidas até conseguir o que queria; o prazer de seu amado inundando seu corpo e explodindo em êxtase total e a levando ao orgasmo logo em seguida. Seu gemido saiu alto e lânguido, o suor escorreu de sua testa até pingar no peitoral forte, se jogando ao lado dele até que suas respirações normalizassem. Saga ficou em silêncio ainda mantendo seus olhos verdes cobertos pelas pálpebras. Era como se assim pudesse fugir da realidade ao qual sabia não ser quem seu corpo desejou. Sentiu-se péssimo com aquilo, mas mesmo pensando em todas as possibilidades, forçando seu cérebro a acreditar que aquilo era somente desejo e dos mais absurdos, uma coisa ele não conseguia mais negar: Nunca pensou que a ausência do perfume daquelas frutinhas o deixaria de tão péssimo humor.

♊ oOoOo ♊

— Bom dia minha flor mais bela. – Afrodite caminhou até Kyoko que estava entretida com algumas framboesas.

— Bom dia para você também Dite. — Sorriu.

— Dormiu bem? – Ele a abraçou por trás dando um beijo entre as duas orelhas e sentando ao seu lado logo em seguida.

— Sim...- Fez uma pausa. – Dite eu...queria agradecer por ter me deixado passar a noite aqui.

— Ahhh minha linda, já cansei de dizer que você será sempre bem-vinda em minha casa. Eu fico muito feliz por você ter escolhido minha humilde residência sabia?! – Kyoko sorriu quando ele apertou uma de suas bochechas. – Carlo morreria de inveja de mim, só queria ver a cara dele agora. Pena que está em missão, mas você ainda terá o desprazer de conhecer aquele beberrão, mas enfim...o que vai fazer hoje?

— Bom, eu vou visitar o Mu e ver se o anão sem sobrancelhas colocou minha carta no correio. – Mais algumas framboesas.

Afrodite que de bobo nada tinha, ficou curioso em saber para quem Kyoko enviaria uma carta já que ela não vivia no mundo dos humanos como ela mesma havia dito. Não existiam carteiros que faziam entregas no mundo dos monstros, pelo menos ele nunca tinha ouvido falar. – Hummm...enviando cartinhas de amor? É isso mesmo que estou entendendo? A casa de gêmeos fica bem antes dos correios.

Kyoko corou e deixou suas covinhas aparecerem. – Não é nada disso...eu...- Parou por alguns segundos observando o olhar curioso de Afrodite. Ele estava sendo um ótimo amigo e uma companhia mais do que agradável. Era engraçado e muito, muito carinhoso e atencioso, mas...

— Kyoko... – Afrodite ao perceber a confusão dela usou seu melhor sorriso e seu incrível poder de persuasão unida a sua voz melodiosa. — Pode confiar em mim. Olha... eu não sei o que aconteceu com você e também não me importa, quer dizer eu me importo sim, mas... só quero que saiba que nós cavaleiro de Athena somos homens honrados e de bom coração. Eu imagino que para você deva ser difícil confiar em alguém que não conheça e que não é de sua raça, mas se talvez você nos desse uma chance... – Ele segurou as mãos dela entre as suas com carinho. – Nós só queremos te ajudar, eu só quero te ajudar. Se não quiser confiar em todos nós isso é um direito seu, mas eu lhe peço de coração...me de um voto de sua confiança e eu juro que nunca irá se decepcionar.

Kyoko ficou olhando os olhos celestes de Afrodite pensando em suas palavras. Realmente ela precisava tomar uma posição. Já estava a semanas no santuário e mesmo ela não dizendo ainda o que estava fazendo ali nenhum deles havia lhe tratado mal, nem Aiolia com todo seu mal humor. Shion era um amor e Afrodite também, eles nunca a pressionaram a falar e sempre a recebiam de braços abertos.

— Dite...se eu contar você... promete que não conta para ninguém?

— Eu prometo! Juro pela minha vida e a vida de Atena que não direi nada a ninguém, só se você assim desejar. — Afrodite fez surgir entre seus dedos uma linda e robusta rosa vermelha. Deu um beijo e depositou nas mãos de Kyoko.

A raposa sorriu lindamente segurando a rosa com carinho. Deu um abraço apertado no amigo e depois de um suspiro começou a desabafar.

♊ oOoOo ♊

Saga acordou antes de o sol nascer completamente. A noite de sono não havia sido tão satisfatória como imaginou que seria. O cheiro de Kyoko ainda estava impregnado em sua cama e por consequência a imagem dela e seu sorriso invadiu seus sonhos a noite inteira. Mesmo dormindo com Eva seu corpo brigava sério com sua razão sobre o fato de desejar algo que nunca teve, ou que talvez nunca fosse ter era loucura! O sorriso de Kyoko não saía de sua memória e a sensação do corpo quente tão próximo e de certa maneira acessível estava tornando seus dias e suas noites infernais.

Passou a mãos nos cabelos enquanto caminhava a passos arrastados pelo salão de Gêmeos. Estava tão perdido em pensamento que nem percebeu a presença de seu irmão. Kanon sorriu ao notar a confusão explicita na face igual a sua e sabia muito bem o porquê. Para alguém como ele imaginava que seu gêmeo não passava de um idiota em preferir dormir com uma mulher sem graça como Eva a algo tão...raro quanto Kyoko e principalmente em permitir que ela ficasse mesmo sabendo que era aquilo que afastava a kitsune. Kanon já havia notado há mil anos luz o apego dela por Saga e rezava para seu querido irmãozinho caísse em si, mas a chegada da morena realmente foi uma surpresa, mas o que não era surpresa para ninguém era que Kyoko e Eva no mesmo ambiente não daria certo nunca.

Depois do afogamento de Jack, Kanon nunca mais viu Kyoko como antes. A raposa raramente dava as caras e quando fazia era só de passagem. Todos sabiam que ela agora passava a maior parte de seu tempo passeando por Rodório e dormindo entre Touro, Peixes e Virgem. As frutinhas cabeludas já não empesteavam mais os cômodos com seu cheiro e ninguém nunca mais tinha ido até ele ou Saga para queixar-se das traquinagens dela.

— Ela passou aqui há uns vinte minutos. – Falou observando o rosto indecifrável do irmão.

— Ela sempre acordou muito cedo.

— É...você sabe que ela...adora ver o nascer do sol. – Saga ficou em silêncio. – Ta afim de um treino? Vou passar o dia na arena com Aiolia e Milo, você podia ir e a gente...trocava uns bons golpes. – Kanon deu um leve soco no braço do irmão que lhe sorriu. — Acho que o Dohko também irá.

— É acho que vai ser bom sim. – Saga concordou. Talvez aquilo fosse o melhor a fazer para tentar esquecer um pouco daquele sorriso em meio a covinhas.

♊ oOoOo ♊

O dia correu normalmente para todos e inclusive para Kyoko que aproveitou para passear pelo santuário ainda mais, conhecendo templos abandonados, alguns vilarejos menores e passeando por Rodório. O senhor da venda engraçadinha lhe deu algumas frutas das quais sabia que gostava como cortesia por ela lhe ajudar com algumas caixas e também com as vendas. As crianças corriam e brincavam umas com as outras sem se importarem com uma kitsune a observar aquilo com curiosidade.

— Tome. – O senhor deu uma maçã a ela. Sorriu em agradecimento e quando se preparava para saborear a fruta um menininho de uns três anos aproximou-se.

— Oi! – Ele disse.

Kyoko piscou algumas vezes observando o sorriso singelo dele. – Oi.

— Ta faltandi uma pessoa no nossu gruipu, voxe quer bincar com a chenti? — A raposa ficou em silêncio por um tempo pensando naquele convite estranho de um serzinho que mal conseguia falar. Ele trajava uma armadura de papelão que se assemelhava a armadura de gêmeos enquanto seus amiguinhos também trajavam vestimentas parecidas, sendo: libra, leão, escorpião e aquário. – Pufavô! – O menino pediu e Kyoko achou justo aceitar. Sorriu concordando deixando o menino com um maior ainda por ter seu convite aceito.

Na arena Saga ensinava dois jovens a se defenderem, dando explicações e dicas de combate. Milo entrou na arena correndo, eufórico e ofegante, fazendo os cavaleiros ali presentes olharem curiosos.

— O que foi seu maluco? –Indagou Aiolia.

— Vocês... precisam... vir comigo. – Milo sorriu de lado começando a refazer o trajeto. Ambos ali se entreolharam, mas resolveram seguir o escorpião. Saga bufou só de pensar que não passava de mais uma das garotas gostosas da vila que Milo queria mostrar, mas quando seus olhos enxergaram o que seus amigos sorriam de satisfação ao verem, Saga sentiu o peito doer...de saudade.

— Eu não to acreditando. – Kanon expressou sorrindo, cruzando os braços sobre o peitoral.

Na vila as crianças corriam e imitavam os golpes de seus cavaleiros preferidos, pulando e encenando golpes na velocidade da luz enquanto Kyoko corria de um lado para o outro desviando dos pequenos que tentavam agarrá-la. O sorriso imenso estampado em seu rosto e o brilho nos olhos bicolores deixavam mais do que evidente o quando ela estava feliz.

— Vocês são muito fracos, nunca irão me pegar. – Ela falou dando uma fingida gargalhada maligna.

— Eu vô te delotá com as minhas aguias escaulates! – Gritou um dos meninos todo posudo.

— Ahahahaah...chama isso de golpe cavaleiro?! Não me faça rir, isso não passa de picadas de formiga. – Kyoko correu e o menininho gritou erguendo as mãos e fugindo em direção contrária. A raposa o pegou no colo, o jogando nos ombros e gargalhando maligna. – Você agora é meu prisioneiro, Milo de escorpião.

— Socolo!! Alguém me ajudii! – O menino implorava.

— É Milo você agora é um prisioneiro. – Observou Aiolia rindo da situação junto com Dohko e Kanon.

Os meninos se juntaram e começaram a encenar os golpes de seus cavaleiros, gritando e pulando. Kyoko fingia defender e disparar golpes também, sempre dando uma risada maligna no final.

— Já chega! Eu vou delota voxe.

— Ãhnn você! Ahahaha...Até que enfim alguém que vale a pena.

— Eu vou delota você seu titã feio e..malvado.

— Ora assim você me ofende. – Kyoko crispou o cenho. O menino sem saber se aquilo era real ou encenação preferiu não arriscar em ofendê-la.

— Ehh não... dicupa...seu titan...ahnn...fofinho e cuel. – Se corrigiu.

Ambos os cavaleiros na arena caíram na risada, pois era impossível não imaginar Saga de gêmeos dizendo aquilo no meio de uma batalha tornando a situação ainda mais cômica.

— Agora melhorou. – Ela sussurrou e o menino concordou voltando a encenação. – Ahahaha...Saga você ainda nem tirou as fraldas nunca irá me derrotar, já tomou sua mamadeira hoje cavaleiro? – Encenou escarnecendo. Milo, Aiolia, Kanon e Dohko explodiram ainda mais em uma gargalhada. Nem mesmo o verdadeiro Saga resistiu, caindo na risada também.

— Eu já mamei hoji shim e voxe vai vê xó uma coisa. – O menino pulou erguendo os braços no topo da cabeça. – Expolda cosmos...Athena me ajuldeee!!!

— Ohh não! Athena está dando mais poder a ele. Isso é trapaça Saga, eu não posso suportar. – Kyoko encenava fingindo estar sendo afetada pela luz imaginária do cosmo do pequeno Saga.

— Expolsaum Galátigaaaaaaa!!!

— Ahhhhhhhhh...Maldito Saga de Gêmeos! Eu te odeioooo!! – Kyoko começou a caminhar para trás, encenando os cometas do golpe acertassem seu corpo. Os meninos aproveitaram e correm em direção a ela unindo seus golpes em um só até que ela foi desfalecendo aos poucos até cair de joelhos.

— Eu acho que...morri... – Ela disse se contorcendo, emitindo alguns sons de dor e caindo, finalmente, “morta” no chão.

O Saga verdadeiro sentiu seu peito se encher de alegria e uma sensação gostosa tomou conta de si, não por ver seu sósia vencer a batalha e sim por ver Kyoko tão feliz como há tempos não via. O sorriso sincero e as covinhas enfeitando o rosto sujo de poeira sem se preocupar se aquilo a deixaria menos linda do que já era, o jeito carinhoso e cuidadoso com que agarrava e brincava com os meninos para não machucá-los era mais do que notável em cada gesto, transmitindo ainda mais confiança a ele sobre quem ela era de verdade. Kyoko não era um animal e nem nunca seria. As crianças deixavam isso mais do que claro fazendo Saga admitir para si que depois daquela peça de teatro infantil havia se apaixonado ainda mais por ela.

Sim! Ele estava apaixonado! Mesmo que não devesse, mesmo que não fosse certo ou que fosse contra as leis da natureza ele já não podia mais negar que Kyoko havia roubado seu coração e jamais lhe devolveria.

Um pouco mais distante dali, um par de olhos azuis faiscantes tremia de ódio daquele pequeno teatro ridículo a céu aberto. Seus punhos foram cerrados com tanta força que sangue escorreu por seus dedos finos, tingindo o chão de pedra de carmesim. Saga exibia um sorriso lindo e o brilho de encanto nos olhos verdes podia ser notado até mesmo por uma criança. Há quanto tempo não via em seu rosto um sorriso daqueles? Não, ela nunca havia visto um e isso não era justo! Não podia ser verdade, como ele poderia ter deixado de amá-la, deixar de amar uma mulher humana para amar uma... youkai?! Um monstro como Kyoko? Saga estava encantado, sim! Era isso! Feitiço! Ele era seu, só seu e de mais ninguém.

— Ehhhh nós vencemos, vencemos! – Gritaram as crianças pulando em volta da raposa caída no chão.

— Ahhhh vocês trapacearam. – Kyoko levantou rápido fazendo os meninos se assustarem e correrem cada um para um lado, menos o pequeno Saga que foi agarrado por ela em um abraço. – Você trapaceou Saga, não valia chamar por Atena.

— Naummm...me ajudiiii Aioliaaa! – Ele pedia enquanto Kyoko o prendia no meio de suas pernas.

— Aiolia? Ele é um fracote era melhor chamar por Dohko ou Camus.

— Ela sabe melhor do que ninguém como me irritar. – Rosnou o verdadeiro Aiolia emburrado.

— Você vai ver só uma coisa Gêmeos agora é hora da minha vingança. Prepare-se para o meu ataque mais poderoso...cosquinha!!!

— Ahhh naaaummm alguém me ajudiii! – O menino pedia entre as risadas.

— Esse foi um contra ataque e tanto, nem mesmo o verdadeiro Saga resistiria. – Dohko fez a observação sorrindo assim como os outros.

— E agora ãhn?! Quem é o mais forte? – Kyoko ergue-se totalmente, segurando o menino no colo e ainda lhe aplicando suas cosquinhas. – Admita Saga quem é o mais...

O som forte de uma explosão fez os cavaleiros na arena e o chão do santuário tremer. Uma cortina de fumaça subiu como uma bola negra no meio da vila. As pessoas começaram a correr em pânico, tossindo e tentando se encontrar no meio da fumaça. Saga, Aiolia, Milo, Kanon e Dohko ficaram em choque ao ver Kyoko ser atingida em cheio.

— KYOKO!!!! – Saga berrou iniciando uma corrida desesperada junto com os outros.

De cima de uma casa a serpente branca sorria irônica observando a fumaça começar a se dissipar e no meio dela, Kyoko surgiu praticamente ilesa, mantendo o pequeno Saga protegido por seu corpo. A raposa olhou por cima dos ombros e sua fúria transpareceu de modo animalesco no olhar assassino e nos caninos pontiagudos. Emitindo um rosnado amedrontador como de um cão furioso. O menino tremia de medo agarrado a cintura dela e mantendo o rosto escondido em seu abdômen.

— Olá, Kyoko-sama!

— Yuriko. – Rosnou entre os dentes.

— Há quanto tempo não nos vemos?! Deixa-me pensar...desde que você roubou Hiroaki e fugiu do Makai? – Ironizou.

— É eu tenho esse hábito ruim. – Devolveu a ironia.

— Disso todo o Makai sabe. Bem que Yukio nos avisou que você estava diferente e que agora era amiga dos humanos, vejo até que está protegendo um agora mesmo. Parece que o castigo que recebeu deles não foi o suficiente para fazer você cair em si. – Kyoko não respondeu, abraçando o menino ainda mais forte e protegendo-o ainda mais.

— Tyoko eu to tumm medu. – O menino choramingou. Os olhos lacrimosos e uma tremedeira.

— Vai ficar tudo bem. – Respondeu firme.

A serpente ergueu uma das mãos e uma bola de energia surgiu nela se estendo e criando uma barreira similar a uma redoma de vidro eletrificada logo ao ver a aproximação dos cavaleiros.

Saga apressou o passo, se jogando de ombro na direção da barreira na tentativa de passar antes dela se fechar, mas como resultado, sentiu seu corpo inteiro doer com a descarga que recebeu, sendo lançado para longe em seguida. Milo o segurou, ajudando-o a se reerguer. Seu coração parecia bater na garganta sem saber o que fazer. Ele e os outros ainda vestiram suas armaduras atacaram a barreira, mas de nada adiantou. Ela era tão forte quanto a muralha de Mu e Shion.

— Droga! – Resmungou de ódio e aflição vendo Kyoko naquela situação. Seu íntimo gritava em agonia e medo do que poderia acontecer.

— Sabe Kyoko eu não preciso dizer para você o que eu vim fazer aqui não é?! – Yuriko desceu de onde estava tocando o chão com uma leveza sem igual e em suas mãos duas serpentes surgiram transformando-se em espadas com lâminas curvadas e talhadas com tribais florescentes.

— Acredito que seja melhor você dizer, pois a única coisa que eu sei é que você veio aqui sem ser convidada e isso é muita falta de educação sabia?! – Kyoko ficou de pé com um sorriso irônico estampado no rosto fazendo a serpente se irritar.

— Eu não preciso de convite para te matar sua raposa imunda. – Berrou a serpente.

Kyoko olhou para o pequeno por cima dos ombros e sinalizou para que ele se escondesse em uma das casas que ainda estava de pé. O menino obedeceu e correu como nunca até o lugar indicado.

— Bom então nós temos um problema... – Em sua mão direita um espiral negro e comprido começou a tomar forma fazendo os cavaleiros do lado de fora da barreira ficar ainda mais apreensivos. Uma espada de mais ou menos trinta centímetros de largura surgiu com sua lamina talhada em uma escritura desconhecida que emanou uma luz azul intensa. Os cabelos e a cauda de Kyoko começaram a dançar com a energia e seus olhos brilharam em um tom de azul florescente. – Eu já fui derrotada hoje por um bando de cavaleirinhos de fraldas e não estou a fim de perder de novo. – Kyoko segurou o cabo talhado da espada com as duas mãos e o deixando na altura do rosto com a lâmina virada para baixo e na vertical.

— Eu vou cortar a sua cabeça e levar para Hiroaki-sama. – A serpente ficou em posição de ataque.

— Eu só espero que você dê para o gasto e que não seja tão covarde quanto seu irmão. Sabia que ele gritou como uma mulherzinha quando Saga amputou seus dois braços antes de mandá-lo para outra dimensão?! Ele deve estar vagando como uma nave espacial perdida até hoje.

A serpente rosnou de ódio e sua espada brilhou em um verde incandescente. – Eu vou te fazer engolir isso vadia!

Kyoko sorriu ainda mais, deixando os caninos à mostra. Seus olhos brilharam de um azul ainda mais intenso, sentindo a adrenalina pulsar em cada veia do seu corpo. Sabia que eles não a deixariam ainda mais depois do que Saga havia feito com Yukio e no fundo não via a hora daquilo acontecer.

Continua...

Notas finais
Mas que mulherzinha mais filha da &%$@ isso sim!! Uma recalcada safadaaaa!!! Aff vontade de matar. Gente que fofo a Kyoko com essas crianças! Ownnnnn... Agora, quem será esse novo inimigo? E o que será que a Kyoko vai fazer? Será que ela vai mostrar para que realmente veio e do que ela é capaz? E os golds será que irão conseguir ajudar a raposa dessa vez? E qual será o próximo plano de Eva? Essas e outras coisas somente nos próximos capítulos!!! kkkkkkkkkkkkkkkkk *Obs: A história sobre constelação de Gêmeos eu escolhi a versão da Wikipédia por conta de história da Fic, mas existem outras versões. Agradeço imensamente o carinhoooo e bjundaaa!!!