Notas iniciais
Olá pessoas tudo bom com vocês? Espero que sim! ^^’ Bom primeiramente quero pedir mil desculpas pela demora em postar, mas é que esse mês foi um mês bem complicado para mim, com muitos problemas que acabaram acarretando muita falta de tempo e certo desânimo, mas agora passado o susto eu estou aqui de volta e vou tentar não atrasar demais da próxima vez. Quero agradecer muitooo os comentários mega fofos e de incentivo que venho recebendo. Vocês não fazem a menor ideia de como isso nos ajuda a não desistir. Por mais que escrevamos por gosto, quando lembramos que existem pessoas que gostam e esperam para ler nossas loucuras isso nos dá mais vontade ainda de continuar. Obrigada a todos outra vez! Bjs e boa leitura!!!! =D

—E então, vai começar a ser sincera comigo?

Kyoko ficou em silêncio por alguns segundos. Os olhos mirando o colchão de forma infantil. Não queria encarar Saga pelo menos enquanto não pensasse em algo.

Saga bufou. Coçou a testa. —É...acho que o Jack te fará companhia essa noite.

—Não!!! – Berrou. As mãos agora agarradas ao braço do homem. —Se eu te mostrar jura que não tentará tocar? Você jura que não vai...tentar tirar de mim?

Saga sentiu seu desconfiometro vibra dentro do cérebro o levando a acreditar que mesmo que não fosse cumprir o juramento, no momento concordar era a melhor coisa a se fazer.

—Okay, eu juro. —Saga tranquilamente.

Kyoko respirou fundo. Sentou sobre os joelhos e o cavaleiro acompanhou seu gesto ficando assim um de frente para o outro. Ela estendeu as mãos na frente do corpo por alguns segundos e em seguida levou a direita em direção ao ventre. Ali um buraco negro que parecia não ter fim surgiu. Ela enfiou sua mão quase até a metade do antebraço, fazendo o queixo de Saga encostar-se a seus próprios joelhos, tamanha foi sua surpresa.

As íris coloridas tornaram-se azuis florescentes e os caninos se sobressaíram de modo assustador. Saga sentiu o ar sinistro pesar em todo o ambiente como da primeira vez ou até pior do que quando a encontrou nas ruas de Rodório. Era como se aquele buraco tragasse sua alma para uma parte escura e sombria do Makai onde talvez ele nunca conseguisse sair.

E de repente uma luz começou a surgir dali e a se intensificar, transformando todo o quarto de Saga em um show de luzes coloridas e brilhantes. Kyoko estendeu a mão novamente na frente do corpo, segurando na palma de suas mãos o que tanto tentava proteger.

A armadura de gêmeos respondeu de imediato, majestosa sobre o pedestal do salão, vibrando em harmonia com o cosmo de Saga. A luz furta-cor do objeto brilhou mais intensa igualmente as batidas de um coração, invocando o cosmo de todos os cavaleiros presentes nas doze casas, incluindo a deusa Athena e Shion.

Aiolia, Milo, Afrodite, Dohko, Aldebaran e Mu praticamente saltaram de suas camas ao sentir tamanha energia vibrar junto com seus cosmos. Camus e Shaka correram ambos para a entrada de suas respectivas casas, observando a casa de gêmeos com seriedade.

—Mas que droga é essa? – Resmungou Aiolia. O cosmo oscilando em resposta a algo que ele ainda não sabia o quê.

—Está vindo da Casa de gêmeos. – Sussurrou Milo.

—A armadura de touro está...ressoando. – Aldebaran ficou perplexo ao ver sua armadura responder também.

Aiolos tentou se levantar, mas foi contido por Keiko. —Não! Você não pode se esforçar ainda. Sua cabeça ainda está machucada.

Na casa de gêmeos, Saga mal conseguia acreditar no que via. O brilho colorido refletindo nas suas íris florescentes de forma magnífica. O quarto inteiro foi tomado por aquele brilho intenso e lindo, tão lindo quanto um diamante ao ser exposto a luz.

—É isso que Hiroaki quer Saga.

—O que...é isso? Por que...me sinto desse jeito? Meu cosmo... Ele está..

—Respondendo, assim como sua armadura.

O cavaleiro ergueu uma das mãos de forma inocente e Kyoko, mais do que rápido, colocou a tão famosa Adamantine de volta no lugar e deixando o quarto iluminado agora só pela luz do luar.

—Como...isso. É...impossível. Como você pode estar carregando algo tão...poderoso assim e por...tanto tempo? – Indagou perplexo.

—Saga eu...

—Eu sabia que você estava me escondendo algo sério, mas não imaginei que faria algo do tipo e muito menos que fosse...

—Tem muito poder, eu sei. Ela foi quebrada de uma maneira que ficasse em quatro partes. Saga, eu fiquei com a maior. Foi decidido assim, eu não roubei. É minha responsabilidade. Carreguei ela por anos, sempre tive poder pra isso e se não fosse por causa do...leão idiota e daquele guarda nada disso estaria acontecendo.

Um silêncio melancólico pairou sobre o ambiente. Saga que já estava preocupado ficou duas vezes mais. Imaginou o esforço que Kyoko estava fazendo para conseguir carregar o que com toda certeza despertou todo o santuário, mas mesmo com toda a aflição não conseguia deixar de sentir orgulho dela. Orgulho por se mostrar tão forte e corajosa a ponto de dar sua vida para proteger algo que mais beneficiava os humanos do que ela mesma.

—Tem mais alguma coisa que queira me mostrar? – Perguntou carinhoso.

Kyoko mirou o sorriso meigo no rosto de Saga imaginando se alguma vez em toda sua vida já havia visto algum homem humano tão lindo quanto ele. Saga sabia ser gentil e calmo sem perder a sensualidade natural em seus trejeitos, a altivez e imponência em seu olhar e falar sem ser mandão. Ele sabia se impor sem ser grosseiro, sabia ser sexy sem ser libidinoso e o melhor, ele sabia fazer Kyoko ceder a todos os seus caprichos de uma forma naturalmente sensual sem precisar fazer nenhum esforço sequer. Só sua voz baixa e grave era mais do que suficiente.

Não dava mais para deixar o homem que amava excluído de sua vida.

—Tem sim! Vem. Eu vou te mostrar.

Seus dedos finos entrelaçaram-se com os grossos de Saga, o puxando e guiando até a armadura de gêmeos. Esta agora já parecia ter voltado a adormecer.

—Vista.

Saga franziu o cenho. —O quê?!

—Vista.

Uma sobrancelha se ergueu. —Está bem. — Acatou. Queria saber mais e se aquilo o faria ter as resposta que tanto ansiou não fazia o menor sentindo discordar.

O cosmo do grande cavaleiro de gêmeos acendeu ordenando a armadura de sua constelação guardiã a cobrir seu corpo e de forma majestosa ela o fez, deixando Saga com uma presença maior ainda, se é que isso era possível.

Os olhos coloridos miraram o cavaleiro da cabeça aos pés, reparando nos detalhes da armadura e imaginando qual seria a sensação de estar dentro dela. E foi aí então que sua mente mirabolante começou a quase entrar em parafusos diante de tantas perguntas e observações, já que ela ainda não tinha tido a oportunidade de ver Saga trajando sua armadura assim, tão perto. Da última vez Eva cumpriu com seu papel de estraga prazeres com máxima perfeição:

Será que é pesada? Como será que ele se sente? Não me parece muito confortável e eu não gostei desse elmo, ahhh não mesmo! Espero que ele não use isso perto de mim. E porque as ombreiras têm de ser tão grandes?! Será que é para deixá-lo ainda mais imponente e...metido a besta?!Hum! Até que dessa parte eu gostei. Não sei como ele consegue mover o pescoço. Eu nem sei como abraçá-lo usando essa...coisa. Hummm...não tem abertura. Como será que ele faz pra ir ao banheiro? Hihi...acho que ele não vai.”

Um sorriso sapeca moldou seu rosto expondo as covinhas e fazendo suas orelhas felpudas se moverem de modo engraçado. Saga ergueu uma das sobrancelhas e dando um sorriso torto.

— Posso saber qual é a graça?

—Ah! Não é nada de mais. É que...você parece bem maior dentro dela e...eu ainda não tinha visto você a usando assim, tão de perto.

—Ah é, da primeira vez você estava desmaiada e da segunda, ocupada.

—É... – Kyoko colocou as duas mãos atrás do corpo de modo infantil. Balançou pra frente e pra trás. Mais uma olhada. — Mas eu ainda prefiro você nu.

E antes de Saga processar aquela observação a mão direita de Kyoko agarrou o peitoral de gêmeos, unindo como a um poderoso ímã a energia na palma de sua mão com a da armadura, fazendo Saga paralisar com o choque elétrico causado por aquele ato. As unhas pontiagudas fincaram-se no metal dourado o puxando com tanta força que por um segundo ele achou ter tido seu coração arrancado junto. Não conseguiu reagir e muito menos controlar sua própria vestimenta. Um berro saiu de sua boca, caindo de joelhos aos pés de sua kitsune. Seus olhos fortemente fechado enquanto ouvia o som do metal bater contra o chão

— Ky...Kyoko

— Olhe para mim Saga. – Ordenou

Ele obedeceu, erguendo o rosto e fitando de forma perplexa o braço e a mão de Kyoko: as unhas compridas e curvadas fincadas no metal, as veias saltadas e desenhos tribais subiam até o pescoço emitindo uma luz azulada, mista com rosa e branco cintilante. Os olhos antes coloridos, agora de forma animalesca, brilhavam na mesma intensidade, fazendo saltar as mesmas veias da parte inferior das pálpebras até a altura das bochechas.

—Isso, isso...não pode ser real. – Balbuciou de forma incrédula.

—Existem coisas dais quais não sabe Saga. A adamantine é compatível com todo e qualquer metal existente em qualquer mundo. No início achávamos que ela só podia ser usada em conjunto com o Mythril, o mais poderoso e único pedaço de metal usado para forjar nossas espadas, mas aí em um treinamento, Hiroaki conseguiu empunhar a espada de Yukio sem querer. Ficamos perplexos. Achamos que aquilo era algum truque, mas enfim chegamos à conclusão de que o poder não estava nas espadas e sim nas pedras.

O cavaleiro ficou em silêncio. Pasmo, sem conseguir acreditar no que via. Nunca imaginou que aquilo pudesse acontecer e muito menos que alguém tivesse poder para tal feito. Seus olhos arregalados sem saber se fitava a figura sinistra de Kyoko bem à sua frente ou para sua armadura montada da mesma forma quando lutou contra Shun de Andrômeda na batalha das doze casas, parada a uns dois metros atrás dela como uma sombra ou um guardião.

—Mas a Keiko disse que....ela disse que...

—Ela disse o que eu contei a ela da mesma forma que foi contado a nós há muitos e muitos anos atrás. Foi um acidente Saga. Descobrimos sem querer. O mundo espiritual nos fez acreditar nisso da mesma forma que a Keiko acreditou. Eu não tive contato com ela depois disso e também...não achei que faria alguma diferença ela saber e até porque...era melhor que pensasse assim. Eu perdi minha espada quando fugi de Gálatas e só a encontrei porque Keiko veio pra cá. Ela me contou que o senhor que me deu abrigo encontrou minha espada com um pescador tentando vendê-la. Ele era muito simplório e idoso, não tinha meios e muito menos força para tomá-la daquele...patife! Ele informou a Guilhermo que a pegou de volta e entregou a Keiko.

—Guilhermo tentou nos prender no Makai!!!

—Não! Ele não faria isso sem um motivo. Eu confio nele. Sempre me ajudou. Tenho quase certeza de que aí tem o dedo da Naomi. Ela estava tão...receptiva e...querendo me ajudar. Não desconfiei na hora ainda mais depois de tudo que fizeram comigo, mas agora?! Agora eu sei que tudo isso foi um plano dela.

Saga não soube dizer quanto tempo se manteve na mesma posição, pois somente quando Kyoko cambaleou e a armadura tombou junto com ela foi que despertou de seus devaneios.

— Kyoko!!! – Espantou-se. Correu para segurá-la antes de tocar o chão.

— Eu nunca tive problemas em carregá-la, mas agora... está me matando. Está minando minhas forças e com isso minha cauda nunca irá crescer outra vez. Entende agora porque não quero fazer isso com você? Entende quando digo que só quero te proteger? Saga enquanto eu estiver com isso nenhum esforço que você fizer será suficiente. A adamantine irá matar nós dois. Eu...não quero seu mal. Não é uma questão de confiar ou não, é só uma questão de fazer a coisa da maneira certa. – Fez uma pausa. Os pensamentos sobre seu mentor vieram como cascatas. Ele precisava saber. Ele tinha esse direito. Não podia mais esconder nada dele. — Saga, o Hiroaki...ele está atrás de mim porque ...

—Eu sei. Ele quer te matar para pegar essa...pedra.

— Não Saga. Ele não quer me matar, ele nunca quis. Ele quer matar você. É você quem ele quer. Quem quer me ver morta é Naomi por ser apaixonada por ele. Hirokai quer te matar e é por isso que não posso me alimentar de você. Se eu fizer isso você irá enfraquecer e se isso acontecer como ira me proteger como disse que quer se estará tão fraco quanto eu?

— Me matar somente não impedirá que os outros continuem a cumprir com seus deveres.

— Hiroaki quer herdeiros. – Kyoko cuspiu as palavras. Saga estancou. — Quer filhos com seu sangue e o meu. Uma linhagem pura e jamais vista. Serão tão poderosos desde o nascer. Com o corte da barreira, seus filhos reinaram no Makai e aqui, pois todos os youkais o venerarão por seu feito. Ele transformará o mundo dos humanos em um banquete, escravizará as mulheres e matará as crianças. Construirá seu mundo perfeito, a sua imagem, a seu modo. O modo em que todos seus descendentes dominarão de um mundo a outro. Mesmo existindo outros cavaleiros, você foi o único que ousou me tocar. Você foi o único homem ao qual eu me entregue de livre e espontânea vontade. Ele o matará por capricho, só por ser o homem que me teve de corpo e alma, exatamente como ele sempre sonhou. Você está atrapalhando, muito mais do os outros cavaleiros. Não menosprezo seu poder e muito menos acho que você não possa contra ele, mas ele é muito, muito poderoso e se conseguir adamantine ficará muito ainda mais. Não posso agir por impulso e pela fome, deixando nós dois vulneráveis.

Saga nada disse. Ficou somente ali, com Kyoko tão perto e os olhos coloridos presos aos verdes seus de forma tão sincera e intensa que era demais para ele resistir. Atacou os lábios carnudos de forma lasciva e apaixonada, apertando-a contra seu corpo e sentindo o calor gostoso da pele macia. Seu ciúme corroendo seu íntimo depois daquelas informações. Kyoko era sua!! Ele a havia encontrado e ela o havia escolhido. Quem Hiroaki pensava que era para querer...usá-la daquela maneira? Nunca em sua sã consciência permitiria tal...ultraje, tal blasfêmia! Agora depois disso protegê-la não era só uma obrigação ou um assunto pessoal. Era questão de honra! E ai daquele que se quer a olhasse de modo duvidoso.

—Ele não passa de um imbecil e eu...vou esmagá-lo como um verme que é o que ele é, mas...eu também tenho que concordar com você. Não podemos agir por impulso e dar brecha para o inimigo. Você é minha e eu vou te proteger. — Um carinho com as costas dos dedos foi feito nas bochechas coradas. —Kyoko...você confia mesmo em mim? Do fundo do seu coração?

A raposa fez um muxoxo, envolvendo o pescoço do homem e unindo as testas. —Sim! Eu...eu te amo cavaleiro de gêmeos. Não...sei se isso é bom ou...se é ruim, mas eu...não consigo evitar. Eu confio em você Saga de Gêmeos. Você...também...

—Sim! Eu... — Fez uma pausa. Suas bochechas vermelhas e quentes pelo constrangimento. Se declarar era mais difícil do que enfrentar qualquer juiz do submundo.

— Você...???

Saga estancou engolindo a saliva em seco, mas o olhar esperançoso de sua "mascote" era irresistível demais. — Eu...também não sei se isso é certo, e mesmo que não seja eu não me importo. Eu quero você só pra mim. Só de imaginar ele te tocar ou...qualquer um ousar eu... — Fechou os olhos e beijou-a mais uma vez. — Eu te amo Kyoko.

—Possessivo. Eu sabia! — Sussurrou de modo divertido.

—Boba! Assim que o sol nasce iremos falar com Shion, ele saberá o que fazer. Agora venha, vamos voltar pra cama. Quero terminar o que começamos.

— Mas...

—Shiii!

—Mas...

—Calada!

A raposa torceu os lábios e depois um pequeno sorriso se formou para logo em seguida se alargar dando forma as suas famosas covinhas e se deixando guiar para o deleite do guardião de gêmeos.

♊oOoOo♊

E se existisse um prêmio para os Senhores Paciências do ano, Saga e Mu ganhariam em disparada. Kyoko era teimosa demais e convencê-la a ter com Shion foi bem pior do que o geminiano imaginou. Ela teve de ser praticamente arrastada até o 13º templo e se isso ainda não fosse o suficiente, queixa-se do geminiano e do ariano para cada cavaleiro de ouro, prata e bronze que encontrava no caminho foi o mínimo que ela pode fazer.

Saga pedia a todos os deuses existentes força para não perder o último fio de sanidade e levar Kyoko amarrada até o grande mestre.

—Eu já disse que não quero ir. – Choramingou. Saga segurando em seu pulso a arrastando consigo.

—E eu vou continuar a fingir que não estou te ouvindo.

—Afrodiiiteee, por favor?! – Ela pediu fazendo cara de cachorro chutado.

— Saga você não acha que está sendo muito...rude com ela? – Afrodite se pronunciou, mas o olhar fuzilante do geminiano foi o suficiente para que ele entendesse que ali era melhor não se meter.

Chegando lá contou a Shion tudo que ela havia lhe dito e principalmente a proeza feita com sua armadura de gêmeos. Mu teria bastante trabalho em consertá-la.

—É muito poder para uma pessoa só não acha? – Shion inquiriu para uma Kyoko bastante brava.

—Isso não é problema de vocês. – Respondeu ácida.

—Mais respeito mocinha!

—Fica na tua bichano!! Isso só está acontecendo por sua culpa!

—Ahhh minha culpa? Se você não fosse uma...descontrolada nada disso teria acontecido. – Aiolia rebateu. O dedo em riste e o cenho franzido.

—Você tem sorte leão, se eu...

Todos se assustaram quando ela levou uma das mãos à fronte. O mundo pareceu girar diante de seus olhos e suas pernas fraquejaram. Keiko gritou pela irmã de forma desesperada trazendo a mais velha de volta a realidade na base do susto. O coração do cavaleiro de gêmeos falhou uma batida ao ver a kitsune cambalear daquela maneira. Shion correu para próximo dela, aparando seu corpo juntamente com Saga.

—Kyoko deixe de teimosia. – Ordenou o geminiano.

—Não! Eu não posso. Se alguém...se alguém que não deve coloca as mãos nisso...- Olhou ao redor, mirando o leonino de forma irritada. — E se o bichano tentar roubar?

Aiolia quase deu um pulo da cadeira ao ouvir aquela ofensa descabível. O que Kyoko pensava que era? Um ladrão?

Milo prendeu o riso com as mãos junto com Afrodite e Kanon. O leonino estava furioso, deixando evidente em sua face rubra e o cenho fortemente crispado.

—Ora sua...como se atreve? Acha que sou como você? – Urrou ficando de pé e derrubando sua cadeira.

—Se você fosse como eu teria muito mais sorte nessa coisa patética que você chama de vida...bichano pulguento e mal-educado!!

—Eu prefiro ser como sou do que ser uma ladra, mentirosa e arrogante como você!!! – Devolveu no mesmo tom.

—JÁ CHEGA!!!!

A voz grave e rouca da última pessoa ao qual todos ali menos esperavam ter uma reação como aquela pareceu fazer tremer todas as paredes do 13º templo. Todos se calaram de imediato e até Aiolia com toda sua valentia achou melhor voltar ao seu lugar. Kyoko até que tentou medir forçar com aquele olhar, mas a cada passo dado por Camus de Aquário, em toda sua altivez e ofuscando até mesmo o grande mestre foi demais para ela pelo menos no momento.

—Todos nós sentimos a energia dessa...coisa que você carrega nessa madrugada Kyoko e com todos os nossos anos e toda experiência que temos como cavaleiros eu sugiro que non nos subestime. Você sabe que non tem condição de continuar guardando isso. Admiro sua persistência e coragem, mas...non podemos deixar que coloque o mundo inteiro em risco por conta de sua teimosia, então acho melhor para todos e principalmente para você que entregue ela para Shion, até porque...nós non queremos nos indispor com Saga...non é?!

Camus trocou um olhar frio e faiscante com Saga que entendeu prontamente o recado, mesmo que não quisesse admitir em voz alta. O aquariano tinha razão e ele sabia e muito bem disso. Eles como cavaleiros tinham a obrigação de manter as coisas em ordem a qualquer custo e ele como o mais velho e representante de gêmeos não podia deixar seu coração falar mais alto. Se Kyoko não entregasse a pedra por bem teria que entregar por mal, por mais que aquilo lhe doesse no âmago.

Shion, sabido como era, enxergou a nuvem negra que pairou sobre o lugar. Não queria isso. Não outra vez ainda mais por conta de um motivo como aquele. Entendia os motivos de Camus, que como cavaleiro sabia que suas obrigações tinham que ser cumpridas mesmo a base de muita dor e tristeza. Entendia também os motivos de Saga e o quanto aquilo não estava sendo nada fácil, mas entendia e muito bem os motivos de Kyoko. Ela estava cumprindo como ninguém seu dever, guardando a pedra com tanto zelo que seria capaz de enfrentar os doze cavaleiros de ouro se fosse preciso. Mas Shion não queria um confronto. Nem entre Kyoko e algum cavaleiro e muito menos uma guerra de mil dias. Tinha que colocar a cabeça para funcionar e convencer a youkai a entregar a pedra e não tentar obrigá-la. Era isso que Saga estava tentando fazer mesmo que seus companheiros não conseguissem entender pelo menos de primeira instância. Irritar a kitsune ou coagi-la poderia piorar ainda mais as coisas.

Ela desviou o olhar por alguns instantes. Camus percebendo a hesitação dela deu um passo a mais. Saga logo se pôs a frente dele, advertindo de modo silencioso e sério que aquário não tentasse nada. Shion engoliu em seco. Saga e Camus não podiam se confrontar ali justo no seu salão de reunião, podiam?!

—Camus...não. – Gêmeos alertou baixo, sério e firme.

—Mon ami...eu non quero ter que fazer isso, non com você.

—Ei, perai que isso! Vocês dois estão loucos? – Afrodite disse exacerbado, mas quando tencionou a se aproximar Shaka o segurou meneando a cabeça de forma negativa.

Saga afastou Kyoko ainda mais. O cenho crispado e o olhar faiscante mirando os mesmo de Camus que nem sequer piscou. A tensão era tão grande que para os outros cavaleiros era quase palpável. Shion pensou em intervir, mas algo em seu coração o alertou que era melhor não. Camus e Saga sabiam o que estavam fazendo e não era possível que justo eles dois cometeriam uma loucura como aquelas.

—Entregue a adamantine Kyoko! – Ordenou Camus.

—Não!

Camus apertou o cenho ainda mais, fazendo suas sobrancelhas já naturalmente tensas ficarem ainda mais. Mais um passo foi dado e Saga se pôs mais ainda na frente de Camus. O aquariano ergueu um pouco o rosto por ser mais baixo mirando os olhos verdes do cavaleiro de Gêmeos.

—Então se é assim...

E em menos de um piscar de olhos o punho de Camus seguiu direto em direção o rosto de Saga. Este aparou o soco na palma da mão, revidando o golpe na mesma intensidade.

—Não!!! – Kyoko berrou ao ser empurrada pela pressão do golpe e quase cair por cima de Shion. Tencionou entrar na luta, mas algo a impediu. —O quê?!! – Suas mãos espalmaram no nada, tateando o invisível. Forçou com os ombros até se dar conta de que Mu de Áries havia usado sua Muralha de Cristal impedindo que avançasse e protegendo o grande mestre.

Uma sequência infindável de socos e pontapés trocados por Saga e Camus fez as cadeiras do lugar em pedaços. Camus jogou uma rajada de gelo ao qual o mais velho defendeu com os antebraços, lançando o golpe de volta para o dono. Aproveitou a distração do mesmo atacando com uma rajada de cosmo. Camus pulou para desviar, deixando o golpe ir em direção a mesa comprida onde os cavaleiros estavam reunidos ser atingida. Todos eles pularam para não serem atingidos pelo golpe.

—Saga, desista!

—Não vou deixar que...

E antes de Saga terminar de falar um ponto avermelhado surgiu em seu ombro esquerdo, o obrigando a parar e se afastar. Os olhos verdes miraram a linha fina e brilhosa, seguindo o rastro carmesim luminoso que aquele golpe deixava. Sorriu. Era óbvio que ele iria se meter.

— Saga não nos obrigue. – Milo alertou posicionando-se junto com Camus.

—Até que você demorou. – Respondeu erguendo-se.

—Milo tem razão, desista. – Aldebaran surgiu logo atrás do geminiano cruzando os braços em posição de defesa e ataque. Do lado esquerdo dele Aiolia apertou o punho elevando o cosmo e as rosas de Afrodite apontaram em sua direção.

—Rebelando-se outra vez gêmeos?

—Shaka...- Saga rosnou.

A muralha de Mu iluminou com os socos disparados por ela. Kyoko começou a se desesperar. Já tinha visto aquilo antes e sabia que Saga, sozinho, não tinha a menor chance contra eles. Não podia deixá-lo pagar por algo que era seu e muito menos deixar que fizessem aquilo.

—Não!!! – Berrou desesperada ao vê-lo ser pego pelos chifres do touro. Milo disparou mais algumas agulhas acertando uma perna e o peitoral.

Em pânico ao ver o cavaleiro sozinho, tencionou atacar outra vez, mas Kanon a amparou. Estava fraca. Não tinha como ajudar. Não tinha como fazer nada a não ser observar seu amado apanhar de forma covarde.

— Não! Por favor, não façam isso! Eu...- Kyoko arregalou os olhos vendo Milo de escorpião acertar um soco no rosto de Saga. Este estava sendo segurado por Camus e Aldebaran. —Shion, por favor, os faça parar. Eu...eu entrego, eu entrego, mas faça eles pararem.

Saga fechou os olhos com força ao recebeu um soco no estômago. Abriu em seguida, mirando o escorpião com todo seu escárnio e um sorriso torto nos lábios.

—Você bate como uma menininha Milo.

—O quê?! Filho da....

E quando a centímetros o punho de Milo iria acerta Saga outra vez, o mesmo motivo que todos os presentes observavam Kyoko estagnados o fez parar de imediato. Nas mãos dela a adamantine brilhava, pulsando como um coração. Shion segurou ao máximo sua excitação. Não queria parecer eufórico. Dohko e os outros nem sequer piscaram.

—Diga que não sou só eu que me sinto estranho?- Sussurrou Milo

—Non! Posso sentir a energia pulsar junto com meu cosmo e minha armadura. – Respondeu Camus. Os olhos arregalados e as íris iluminadas pelo cosmo.

Shion deu dois passos à frente sem conseguir desgrudar os olhos da pedra. Engoliu em seco e mesmo sem querer mirou os olhos de Kyoko, estendendo as mãos em um pedido mudo para que ela lhe entregasse.

Ela cabia exatamente na palma das mãos de Kyoko e possuía um formato irregular com lados mais pontiagudos e maiores que o outro, mas com a base reta. Era como se uma gota d’água batesse contra um chão de gelo e congelasse de forma instantânea ganhando a aparência de um diamante disforme, mas com um brilho intenso e furta-cor. A energia pulsava dele como um coração e de uma maneira estranhamente inexplicável reagia direto com as armaduras e, por conseguinte, o cosmo dos cavaleiros de ouro.

—Minha...armadura. – Sussurrou Afrodite.

—Isso...isso é...incrível! – Aldebaran.

—Confie em mim Kyoko.

Ela então respirou fundo entregando enfim a pedra nas mãos de Shion.

Dohko aproximou-se com um pequeno baú dourado e com desenhos florais talhados em toda sua extensão. Por dentro um forro de veludo roxo dava um acabamento elegante e simples.

Kyoko sentiu o coração apertado ao ver o libriano fechar a tampa e a trancar com uma pequena chave. Esta foi entregue nas mãos de Shion. Não é que não confiasse no grande mestre, mas ela sabia que agora, ele, havia passado a ser um dos alvos centrais de Hiroaki.

—Não precisa se preocupar. Assim que você estiver em condições poderá pegar de volta, eu prometo.

A raposa mostrou os dentes em resposta e virando em direção aos cavaleiros. Saga já se encontrava de pé e liberto. Os olhos coloridos miraram todos os presentes de forma assassina como que marcasse cada um deles para morrer. Mirou Milo ainda mais assassina, mostrando os caninos pontiagudos e fazendo o escorpião antes de todos eles...

Explodir em uma gargalhada.

—Bruuuuuuuu...HAHAHAHAHAHAHAH...

Kanon também não aguentou, caindo na risada e levando Aldebaran e Aiolia a rirem também. Confusa com aquela mudança drástica da postura de todos eles, Kyoko piscou algumas vezes tentando processar o motivo de tanta gargalhada. Será que eles não tinham medo do perigo não?!!

— AHAHAHAHAHA...ela acreditou!!!! – Confessou Milo em meio as risadas.

Camus cruzou os braços: —Viu?! Eu disse que funcionaria mon ami.

—É...- Concordou o geminiano. Mirou Milo. — Aquele soco doeu de verdade.

—Ahhhh foi mal cara, mas é que eu queria ser beeeemmm convincente sacou?! – Piscou.

Naniiiii(O que?) ??? — Kyoko ficou de boca aberta. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Então aquela algazarra toda não passou de uma encenação para que sentisse medo de Saga se machucar e assim entregasse a adamantine a Shion?! E Saga?! Ele estava compactuando com aquele...teatro ridículo?!

O geminiano massageou o queixo sorrindo. Olhou para ela com cara de cachorro chutado já se preparando para o que viria. Kyoko levaria dias ou até meses para lhe desculpar e falaria sobre aquilo dias e dias seguidos sem parar. Teria que usar de todo seu poder de persuasão e principalmente seu chame para convencê-la a lhe desculpar dessa vez.

— Kyoko eu... sinto muito, mas...essa foi a única maneira que encontramos de...convencer você.

Ela ficou parada. Estática no mesmo lugar e sua cara de boba fez Milo, Kanon e Dohko gargalharem ainda mais, para sua irritação.

Seu cenho começou devagar a crispar e os olhos transformaram-se em dois riscos. Os punhos tremeram fechados e os caninos ficaram expostos.

—Ihhhh...alguma coisa me diz que ela está muito irritada. – Cochichou Aldebaran para Mu.

—Eu disse que isso não era uma boa ideia. – Keiko sussurrou se encolhendo próxima a Shaka.

—Kyoko...

E antes que Saga pudesse tentar dizer uma só palavra a raposa explodiu furiosa e cessando todas as gargalhadas.

—SEUUUU, SEUUUUU!!! FILHO DA MÃE!!!!!!!! Como teve coragem?! Como...teve coragem de fazer isso comigo?! Desgraçado, mentiroso, cínico e...e...fingido!!!

—Foi para o seu bem Kyoko. – Shion tentou apartar.

—Cala a boca!! Grande Mestre. – Desdenhou. – Quer saber? Vão à merda vocês. Querem ficar com ela? Pois bem! Façam bom proveito! – Vociferou gesticulando.

— AHAHAHAHAHAHHA... – Milo não aguentando foi o primeiro a gargalhar outra vez. Por mais que tentasse, ele simplesmente não conseguia prender o riso. Pequenas lágrimas escorriam pelo canto externo de seus olhos.

Milô já chega! – Repreendeu o aquariano. As risadas de Milo estavam deixando a kitsune ainda mais irritada.

—Eu não, não consigo...parar de rir! Eu...sinto muito Kyoko, sinto muito mesmo. – E novas gargalhadas fizeram os outros cavaleiros rirem também, desencadeando uma sequência infindável de riso entre entres.

Kyoko trincou os dentes: —Ahhhh vão a merda seus... cavaleiro de meia tigela! – E saiu pisando duro.

— Ai minha barriga, minha barriga! – Kanon dizia entre as risadas.

—Hahahahahaha...a cara dela foi ótima! – Falou Aiolia. As duas mãos na barriga.

Saga meneou a cabeça de um lado para o outro com as duas mãos na cintura. Não queria ter de agir assim, mas mesmo que Kyoko não entendesse, ele só estava fazendo aquilo para seu próprio bem. Agora que ela finalmente estava sem a pedra podia enfim dar andamento em seus planos o mais rápido possível. Ainda tinha coisas que precisava saber e essas não adiantavam ela só contar ou explicar, ela teria que mostrar de preferência antes que Naomi e Hiroaki descobrissem que estava viva.

— É melhor ir atrás dela não acha? – Mu alertou tocando o ombro de gêmeos. Este sorriu.

—Não, pelo menos por enquanto.

— Mas...ela pode fugir.

Saga mirou a porta por alguns segundos e com o mesmo sorriso maroto voltou para sua palma esquerda. As lembranças enchendo seu peito de um conforto e uma confiança de que ninguém nunca poderia tirar Kyoko de si. Esta foi a decisão dela mesmo que tenha sido sem seu consentimento. No dia não conseguiu entender, mas com o passar dos dias a sensação de saber e senti-la dentro de seu coração, em suas veias como ao próprio sangue correndo quente de uma maneira que ninguém podia sentir fez Saga finalmente entender para que ela havia lhe dado aquela cicatriz. O sangue dela estava junto ao seu para que assim eles nunca mais se perdessem um do outro.

— Eu a encontrarei em qualquer lugar Mu aqui, ou seja, lá para qual dos mundos ela vá.

♊oOoOo♊

Kyoko sentia-se furiosa. Andando de um lado para o outro em um dos vários templos abandonados pelo santuário. O cenho extremamente franzido unidos aos olhos de pupilas contraídas e finas, e os caninos a mostra deixariam qualquer ser vivo na terra temeroso em sequer pensar em se aproximar.

—Que droga! Que droga! Que ódio! – Trovejou descontando sua ira em um dos pedaços de colunas espalhados pelo local. A pedra voou como um tiro em direção a uma pequena montanha e um estrondo fez os pássaros voarem em debandada. —Como é que eu fui deixar aquele...aquele....Arghhhhhh!!!

—Tomara que não tenha ninguém naquele morro.

Kyoko fechou os olhos por um momento, entortando os lábios logo em seguida por conta do seu mal humor. Não estava com a menor vontade de falar seja lá com quem fosse. Será que ela não percebia que queria ficar só?

—Eu to pouco me lixando pra isso, agora você...- Virou-se. Os olhos florescentes e felinos de irritação. — Deveria estar fazendo o que eu mandei você fazer.

—Não se preocupe Kyoko eu sei minhas obrigações.

—Cadê o Luy? – Inquiriu ríspida. A outra não se abalou, sorrindo meiga e apontando com a face para um altar próximo.

Ao olhar o menino sentiu-se acalmar quase que instantaneamente. Caminhou até ele tocando seus cachinhos e o acomodando melhor. Sentiu falta dele, assim como sentia falta do outro. Ahhh...o outro. Maldito seja o dia em que se apaixonou por aquele humano arrogante, mandão e....e...tão lindo.

—Você não acha melhor voltar? Já faz dez dias.

A kitsune caminhou um pouco, se afastando do menino e voltando ao ponto inicial. Seu olhar vagueou pelo local e um vento fresco sacudiu seus longos cabelos prateados.

— O Saga deve estar te procurando.

— Deixe-o procurar. — Respondeu sem muito interesse.

— E a preocupação? E tudo que ele fez pra te ajudar? Você não pode menosprezar isso. — A coruja caminhou para mais perto, olhando nos olhos coloridos da kitsune.

—Eu nunca menosprezei nada do que ele tenha feito por mim. – Rebateu ríspida. —Exceto aquela encenação ridícula dele com aquele bando de retardados de armaduras.

A outra riu baixinho. — Mas deu certo e pra ser sincera...foi bem engraçado sua cara.

—Ahhh Fukuro até você?! – Kyoko choramingou. Odiava lembra-se daquele papelão.

—Okay, okay, me desculpe. Mas mesmo assim, não acho que devia se isolar dessa maneira.

—Eu não estou isolada se é isso que quer saber. Até porque eu não posso sair do santuário e muito menos de perto das doze casas. – Confessou desdenhosa.

Fukuro ergueu as sobrancelhas enquanto fitava o rosto desdenhoso e desinteressado de Kyoko. Ela sabia ser irritante quando queria.

—Eu estava na casa de Áries.

—Ahh! Então a pedra ainda está com Mu? – Perguntou curiosa.

—Não...aquele não é o Mu, aquele é Shion, Shion! Quantas vezes terei que repetir?

—Desculpe! São muitos nomes para eu gravar assim. — Resmungou sem jeito.

—Aff...A Adamantine está com o Grande Mestre e por causa disso eu não posso me afastar demais e é este o motivo de eu estar tão...furiosa com Saga. O que ele tinha que me obrigar a entregar a pedra?

—Ora Kyoko deixe de ser teimosa, por que não admite de uma vez que foi a melhor coisa? Saga está tentando te ajudar.

—Saga está tentando se matar. – Quase berrou.

—Se ele não tivesse feito isso você teria morrido! – Agora toda a paciência de Furuko se esvaia.

—Droga Fukuro, porque ninguém consegue entender?

—Por que você não tenta explicar?

—Eu não quero que ele se machuque!!! – Confessou. —Não quero vê-lo morre de novo Fukuro, não quero e eu...eu farei qualquer coisa pra isso não voltar a acontecer. Não menosprezo o poder de Saga. Sei o quanto ele forte, mas mesmo assim ele ainda é um ser humano. Quando voltamos do Makai ele levou três dias para acordar. Três...dias...seguidos. Faz ideia de como me senti? Ele é muito poderoso, mas ainda assim é um homem dentro de uma armadura dourada. Hiroaki virá assim que julgar ser a hora e eu sinto...dentro do meu coração que esta hora está mais perto do que imaginamos.

—Ele não pode contra todos eles. – Fukuro cruzou os braços observando o horizonte. O sol já começava a se pôr.

—Ele pode e você sabe como ele fará.

Um silêncio mórbido tomou conta do lugar e somente o som do vento a assobiar era o que podia ser ouvido. Kyoko mirou o mediterrâneo ao fundo onde o brilho alaranjado se misturava com o verde daquele oceano incrível. Era como se aquele brilho refletisse os olhos de Saga. No mar que era os olhos compenetrados e impetuosos do cavaleiro de gêmeos, invadindo seu âmago de maneira imponente e prepotente, tomando seu coração sem precisar dizer uma só palavra.

"Que droga! Por que tenho que pensar tanto nele?"

—E se você ensinar a eles como usar? – Sugeriu Fukuro. Kyoko crispou o cenho. — Não faça essa cara.

Bufou caminhando até próximo de Luy. Debruçou sobre o altar e com carinho pegou uma das mãozinhas dele e colocou sobre seu nariz. Amava o cheiro do menino. —Não é bem assim que funciona.

—Mas você pode tentar.

—Eles poderiam levar anos. Os alquimistas levam muitos e muitos anos, não é tão simples assim.

—Não Kyoko eles são diferentes. Não são homens comuns. Eles são homens treinados, que passaram a vida inteira fazendo isso. Aprendendo a aprimorar seus cosmos e elevando-os até o infinito. – Disse com empolgação. A raposa ficou em silêncio por um tempo. Pensativa. E se Fukuro tivesse razão?

—Mesmo que isso dê certo, eu não posso mostrar a eles como fazer sem ter minha força de volta. Para mostrar a eles como fazer eu preciso da Adamantine, mas no estado em que estou eu não aguentaria dez minutos de batalha. – Desabafou com pesar.

E novamente o silêncio se instalou entre ambas. Kyoko acariciava o rosto e os cabelos de Luy e Fukuro observava o resto do sol que ainda se esforçava em não sumir no horizonte. Se houvesse uma maneira de acelerar o crescimento da cauda de Kyoko sem debilitar tanto o cavaleiro de gêmeos...

Mas...Espera aí! Não existe só o cavaleiro de gêmeos!!!

—Já sei! – A raposa mirou o semblante confiante da outra e uma sobrancelha sua se arqueou em desconfiança. —Tive uma ideia.

—Ah não, lá vem você. – Rolou os olhos sem paciência.

—Olha é arriscado, mas sei que vai funcionar eu só...- Fez uma pausa causando dúvida na kitsune. Um sorriso maroto formou-se no rosto de Fukuro e Kyoko entendeu prontamente o que queria dizer.

—Ahhh não! Não, mesmo! Isso não!!

—Ahhh Kyoko, por favor! – Implorou unindo as mãos em frente ao rosto. —Você é a única que pode fazer isso.

—Nem vem, não mesmo. Eles acharão que estou ficando maluca e me escorraçarão de suas casas. Nunca irão aceitar essa....essa...agrhhh eu nem sei que nome dá.

—Se chama ménage.— Sussurrou dando uma risadinha sapeca no final.

—Eu sei como se chama sua idiota!

—Ahhh Kyoko, por favor, faz isso por mim.

—Fukuro nunca, nem em seus melhores sonhos você terá Camus de Aquário e Shaka de Virgem juntos em uma suruba com uma yokai. E eu nunca, nunca, nunca, nunca sequer teria coragem de pedir isso aos piores cavaleiros das doze casas. Por que....porque você não fica com, ahnnn...Milo! Isso! Milo e....Aiolia ou....Milo e...Afrodite! Isso! Eles dois aceitarão sem pensar duas vezes.

—O escorpião até que é bonitão, mas eu não quero ele. E nem Afrodite. Seria muito fácil!

—Ahhh muito fácil?! Então ficará sem nenhum. – Ditou caminhando até Luy e o tocando nos cabelos e chamando seu nome baixinho. O menino se remexeu um pouco e com dificuldade e de mau humor abriu os olhinhos.

Demorou cerca de três minutos até sua mente se organizar por conta do sono e quando o fez um sorriso de orelha a orelha iluminou todo seu rosto. A raposa sorriu em resposta aconchegando o menino em um abraço muito mais do que saudoso.

—Eu pesei ti a Tyoko tia ido imbola.

—Eu já falei que não vou embora e se o Saga me expulsar da casa dele, eu irei morar na sua casa. Eu posso?

Luy ficou pensativo, fazendo um biquinho fofo enquanto acenava positivamente. — Se o Sinhô Saga manda a Tyoko imbola, a Tyoko vai molá lá na minha cachinha?

— Bom você disse que eu posso, não é?!

— Ahan! Intaum eu vô falhá coum o sinhô Saga pla manda a Tyoko imbola.

Ambas as Youkais caíram na risada, mas Luy ficou sério. Não entendeu o porquê de elas rirem daquela maneira. Será que havia dito algo errado? Se para Kyoko morar em sua casa, Saga precisava mandá-la embora, então o que tinha de engraçado nisso?!

—Você é um fofo sabia? – Kyoko o apertou forte e o menino resmungou quase sem ar.

—E então, pronta pro nosso plano? – Indagou a coruja.

—Eu já disse que não, nem vem que não tem Fukuro.

—E...e se eu escolher um? Só um deles?

Kyoko ergueu uma das sobrancelhas. Aquela coruja maldita era mais pervertida do que imaginava. Quem a olhasse não diria. Furuko era uma youkai linda. Seus cabelos eram compridos até metade das coxas, seus seios, que por sinal conseguia ser maiores que os de Keiko, eram cobertos por penas brancas em um formato muito sexy. Sua cintura fina vinha acompanhada de um abdômen bem delineado e os quadris largos. Suas bochechas eram naturalmente rubras o que lhe davam um ar exageradamente angelical, coisa que ela estava longe de ser. Furuko era demasiada fogosa e aceitou vir para o santuário logo de cara quando Kyoko mostrou por um pequeno espelho d’água a imagem dos dez cavaleiros de ouro presentes. Diferente da kitsune, ela amava se alimentar dos humanos da maneira mais...prazerosa possível e nada melhor do que fazer sexo de verdade com cada um deles, lógico desde que fossem bonitos. Ela sempre dizia que homens humanos eram muito melhores naquilo do que youkais machos e estar no meio de doze homens lindos com energia suficiente para que se alimentasse pelo resto de sua vida era o maior de todos os pagamentos.

O interesse de Fukuro por ambos os cavaleiros despertara depois de um voo noturno onde avistou Camus, que havia ido até a casa de gêmeos buscar um de seus livros “roubados” e Shaka, que retornava da casa de Áries, subindo as escadarias conversando coisas amenas. Para ela, eles ficavam perfeitos juntos e só de imaginar tirar os dois cavaleiros mais sérios do santuário de seus pedestais em uma noite frenética de ménage fazia o íntimo da coruja estremecer. Para Kyoko aquilo era a coisa mais absurda que aquela maluca podia imaginar, já que para ela Camus não passava de um homem belo e...só. Já Shaka até que era simpático, bonito e...só também. Ele não possuía charme ou aquele... “Q” que fazia as mulheres estremecerem só com o olhar, tirando o fato de ser certinho ao extremo. Ele nunca iria aceitar tal degradação de seu templo sagrado, ou seja, seu próprio corpo.

—Okay! Escolha um deles, mas não se alegre muito. Não darei garantias de nada sua...pervertida.

— Ainnnn eu te amo Kyoko. – Fukuro abraçou, dando um beijo em suas bochechas. Luy começou a rir dos pulinhos de sua coruja.

—Agora tome leve o Luy para casa. Eu não o quero por aí à noite, é perigoso.

—Ahhh naum Tyoko. – O menino quase berrou quando a outra tentou pegá-lo. As mãozinhas rodearam o pescoço de Kyoko sem querer soltá-la. —Eu naum quelo ir. Quelo fica com voxe.

—Luy eu não posso ficar com você. Se...se acontecer alguma coisa eu não poderei te proteger. Vai com a Fukuro.

—Naum! – Berrou. Os olhos lacrimosos e um beicinho de choro já se formando em seu rosto.

—Luy, por favor, não faz isso. – Pediu com jeito. Não queria ser rude com o menino, até porque já tinha um bom tempo que não se viam. Entendia as razões dele.

—Pufavô Tyoko. – E o chororô começou. Luy colocou as costas das mãos em cima dos olhos em uma tentativa inútil de controlar suas lágrimas. Ele não sabia porque, mas sabia que queria que Kyoko voltasse e queria que fosse naquele dia. Algo em seu íntimo lhe dizia que se ela não fosse naquele dia, ele poderia não vê-la nunca mais e foi por conta desses pensamentos que o choro se tornou incontrolável, altíssimo e forte.

—Ainnn ele está chorando muito alto. – Fukuro colocou as mãos nos ouvidos. Sentia o som do choro como uma britadeira em seu crânio.

—Eu to...to cum meduuuu.

—Medo? De que? – Kyoko perguntou pesarosa.

—Medu da Tyoko se machuca. Pufavô Tyoko volta.

Se existia uma coisa ao qual não conseguia resistir, essa eram as lágrimas de Luy. O menino raramente chorava e quando assim fazia ela sempre se compadecia. Por mais que tentasse simplesmente não conseguia ver Luy se debulhar em lágrimas e ficar sem fazer nada.

—Ah Luy. — Abraçou o menino trocando um olhar nada amigável com a outra e tendo agora a certeza de que ela havia feito aquilo de propósito.

Caminhou pelo lugar, balançando o menino e pedindo de todas as maneiras possíveis que ele entendesse seus motivos, mas o mesmo não parecia nem um pouco disposto a ceder daquela vez. O choro forte de Luy estava sendo tão alto que Kyoko começou a acreditar que o santuário inteiro conseguia ouvir.

—Eu nunca vou te perdoar por isso Fukuro. – Rosnou caminhando de um lado para o outro enquanto tentava acalmar o menino.

—Me desculpa eu juro que não... ãhnnnn....

E um silêncio repentino fez Kyoko engolir em seco. Até Luy que berrava, parou. Os olhos bicolores foram cobertos devagar pelas pálpebras. Um choque elétrico percorreu todos os nervos de seu corpo ao sentir o cheiro mais do que familiar inebriar seus sentidos e danificar todos os circuitos de seu cérebro. Não era possível que ele tivesse escutado daquela distância.

Luy esfregou os olhinhos para mirar melhor a figura imponente, parado com toda sua arrogância a cerca de dois metros dos dois. Saga parecia não estar nem um pouco afim de conversa e isso Fukuro entendeu somente com seu olhar. Quando o mesmo deu um passo, a coruja deu dois para trás. Era melhor não se meter entre os dois ou poderia se queimar.

Kyoko sentiu as labaredas da saudade subir por suas pernas como serpentes em chamas, queimando seu corpo inteiro para logo em seguida, cair em contradição ao congelar seu estômago. Engoliu em seco ao sentir o calor do corpo dele bem próximo ao seu e sem saber explicar se aquelas sensações eram pela ansiedade em ver Saga ou medo de ver Saga.

Semicerrou os olhos mirando Furuko e com uma vontade gigantesca de torcer seu pescoço rosnou entre os dentes:

—Tu é uma peste!

Continua...

Notas finais
Ménage?! Com Camus e Shaka??????? O.O” É pra matar a Kyoko do coração mesmo né?! Kkkkkkkkkkkkkkkk Bjs gente e até!!!