Uma estranha no ninho - Vol. I

34 Um estranho show dos horrores.


Notas iniciais
Olá povo, e aí quanto tempo hein?! Ufa!! Depois de muita correria na minha vida eu finalmente conseguia atualizar mais um capítulo enoooorme só para vocês. Espero que gostem e que me perdoem pelos possíveis erros de qualquer espécie que venha a ter. Como sempre falo: Tudo que faço é de fã para fã sem nenhuma ajuda e muito menos ganho para fazer isso. Faço de coração e com amor. Agradeço muitooo o carinho de sempre de vocês que estão nessa luta, aguardando sempre, sem me abandonar cada atualização dessa fic. Bjs no kokoro e boa leitura.

Capítulo anterior...

—Ora Ookami! O que deu em...

Um som oco se fez presente quando o corpo inerte de Naomi bateu no chão. Ela gruiu de dor ao sentir a shuriken enfincada em seu ombro. Camus ferveu de ódio, mirando o shinobi de Kyoko como se não houvesse amanhã. Ele nem havia conseguido ver quando a arma tinha sido jogada contra Naomi.

— Desgraçado! — gruiu Camus.

O lobo sorriu mais, chamando o cavaleiro com o indicador, dizendo...

—Vem cá. Hora de morrer, Florzinha.

♊oOoOo♊

E mesmo com toda frieza que Camus possuía ficar imune a covardia de Ookami era algo inadmissível para alguém como ele. O ódio que sentiu do shinobi mexeu com todos os brios de Aquário. Por mais que soubesse que o outro nunca havia ido com sua cara, atacar Naomi daquela forma não tinha justificativa.

— O que pensa que está fazendo, Ookami? Enlouqueceu? – falou Camus cerrando os punhos.

O lobo nada disse. Somente sorriu seu maior sorriso, lambendo os lábios finos e os molhando com saliva. Ergueu sua espada colocando a mesma na frente do rosto e apoiada no antebraço fazendo Camus aprumar o corpo já antevendo o que o outro faria.

E não errou; Ookami avançou com tudo para cima dele, disparando um golpe na direção do pescoço de Camus. O cavaleiro, por um fio conseguiu desviar, pulando para o lado em cambalhotas e trombando com o guarda roupa. Precisava sair daquele quarto urgente. Enfrentar alguém com tanta habilidade e rapidez em um ambiente tão apertado era muito perigoso. Sabia e tinha ciência de sua desvantagem. Ainda não havia se adaptado ao ar e muito menos se livrado daquele maldito e, ao mesmo tempo, abençoado colar.

Nem tivera muito tempo para pensar, pois quando assim chegou a pensar em pensar em alguma estratégia o lobo saltou novamente em sua direção. Camus abaixou e em seguida usou uma rajada de gelo na tentativa de afugentar Ookami. Mas para sua maior surpresa o golpe não causou nenhum dano no outro. Ookami espatifou o gelo de Camus na palma da mão como o mais fino cristal com a maior facilidade do mundo, avançando logo em seguida com um corte giratório. Camus pulou para trás na direção da sacada; os olhos arregalados ao notar uma mecha de seu cabelo cair no chão. Engoliu em seco. Aquela passou muito perto e a luta mal havia começado.

Ookami sorriu satisfeito, puxando a katana do meio do que um dia foi um guarda roupa.

— Eu vou gostar disso. – zombou Ookami.

E como um predador saltou, girando o corpo em espiral ainda no ar e já caindo em cima de Camus. O cavaleiro, sem ter para onde ir, criou uma espécie de luva de gelo e assim conseguindo segurar nos pulsos de Ookami. A pressão absurda do golpe empurrou Camus para trás, imprensando o cavaleiro contra a mureta da sacada e quase sendo jogando por ela. Ambos tremiam por conta da força que usavam.

“Droga! Eu preciso sair daqui ou ele vai me matar! ”, pensou Camus olhando por cima da mureta.

— Hahahahaha...o que foi?! Está pensando em se matar? Assim a brincadeira perde a graça. – Ookami forçou ainda mais o golpe, criando um peso ainda maior em cima de Camus.

Aquário gemeu entre os dentes, sentindo-se ser empurrado cada vez mais para trás. A panturrilha encostando na pequena mureta. A desvantagem de tamanho, peso e força era algo que Camus sabia estar além de tudo que já havia passado na vida. Ookami além de violento era muito mais alto que ele e sua força bruta era ainda pior. A sensação que tinha era de estar realmente sendo atacado por um lobo faminto gigante.

Mas que diabos! Por que aquilo agora? E como aquele shinobi podia ser tão forte que mal o deixava pensar?

E foi aí que de repente Ookami gritou. Camus levou um susto, mas logo entendendo o motivo de tal. Ele se remexeu, gruindo de dor, mostrando os caninos enormes e pontiagudos.

— No!!- sussurrou ao entender o que havia acontecido, para seu maior desespero.

— Sua...VELHA DESGRAÇADA!!! – berrou o lobo furioso.

Com uma só mão Ookami disparou uma rajada de vento, acertando Naomi e a jogando longe outra vez.

— NOOOOOO!!!!!

O berro do cavaleiro de Aquário pareceu estremecer todas as paredes do casarão, assustando Ookami, pois algo que ele nunca pensou que veria era Camus enfurecido. Os cabelos longos dele se ergueram e seus olhos brilharam pelo cosmo. Uma energia fortíssima rodeou ambos, tudo no quarto começando a congelar e a partir. Ookami apertou os dentes, sentindo a pressão do cosmo de Camus empurrar seu corpo, forçou o seu contra ele, mas Camus estava furioso demais para deixar aquilo passar.

O choque e energia entre os dois não durou muito causando um estouro, separando os dois por alguns segundos...segundo este que foi suficiente para Camus. Sem ter tempo de fugir Ookami sentiu a fúria de Aquário explodir em um soco absurdo bem do lado direito de seu rosto, o empurrando com força de volta para dentro do quarto. Derrapou no chão, tentando não cair, mas o golpe era forte demais dessa vez para resistir. Agachou usando as unhas enormes e a espada para se segurar.

Camus berrou se posicionando para atacar outra vez, mas foi aí, bem nessa hora que ele viu o que jamais esperava.

— O quê?!— falou perturbado.

♊oOoOo♊

Os olhos de Águia brilhavam sem desviar dos verdes do cavaleiro de Áries. Olhou em volta dele e vendo a maldita Muralha de Cristal impedir que sua espada atravessasse ele e sua intrometida irmã mais nova.

Ume agarrou-se ao corpo de Mu com se precisasse daquilo para viver, sem ter coragem de encarar seu furioso irmão. Sabia que aquilo deixaria Águia ainda mais determinado em matar o humano.

—O que pensa que está fazendo? – indagou Áries.

Águia respirou fundo e seus olhos brilharam, ergueu a espada e esta brilhou carregada de energia. Mu empalideceu sem acreditar que ele atacaria daquele jeito mesmo tendo Ume entre eles. O que estava havendo com ele? Será que tinha enlouquecido de vez?

A espada desceu com violência, mas no mesmo momento que Mu se jogou da cama com Ume, rolando no chão até bater em alguma coisa. Um som forte, como de um golpe se fez ouvir ao mesmo tempo e quando abriu seus olhos não conseguiu acreditar no que estava acontecendo.

— Águia?!!! – falou sem entender.

Mu mal conseguia processar o que via. Era inacreditável, mas ao mesmo tempo justificava aquele acontecimento bizarro.

—Levanta!

Os olhos verdes de Mu já não sabiam mais para onde olhar, se para a figura que acabava de o salvar ou para a outra que acabava de arrancar a espada do colchão.

Aniki?! Mas...como...

De repente Águia virou o rosto na direção deles mostrando enfim o que realmente estava acontecendo ali e fazendo Mu engolir em seco. Ficou de pé sem conseguir parar de olhar o rosto que agora tinha metade esfacelado onde a pele se soltava como uma casca de uma árvore podre e velha.

— Uma...marionete? – sussurrou Ume se encolhendo entre os dois.

— Sim! Ume, sai daqui! – ordenou firme o verdadeiro Águia.

A marionete tremeu, movendo o pescoço de forma bizarra. A boca aberta, quebrada pelo soco destruidor do shinobi de Kyoko. Virou-se bizarramente para os três e sem mais avançou. Mu se jogou para o lado e Águia agarrou Ume pulando também. A marionete virou rápido avançando sobre o shinobi que usava uma só mão para rebater os golpes com a espada, enquanto a outra protegia sua amada irmã. Ume gritou desesperada, ouvindo o som fino das lâminas ao se encontrarem, o corpo sendo puxando com força de encontro ao do irmão que dava seu sangue para protegê-la.

O grito de Ume atraiu a atenção de Mu. Ele ficou de pé de qualquer jeito e usou de toda força que tinha, acendendo seu cosmo, empurrando os móveis com a pressão do mesmo. Ergueu uma das mãos fazendo o brilho das estrelas rodear seus dedos em uma velocidade espantosa.

— Revolução Estelar!!!!! – berrou atacando.

A marionete sentindo a energia vir em sua direção, rosnou como o monstro que era, pulando por cima de Águia para não ser atingida e saindo da frente do golpe. Mu engoliu em seco. Mas que merda fizera!

—Ai não. – sussurrou Águia, desgosto por saber o que aconteceria.

Sem ter opção, o shinobi virou de costa, usando seu corpo e seu youki para proteger Ume, levando todo o golpe de Mu nas costas e por consequência sendo jogado sacada abaixo. Mu ficou paralisado sem saber o que fazer e não vendo a marionete surgir bem atrás de si. Berrou ao sentir a mão forte ao redor de seu pescoço junto com a sequência violenta de socos em seu abdômen. O sangue espirrando por seus lábios até o outro achar suficiente, disparando um último golpe em seu rosto e jogando Áries pelo mesmo lugar onde Águia e Ume haviam caído.

O berro de Mu pode ser ouvido por todo lugar, assim como o som forte do corpo dele afundando no chão de concreto e o de Águia ao cair de pé com sua irmã no colo.

♊oOoOo♊

Camus ficou paralisado, perplexo ao ver ninguém mais, ninguém menos que Ookami entrar pela porta do quarto na maior calmaria. A cara de bobo e sem entender do outro deixou claro que assim como Aquário, ele também não sabia bem o que estava acontecendo e muito menos quem era sua cópia.

— Mas...que merda é essa? – perguntou surpreso o shinobi.

O inimigo levantou de onde estava e sorriu, aproveitando da distração do shinobi e atacando do jeito que estava. Ookami levou um susto desviando dos golpes como podia naquele espaço mínimo. Segurou a espada do inimigo entre a palma de suas mãos, deixando sem querer uma brecha e sendo enfim acertado por um chute tão forte que o jogou na direção de Camus. Camus tentou segurar o shinobi, mas acabou sendo acertado também, caindo da sacada em meio a socos e chutes trocados entre si, Ookami e o inimigo.

Foram assim, caindo em uma velocidade espantosa, mas que para eles era como estar em câmera lenta. Camus deu um chute; o inimigo aparou com o braço, segurando a perna dele e o jogando em cima de Ookami. Este segurou Camus com um braço e com o livre puxou sua espada atacando. Camus energizou a mão, concentrando o cosmo congelante e o lançando em forma de uma rajada forte de gelo ao mesmo tempo em que Ookami estocava sua espada no inimigo. Surpreendeu-se quando ele segurou seu gelo na palma da mão, desviando o mesmo na direção de Ookami, fazendo assim o shinobi finalmente bater contra o chão, mas de pé. Camus derrapou ali, se afastando do inimigo, mas sem deixar de encará-lo.

Chukishouuuu(Droga!!) Marionete de merda! Como é que esse desgraçado entrou aqui? – gruiu o shinobi, agachado. Ficou de pé surpreso ao se dar conta de quem poderia ter feito aquilo. — Hime-sama!!!!

Ookami desesperou-se ao se dar conta da gravidade da situação em que se encontravam. Precisava fazer alguma coisa, avisar aos outros e principalmente Yamoto e Cheshire. E foi pensando nisso que o lobo assassino aprumou o corpo mais ainda, seus cabelos ficaram ainda mais eriçados do que naturalmente já eram, seus olhos mudaram e seus caninos ficaram ainda maiores. As unhas afiadas despontaram e de forma feroz ele encheu o peito e urrou. Urrou alto, tão alto que Camus teve de cobrir os ouvidos com as mãos para não ter os tímpanos estourados. Os vidros do lugar espatifaram como purpurina, fazendo os youkais que estavam na mansão entenderem o que aquele urro significava. Era um aviso de ataque.

Na parte alta, mais especificamente no quinto e último andar daquela mansão gigantesca Saga virou na direção da sacada, assustado com o som do urro dado por Ookami. Ele não conseguiu entender o que aquilo significava, mas Cheshire sim.

Kyoko trincou os dentes e sem mais avançou na direção de Saga. Soltou seu famoso kiai de batalha, apoiando a pequena espada no antebraço e na direção do pescoço do geminiano. Saga espantou-se ainda mais com a cena. Tremeu dos pés à cabeça. Os olhos arregalados, mirando os dourados e também arregalados de Kyoko, a boca levemente aberta onde um gemido baixo saiu quando a espada do Shinobi saiu de sua barriga. Ela deu dos passos para trás levando a mão a ferida. Uma ferida que não sangrava e sim começou a descascar.

Cheshire sorriu de lado.

— Posso sentir seu fedor a quilômetros.

E sem mais atacou outra vez, mas dessa vez na garganta, acertando sem dó. Saga ficou paralisado com a cena. Ele mal conseguia digerir o que estava vendo e ainda mais ao ver a tal Kyoko levar a mão até a cabeça e colocar a mesma de volta no lugar, rodando de um lado para o outro como um encaixe de bonecas.

— Mas....que porra é essa?! – falou Saga perplexo.

— Sei lá, me diz você. Você a beijou. – sorriu se posicionando.

Saga piscou aturdido e depois fez uma cara horrível.

—Que nojo!!!!! – cuspiu.

A marionete gemeu como os fantasmas dos filmes de terror, movendo a cabeça de um lado para o outro, agachou e depois saltou. Saga nem pensou duas vezes, agarrando a mesma pelo pescoço e por um dos braços. A falsa Kyoko se batendo, arranhando seus braços na tentativa de se soltar. A mandíbula abrindo e fechando, tentando morder onde quer que seus dentes enormes e monstruosos acertassem. Saga caminhou para trás até a sacada.

—Mata ela!!! – ordenou

Cheshire correu dando um golpe e acertando a coluna da boneca. A mesma berrou agudo, mas mesmo assim não desistiu. Saga então usando da força que tinha girou o corpo e jogando a mesma pela sacada. O grito dela diminuindo ao passo que se aproximava do chão. Os olhos de gêmeos arregalaram ao ver o que ele ainda não tinha visto e sim! Era horrível.

Um exército gigantesco de bonecos, se contorcia a cada passo que se aproximava do casarão. Uns com formas femininas e outros que Saga nem soube dizer o que era, só sabia ser horrível. Algumas pequenas mechas de cabelo pendurada em algumas cabeças e alguns com pelos no corpo imitando um urso. Outros como zumbis humanos onde as costelas e alguns ossos ficavam a mostra.

— Suzuki, ele está aqui. – falou Cheshire observando também.

— Kyoko... – Saga fez uma pausa. O olhar perdido sem saber bem o que fazer. —...onde ela está?

Os olhos do shinobi brilharam e seu semblante ficou sem reação.

— Não consigo encontrá-la. Ela me expulsou. – confessou desesperado.

— Porcaria!

No momento que Saga e Cheshire viraram para sair dali uma horda de marionetes explodiu a porta, se esmagando na abertura que se tornou minúscula para tantos bonecos passarem ao mesmo tempo. Tantos que alguns começaram a quebrar, partindo seus membros dando passagem aos que vinham logo atrás. Uma multidão invadiu o quarto e sem mais pulou nos dois que estavam ali.

Saga segurou no braço de Cheshire e sem pensar pulou pela sacada. As marionetes seguindo logo atrás, agarrando seu pescoço e suas pernas. Cheshire se batia, atacando por todos os lados para não ser pego. Saga rosnou irritado, explodindo o cosmo e todas a marionetes que vinham em sua direção. Uma chuva de madeira, perna, braços e cabeças tomou conta do lugar. Sorriu satisfeito, mas não por muito tempo, pois a falsa Kyoko que antes pensava estar morta saiu caminhando a passos arrastado do meio da outra multidão de bonecos.

♊oOoOo♊

Mu deu um salto ao ver a multidão de bonecos que já começava a se aglomerar ao redor dele. Pulou quando uma delas se jogou em cima de si. Ergueu a mão e atacou com tudo, usando sua Revolução Estelar outra vez. As estrelas cadentes do golpe varreram uma parte dos bonecos, estraçalhando tudo que tocava.

Uma explosão enorme sacodiu o chão do lugar. Era a Explosão Galáctica de Saga. Mu saiu correndo na direção de Saga. Precisava urgente chegar até ele, pois era Saga quem guardava as armaduras em uma fenda dimensional para protege-las. Mu apertou ainda mais a corrida ao se dar conta de que o boneco de Águia vinha mais rápido ainda atrás de si. Precisava urgente de sua armadura ou então seria morto por ele.

— Sagaaaa!! – berrou.

Saga virou na direção do grito e assustou-se ao ver Mu cair no chão com o bicho bizarro montado em suas costas. O ariano se batia, tentando proteger as partes vitais de seu corpo, em contrapartida deixando as outras expostas, para seu azar. As unhas do boneco acertaram seu rosto; Mu berrou; acendeu o cosmo tentando se proteger com a Muralha, mas não adiantou. Seu cosmo estava fraco o que tornava sua proteção não tão eficiente quanto ela deveria ser. A parede de cristal começou a rachar com as pancadas que vieram a seguir. Uma multidão de bonecos caiu em cima de si, batendo e arranhando a parede que já começava a rachar.

Saga saiu correndo na direção de Mu, deixando a boneca maldita de Kyoko na responsabilidade de Cheshire, atacando tudo que tentava tomar seu caminho. Parou num susto ao ver Camus passar na sua frente em meio a socos e golpes congelantes com algo que parecia Ookami. Olhou para o lado sem saber qual dos dois acudir primeiro.

— Ahhhhhh...Saga!!! Droga, a armadura!!! – berrou Mu já quase tento um ataque dos nervos com a indecisão do amigo.

Saga então voltou a correr, saltou e ainda no ar concentrou a energia entre as mãos.

— EXPLOSÃO GALÁCTICA!!!!

Um novo estrondo sacudiu tudo outra vez, o golpe de Saga varrendo com força total tudo a sua frente e o que tentava tirar a vida de Mu.

— Você está bem? – perguntou ao se aproximar.

— Sim, estou. – respondeu Mu ficando em pé.

Um buraco dimensional foi rompido entre eles fazendo – para a alegria de Mu e Camus – a armadura de Áries, Aquário, Gêmeos e também Peixes surgir ali. Mu mais do que rápido vestiu sua armadura junto com Saga. Ambos correram para ajudar Camus, mas foram bruscamente interrompidos por ninguém mais, ninguém menos que Naomi, ou melhor dizendo Suzuki que pareceu cair do céus ou sair do inferno.

Saga aprumou o corpo e Mu também. Finalmente ele dera as caras.

— Ora, ora! Por que a pressa cavaleiros? – sorriu Suzuki para a irritação maior de Saga.

Camus cuspiu sangue ao sentir o soco fortíssimo acertar seu estomago, tentou revidar, mas acabou por ser acertado outra vez e quando iria ser acertado de novo, agradeceu aos deuses por Ookami não ter morrido. O shinobi surgiu do nada, enfincando a espada no dorso esquerdo do inimigo e o arrastando no chão de concreto por metros. Camus aproveitou a deixa para enfim vestir sua armadura. Quando terminou não pensou duas vezes ao ver Suzuki ali; ergueu as mãos para o ar, tudo ao redor começando a congelar, seus cabelos sacudindo com a energia.

— Execução Aurora!!!

Um clarão e um frio sinistro fez Suzuki virar. Ele sorriu com a coragem e a audácia daquele cavaleiro. Até que Camus era corajoso.

Sem sair do lugar e mover um dedo sequer deixou o golpe congelante de Camus acertar seu corpo. O sorriso irônico no rosto de quem não sentia nem mesmo cosquinhas. Ficou assim até o golpe terminar, humilhando Camus pela ousadia em ataca-lo por trás.

— O que?! – falou os três cavaleiros.

— Confesso que estava com calor. – ele então ergueu uma das mãos e essa brilhou. Saga engoliu em seco. Ahh não! Isso não! — Deixa eu retribuir.

Lançou o golpe no ar e uma explosão no céu deu passagem a ele, o guardião de Suzuki: Negotamai, o dragão negro.

O dragão urrou, batendo as asas com toda força, empurrando as marionetes quebradas para longe. Saga e Mu protegeram o rosto dos destroços quando o lagarto gigante pousou ali. Pensou que aquele bicho lazarento tinha sido morto na batalha das doze casas, mas agora sabia que Negotamai só morreria quando Suzuki também assim morresse.

— Hora do jantar! – ironizou Suzuki.

Saga e Mu correram na velocidade da Luz para fugir da rajada enorme de fogo lançada pelo dragão. Tudo começou a queimar e o calor infernal obrigou os cavaleiros a se afastarem. Saga, por ser o único deles com força total, atacou primeiro, acertando o corpo duro do dragão e o fazendo urrar. Suzuki não gostou daquilo. Bufou insatisfeito. Ergueu os braços e seus cabelos começaram a virar fumaça. Ele sabia que Saga tinha a metade da pedra de Kyoko e se não o derrotasse logo ele seria uma ameaça ainda maior do que naturalmente já era. E pensando nisso atacou o cavaleiro de gêmeos com sua fumaça toxica.

— Sagaaa, cuidado!!! – alertou Camus contra-atacando afim de impedir o Kage.

Um buraco dimensional surgiu na frente do geminiano, fazendo com que a fumaça entrasse por ali e saísse bem em cima do dragão. Uma defesa e ataque mais do que inteligente.

— Não!!! – rosnou Suzuki indignado com a inteligência e audácia de gêmeos. Maldito Cavaleiro de Aquário por distraí-lo.

Mu avançou na direção de Suzuki; ele desviou de um lado para o outro, puxando sua espada e dando um corte no espaço. Mu e Camus berraram ao serem acertados ao mesmo tempo. Mu cuspiu sangue, olhando o peito de sua armadura com um corte que ia até a carne e Camus ao ter quase perdido o braço.

Contra a katana de Mythrill e a Adamantine as armaduras de ouro não passavam de uma fina proteção de papel. Suzuki sabia e muito bem disso e por isso atacou outra vez. Mu usou a Muralha para se proteger e Camus uma parede de gelo, mas de nada adiantou. O golpe de Suzuki partiu ambos como se fosse nada e ainda acertando os cavaleiros outra vez. Camus voou longe e Mu também foi lançado por metros. Vários cortes atravessaram as armaduras deixando ambos ensanguentados. A ferida no ombro de Camus voltou a sangrar piorando ainda mais o estado do cavaleiro de Aquário.

— Vocês são tão fracos que me dá nojo.

Suzuki caminhou devagar, charmoso e imponente na direção dos dois. Mu voltou a ficar de pé, sentindo o corpo inteiro doer. Como aquilo era possível? Como Suzuki podia ser tão poderoso assim? Então...essa era a força verdadeira de um Kage?

Gemeu ao tentar erguer a mão. Camus ergueu seus braços outra vez e Mu fez o mesmo, com todo o cosmo que tinham uniram seus golpes, atacando o Kage. Suzuki sorriu, deu um berro furioso e usou a espada para aparar o golpe dos dois. Mu e Camus vendo a situação acenderam ainda mais seus cosmos, dando um berro afim de potencializar o golpe. Suzuki sorriu ainda mais.

— Cavaleiros tolos!!!

Sua espada começou a brilhar ficando ainda mais poderosa, a lâmina cortando o golpe de ambos os cavaleiros ao meio e abrindo passagem para ele.

—Mu....- gemeu Camus sentindo seu cosmo ser vencido pela katana de Suzuki.

— Droga!!! – Gruiu Mu sentindo o mesmo.

— Fracos, nunca iram me derrotar. Não estão adaptados ao ar e mesmo que estivessem...- ficou cara a cara com ambos. —...não podem derrotar o segundo Kage mais poderoso do Makai.

O movimento forte da espada de Suzuki cortou o golpe de Mu e Camus, e na mesma velocidade desceu na direção deles. Eles eram fracos demais para perder seu tempo, não queria mais ficar naquela batalha ridícula.

— Morram vermes!!!!

O som de tilintar surpreendeu ambos. Suzuki empalideceu ao ver quem havia impedido aquilo. Não! Como? Onde ele havia...

—Olá, irmãozinho!

—A... katana de Kyoko. – sussurrou surpreso.

Cheshire sorriu seu sorriso enorme fazendo uma energia azulada rodear seu corpo e usando a pressão do mesmo para empurrar Suzuki para trás. A falsa Naomi derrapou até parar, olhou para trás ao ouvir Negotamai urrar dessa vez de dor quando Águia e Ookami juntaram-se a Saga na batalha.

— Ei!

Suzuki levou um susto ao ver Cheshire surgir a sua frente e disparar vários golpes em sua direção, as espadas tilintando no encontro mortal entre elas. O shinobi girou o corpo unindo sua wakizashi a Katana de Kyoko em uma sequência absurda de golpes, obrigando Suzuki a se afastar.

Camus levou a mão a ferida do ombro. Levou um susto ao sentir alguém tocar ali.

— Naomi?!

— Você está bem? – perguntou Baa-san.

— Meu orgulho dói mais. – respondeu sorrindo de lado.

—A espada da Kyoko?! Como ele conseguiu? – inqueriu Mu.

— Saga. Foi o Saga quem deu a ele, agora só não me pergunte quando. – sorriu Naomi.

De todos os shinobis fortes de Kyoko, aquele gato miserável era com certeza o melhor espadachim. Cheshire lutava com uma leveza e velocidade difícil para qualquer um acompanhar. Os saltos combinados com os golpes tornavam o acompanhamento de seus movimentos difícil até mesmo para um Kage conseguir revidar. Tirando o fato de metade de toda sua agilidade, velocidade e astucia ter sido herdada de Hiroaki, afinal era o que ele era: A metade de Hiroaki pronta para proteger Kyoko.

— Maldito!!! – rosnou Suzuki sem paciência.

Cheshire saltou atacando com a espada menor. Suzuki girou a sua, rápido, perdendo a paciência pouca que tinha e usando a Adamantine. O corte da espada partiu a wakizashi, atingindo a lateral da cabeça de Cheshire de raspão. Ele manteve a postura, sentindo o sangue quente escorrer por seu rosto, contra-atacando com a katana de Mythill de Kyoko o máximo que podia.

Por mais poderoso que fosse dos três, ele sabia e admitia que enquanto Suzuki estivesse usando a pedra ele não conseguiria derrota-lo. Sorriu por dentro. Estava fazendo o que tinha sido feito para fazer.

Derrapou no chão e voltou a atacar. Uma fumaça negra envolveu o corpo de Suzuki e Cheshire fez o mesmo. Correu com a espada em mãos sem pensar, atacando o irmão com toda força que tinha. A espada de Suzuki desceu com uma força absurda; uma, duas, três vezes em sequência fazendo Cheshire quase cair de joelhos. Aproveitou a deixa girando a espada de baixo para cima causando assim um corte enorme no peitoral do Shinobi. Cheshire gritou rolando no chão.

— Cheshire!!! – todos gritam.

Saga pulou desesperado ao ver a cena e correu na direção de Suzuki. Ele queria a Adamantine, então daria a ele o que ele queria.

Negotamai usou a cauda na tentativa de golpear Saga, mas ele era muito mais rápido; abaixou no momento exato e contra-atacou unindo seu cosmo com a força da pedra para usar uma Explosão Galáctica que pareceu partir a terra ao meio. O golpe acertou em cheio, partindo a pele dura do dragão e expondo enfim a carne.

Suzuki parou onde estava vendo seu dragão tentar ficar de pé.

Maldito cavaleiro de gêmeos.

Saga voltou a correr, mas parou outra vez. Negotamai pulou do nada, caindo em sua frente e impedindo seu caminho.

— Merda! Droga você não morre? – vociferou furioso e cansado daquele impedimento que cuspia fogo e ácido.

Cheshire voltou a ficar de pé e a avançou outra vez contra o irmão. Algumas marionetes tentaram impedir, mas logo tiveram suas cabeças arrancadas. Suzuki avançou contra o mais novo, golpeando o mesmo para matar. O brilho da espada e as faíscas se misturavam causando um show de luzes e sons que pareciam que não teria fim.

Usou um golpe de baixo para cima e outro de cima para baixo, Cheshire desviou de um, mas já estava cansado e ferido, não conseguiu desviar totalmente do último. O corte acertou seu braço direito, decepando o mesmo junto com a espada de Kyoko. Berrou de dor. Suzuki gargalhou e sádico como era agarrou o pescoço do menor com a mão livre o tirando do chão.

Camus e Mu tentaram atacar, mas foram impedidos por uma nova horda de marionetes que não parecia ter fim. De onde vinham tantos bonecos?

—Maldito dia que o papai deu vida a você...- enfincou a espada em um dos lados da barriga de Cheshire só para ouvi-lo gritar. —...se existe algo que eu odeio mais do que Kyoko, com certeza...- ergueu a espada, pronto para o golpe de misericórdia. —...É VOCÊ!!!!

— NÃOOOOOO!!!! – berrou Saga.

Cheshire fechou o olho. Já esperava a morte, mas...por que ela não veio. Abriu o direito só para conferir, depois abriu o esquerdo para ter certeza do que via. Suzuki gruiu sentindo a queimação no peito; olhou e espantou-se.

— Uma...rosa branca?

Soltou o irmão de qualquer jeito e virou. Não era possível!

— Afrodite?!

Mal tivera tempo de processar aquela informação, pois só conseguiu se dar conta de que Afrodite não estava sozinho quando sentiu o corte em seu braço e ouviu o urro desesperado de Negotamai ao ter sua cauda decepada pelo mesmo golpe; o golpe de Yamoto.

O ruivo correu na direção do dragão, e Águia e Ookami juntaram-se a ele. Negotamai atacou com uma rajada de fogo; os três pularam, desviando e continuando o caminhou: Águia derrapou de joelho, passando por debaixo da cabeça do dragão e atacando seu peitoral com vários golpes. Ookami pulou junto com Saga na direção da cabeça do monstro ao mesmo tempo que Yamoto. Ele girou sua espada, direcionando a mesma para baixo na direção do pescoço de Negotamai.

Suzuki tentou correr na direção de seu bichinho, mas Afrodite usou suas Rosas diabólicas, obrigando Suzuki a recuar.

Os quatro berraram, sincronizando seus golpes.

—POR KYOKOOOO!!!!! AHHHHHHHHH....

Ookami e Saga esmagaram a cabeça do dragão, Yamoto cravou a espada no dorso e saiu correndo em cima do mesmo rasgando a carne por onde passava ao mesmo tempo que Águia fazia o mesmo por baixo. As metades do corpo de Negotamai tombaram uma para cada lado. Mu, Camus e Naomi ficaram perplexos.

Suzuki mal conseguiu acreditar no que via. Seu dragão sento miseravelmente derrotado por aqueles malditos shinobis de Kyoko e com a ajuda daquele humano imundo. Furioso o kage berrou, fazendo uma fumaça negra enorme sair de seu corpo. A rosa branca de Afrodite derreteu por conta do ácido da fumaça tóxica de Suzuki, obrigando todos a se afastarem. Mu fechou os olhos e nunca em toda sua vida ele quis tanto algo quanto queria naquele momento: proteger seus amigos.

“ Athena, me de forças! ”, orou em silêncio, segurando o colar no pescoço e o puxando.

Sua respiração acelerou, e o corpo inteiro começou a queimar, o ar pesado do Makai invadindo seus pulmões e envenenando todo seu corpo. Caiu de joelhos, mas não derrotado ainda. Não! Ele não seria derrotado.

— AHHHHHHHHHHHH...MURALHA DE CRISTAL!!

Camus usou o corpo para proteger Naomi e a jovem Ume. A explosão do cosmo de Mu empurrou tudo ao redor, criando uma redoma de cristal ao redor de Suzuki e contendo o golpe fulminante dele. Uma bola negra e enorme ficou presa dentro da barreira, fazendo o Kage desaparecer no meio da fumaça. Nada podia ser visto e muito menos ouvido ali dentro.

Ao sentir a energia poderosa de Mu, Saga ficou de pé. Precisava ajudar seus amigos. Negotamai não era mais problema. Girou rápido nos calcanhares levando um susto ao dar de cara com Kyoko.

—Kyoko?!

Os olhos bicolores de Kyoko estavam fixos nos seus, presos dentro de sua alma de um jeito que ele jamais se confundiria. Pensou ser outra marionete, mas teve certeza ser ela só por aquele olhar. Ela estava ali, parada a sua frente, tão perto que podia sentir o calor gostoso que só ela tinha, e...de onde ela havia surgido? E...onde ela estava no meio daquele furdunço todo?

Foi tudo muito rápido, sem dar a menor chance de reação. Saga trincou os dentes com força, segurou o pulso dela por puro instinto sem conseguir acreditar no que estava acontecendo. As unhas de Kyoko tocando o peitoral de sua armadura, fazendo algo que ele nunca pensou que alguém pudesse fazer.

— Sinto muito, Saga! – ela disse chorosa.

—O que...está fazendo? – Saga gemeu sentindo algo dentro de si parecer querer sair junto com seu coração.

A armadura de gêmeos brilhou intensamente, ressoando junto com a pedra que mexia com a energia de todos os presentes. A kitsune usou a mão livre para segurar o pescoço do cavaleiro de gêmeos, desestabilizando-o e aumentando ainda mais o chamado que seu corpo e energia naturalmente faziam a Adamantine. Uma informação que Saga nunca soube.

Ele tentou se concentrar, prender a pedra dentro de seu corpo, mas a energia de Kyoko era forte demais e atraia a Adamantine com uma intensidade que gêmeos jamais pensou existir. Ela havia ficado tempo demais com aquilo e sabia muito melhor do que ninguém como usá-la.

Gritou de dor e desespero, a pedra saindo de dentro de seu corpo, rasgando e queimando o caminho por onde passava.

— Não! Ky...Kyoko, não!!!

— Eu sinto muito!

Saga gritou, gritou sem poder fazer nada. Sem acreditar na vida própria que Adamantine parecia ter e ainda mais na forma como ela parecia se alimentar da energia de Kyoko. Os olhos bicolores brilharam azuis junto com a pedra, soltando o pescoço de Saga e fazendo o grande e imponente cavaleiro de Gêmeos cair de joelhos a seus pés.

A Adamantine entrou pela palma da mão de Kyoko, avançando pelo braço até chegar ao peito. Ela suspirou inebriada pelo poder que ela tinha. Já havia se esquecido da sensação maravilhosa que era ter tanto poder, um poder que não pertencia a Saga, que não pertencia aos humanos e nem nunca pertenceria. Olhou para Saga dando um passo para trás e depois outro. Não queria fraquejar e por isso correu, correu sem olhar para trás.

Saga ficou de pé do jeito que pode, tropeçando nas próprias pernas e indo logo atrás dela. Kyoko abaixou rápido, pegando sua espada ainda presa na mão do braço amputado de Cheshire. E no momento que Saga a alcançaria ela deu um corte no ar, desaparecendo na fenda.

— Drogaaaaa!!!! – Saga vociferou putíssimo.

E agora? Onde ela estava? Como a encontraria? Não fazia a menor ideia para onde Kyoko pudesse ter ido.

Yamoto pensou rápido. E mais rápido ainda agiu; correu até Saga e o segurando pelo braço.

— Vem comigo, eu sei onde ela está.

Saga não pensou duas vezes, aceitando de bom grado a sair dali com Yamoto. Ambos começaram a correr, mas parando no meio do caminho.

— De onde vem tantas? – reclamou Yamoto ao dar de cara com um novo grupo de bonecos.

Sem demora Águia e Ookami atacaram as marionetes, abrindo caminho para Saga e Yamoto. Os dois correram sem olhar para trás. Yamoto estava desesperado, se Kyoko fosse fazer o que ela já havia se proposto a fazer antes de se reencontrar com Saga o mundo dos humanos estaria por um fio.

— Onde ela está indo? – perguntou Saga correndo ao lado de Yamoto.

— Fazer o que se propôs a fazer quando foi trazida de volta a vida: Entregar a pedra a Hiroaki-sama.

— Como é que é?! – Saga empalideceu.

— É isso aí que você ouviu, Saga. Hiroaki- sama já devia saber que a pedra estava com você e nada mais eficiente do que matar dois coelhos com uma cajadada só.

—Não, ela...estava diferente. Ela estava comigo, eu fiz o que me pediram. – berrou furioso.

— Sim ela está diferente e acredite ela só não deve ter feito isso antes porque não sabia que a pedra estava com você. Saga o fato da Kyoko-sama amar você não muda o fato dela odiar os humanos. Ela repudia os humanos, eu já havia lhe alertado sobre isso.

— Mas ela não odeia os humanos.

— Não Saga, Kyoko- sama não odeia você, é diferente. Acredite ela odeia a raça humana tanto quanto Hiroaki-sama. Por que acha que ele a venera tanto? Por que acha que ele não desiste? Só por causa do amor? Não tem mais ninguém na cabeça dela para fazer com que pense ser errado exterminar a raça humana. O único que poderia fazer isso seria você, mas você está aqui e não lá no Nigenkai.

— Merda!!!! – resmungou nervoso.

— A propósito: como conseguiu Adamantine?

Saga sorriu de lado. Aquela história seria cômica se não fosse trágica.

— Ela escondeu a pedra antes de morrer dentro de um ursinho de pelúcia de um menino de três ano e meio. – confessou.

— Hãn! É a cara da Kyoko. – Yamoto sorriu de lado correndo ainda mais.

Saga engoliu em seco pensando nos amigos que estavam no santuário e em sua deusa. Se Kyoko ajudasse Hiroaki seria o fim.

♊oOoOo♊

Dentro da redoma Suzuki começou a gargalhar. Por que foi duvidar da coragem de Kyoko? Agora se sentia ainda mais humilhado. Ele prometera a Hiroaki-sama que levaria a Adamantine, mas como sempre Kyoko estava lá para estragar as coisas.

— Maldita Kitsune. – rosnou furioso, mais ainda do que já estava.

Mu sentia a energia enorme dentro do corpo crescer, mas ao mesmo tempo parecer querer explodir seu corpo inteiro. Tinha que se controlar, não podia se dar vencido tão facilmente, mas estava sendo muito difícil. Seu corpo começou a queimar ainda mais e por conta disso não conseguiu mais manter a muralha de pé.

—Mu-sama!

—Mu!

Ume e Camus correram na direção do Ariano. Mu já não usava mais o colar e Camus começou a se desesperar. Tudo indicava que Mu estava se envenenando pelo ar. Pequenas gotículas de sangue começava a brotar de seus poros e uma ânsia de vomito pegou o mesmo de surpresa. Ume segurou os cabelos lavanda dele enquanto este vomitava sem parar.

—Droga Mu porque foi fazer isso? – bradou Camus preocupado.

— Eu...tinha...tinha que fazer...alguma coisa. – gruiu no final, vomitando algo que já nem estava mais em seu estômago.

Mais afastado Afrodite caminhou um pouco, observando o estado estranhamente deplorável, mas ainda ameaçador de Suzuki. A pele antes branca como a neve apresentava agora uma estranha cor arroxeada, os cabelos negros lindos que ele, ou...ela, possuía agora estavam ralos e sem vida. Será que teria usado energia demais?

— Eu te odeio Kyoko...- riu mais— ...odeiOOOOOOOOOO!! – berrou tentando ficar de pé.

Um estalo assustou Afrodite e mais ainda ficou ao ver a forma horripilante como Suzuki se movimentou. O corpo endurecido, como se todas as juntas fossem feitas de... madeira.

— ElA...tIRoU...TuDo...DE..Mim...

Afrodite deu outro passo para trás. Uma rosa vermelha surgiu entre seus dedos.

— ...tiROu...O...mEU...PODEEEEERRRR...

O corpo de Suzuki se envergou para trás, tremendo como se levasse um choque. Camus e, mesmo sentindo-se mal, Mu seguiram para próximo de Afrodite. Que coisa bizarra era aquela?

No chão, mas afastado, Cheshire se arrastou como pode, usando o único braço que tinha para sair de perto daquele horror que sabia ser o irmão. Não queria ter que presenciar aquilo. Ele nunca tinha visto, mas já tinha sido alertado por Kyoko e por seu próprio pai.

— Cheshire.

Ume e Baa-san ajudaram o shinobi a ficar de pé e com cuidado começaram a se afastar. Baa-san sabia muito bem o que era Suzuki e como ele era. Não queria ficar ali de jeito nenhum. Kyoko não estava mais ali para proteger nenhum deles e sinceramente, não acreditava que aqueles três cavaleiros conseguiriam.

Uma gosma negra explodiu do peito de Suzuki sujando o chão e tudo que estava em volta, um cheiro pútrido quase fez Mu voltar a vomitar e a imagem do outro se rasgando ao meio não ajudava em nada.

Suzuki começou a berrar, tremendo e sacudindo os braços de forma violenta como se estivesse sendo eletrocutado ou estripado por alguma coisa que ninguém podia ver.

Mu, Camus e Afrodite levaram um susto quando dois punhos saíram do peito de Suzuki forçando passagem e rasgando a ferida ainda mais.

— Que nojo! – disse Afrodite colocando a rosa nos lábios.

O corpo belo e feminino foi se partindo ao meio, espirrando a gosma negra que era o sangue da falsa Naomi. O corpo falso, a casca falsa que guardava a verdadeira forma do Kage. Ele forçou um pouco mais, abrindo os braços e partindo enfim a casca ao meio, se libertando para o desgosto até de si mesmo.

— Agora eu entendo porque Hiroaki nunca quis essa coisa...nojenta. – Camus cuspiu ao terminar.

O corpo original de Suzuki estava nu e não havia sexo. Os cabelos na altura do ombro eram brancos e sujos com a gosma negra, a pele rachada como o tronco de uma árvore, os olhos negros totalmente envoltos as pupilas enormes, a boca grande onde pelas laterais dois cortes desciam retos e se encontravam no queixo, assim como eram as marionetes de ventríloquo.

—ElA tiRoU...AdAmanTIne De Mim pOr cULpa de VoCÊs. – falou com a voz tremula, rangendo como madeira.

Afrodite desviou para o lado, empurrando Mu quando viu o ataque de Suzuki vir em sua direção. A marionete saltou, desviando do gelo de Camus e o acertando em cheio. O cavaleiro voou por metros, só parando ao acertar o que restava de uma parede do casarão. Afrodite não esperou, usou suas rosas piranhas com toda força que tinha junto com Mu e sua Revolução Estelar.

Suzuki desviou dos golpes de Mu, mas não das rosas de Afrodite. Berrou monstruoso ao sentir as rosas devorarem seu corpo de madeira.

— Fica com o Camus, eu vou dar um jeito nessa coisa nojenta.

— Mas...você não pode derrotar ele sozinho, Afrodite. – preocupou-se Mu. Sabia o quanto Suzuki era forte.

— Ora Aries, quem disse que não? Assim você me ofende. – deu as costas. — Você e Camus já fizeram demais.

E sem dar chance a Mu atacou o Kage com tudo que tinha. Mu ainda tentou ficar de pé, mas foi aparado por Águia.

— Você não devia ter tirado o colar. – repreendeu

—Eu não tive outra escolha.

Afrodite saltou para não ser pego pela energia ácida e venenosa de Suzuki. Ele era muito rápido e mesmo aparentemente ferido ele ainda era forte, muito forte. Acendeu ainda mais seu cosmo, se defendendo e contra-atacando com suas Rosas Piranhas. Suzuki ficou ainda mais furioso e não acreditava, e nem aceitava estar sendo derrotado por um cavaleiro de Athena. Um humano.

Afrodite correu até ele, se embrenhando no meio de suas rosas e acertando um soco fortíssimo no rosto de Suzuki. O kage rangeu, desviando de um novo golpe e devolvendo em seguida. Afrodite bem que tentou, mas não conseguiu desviar, recebendo o golpe direto no rosto e depois outro no abdômen. Sangue espirrou de sua boca e ele agradeceu aos deuses por estar de armadura ou teria sido partido em dois.

Caiu de joelhos. Tinha que admitir, Suzuki era forte demais, mas não ia desistir.

Ficou de pé sentindo o corpo doer. Ainda estava fraco e ferido da luta com Saga. Olhou para o próprio peito e vendo o pingente do colar que o protegia brilhar. Não sabia se devia, mas se aquilo havia funcionado com Mu teria que funcionar consigo também. Estava cansado daquela porcaria.

Sem pensar muito segurou o objeto e arrancou com força jogando longe. Fez exatamente como Mu; respirou fundo e acendeu seu cosmo; forte e poderoso como um verdadeiro cavaleiro de ouro devia ser. Nada de ser humilhado, nada de ser...derrotado.

Derrota...essa palavra não existia no vocabulário dos cavaleiros de ouro.

Seus cabelos sacudiram violentamente e seus olhos tomaram um brilho escarlate, o cosmo dourado rodeando seu corpo mesclando com o vermelho da força que o ar do Makai dava a ele. Suzuki deu um passo para trás sem conseguir acreditar no que seus olhos estavam vendo e muito menos Camus e Mu.

— Não...imPoSsivEL!!! – gruiu Suzuki.

— Você machucou meus amigos, matou pessoas inocentes no meu mundo e usou meu melhor amigo contra mim, eu NUNCA vou perdoar você...Ahhhhhhhhhh...Vai pro inferno desgraçado...Rosa Piranhas!!!!

Suzuki energizou seu corpo usando sua nevoa para se proteger. Não tinha mais a Adamantine, mas ainda tinha honra e era um Kage. Não se deixaria vencer tão facilmente. Soltou um kiai de batalha, aumentando sua energia e começando a engolir as rosas de Afrodite.

O pisciano aguentando com tudo que tinha a disputa monstruosa de energia contra Suzuki.

— Ele não vai aguentar muito mais. – Mu se desesperou.

Camus olhou para Afrodite e depois para a pedra em seu pescoço. Nunca fora de agir sem pensar, mas agora não via jeito. Não era para pensar e sim agir. Segurou o colar e arrancou. De imediato sentiu o corpo reagir ao ar do Makai; o nariz sangrou e ele cambaleou. Já estava muito ferido o que agravava ainda mais os efeitos negativos do ar. Sacudiu a cabeça a fim de não desmaiar e focando-se nos amigos correu junto com Mu. A energia enorme empurrando ambos e engolindo tudo ao redor.

Mu caiu de joelhos, uma lágrima de sangue escorreu por seus olhos, mas não se abalou; deu um berro altíssimo, explodindo seu cosmo e unindo-se a Afrodite. Camus parou atrás dos dois, erguendo os braços unidos no alto da cabeça. O frio rodeando os três e impulsionando ainda mais o golpe de peixes. Suzuki engoliu em seco; o corpo começou a ser empurrado e sua energia negra a ser consumida pelo brilho dourado do cosmo dos cavaleiros de ouros.

— Não....pode...ser!!!! – berrou ao sentir sua mão direita começar a esfarelar.

— Somos cavaleiros de Athena...- falou Afrodite.

—E nós nunca vamos desistir...- falou Mu.

— Por que desistir...- Camus.

— É para os fracos!! — berrou os três juntos.

— Extinção Estelar!!!!

— Execução Aurora!!!

— Rosas diabólicas reais!!!

Águia, Ookami e Cheshire – mesmo ferido — se juntaram criando uma barreira de energia para se protegerem, e Ume e Baa-san. Os três berraram ao sentir o impacto do golpe dos cavaleiros. Então era essa a força de um humano? A força dos cavaleiros de Athena?

Suzuki forçou toda a energia que tinha, mas mesmo assim não conseguiu. O cosmo dos três cavaleiros unidos era forte demais. Tudo ao redor foi engolido pelo brilho dourado, explodindo e desintegrando tudo que tocava. Uma explosão fortíssima pareceu sacudir todo o chão do Makai. E no meio do golpe Suzuki gritava com a derrota inevitável, o corpo se esfarelando até não restar nem o pó, porque para ele era só isso que merecia. Camus, Mu e Afrodite unidos mostravam a todos o poder dos cavaleiros de ouro.

O poder da amizade.

Ookami sentiu as mãos queimarem, Águia olhou para as suas e estas sangravam. Já Cheshire não ligou muito para aquilo. Já estava sem um braço mesmo, uma mão queimada não seria um grande problema. Sorriu um sorriso terno ficando de pé. Baa-san e Ume não pensaram duas vezes, saindo correndo em direção ao três que só pela força de vontade ainda se mantinham de pé. Os olhos de Camus começaram a sangrar. Ele tocou devagar vendo com dificuldade o tom carmesim na ponta dos dedos. Mal teve tempo de pensar e também não queria. A única coisa que queria agora era descansar. Será que estava morrendo?

— Eu...combati o bom combate...— cambaleou de um lado a outro, tombando já inconsciente, mas antes de tocar o chão Ookami o amparou com cuidado.

— Isso aí florzinha, um excelente combate, agora está na hora de descansar. – sorriu pegando o cavaleiro no colo.

— Mu-Sama!

Ume gritou no momento exato que Mu desmaiaria. Ele pareceu voltar a realidade na base do susto, procurando com dificuldade a dona da voz. Ela se jogou nos braços dele, sem se importar com seu irmão beijou o cavaleiro de Áries.

— Por favor, não morra. – pediu chorosa. Mu caindo em seus braços já perdendo a consciência.

Águia abaixou e com cuidado fez como Ookami; pegou o corpo inerte do cavaleiro de áries.

Cheshire caiu de joelhos de frente a Afrodite. O cavaleiro sorriu de lado e depois soltou uma risada anasalada. O shinobi fez o mesmo até começarem a rir gostosamente. Afrodite começou a tossir, levou a mão a boca e viu que tinha sangue ali.

— Eu disse que ia vencer. – falou cheio de si.

—Eu duvidei de você, é muito...mulherzinha, sabia?! – ironizou o Shinobi ficado de pé e dando uma mão ao outro.

Afrodite ergueu uma sobrancelha. Aquilo era realmente sério?!

— Tá falando sério?!

— O que tem? – perguntou Cheshire.

—Você está todo arrebentado. Está pior que eu.

Cheshire gargalhou. Tinha que admitir: O cavaleiro tinha toda razão.

—Bom...geralmente quando se vai dar a ajuda a alguém se diz: E aí amigo?! Quer uma mão? – moveu as sobrancelhas de modo divertido.

Afrodite sorriu. Cheshire era tão inacreditável que nem parecia existir.

♊oOoOo♊

Fazia tempo que não ia ali e agora a tão sonhada e esperada hora finalmente estava chegando. Diria que se não fosse quem fosse estaria agora pulando e dando cambalhotas de felicidade. Sorriu. As coisas não poderiam ter saído na mais perfeita ordem.

— Hiroaki-sama?

O inugami respirou fundo, satisfeito ao ouvir aquela voz. A voz doce e melodiosa que acalmava qualquer tempestade. Ahhh como gostava daquela voz.

—Fazia muito tempo que eu não vinha aqui. – fez uma pausa. — E agora, o lugar onde sempre desejei dominar finalmente cairá aos meus pés...- fez uma pausa virando. — ...aos nossos pés.

Hiroaki esticou a mão, olhando para o meio daquele monte e vendo a kitsune mais bela que já havia visto na vida. Sempre soube que ela era sua, nunca havia perdido as esperanças mesmo depois de ter cometido o maior pecado de sua vida. Sabia que Kyoko seria sua mais cedo ou mais tarde.

Ela caminhou devagar, subindo cada mísero centímetro da pedra que dava acesso ao que os youkais chamavam de “ o zíper do mundo dos humanos”. Engoliu em seco ao ver o grande emaranhando de linhas dimensionais. Estendeu a mão e segurando na grande, mas delicada mão de seu mestre e mentor. Por pior que todos dissessem e sentissem medo, Kyoko nunca havia sentido medo dele. Talvez por não lembrar do que ele era capaz para ter tudo que quisesse, principalmente por fazer de sua mente – naturalmente confusa—uma mentira tão grande que nem Saga seria capaz de desfazer.

— Eu consegui, eu achei a minha parte da Adamantine e trouxe a de Suzuki também.

Ela estendeu a outra mão, energizando a mesma e tirando de dentro e seu corpo a parte menor; a parte roubada de Suzuki na hora da luta contra os cavaleiros. Hiroaki aceitou de bom grado, satisfeito. Estava tudo perfeito.

— Isso é incrível. Foi isso que sentiu? – ele perguntou sorrindo, os olhos brilhando pela energia da pedra dentro de seu corpo.

—Sim. – respondeu somente, virando o rosto um pouco para baixo.

Hiroaki se aproximou mais, tocando o queixo de Kyoko e o erguendo para si.

— Não tenha medo. Os humanos não merecem nossa piedade, você melhor do que ninguém sabe disso. – deslizou o dedo sobre o olho azul de Kyoko. — Tudo que estou fazendo é pelo bem do nosso povo. Eles nunca mais irão tocar em nenhum de nós, nunca mais tocarão em você.

Kyoko segurou a mão de Hiroaki, fechando os olhos. E mesmo pensando nele deixou-se guiar pelos lábios do inugami. O beijo calmo e doce, diferente do possessivo e apaixonante do humano que estava em seu coração.

Um kiai pode ser ouvido, separando Kyoko de Hiroaki. Ele, em uma velocidade espantosa, puxou sua massamune, rebatendo a katana de Yamoto com uma força tão grande que o shinobi voou por metros, atravessando algumas rochas e árvores. Saga ficou paralisado com a cena e a força brutal de Hiroaki, e mais ainda com a calma que Kyoko se mantinha com cena. Yamoto bateu em um último pedregulho, cuspindo sangue e caindo no chão já desmaiado.

— Yamoto!!! – gruiu Saga.

Virou logo, seguindo seus olhos faiscantes direto ao intimidador e impiedoso do Kage mais velho, o Kage mais poderoso finalmente estava ali bem diante de seus olhos e dessa vez era real. As lembranças de tudo que ele havia feito em sua vida e na vida de Kyoko fazendo uma raiva fora do comum crescer dentro de Saga.

—Seu maldito!

Deu um passo e quando pensou em já iniciar a luta, empalideceu pela milésima vez naquela noite. Hiroaki sorriu satisfeito, pois o que lhe enchia de orgulho e satisfação, fazia Saga sangrar por dentro. Por que aqueles malditos youkais faziam aquilo? Será que os deuses não podiam favorece-lo só um pouco não?! Por que toda vez era contra Kyoko quem tinha que erguer o punho?

A kitsune puxou sua katana deixando claro ao cavaleiro que não estava brincando e muito menos mentindo. Kyoko estava defendendo Hiroaki, defendendo seu mestre como era seu dever. Como era sua obrigação; para vencer Hiroaki, Saga teria de vence-la primeiro. Ela havia dito isso a ele, mas nunca imaginou que um dia aquilo se tornaria realidade.

—Olha só quem chegou. O...humano. Quem acha que ele vai escolher Kyoko? Você ou os humanos?

— Kyoko não de ouvidos a ele. Ele está mentindo para você. Está usando você. – Saga deu um passo.

— Me usando?

— Eu não preciso usá-la quando são vocês que cometem seus erros. – respondeu calmo como sempre. — Diferente de você Saga, eu só tenho que defender meu povo e a Kyoko faz parte do meu povo, já você...tem uma deusa e um mundo de humanos corruptos e monstruosos para proteger. Estou mentindo? -completou.

—Kyoko, eu vim aqui por você.

—Por mim? Só por mim ou...por eles? – apontou para o zíper.

— Kyoko...me escuta. Sei que está confusa e mesmo que eu...tente explicar isso agora você nunca entenderia, então se afasta dele.

— Me dê um bom motivo para isso, Saga.

— Um? Hãn! Não tenho só um, tenho vários: Ele matou você, matou pessoas inocentes, crianças, feriu meus amigos e agora...agora está tentando usar sua dor para matar pessoas boas que não tem nada a ver com isso.

— Inocentes?! Não existem inocentes no seu mundo, Saga. Você é um tolo se acha que isso é suficiente.

— É você que está sendo tola por acreditar nele. Ele matou você! – berrou furioso.

—Por causa de vocês, humanos! – Saga paralisou. — Você não faz ideia do que passei, não faz ideia do que eles fizeram comigo.

—Eu sei que não, você nunca me deu a oportunidade de saber. Mas a única coisa que quero que saiba é que eu amo você...existem...existem pessoas lá que amam você também e estão te esperando.

— Não Saga, a única pessoa que eu quero o amor já está aqui. Então se você me ama tanto quanto diz, entenderá meus motivos. – ela então fez surgir sua parte da pedra na palma da mão. — Eles nunca mais tocarão em mim...- fechou os olhos. —...nunca mais machucarão ninguém.

Kyoko estendeu a mão a Hiroaki, entregando enfim a sua metade da pedra. Não podia negar que amava Saga muito mais do que Hiroaki, mas em pensar que o mundo dele seria destruído isso não tinha importância já que ele estava ali no seu mundo onde tudo ficaria ainda melhor. Saga estaria protegido da guerra e sempre seria protegido já que pertencia a um Kage. O único humano que amava estaria protegido enquanto pudesse viver. Não podia salvar o Nigenkai inteiro só por causa de um único humano. Um humano que já lhe pertencia e que já estava seguro.

Desesperado Saga correu na velocidade da luz, esta que não pareceu suficiente ao sentir a energia impressionante de Hiroaki o impedir a centímetros da mão de Kyoko. Os olhos deles se encontraram e o kage sorriu certo da vitória. Olhou para Kyoko terminando de plantar o mal que já plantava a anos:

— Está vendo? Ele diz que a ama, mas fará qualquer coisa pelo mundo dele e não será por você que ele mudará. Salvar o mundo é a obrigação dele, é por isso que veste essa armadura dourada. Ele nunca poderá dá a você o que você deu a ele. O que eu sou capaz de dar a você. Quem você acha que ele vai proteger agora? Você ou a deusa dele? Você, seu povo ou os humanos, o povo dele?

Kyoko arregalou os olhos. Não tinha se dado conta disso. Os olhos verdes de Saga presos nos seus, mas foi ele a desviar primeiro. Seu ódio por Hiroaki falando mais alto do que qualquer coisa racional que tentasse impedir de fazer o que queria fazer. Seu punho se encheu de cosmo e com um soco atravessou a energia do kage tomando a pedra da mão dele. Kyoko agiu rápido segurando no pulso de Saga na tentativa absurda de impedir que ele levasse a pedra.

Hiroaki se afastou; os olhos de Kyoko brilharam e um trovão quase explodiu em cima de Saga. Ele pulou para trás, levando consigo a parte da pedra de Kyoko e de brinde duas unhas dela presas no punho de sua armadura.

Um som forte chamou sua atenção e o que ele mais queria evitar já não mais podia ser evitado. Agora ele entendia o medo de Cheshire caso ele se transformasse em Ares.

A espada de Mythrill dela brilhou e sem dar brecha para novas indagações atacou Saga com tudo que tinha. Não tinha mais por que duvidar de Hiroaki. Saga não era diferente dos humanos. Ele era um cavaleiro que protegia os humanos, lógico ele devia ter suas exceções, mas naquele momento ele não tinha nenhuma. Impedir Hiroaki era salvar todos os humanos, incluindo os mesmos humanos maus que a machucaram por anos e anos a finco.

Kyoko deu um salto, girando no ar e caindo com tudo em cima de Saga. Ele usou o braço para aparar o golpe na armadura, ela forçou mais sentindo o encontro dos metais mais poderosos que já conhecera na vida: Sua espada de Mythrill e as armaduras de ouro.

— Kyoko para! Eu não quero te machucar. – gritou nervoso.

— Me devolve a pedra.

— Não!

Do monte Hiroaki sorria satisfeito. Tudo saíra exatamente como havia planejado. Agora era só esperar; se Kyoko falhasse Saga estaria enfraquecido suficiente para não ser um empecilho, se ele falhasse Kyoko lhe entregaria a Adamantine e tudo seria seu.

Kyoko gritou ao disparar uma sequência absurda de golpes. Saga desviou dos golpes, aproveitando de uma brecha para tentar guardar a pedra. A raposa deu uma cambalhota, acertando um chute em sua mão, jogando a Adamantine longe. Gêmeos olhou nervoso para pedra; pensou em correr até ela, mas como faria tendo Kyoko tão impassível assim?

Ela percebendo o que ele faria, atacou novamente. Saga desviou para o lado e em seguida segurou o pulso dela a centímetros da espada acertar seu rosto. Ergueu o outro rápido ao ver as unhas afiadas dela vir na outra direção.

— Não me obriga a te machucar. – ele gruiu por conta do esforço.

Kyoko jogou o corpo para trás, elevando as pernas e chutando com os dois pés o peito de Saga, obrigando ele a soltar seus pulsos e derrapar para trás. Aproveitou a chance e correu como um raio, se jogando de qualquer jeito para pegar a pedra, mas para seu azar Saga não estava disposto a desistir e a velocidade da luz dele era uma vantagem que Kyoko não podia vencer. Mal teve tempo de processar; Saga agarrou sua cintura, se jogando para o lado e caindo com ela no chão. Ambos começaram a rolar de um lado para o outro: Kyoko tentando se soltar e atacar enquanto Saga tentava imobiliza-la e se defender. Não queria machucar Kyoko. Estava farto das lutas com ela. Ainda se lembrava claramente dos golpes que Ares o obrigou a dar em sua kitsune.

— Para! Já chega!! – berrou ficando finalmente por cima dela e segurando seus pulso.

Ela começou a gritar e quando Saga esticou a mão para finalmente pegar a Adamantine algo o pegou tão forte e tão rápido que ele mal conseguiu ver. Usou seu cosmo para frear, catando a espada de Yamoto no chão e a usando em auxilio para parar, se dando conta de que a paciência de Hiroaki tinha limites ainda mais quando o assunto era Kyoko. Ela ficou de pé e correu até a pedra, pegou a Adamantine e sem pensar duas vezes saiu correndo na direção de Hiroaki. Saga engoliu em seco, ele precisava fazer alguma coisa. Não podia deixar Kyoko cometer uma burrada como aquela.

Seu cérebro funcionando a mil por segundo Saga disparou na velocidade da luz, mas dessa vez não na direção de Kyoko e sim de quem realmente era seu inimigo ali: Hiroaki. Se detivesse aquele youkai maldito tudo ficaria em seu devido lugar.

E na velocidade da luz atacou com a espada de Yamoto mesmo; Hiroaki ergueu seus olhos ao sentir Saga se aproximar e não só ele, e sim Kyoko também. Sorriu.

Perfeito!

Tudo foi muito rápido, e nem Saga e nem Kyoko conseguiram entender como ambos conseguiram fazer aquilo.

Não era atoa que Athena repudiava e proibia o uso de armas, e agora mais do que nunca Saga entendia aquilo. Da pior forma ele entendeu tintim por tintim daquele motivo. Seu corpo tremeu inteiro de medo, de dor, de remorso, de desespero, pois o golpe que havia de ser para Hiroaki não acertou em quem devia e sim em Kyoko em seu ato desesperado em cumprir com algo que ela julgava ser o certo.

Ela abriu a mão deixando sua parte da pedra rolar por aquele monte enorme, batendo nas pequenas pedras até parar. Gemeu baixo, dolorida com o golpe da espada atravessada em seu abdômen. Espantado Saga soltou a arma sem conseguir acreditar no que tinha acontecido, sem conseguir acreditar no que fez. Ele era um cavaleiro, como não havia visto aquilo?

Kyoko gemeu mais, torcendo o rosto de dor, segurou a lâmina com a mão direita e puxando de uma só vez. Os olhos bicolores marejados encontraram os verdes mais lindos que já havia visto na vida e com um piscar dos seus desabou nos braços de Saga.

—Agora você sabe como me senti quando me obrigou a matá-la.

Sussurrou Hiroaki ao passar despreocupado por Saga e de encontro a tão desejada Adamantine.

Continua...

Notas finais
Ehhhhh... acho melhor eu começar a recolher minhas trouxas e me preparar para a multidão que deve estar doida para linchar essa escritora que fica séculos sem aparecer e ainda tem a cara de pau de terminar um capitulo assim. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... Gente, já deu pra notar que a grande luta está chegando o que faz com que a fic entre na reta final...infelizmente!! Buaaaaaaaaaaa...eu amo tanto a Kyoko e o Saga que se eu pudesse escreveria sobre eles dois até morrer. =’( Mas calma, calma. Ainda tem mais alguns capítulos pela frente pro terminar do desenrolar dessa história. Bjs gente e até. =D