Uma estranha no ninho - Vol. I
19 Um estranho renascimento.
Notas iniciais

— Não mova um músculo. — Sussurrou. Os olhos arregalados e de íris felina.
Saga devagar seguiu para onde Kyoko olhava. Os verdes seus se arregalaram quando finalmente entendeu o motivo da reação dela. Um arrepio medonho desceu por sua espinha e seu estômago pareceu retorcer de repulsa. Por mais que fosse um cavaleiro experiente ficar diante, ou melhor, em baixo daquele horror era um pesadelo para qualquer ser vivo.
—Por Athena! — Resmungou. O olhar de espanto e a boca semiaberta.
E todas as vezes que Saga pensava já ter visto de tudo, algo novo e bizarro sempre aparecia, mas sinceramente tinha que admitir que aquela visão era uma das piores de sua vida.
—De onde veio...isso? — Saga sussurrou outra vez.
—Eu não sei, só me coloca no chão bem devagar. — Kyoko respondeu no mesmo tom sem desviar os olhos do teto.
—Eu posso acabar com todas de uma só vez. – Informou o cavaleiro sem sequer piscar.
Saga nunca, em toda sua vida havia visto tantas aranhas como via agora, e o pior, dentro de sua casa. A quantidade era tanta que o teto da casa de gêmeos desaparecera por completo. Era como se um tapete negro vivo se contorcesse de forma agonizante por toda extensão do teto e de algumas colunas da casa. Algumas pequenas e outras simplesmente enormes, com pelos espalhados pelas patas asquerosas e por todo o corpo. Umas se arriscavam em andar por suas teias de um pilar a outro sem se importar se eram vistas, outras mais ousadas se penduravam de cabeça para baixo descendo pelos fios quase transparentes.
—Não! — Kyoko cravou as unhas nos braços de Saga sem mudar de posição. — Se fizer isso a casa de gêmeos deixará de existir.
E se aquilo ainda assim não fosse azar suficiente, uma das invasoras começou a descer lentamente por sua teia bem na direção da Kitsune. Ela engoliu em seco, mirando os olhos do aracnídeo sem piscar: — São...explosivas...- Balbuciou ao vê-la cada vez mais perto. — ...se você tentar algo acredite...- virou o rosto para o lado bem devagar — ...será o último. — e o aracnídeo pousou em seu ombro de forma lenta.
Saga prendeu a respiração. Seus olhos verdes presos a qualquer movimento estranho que aquele bicho enorme e asqueroso pudesse fazer bem ali na curva do pescoço de Kyoko. O aracnídeo deu dois passos em direção ao ombro dela, deixando um rastro nojento de saliva em cada mísero pedaço do caminho percorrido, mas o pior era saber que se fraquejasse, sua raposa estava morta. Naquela posição desconfortável e no local onde a aranha se encontrava, se ela atacasse com toda certeza, Kyoko estava morta.
O bicho asqueroso deu uma leve corrida quando sem querer o cavaleiro tremulou. Ele ainda sustentava a raposa em seu colo, na mesma posição em que haviam feito sexo. Antes tivesse soltado Kyoko quando ela lhe pediu.
— Saga...- A kitsune sussurrou entre os dentes. Os olhos agora bem abertos e mirando o aracnídeo caminhar de seu braço para o ombro dele.
O cavaleiro achou melhor abstrair aquele fato e como meio de distração encostou sua testa de forma muito lenta no queixo de Kyoko. As patas peludas do bicho tocaram a pele do pescoço de Saga, caminhando lentamente por baixo do lençol azul que eram seus cabelos, descendo por suas costas. Saga fechou os olhos de nervoso, não que fosse medroso, mas ter um aracnídeo nojento maior que sua própria mão caminhando por sua pele e ainda correndo o risco de ter seus pedaços espalhados por todas as paredes de sua casa, caso o maldito resolvesse se suicidar, não era uma sensação nada agradável, com toda certeza.
— Por favor...não se mexe.
— Estou tentando. – Ele respondeu entre os dentes. O aracnídeo agora havia estacionado bem próximo das suas nádegas, bem na altura do cóccix.
Depois de alguns segundo o bicho achou que já era hora de sair e continuou a caminhada pelo corpo do cavaleiro até o chão, em seguida continuou até se afastar por completo.
Saga aproveitou a deixa colocando Kyoko no chão. Ela se vestiu como deveria, mas sem deixar de ter sua atenção nas invasoras.
—Saga ela deve estar escondida aqui em algum lugar nos observando.
—Ela? – fez uma pausa. — Ela quem?
Kyoko olhou ao redor, mas nada viu. Fechou os olhos e farejou, mas com tantas aranhas naquele lugar seria quase impossível detectar o líder. Nervosa e preocupada, seus olhos tornaram-se dourados e seu cenho crispou fortemente, causando uma grande ruga entre as sobrancelhas, mirou o cavaleiro e vendo que este também observava o lugar de forma atenta.
—Saga me escuta...- puxou-o pelo braço chamando sua atenção. — Você tem que sair daqui, agora! – Falou séria sem desviar os olhos dos olhos dele.
Saga mal pode acreditar naquela maluquice. Onde Kyoko estava com a cabeça para achar que ele sairia assim de sua casa, fugindo como um covarde e ainda por cima deixando-a para trás para lutar em seu lugar?!
— Você pirou?! Han! Kyoko...eu vou fingir que nem ouvi isso. – Sussurrou entre os dentes, segurando o pulso dela e começando a caminhar.
—Não! Saga você não entende, ela...
E antes que Kyoko pudesse terminar seu raciocínio, um fio transparente envolveu sua cintura a puxando tão rápido e tão forte que nem ela e nem Saga tiveram tempo para reagir.
—Kyoko!!!!
Saga mal teve tempo de processar aquela informação, seu cérebro pareceu entrar em parafusos ao ver Kyoko ser arremessada como uma boneca de pano sobre as pilastras da casa de gêmeos atravessando uma, duas, três e só parando ao acertar a quarta. Sangue espirrou da boca dela por conta do impacto junto com um urro de dor que pareceu esfaquear o peito do cavaleiro. Saga tencionou a ir até ela, mas antes de sequer dar o primeiro passo, o inimigo finalmente deu as caras, saltando bem na sua frente e bloqueando a passagem.
*— Onde pensa que vai com tanta pressa cavaleiro? Eu mal acabei de chegar...hehehe.
Primeiro Saga arregalou os olhos com o tamanho e a fisionomia do inimigo, depois trincou os dentes de ódio pelo que ela havia feito a Kyoko.
— Que olhar feio. – Ela disse. Sua voz fina e tremula, como se várias pessoas falassem ao mesmo tempo.
Arachna era ninguém menos que a rainha das aranhas mortais do Makai e uma das mais fiéis servas de Hiroaki. Ela possuía em média 7 metros de altura, um corpo robusto de uma viúva negra, onde seu dorso era como de uma mulher com seios pequenos e longos cabelos negros. A boca era larga, mas de lábios finos e com dentes pontiagudos, possuía também dois pares de olhos grandes e completamente envolvidos pelas pupilas negras e dois buracos no lugar das narinas.
— Ele combina com você, fica ainda mais lindo. Prometo tentar não te machucar muito, lógico se você for um bom menino. – A youkai gargalhou.
— Sua...Maldita! – Saga pulou lançando uma rajada de cosmo ao mesmo tempo em que sua armadura já começava a cobrir seu corpo.
Arachna pareceu sumir em meio as explosões causadas pelo golpe do cavaleiro. Ele tocou o chão olhando rápido para a inimiga que contra-atacou com sua pata direita. Saga pulou, dando uma cambalhota no ar e já contra-atacando rápido e violento. A casa de gêmeos inteira pareceu sumir, fazendo com que ambos vagassem no espaço. O espaço dimensional aberto por Saga. Arachna sorriu de lado em resposta.
—Que corajoso. – Ironizou.
As mãos de Saga se ergueram e várias estrelas começaram a explodir ao redor de si, seu cosmo aumentou de forma ameaçadora sendo lançado na forma de seu golpe mais poderoso:
— Explosão Galáctica!!
Uma nuvem negra de fumaça se formou ao redor de Arachna, um berro grotesco pode ser ouvido e Saga sorriu vitorioso. Era impossível que ela tivesse resistido, e pelo som ela estava morta ou quase isso. Esperou um pouco e várias das aranhas que estavam ao redor da rainha e no teto de gêmeos começaram a cair mortas. Saga aproveitou a chance, correndo até onde Kyoko ainda estava caída.
— Kyoko, por favor, fala comigo! – Pediu exacerbado.
— Sa...Sa...ga. – Fez uma pausa. — Por favor, me...escuta...
— Não! Eu vou tirar você daqui.
— ME ESCUTA! – Kyoko berrou fazendo o cavaleiro paralisar. — Saga a...a pele de Arachna é como...como uma armadura. Uma armadura regenerativa e tão dura quanto...quanto a sua...armadura de ouro. – Saga arregalou os olhos. Não gostou nada de saber daquela informação. — E...ela...ela é tão...
Um som de pedra se quebrando interrompeu o discurso da kitsune, chamando a atenção de ambos, mas o pior foi quando ambos identificaram de onde vinha o som, fazendo o coração de Kyoko congelar dentro do peito.
— Agora eu te peguei he he he... — Uma aranha enorme pareceu brotar do chão, agarrando o tornozelo de Saga e o impedindo de sair do lugar, mas o pior nem era isso e sim o fato dela ser...
... uma mina.
— Não!!! – Kyoko balbuciou.
A única reação que Saga conseguiu ter no momento foi de empurrar Kyoko com seu cosmo para fora da casa de gêmeos ao mesmo tempo em que a bomba-aranha explodia bem em sua perna esquerda o lançando em direção oposta a ela. A explosão fora tão forte que a raposa acabou por bater contra as escadas da casa de Câncer e ficando presa na marca que seu próprio corpo deixou.
— Sa....SAGA!!! – Berrou se reerguendo. Caminhou com dificuldade, estava muito zonza, mas ainda assim começou a correr de voltar a entrada da casa, agora lacrada pelo labirinto para seu completo desespero. — Não! Saga!! Não faz isso! Por favor!!
Ela berrava socando a parede, mas de nada adiantava. Seus olhos dançando em todos os lugares procurando um meio de voltar para lá, mas sem Adamantine ela jamais conseguiria rasgar a dimensão do labirinto que ele criara para protegê-la. Seus olhos marejaram, escorrendo algumas lágrimas por seu rosto transtornado até estalar ao tocar o chão.
Aquilo só podia ser um pesadelo!
Nervosa, enfiou os dedos nos cabelos, olhando de um lado para outro sem saber o que fazer. Não tinha como ajudar Saga nas condições em que estava. Arachna era muitíssimo poderosa. Não que não confiasse na força do cavaleiro, mas aquele golpe com toda certeza havia feito estragos. Ele em vez de proteger a si mesmo preferiu receber toda a explosão para que assim ela, Kyoko, ficasse bem.
— Alguém...me...ajuda. — A raposa caiu de joelhos, abraçada ao próprio corpo e chorando sem parar.
Uma voz a arrancou de seu desespero. Ela virou o rosto rápido para ver Afrodite correr em sua direção.
— Kyoko! O que houve? Você está ferida? – Exclamou peixes a amparando.
De repente e antes mesmo que ela pudesse explicar ao amigo o que estava acontecendo, Fukuro pousou próximo de ambos. Correu até a raposa a abraçando com carinho. Ela já sabia o que estava acontecendo.
— Fukuro, o Saga está lutando sozinho. Eu preciso fazer alguma coisa. – Expôs exacerbada.
— Calma Kyoko! O Saga é um dos cavaleiros mais fortes, se não for o mais forte. Ele vencerá, confie nele. – Disse Afrodite tentando acalmar os ânimos, mas uma explosão fortíssima vinda da casa de gêmeos pareceu sacolejar o santuário inteiro aumentando ainda mais o desespero de Kyoko.
Ela sabia que Saga faria qualquer coisa para não deixar com que Arachna saísse de sua casa e era por conta dessa convicção dele que ela se sentia ainda mais aflita. Não queria que Saga se ferisse. Arachna era tão poderosa que sozinha conseguiu dezimar um país inteiro, sendo necessário a intervenção de Hiroaki para finalmente ser derrotada o que a fez adorá-lo. Não que Kyoko achasse que Saga era um fraco, mas por ser a fonte principal de alimento dos monstros já o deixava em desvantagem. Youkais possuíam armas e meios de se alimentar dos humanos ao qual eles nunca sequer poderiam imaginar. Sentia-se extremamente culpada por ele estar naquela situação. Arachna e todos os youkais que agora atacavam o santuário só estavam ali por sua causa e se não fosse por sua causa, Saga não estaria se arriscando e sim vivendo como um homem normal em sua nova vida.
— Fukuro, por favor, me diz o que fazer.
A coruja mirou os olhos coloridos e lacrimosos de Kyoko e sentiu dó dela. Se ela que não tinha nenhum vínculo com o cavaleiro sentia-se nervosa e temerosa, imagina aquela que o amava?! O desespero de Kyoko era tão grande que tanto para Fukuro, quanto para Afrodite era quase palpável.
Respirou fundo, em seguida mirou as casas acima; fechou os olhos : “É...acho que terei que deixar isso para uma próxima vez.”, pensou lembrando-se de Camus e Shaka.
—Vem comigo! – Ordenou segurando no pulso de Kyoko.
— Não! Eu não vou deixá-lo. – Quase gritou puxando o braço de volta.
—E quem disse que você irá deixá-lo? – Sorriu. A raposa ficou sem entender. — Afrodite você vem também.
— Ãhn?! Eu? Tá...mas...pra onde?
Sorriu novamente: — Pra casa de virgem.
♊oOoOo♊
Saori correu de forma aflita junto com Seiya e Shun até Shion na Sala do grande mestre. Ele já esperava aquela reação da jovem deusa. Ela sempre se afligia quando um de seus cavaleiros entrava em combate. Por ela, eles nunca mais precisariam lutar, e sim viveriam uma vida pacata ao qual eles mereciam.
— Shion! O Saga está lutando. – Informou Pégaso.
— Parece que alguém conseguiu passar pela casa de áries e touro. — Suspirou Shun. – Esses youkais são piores do que imaginamos. – Completou.
— É...existem coisas das quais não tínhamos conhecimento e uma delas era o potencial desses monstros. Cada dia mais eu entendo toda a preocupação de Kyoko. Esses desgraçados estão nos cansando. Cada novo monstro que aparece parecer ser cada vez mais forte o que só aumenta minha preocupação. – Confessou Shion. A voz baixa e calma.
— Mas...o quê?!
Athena, Seiya, Shun e Shion sentiram seus cosmos reagirem e responderem de forma intensa. Uma explosão de cosmos gigantesca vinda da casa de virgem deixou todos os cavaleiros ainda mais aflitos.
— É o cosmo do Afrodite. Isso é incrível! Eu sinto o cosmo dele crescer...infinitamente. – Expôs Shun. – Se continuar assim se tornará um big bang.
— É...mas não é só o dele. Os cosmos de....
E Saori não terminou, pois, uma nova explosão vindo agora da casa de gêmeos fez seu coração congelar dentro do peito. Levou a mão em punho até seu músculo principal orando em silêncio para que o cavaleiro de gêmeos estivesse bem.
♊oOoOo♊
Saga correu para escapar do ataque da teia ácida que Arachna lançou logo após uma sequência de explosões fortíssimas. Ela não parecia disposta a perder, não dando a menor folga e brecha para muitos contra-ataques do geminiano, lançando vários golpes consecutivos e em uma velocidade difícil até mesmo para um cavaleiro de ouro desviar. O cavaleiro, sempre que podia, usava seus golpes, mas a armadura ao qual Kyoko havia lhe dito era tão poderosa quanto a sua própria e sempre que um pedaço rachava, em questão e milésimos se regenerava. Daquele jeito a batalha nunca teria fim. Arachna só estava o cansando.
—Droga! – Rosnou quando ela revidou depois de mais um de seus ataques.
—Hahahahahaha...Que presa deliciosa e bem insistente. Eu vou devorar você bem devagar...humano!!
Arachna atacou novamente em um salto, lançando várias teias de uma só vez. Saga desviou para contra-atacar, mas no momento em que se preparou acabou por pisar em duas minas, que para seu azar o agarraram; uma no tornozelo já ferido e outra no outro tornozelo.
“O que?!”, pensou.
Uma das minas explodiu ao receber uma rajada de cosmo. A outra também explodiu e por sorte não levou a perna esquerda do cavaleiro consigo, mas sim somente o arremessando para longe.
Estava sendo extremamente difícil a batalha contra Arachna. Nunca pensou que fosse ter tanta dificuldade em enfrentar um inimigo como ela. Saga sempre fora um dos cavaleiros mais poderosos, mas tinha que admitir: estava levando uma bela canseira. Se continuasse naquele ritmo, acabaria sendo derrotado só pelo cansaço. Sentia seu cosmo sendo drenado de forma lenta e dolorosa, mas a fonte daquilo ele ainda não havia encontrado. A inimiga era muitíssima rápida o que por consequência não dava chance para que Saga pudesse descobrir o pronto de partida.
Várias aranhas menores saltaram em sua direção ao comando de Arachna. Saga contra-atacou com a Explosão Galáctica, mas esta só parecia fazer a força das explosões das aranhas ficarem ainda maior e sempre que usava a Outra Dimensão, a youkai criava ainda mais filhotes.
Em dado momento, em um novo golpe desta vez ainda mais forte, um grupo maior de aranhas formou uma muralha na frente de Arachna para protegê-la do golpe de Saga. Com a explosão o cavaleiro acabou por ser lançado contra as pilastras, derrubando duas delas. Urrou quando bateu na última, escorregando até o chão com um dos joelhos dobrados.
—Você nunca irá me derrotar...humano. Sabe porquê?
Saga mirou os olhos negros de Arachna de forma ameaçadora, mas nada disse.
— Por que você é só uma mosquinha.
—Miserável! – Berrou se reerguendo, mas quando tentou atacar novamente não conseguiu. — Mas...o que...
A casa inteira de gêmeos, havia sido tomada por teias enormes. Então era isso! Arachna estava realmente o cansando, tecendo sua teia enquanto fingia contra-atacar?! Droga! Como podia ser tão burro! Como não havia se dado conta disso?!
Arachna gargalhou ao notar a preocupação estampada no rosto de Saga. Ahhh...humanos! Como eram tolos!
—Realmente ouvir dizer que você era uma delícia e por conta disso resolvi vir aqui e constatar e olha só, eu não me enganei. Naomi tem razão em querer escravos humanos, mas eu não deixarei a melhor parte para ela, devorarei você bem lentamente...Saga de gêmeos...HAHAHAHAHA!
A rainhas das aranhas começou a caminhar bem devagar na direção de Saga. Este tentou se soltar, acendendo seu cosmo ainda mais, mas se aquilo ainda não fosse ruim o suficiente, a teia que o prendia começou a ficar ainda mais forte.
“Está...sugando meu cosmo."
— Que delícia!! Sua energia é incrível! Isso, continue! Quanto mais cosmo você usar, mais forte eu ficarei. — Arachna sorriu só de imaginar o gosto que Saga teria. Ele não passava de uma mosquinha frágil e sozinha na imensidão de sua teia indestrutível. Nada poderia escapar dali e ninguém poderia ajudá-lo agora. Degustaria dos fluidos daquele homem com todo prazer do mundo, e levaria Kyoko para Hiroaki, assim como ele tanta desejava.
Ela ergueu sua pata esquerda. Os olhos verdes de Saga refletiram o brilho da lâmina que ali jazia. Não era possível que seria derrotado daquela maneira. Bem que Kyoko o havia alertado, haviam muitas coisas das quais ele desconhecia, e uma delas era o potencial daqueles yokais. Odiou o fato de ali, só por ser humano já estava em desvantagem. E como se uma pedra acertasse suas memórias e sua consciência, Saga finalmente entendeu os motivos das milhares de preocupações de Kyoko para consigo. Youkais eram caçadores de humanos, igualmente como um predador natural e por mais que fosse um cavaleiro de ouro há anos e muito experiente nada no mundo faria com que aquele fato mudasse. Ele sempre seria a presa de um youkai, assim como um servo era de um leão.
—Morra Cavaleiro de gêmeos!
Saga fechou os olhos por puro instinto, mas um grito de dor altíssimo e um líquido quente batendo contra o peitoral de sua armadura o despertou do que achou ser seu último devaneio, e o que viu fez seu coração parar por um segundo sem saber se era de alívio ou de surpresa.
—Não...pode...ser. – Balbuciou perplexo.
A cor prateada balançando de forma lenta, a pele alva, os olhos dourados e aquele sorriso matreiro, mas ao mesmo tempo desafiador ele nunca se esqueceria mesmo se quisesse. Na mão direita o fio da katana, posicionada na altura do rosto, brilhava de forma intensa exalando todo o poder que ela possuía em conjunto com aquela pedra fazendo sua armadura inteira ressoar intensamente. Os olhos dourados mirando o inimigo com tanta intensidade que talvez seria capaz de matá-lo só com aquilo, mas o que mais se destacava naquilo tudo era a aura incrível que a rodeava.
—Ky...Kyo...ko!- Arachna gaguejou de dor, se afastando um pouco, tentando se equilibrar como podia no que restou de sua pata esquerda, sentindo-se surpresa ao ver bem diante de seus olhos o segundo Kage mais poderoso estar ainda mais poderoso, emanando tanta energia de uma forma nunca vista por ninguém.
— Feliz em me ver?! – A raposa ironizou entre os dentes. Os cabelos prateados sacudiram de forma intensa e um movimento forte com a espada lançou uma rajada de fogo azul, queimando as aranhas menores e fazendo Arachna se afastar mais para não ser pega pelas chamas e por consequência sendo obrigada a soltar o fio da teia que estava preso em seu corpo absorvendo o cosmo de Saga.
— Im...possível! Você...não tinha...cauda. Era pra estar quase...morta. — Falou Arachna.
— Disse certo, era.
Kyoko saltou na direção da inimiga disparando vários cortes em uma velocidade estrondosa acertando as patas, as costas, o dorso e tudo que estava a sua frente. Rolou de um lado para o outro, desviando das garras da inimiga, girando a espada em conjunto com um salto e acertando mais uma das patas de Arachna. A rainha aranha tentou se manter de pé, mas o golpe certeiro em suas costas a fez finalmente cair no chão, mas não derrotada...
...Ainda.
A raposa sorriu ainda mais ao ver a aranha gigantesca ficar novamente de pé. A batalha seria difícil, mas ao mesmo tempo muito divertida. O fio da katana brilhou mais intensa, ela então a ergueu e iniciando uma corrida frenética para fazer o caminho inverso, disparando um golpe e causando um corte no espaço. Arachna pulou rápido para desviar, lançando uma sequência de teias. Kyoko desviou, sendo pega pela última delas e lançada contra as pilastras. Arachna ainda lançou alguns filhotes causando mais explosões.
— Kyoko!!!- Saga berrou. Os olhos dançando pela fumaça a procura dela.
E depois de alguns segundos ela reapareceu no meio da fumaça; um sorriso devasso deixando seus caninos a mostra. Na testa um corte pintava um lado de seu rosto de carmesim, destacando ainda mais a íris luminosa e o olhar assassino. Estava na hora de acabar com aquela palhaçada.
A língua deslizou sobre os lábios, colhendo um pouco do próprio sangue, em seguida segurou sua espada na frente do rosto, disparando um golpe e assim cortando todos os fios que sugavam o cosmo de Saga e o libertando enfim. Ele respirou fundo se reerguendo e mirando a kitsune de cima a baixo. De onde ela tinha tirado tanto poder?
— Sua...
—Cauda! – Completou Arachna ao fitar a nova cauda de Kyoko balançar de um lado para o outro ainda mais bela do que antes.
— Como... – Saga balbuciou sem conseguir acreditar.
— Só isso? Ahhh Arachna assim você me desaponta. – Apontou com a espada. — Vou fazer você se arrepender de ter ousado vir aqui. — As íris iluminadas pelo brilho dourado, os caninos expostos na careta de fúria.
— Sua...desgraçada! Maldita!!!!! – Berrou Arachna.
As aranhas menores começaram a se juntar ao redor da rainha em forma de proteção e também de ataque. Um dos aracnídeos saltou rápido na direção de Kyoko, mas acabou por ser contido por Saga. Uma explosão cobriu a imagens de ambos por alguns segundos.
Ele crispou o cenho: — Eu tirei você daqui para não se ferir e agora você...
— Saga...- Kyoko interrompeu, mirou os olhos verdes dele de forma intensa e sem precisar dizer nada, ele mesmo cheio de dúvidas, entendeu prontamente o recado.
Respirou fundo vencido. Kyoko não iria embora e entendia o motivo. Se fosse ele em seu lugar também não iria e também precisava de ajuda e ninguém melhor do que ela para estar ali ao seu lado. Ela conhecia aquela desgraçada e nada melhor do que conhecer o inimigo para enfrentá-lo de igual para igual.
— Como matamos essa coisa? – Indagou.
—Mova-se o mais rápido que puder.
—Na velocidade da luz?! – Zombou com um sorrisinho sapeca.
— É...acho que vai dar pro gasto.
Kyoko caminhou um pouco para o lado direito de Saga, girou sua espada na lateral do corpo e a posicionou na altura do rosto e foi nessa hora que ele sentiu um calafrio correr por todo seu corpo. Seus olhos verdes se arregalaram ainda mais ao ver em primeira mão mais três caudas surgirem na kitsune. A energia dela pareceu triplicar, saindo de cada uma das caudas e tomando o chão do salão de gêmeos em um brilho amarelo e intenso. Arachna deu um passo para trás, pois nem ela ainda tinha visto Kyoko expor sua força daquela maneira. Já tinha ouvido falar, mas aquela visão era algo que talvez nem mesmo Hiroaki ainda tivesse visto.
A lâmina brilhou ainda mais intensa e o desenho tribal tomou toda extensão de seu braço até o maxilar, emanando o brilho azul misto de rosa e branco cintilante.
Arachna trincou os dentes serrilhados. Possessa de ódio, ficou de pé nas patas traseiras dando um urro grotesco. Uma energia negra rodeou-a e escorreu pelo chão dando vida a seus novos filhotes.
— Maldita Kyoko!! MORRA DESGRAÇADA!!!- Berrou lançando uma rajada de teia.
E como num piscar de olhos Kyoko e Saga desapareceram e reapareceram bem do lado direito de Arachna. Ela não teve muito tempo para reagir, pois a lâmina afiadíssima da Katana de Mythril abriu um corte enorme em uma de suas patas. A rainha gritou de dor, mas logo dando início ao seu processo de cura. Kyoko tocou o chão em uma derrapada onde sua sombra cintilante parecia criar várias imagens suas. Sorriu deixando Arachna sem entender muito bem aquela reação, mas quando sentiu uma explosão partir de dentro para fora de sua pata e a imagem de Saga surgiu atrás de Kyoko como uma sombra, ou melhor, um guardião, foi que ela se deu conta da gravidade da situação.
— Não...pode...ser! – Urrou. O sangue negro jorrando por sua pata recém amputada.
Com a habilidade de Saga em se mover na velocidade da luz ele podia seguir os movimentos de Kyoko lado a lado, sem perder um movimento dela sequer e atacar no milésimo de segundo que a espada dela, unida a força da Adamantine, abria os cortes na armadura e na carne de Arachna, fazendo com que Saga pudesse explodi-la antes de se curar e amputando seus membros um a um.
Na tentativa de se proteger, Arachna invocou seus filhotes causando várias explosões na direção do casal. Kyoko e Saga contra-atacavam com golpes certeiros, não deixando os aracnídeos menores se aproximarem.
Em dado momento a raposa embainhou sua espada só por um segundo, erguendo os braços no topo da cabeça, seus cabelos se ergueram e seus olhos emitiram um brilho intenso dourado, disparando uma rajada com vários raios fortíssima, estraçalhando várias aranhas de uma só vez. Saga franziu o cenho sem acreditar no que via; ele já tinha visto aquele golpe e sabia muito bem a quem ele pertencia.
Sorriu meneando a cabeça de um lado para o outro. Kyoko era uma figura mesmo. Se Aiolia visse aquilo teria um ataque dos nervos.
— Explosão Galáctica!!! — Atacou também.
Arachna berrou ao ser pega por ambos os golpes. Caiu no chão se sacudindo de dor, mas voltando a posição inicial em um pulo.
—Tá pronto?
— Lógico. – Saga respondeu.
E como um raio disparou atacando as patas de Arachna com golpes certeiros em conjunto com os ataques do cavaleiro de gêmeos. Nunca em nenhum momento Kyoko e Saga estavam em tão sincronia. Toda vez que um corte era feito por ela, Saga atacava o local em seguida, em uma combinação mortal e fantástica. Nada precisava ser dito. Era como se ambos se completassem porque a confiança era que fazia toda a diferença agora, pois tanto Saga quanto Kyoko haviam engolido seus orgulhos, confiando plenamente no potencial um do outro e finalmente assim fazendo as coisas darem certo.
O sangue negro da rainha das aranhas pintava o salão da casa de gêmeos, mas ambos nem sequer piscavam ou se importavam por estarem sujos também. Saga lutava como a muito não fazia, dando tudo de si e totalmente concentrado em cada movimento feito por Kyoko, cada corte que sua espada fazia para lhe abrir caminho para a vitória.
Kyoko derrapou por baixo de Arachna quando esta lhe atacou com uma de suas patas da frente, escorregando em direção oposta e disparando um corte certeiro em seu abdômen. Saga seguindo os movimentos da kitsune fez o mesmo, derrapando em sua direção e erguendo o punho no momento exato do corte feito por ela, fazendo com que seu cosmo penetrasse a armadura da inimiga e lhe acertasse a carne, mas não o suficiente para matá-la. A rainha das aranhas soltou um berro ao sentir as explosões em seu corpo, ferindo-a quase mortalmente.
—Malditos...insetos!! – Rosnou.
Kyoko sorriu de lado mirando os olhos verdes de Saga que retribuiu. Meneou a cabeça de leve positivamente. Em seguida voltou seus olhos para Arachna sem desfazer o sorriso dizendo:
—Tenho que reconhecer sua coragem Arachna. Vir aqui me enfrentar, enfrentar um Kage e um cavaleiro de ouro é muita audácia, mas não se preocupe, eu enviarei seus restos como um presente a Hiroaki. – Fez uma pausa erguendo a espada na altura do rosto. — Hora de morrer. – Completou.
A lâmina da katana brilhou intensa pelo poder da Adamantine e os cabelos de Saga chacoalharam pela intensidade do seu cosmo. Era como se ele mesmo estivesse munido da pedra lhe dando ainda mais poder do que ele já possuía. Era uma sensação ao qual ele jamais poderia explicar, só sabia ser incrível. Será que Kyoko também se sentia assim?
Ambos dispararam numa corrida frenética lado a lado, passando por baixo da aranha, acertando seu abdômen em cada corte, em cada explosão. A aranha berrava, tentando contra-atacar com o que restava de seu poder e de suas patas enormes, mas era inútil. Se Kyoko já era considerada invencível antes, agora, lutando lado a lado com um cavaleiro de ouro tão forte ela nunca seria derrotada. E pela segunda vez Arachna lembrou-se do que era sentir medo da morte, pois a primeira lhe foi dada por Hiroaki, aquele a quem servia de toda alma.
Kyoko soltou seu famoso "kiai” segurando a espada com ambas as mãos e disparando um golpe fortíssimo, onde cravou sua espada no ventre de Arachna, dando um salto para abrir um corte da altura do umbigo até sua garganta, para finalizar ao lado de Saga onde com a mão livre espalmou o peitoral de gêmeos, transferindo o poder da pedra para ele.
— Saga agora!!- A armadura de gêmeos brilhou intensamente e Saga sentiu seu cosmo tão forte, tão intenso que era quase impossível conter. Seus olhos verdes brilharam ainda mais florescentes.
Ele ergueu o punho, enfiando ambas as mãos no corte recém causado, não dando a menor chance para Arachna se regenerar.
— Vai pro inferno...Explosão Galáctica!!! – Berrou elevando seu cosmo ao máximo e causando uma explosão gigantesca. O chão começou a tremer e várias colunas se transformaram em pó. Um buraco enorme surgiu no teto de gêmeos, fazendo com que o clarão do golpe iluminasse o céu do santuário em um show de luzes e pequenas explosões até chegar ao fim, deixando tudo noite outra vez.
Na entrada da casa de gêmeos Kanon e Aldebaran ajudavam Mu a conter a força do golpe de Saga com a Muralha de Cristal. O poder emanado pelas caudas de Kyoko e sua espada fora demais para eles resistirem a não assistir aquela luta, o que sinceramente...foi a melhor escolha deles. A luta havia sido incrível! Impossível não se impressionar. Um sorrisinho bobo moldando o rosto do gêmeo mais novo, cheio de orgulho em ver seu irmão lutar daquela maneira. Era sempre maravilhoso ver Saga em ação e melhor ainda lutando com tanto fervor. Do outro lado Camus e Dohko nem sequer piscavam, mantendo a mesma posição de defesa onde o mais novo continha o golpe com uma barreira enorme de gelo e libra o ajudava a suportar a pressão e empurrando para cima. Todos não tiravam os olhos da figura de Kyoko de pé, ao lado de Saga, mas em direção oposta e com a mão em seu peitoral. Nem mesmo o sangue negro de Arachna era capaz de ofuscar o brilho intenso que saia de seus cabelos, de seu braço e de suas quatro caudas.
—Está sentindo? – Mu sussurrou e Aldebaran afirmou com um movimento.
**Saga abriu os olhos devagar exibindo o mesmo brilho dourado dos de Kyoko até eles voltarem ao normal. Com calma soltou o ar de seus pulmões pela boca. Seus olhos verdes se prenderam nas quatro caudas dançando em sincronia. Como ela havia conseguido aquela façanha? Os cabelos luminosos pareciam acompanhar o movimento das caudas, a pele ainda mais alva e de aparência ainda mais sedosa do que já era e o cheiro gostoso das frutinhas cabeludas que ele havia passado a adorar também. Levantou seu braço esquerdo bem devagar e quando seus dedos iram tocá-la....
—YATTAAAAAA(Conseguimos)!!! – Kyoko deu um grito, erguendo os braços e pulando como uma criança toda feliz e satisfeita. Suas caudas sumiram tão repentinamente que nenhum deles conseguiu entender. — Nós vencemos! Vencemos!!! — E se jogou no pescoço de Saga.
O cavaleiro ficou sem saber o que fazer e muito menos o que dizer. Como Kyoko conseguia mudar de um estado tão ameaçador para um tão...meigo em pouco tempo?! E o pior, como ela conseguia — mesmo em uma situação como aquela onde deveria estar possesso de raiva por ela ter invadido sua luta — fazer com que só sentisse vontade de abraçá-la e enche-la de beijos?! Ahhh deuses sádicos! Porque gostam tanto de brincar com os sentimentos dos humanos?
Um sorriso meigo e de certa forma contido curvou os lábios de Saga e seus braços a apertaram contra sua armadura de forma possessiva e carinhosa. Por que se aborrecer? Kyoko estava melhor do que nunca. Ela estava bem, estava com sua cauda de novo. Não tinha porque estar com raiva e iniciar uma discussão boba sobre aquilo. Deixaria para questioná-la com todo seu chame depois de um belo banho quente e mais algumas sessões de prazer a dois.
— É...nós vencemos. – Sussurrou.
Kyoko sorriu de olhos fechados, apertando o abraço. Como era bom estar com Saga. O cheiro dele era tão bom! Ele nem parecia ser real as vezes. Com tudo que passou na vida era difícil acreditar que um homem humano pudesse ser tão carinhoso e cuidadoso consigo. Não importava se estava sujo ou suado porque ainda assim ele estava perfeito.
— Eu te amo, me desculpe. — Ela sussurrou.
— Não tem que se desculpar, eu teria feito a mesma coisa. — Fez uma pausa. — Eu também amo você.
— Ei!! – Alguém berrou. Saga e Kyoko viraram na direção do som. — Mas que bagunça é essa? Não posso acreditar nisso! Vocês dois destruíram a casa de gêmeos. Levará um ano inteiro para consertar tudo isso e tirar esse cheiro e essa coisa...nojenta daqui. – Fez uma pausa. — E vocês dois nem pensem em ir para a parte privada melecados dessa maneira, ouviram bem?!
A governanta da casa cruzou os braços sobre os seios pequenos, bufando irritada por conta daquela destruição toda e o cheiro horroroso que os restos de Arachna exalava. Era como se um caixão de anos e anos, com corpos pútridos tivesse acabado de ser aberto. Kanon e os outros caíram na risada com o jeito mandão daquela senhora. Ela podia não ser a mãe de sangue dos gêmeos, mas sempre cuidou de ambos como se fossem seus próprios filhos.
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— Isso faz cócegas. — Confessou a raposa chorando de rir. Saga sorriu de lado ao observá-la enquanto se livrava da própria camisa.
—Ei irmãozinho. – Kanon chamou fazendo Saga se virar e quando assim o fez acabou por tomar um jato de água diretamente no rosto.
— Coff, coff...- O mais velho quase se afogou com aquela brincadeira já que seu querido irmãozinho adorou a ideia de ser o responsável pela mangueira de água que Kyoko e Saga usavam para tirar o excesso de sangue antes de entrarem para a área privada de gêmeos.
Já Kyoko quase morria de rir. Kanon direcionava a mangueira para seu pescoço e para barriga, pressionando a saída de água para que ficasse mais forte o que causava muitas cócegas nela. Ela estava adorando! Ainda mais pela temperatura baixa da água esfriando seu corpo naquele calorão. Já o mais velho, passou a observar a brincadeira entre a amada e seu irmão onde Kyoko corria e sorria cheia de energia, expondo suas covinhas e as bochechas rubras, atrás do mais novo em busca da mangueira d’água. Era ótimo vê-la daquela maneira mesmo não tendo sido ele o responsável por tal feito, pois o que realmente importava era que Kyoko, sua amada e linda kitsune, agora estava recuperada.
— Ah ah ah, nem pensar mocinha. Eu sou o rei da mangueira, você ouviu a Julieta. – Kanon falou cheio de si. Uma sobrancelha erguida e um sorriso de lado.
— Rei da Mangueira?! Fala sério lagartixa do mar, você é só uma cópia malfeita do Saga segurando uma borracha. — A kitsune cruzou os braços, virando o rosto de forma malcriada.
Saga soltou uma risada alta, meneou a cabeça de um lado para o outro e caminhou a passos lentos até os dois malucos que agora se engalfinhavam em uma disputa pela mangueira. Thetis e Julieta riam de a barriga doer.
— Já chega dessa molhação toda... – Saga arrancou Kyoko de cima das costas de Kanon e a jogou em um de seus ombros. Ela resmungou com o ato, mas não se opôs. — Hora de tomar um banho de verdade.
—Hummmmmm...já até imagino onde esse "banho de verdade" dará. Melhor usarmos protetores de ouvido essa noite porque se não ninguém irá dormir hoje. — Ironizou a marina. Julieta sorriu em concordância.
Saga somente ignorou os comentários, dando as costas para todos ali e começando a caminhar com Kyoko em seu ombro direito para a área privada. Lembrou-se de que devia agradecer aos amigos, pois somente graças a eles aquela área ainda existia. A raposa ainda saiu escarnecendo de Kanon mostrando-lhe a língua e puxando a pálpebra inferior esquerda com o indicador enquanto resmungava "baka, baka"* com uma voz engraçada até desaparecer com Saga.
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Já havia virado costume. Para ela se eles sentiam prazer ou não, não lhe fazia a menor diferença. Era satisfatório demais para o seu próprio ego ter dois homens tão poderosos aos seus pés para ter que se importar com o bem-estar de cada um deles. Eram somente humanos...que mal havia nisso? Eles iriam morrer mais cedo ou mais tarde, então o que fazia era só...aproveitar o que lhe era de direito.
A luxuria imperava com grande poder dentro do amplo quarto parcialmente iluminado por dois abajures. A cama grande ostentando lençóis de seda negro e roxo, e vários travesseiros que agora estavam jogados pelo chão.
Naomi sorriu maliciosa ao ouvir o urro quase animalesco emitido por Shura, o grande cavaleiro de capricórnio, ao finalmente ser liberto daquela prisão mental e assim chegar ao seu clímax. Ao prazer do orgasmo. Sua mente rodou com as sensações até por fim tombar desmaiado em meio aos lençóis.
A youkai tocou com a ponta dos dedos a própria intimidade, colhendo um pouco do líquido deixado por Shura e o levando a boca. Sorriu ainda mais maliciosa; até que ele tinha um gosto agradável, mas esses pensamentos logo foram dispersos pelas mãos poderosas e firmes a puxarem-na pelas coxas. Ah! Sim! Quase havia se esquecido do outro; Câncer, ou como era, digamos que porcamente conhecido: Death Mask.
"Puff! Máscara da morte, que piada! Não passa de um cão também.", pensou Naomi, abrindo mais as pernas para o homem se acomodar melhor.
Gemeu satisfeita ao se sentir preenchida e com os movimentos fortes já de início. Cravou as unhas nas costas largas dele para dar início ao que realmente queria dele: Sua cosmo energia.
Como homens humanos podiam ter tanta energia assim? Com Shura e Mask ela conseguia sentir-se satisfeita por dias e dias, o que diminuía a vontade de caçar e lhe poupava tempo e esforço. Kyoko era muito esperta, isso sim. Esperta em se meter no meio deles, pois além de estar sendo protegida por eles ainda teria uma demanda de alimento incomparável a qualquer coisa que já experimentara na vida.
Depois de quase uma hora Máscara da Morte, com muito custo e pouca energia, também conseguiu o tão esperado gozo. Este urrou quase de dor; os músculos espasmando como nunca havia feito em toda sua vida. Ele sabia o que estava fazendo, mas por mais que tentasse nem ele e nem Shura conseguiam escapar daquela tortura misturada com prazer. Seus olhos giraram e ele não soube nem quando e nem como simplesmente apagou assim como seu companheiro e também amigo, caindo por cima da youkai.
— Que patético. – Desdenhou Naomi. Empurrou Máscara para o lado sem a menor delicadeza, fazendo o homem cair da cama por cima de seu próprio braço direito. Um estalo pode ser ouvido no momento da queda.
Em seguida ela se levantou da cama, expondo sua nudez muitíssimo invejável, caminhando até o banheiro e iniciando seu longo banho, mas para seu azar e ódio este não demorou muito, sendo logo interrompido por fortes batidas na porta de seu quarto.
— NAOMI-SAMA, NAOMI-SAMA! – Gritava alguém do outro lado, batendo forte na grande porta de madeira maciça.
—Inferno! – Rosnou a mulher logo saindo de dentro da banheira. Envolveu-se em um roupão e caminhou a passos duros até a porta. Abriu a mesma tão rápido e forte que o servo, um pequeno youkai Oni, quase caiu de joelhos. — Maldito! Sabe que odeio ser interrompida. – Quase berrou.
O servo tremeu diante da mulher, mas mesmo assim ele precisava dar-lhe aquela notícia: — Na...Naomi-Sama me perdoe, mas... mas é...importante.
—Espero que seja.
— Eu vim lhe entregar isto.
O servo enfiou uma das mãos dentro de um de seus bolsos e com tremor e uma sudorese excessiva tirou de lá o motivo de seu desespero, ou melhor, de um de seus desesperos. Naomi de início arregalou os olhos, mas logo em seguida seu cenho franziu. Deu um passo na direção do servo para ver se assim conseguia ter certeza do que via.
—É um dos filhotes de Arachna. – Informou o servo.
—Eu sei – Naomi balbuciou. — Quem a matou? – Indagou com receio da resposta.
O servo engoliu em seco, mas mesmo com medo da reação da mulher ele disse a ela o que ela não queria ter que ouvir: — Ky...Kyoko-sama.
A youkai deu um misero passo para trás, seu coração pareceu triplicar as batidas. Era impossível que Kyoko tivesse sobrevivido. Ela não teria energia suficiente para sair daquela armadilha com vida. Seus olhos azuis dançaram sobre o quarto, evidenciando sua aflição diante daquela descoberta. Ela podia jurar que aquela maldita raposa branca estava morta. Não era possível! E agora, o que faria? Hiroaki com toda certeza saberia da morte de Arachna o por consequência saberia de sua falha em trazer Kyoko de volta e, o pior, saberia de sua tentativa em matá-la.
— Saia daqui. – Sussurrou sem olhar para o servo. Precisava pensar e rápido.
O servo engoliu a saliva com dificuldade. — Naomi-sama ainda tem mais uma coisa que eu preciso lhe dizer. — Agora foi a vez de Naomi engolir em seco.
— Foi Hiroaki- sama quem mandou lhe entregar isso.
A youkai pareceu perder o chão. Sinceramente por essa ela não esperava. Então ele mesmo havia enviado Arachna para o santuário atrás daquela maldita kitsune?! Aquele ato deixava óbvio de que Hirokai não confiava em si. E se ele tivesse descoberto? O que diria? E se ele soubesse que o fato de ter trago Kyoko para o makai e a deixado fugir fora proposital? Fora só para matá-la?
Naomi segurou o próprio pescoço com uma das mãos em uma demonstração clara de nervosismo. Era como se já conseguisse sentir a lâmina de Hiroaki cortando seu pescoço, pois ela melhor do que ninguém sabia que por Kyoko ele faria qualquer coisa.
—Naomi-sama ele lhe aguarda do escritório. – Informou o servo notando o olhar perdido da mulher.
— Diga a ele que já irei. – Ditou tentando transpassar uma calma que não possuía.
O servo acenou de forma positiva, saindo logo em seguida. Naomi passou as mãos nos cabelos, odiando Kyoko ainda mais, se é que aquilo ainda era possível. Pegou a primeira coisa que viu pela frente, uma taça de vinho tinto, e o estilhaçando contra a parede. Os dentes trincados e os punhos cerrados. Por quantas vezes mais ela teria que matar Kyoko?!
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Naomi caminhou devagar pelo extenso corredor. Um tapete vermelho cobria todo o chão de seu castelo. Quem o via e entrava nele sentia-se como em um castelo medieval. De longe avistou a porta dupla no final e dois inugamis shinobis fazendo a guarda de quem ela sabia exatamente ser. Parou respirando fundo, buscando coragem para encarar o homem que amava e temia. Não que sentisse medo de Hiroaki, mas quando o assunto era Kyoko, não dava para confiar.
Um dos shinobis, o mais alto, com uma trança longa ruiva e com uma máscara no rosto, abriu a porta para ela. Naomi caminhou para dentro do cômodo olhando tudo ao redor. Ele estava somente iluminado por um abajur no fundo, deixando o lugar ainda mais sinistro do que já era. Seus olhos rodaram no ambiente a procura de seu mestre e amor, mas não o viu. Duas poltronas cor de carmim ficavam uma na direção da outra, mas viradas somente um pouco na direção da grande janela de grade, dando a visão para o jardim morto de sua “humilde” residência. Uma estante de livros, uma lareira apagada e uma escrivaninha mais ao fundo onde alguns papéis e uma pena com um pequeno potinho de tinta estavam ali...
Mas...se aquele lugar vazio já não fosse sinistro por si só, saber que em algum canto dali o mais temido youkai do makai a observava de maneira indecifrável era de fazer arrepiar todos os pelos de seu corpo. Naomi girou um pouco a procura de Hiroaki, mas de uma forma estranha ele parecia não estar ali.
— Eu não entendo porque você ainda não se conformou. — A voz baixa, calma e grave quase fez Naomi pular de susto. Seu coração disparou dentro do peito e um suor gélido desceu por sua espinha.
Ela virou devagar na direção da voz e vislumbrando somente os olhos de Hiroaki em meio a escuridão. Pela direção e a posição de seus olhos ele estava sentado na cadeira de sua escrivaninha, deixando somente seus olhos azuis no pequeno feixe de luz.
— Pelo seu fedor...- continuou. — você nem precisa me dizer o porquê de ainda não ter feito o que eu mandei você fazer.
— Ahhh Hiroaki, por favor, não comece. — Naomi desdenhou caminhando até uma das poltronas. Resolveu que era melhor sentar-se. Estava nervosa demais para continuar de pé. Tinha medo de suas pernas falharem.
Mas...antes mesmo de Naomi processar alguma coisa seu corpo inteiro pareceu se eletrificar por conta da dor. A mulher prendeu a respiração na garganta ao fitar o rosto do amado tão próximo ao seu, chocando sua respiração quente contra seu rosto. Se ela fosse Kyoko com toda certeza ele a beijaria naquela posição, mas em vez disso, para ela, ele só lhe deu a lâmina de sua espada em seu ombro direito, atravessando sua carne e o encosto até a ponta encostar na parede próxima. A mão livre de Hiroaki apoiada no lado esquerdo da poltrona, enquanto com a direita segurava o cabo de sua masamune com firmeza.
—Parece que você não está conseguindo entender a gravidade da situação. – Sussurrou entre os dentes. Os olhos fixos no semblante de dor da mulher que por instinto agarrou a lâmina com a mão livre na tentativa inútil de se livrar do incomodo. —Eu não me lembro de ter mandado você assassinar a Kyoko...- Hiroaki movimentou a espada somente um pouco fazendo Naomi trincar os dentes de dor. — a minha Kyoko.
— Hi...Hiroaki...eu..
— Calada! – Rosnou ao pé do ouvido. Naomi achou melhor obedecer. — Você tem sorte de ser quem é, tem sorte de eu precisar de você, porque se não fosse isso essa lâmina estaria bem aqui agora.- Apontou com o indicador, tocando o centro da testa dela.
Naomi engoliu em seco pela milésima vez naquela noite. Era a primeira vez que ele fazia algo do tipo. Nunca imaginou que ele faria realmente algo contra si. Os olhos de Hiroaki pareciam brilhar ainda mais em meio a penumbra, deixando-o ainda mais sinistro do que ele já naturalmente era. Naomi sentiu-se pequena diante do olhar assassino daquele homem, deslizando pelo seu semblante de dor. Ele podia não dizer, mas era notório o quanto ele estava satisfeito em causar-lhe dor. Já devia imaginar que ele ficaria furioso. Maldita seja Arachna por estraga seus planos e mais maldita ainda seja Kyoko por existir.
O inugami apertou os olhos e estes tomando um brilho esverdeado florescente, e as pupilas afinando como de felino, mirando os azuis tão claros quanto os céus que Naomi possuía, cheios de dor e medo. Segurou o cabo da espada com um pouco mais de força e com um só movimento a arrancou sem a menor delicadeza do ombro dela. Naomi trincou os dentes de dor, soltando um gemido e levando a mão até a ferida. Não sabia o que era pior: O olhar de desprezo dele ou seu erro em não ter conseguido matar Kyoko.
— Estou cansado de esperar. – Caminhou com calma até próximo a porta, tocou a maçaneta com toda calma e sutileza.
—Hi...Hiroaki-sama o...o que vai fazer? – Inquiriu nervosa.
— Fazer o que eu já deveria ter feito, pois...como já dizia o velho ditado: Se você quer algo bem feito... – Abriu a porta devagar. — ...faça você mesmo.
Saindo enfim sem olhar para trás.
Continua...
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