Uma doce história

11 Uma doce geléia


Eu estava caindo, mas isso já tonha se tornado um hábito, no entanto cair nos braços de Lysandre era uma outra história.
—Você tem que tomar mais cuidado ! — ele me repreendeu- Teve sorte que eu estava prestando atenção, caso contrário estaria com alguns ossos quebrados.
—Ah ha ha, mas você sabe que eu sou assim desastrada não sei por que me pede pra...
—Colher maçãs pra fazer geleia — respondeu mais calmo — Você senhorita é mais esquecida do que eu
— Duvido — brinquei apanhando os frutos que estavam no chão e colocando em uma cesta que descansava ao pé da árvore, maçãs.... porque haviam maçãs em todos os lugares afinal?
Lys fofo pegou a cesta como um cavalheiro e me deu o braço como um bom cavalheiro vitoriano acompanhando uma donzela até a porta de sua casa.
E pode colocar linda casa nisso, era uma grande casa de campo com um gramado bem aparado com uma grande construção ao longe que parecia ser um celeiro.
—Odeio este lugar — resmungou Lys enquanto entravamos pela cozinha onde uma mulher muito parecida com ele cantarolava ao pé do fogão.
—Ah, vocês trouxeram as maçãs, isso é ótimo! — exclamou quase arrancando a cesta das mãos do garoto e iniciando o trabalho — Geléia fresca vende melhor — comentou — Lysandre seu pai estava te chamando, ele quer companhia enquanto caça — informou.
O garoto a ignorou e dando de ombros subiu as escadas para o andar superior como se não tivesse ouvido nada , tão rebelde... não me surpreendia que tivesse acabado amigo do Castiel.
—Ah, esses adolescentes ! — suspirou ela me entregando maçãs pra lavar — Não sei por que meus filhos não podem ser mais como o garoto dos vizinhos, Leigh foi embora assim que teve a chance e aposto que Lysandre fará o mesmo, me deixa tão triste...
—Não fique — eu a interrompi- Ele te ama. — disse simplesmente .
—Eu sei que ama, querida — sorriu a mulher aparentando estar um pouco mais calma e pedindo depois de algum tempo — Anya, você pode chamar Lysandre e a minha sobrinha, quero que vocês levem a geléia de ontem, um pouco para o vizinho , e o resto para o Sr. Lou que parte hoje a noite e pro Padre Isaac.
—Sim, senhora — respondi.
Eu gostava da mãe do Lysandre, ela parecia minha mãe só que um milhão de vezes mais caseira. Não entendia minha relação com eles no entanto,eu não parecia ser uma empregada, nem ser da família muito menos... acho que eu só era a filha de uma das amigas da igreja.
Subi as velhas escadas de madeira que rangiam e abri todas as portas do corredo... eu não sabia onde era o quarto do Lys e nem da prima dele. Caso alguém me visse me confundiria com um assaltante nada discreto.
Pelo menos o método de abrir todas as portas deu certo, pois há duas portas do final do corredor eu encontrei o quarto do Lysandre.
Em contraste ao ambiente meio casa de fazendo do restante dos quartos o dele era simplesmente elegantes, parecia que eu havia sido teletransportada para a cobertura de um prédio de rico, com paredes impecavelmente brancas, um carpete escuro , na parede quadros com pop art... e na janela uma pedra branca e outra azul, ambas projetando um arco-iris conforme a luz do sol as atravessava como um prisma. Eu não conseguia desviar o meu olhar .... aquelas pedras eram exatamente a mesma coisa da pedra vermelha que estava em meu bolso .
Acho que Lysandre notou que eu as encarava ... na verdade tenho certeza de que ele notou .
—Pode ficar com elas se quiser — disse ele sem tirar os olhos do bloco de notas.
—Posso? — perguntei como uma criancinha que acaba de ouvir da mãe que pode ficar com o filhote.
—Pode, não ficam bem com o resto das coisas, eu sei que quando encontramos eu disse que cuidaria delas mas se quiser...
—Obrigada Lys — sorri contente enfiando as pedrinhas junto com a terceira em meu bolso — Ah, sua mãe pediu pra você e sua prima descerem ... geléia . — avisei, me exclui pois sabia que logo logo uma daquelas bonecas apareceria para me levar pra outro lugar , mas mesmo assim acompanhei o garoto enquanto ele ia chamar a prima.
Lys bateu na última porta do corredor duas vezes antes de meu coração acelerar, antes daquela voz tão familiar quanto a minha própria voz respondesse , antes dele abrir a porta revelando aqueles cabelos dourados dignos de propaganda da Loreal Paris.
—Diana — gritei com os olhos marejados abraçando a garota sentada na cama.
Ela demorou um bom tempo antes de me abraçar de volta e quando ela fez eu já estava chorando... eu nunca fui tão emotiva na minha vida, ela com certeza me afastaria e mandaria eu me recompor em poucos minutos , mas ela nâo fez. Ela deixou se levar pelo abraço e sussurrou em meu ouvido :
—Eu sabia que você não demoraria, especialmente se tratando de amor doce — ela brincou.
Lysandre pigarreou e eu tratei de limpar as lágrimas antes que ele estranhasse mais ainda. O garoto desceu na frente e eu e Diana descemos atrás de mãos dadas. Logos os três estávamos com bonitas cestinhas com vidrinhos de geléia e assim que saimos e Lys estava a uma distância segura de nós quando andavamos na estrada perguntei:
—Como você acabou aqui?
—É uma longa história — respondeu simplesmente — Vou te contar tudo, só te peço que não me odeie ... foi tudo necessário
—Eu nunca te odiaria...
—Não diga isso antes de ouvir a história inteira — suspirou
—Diana!Nós temos que fugir, logo eles vão aparecer pra me buscar , e então nos separarão.
—Não vão nos separar — respondeu ela — E nem vão te buscar ainda, ainda falta algo.
—Como...?
Nesse momento a loira mostrou um adereço que eu ainda não tinha notado, um bracelete com uma pedra violeta.
—Me mandaram pra fazer a mesma coisa, mas parecia que onde eu ia você já tinha ido ... só que dessa vez eu cheguei primeiro.
—Você também ... você sabe o que está acontecendo ?
— Sei ... mas não posso te contar, não agora.
— Por que não? — perguntei me sentindo traída .
—Estamos chegando ao lugar onde está a última pedra — respondeu apontando uma casa igual à de Lysandre — Ele não quis me dar, mas talvez com você funcione, quando terminar siga direto por essa estrada, vou estar na porta da igreja te esperando — terminou .
Enquanto minha melhor amiga continuava a caminhada com um personagem de dating game eu desviei o caminho para bater na porta da casa, que abriu-se na terceira batida.
Dei de cara com um abdomen definido e olhos verdes.
—Anya — Kentin sorriu abrindo mais a porta permitindo a passagem.
Corei quase instantaneamente.
—A mãe do Lysandre mandou geléia — falei nervosamente sem olhar em seus olhos.
—Ah, claro — disse em tom decepcionado — A mãe do Lysandre... minha mãe saiu mas você pode deixar na cozinha, quando terminar quero conversar com você, meu quarto é o primeiro a direita — informou subindo as escadas.
Tirei os potes lentamente da cesta passando-os para a geladeira falando pra mim mesma que eu não estava ansiosa para vê — lo . Mas eu estava.
Assim que terminei subi as escadas de dois em dois degraus e abri a porta do quarto. Kentin estava sentado na cama olhando para a porta, ele pareceu surpreso por eu ter vindo.
—Senta aqui — deu alguns tapinhas na cama ao seu lado e relutante eu sentei.
—Então ... o que você queria falar?
Ken respirou fundo e me encarou
—Eu quero pedir desculpas, eu fui um idiota da última vez eu sei disso, eu sei que você não gosta da Lynn e que da outra vez só queria ajudar — comentou e meu coração parou porque parecia que esse Kentin estava se desculpando pelas coisas que o outro Kentin havia feito — Mas eu te amo, só você — É... acho que não era mesmo o outro Kentin — E eu quase enlouqueci quando soube que a minha namorada estava dormindo na casa de outro cara... An , me desculpa.
—Tudo bem — sussurrei mas ele me ouviu pois me abraçou e deitando-me na cama começou com um beijo apaixonado.

Eu não sei como eu devo descrever a sensação de receber um beijo apaixonado do seu paquera mas é basicamente a melhor coisa do mundo, uma mistura de roda gingante e montanha russa, coração acelerado e frio na barriga. Mas Kentin não se contentou com um beijo apaixonado, suas mãos percorreram por todo o meu corpo e em pouco tempo ele tirava a minha camisa, sua boca deixando meus lábios para trilhar um caminho de beijos até meu sutiã que foi tirado rapidamente para que sua língua percorresse o que nenhum outro garoto tinha visto enquanto sua outra mão massageava levemente o meu seio esquerdo. Nem preciso comentar que a esse ponto eu já me considerava morta, enterrada e com o espírito no céu, não é?
Em poucos minutos calças e demais roupas intimas estavam no chão e depois de alguns minutos de brincadeirinha de entra e sai de casais o meu corpo inteiro foi tomado por uma sensação inteiramente nova, como uma dormência... mas melhor, ele não demorou pra chegar ao seu ápice.
E quando eu estava deitada em sua cama abraçada ao peito nu do meu paquera favorito sonolentamente o mesmo sentou-se e da gaveta da comoda ao lado da cama tirou uma caixinha, que abriu revelando um anel com uma pedra verde.
—Casa comigo? — ele perguntou
—Sim! — respondi exultante, mesmo que a Anya que ele tivesse pedido em casamento não fosse eu e mesmo que eu fosse embora e nunca mais o visse ...mesmo assim uma vez eu queria ser feliz por um instante.
Kentin colocou o anel em meu dedo , passei longo minutos admirando-o antes de ele me jogar uma toalha e um vestido de verão branco que provavelmente eu havia deixado ali anteriormente.
Banhada e vestida e com Ken no banho me permiti olhar para fora, só então notei que anoitecia e lembrei que Diana me esperava na frente da igreja.
Sai o mais silenciosamente que pude e segui a estrada como ela indicara. Estava frio de mais .
E a sensação ruim de que estava sendo observada estava lá mas não olhei para os lados.
Foi então que o silêncio da noite for quebrado por um trovão e quando o raio chegou iluminando a estrada como se fosse dia eu as vi.
As garotas vestidas como bonecas , dezenas, paradas entre as árvores me observando.
E só então eu corri.