Uma doce história

10 Um doce amor de infância


Notas iniciais
amo esse capítulo mais do que a mim mesma e espero que gostem

Quando eu acordei Armin não estava mais no quarto em seu lugar no assento da janela estava um vestido não tão elaborado quanto o do dia passado mais igualmente bonito e de aparência cara, esse era verde escuro os fios de prata no corpete eram o único adereço. Foi fácil de vesti-lo e amei a pessoa que o escolheu por isso.

Usando aquele vestido e mesmo com o cabelo solto sem qualquer joia eu parecia bem ... nobre, eu não gostava de parecer nobre então revirei o quarto até achar uma capa escura com capuz que vesti, não resolvia o problema da roupa mas escondia muito bem o meu rosto... bem, qualquer um poderia fazer uma imitação muito boa de prata certo ?

Saí do meu quarto tentando não chamar atenção o que foi fácil, as pessoas não pareciam ligar pra figuras estranhas encapuzadas por ali o que me fazia duvidar da segurança da realeza. Desci escadas e andei por vários corredores, estava com medo de estar perdida e já me imaginava sentada no chão chorando esperando algum rosto conhecido aparecer, traumas de infância.

Antes que eu pudesse realmente sentar no chão e chorar fiquei totalmente enfeitiçada por esse cheiro maravilhoso e como uma boa alma gorda eu o segui até a cozinha. Sobre a cozinha devo dizer apenas que era um lugar enorme e bagunçando com pessoas correndo de um lado pra outro sujas de comida, cozinhando, preparando massas, molhos, lavando pratos e amaciando carne mesmo que ainda fosse cedo da manhã pela posição do sol. Sentei em uma mesa vazia onde estavam vários sacos de farinha e observei por um tempo até que um homem gordo e suado sujo de gordura notou a minha presença e parou à minha frente de braços cruzados.

—O que você acha que está fazendo, garota? Temos uma refeição a fazer e ficar aí sentada não vai assar leitões — Reclamou puxando meu braço com aquelas mãos gordurosas.

—Ah, Himer ... bem, eu não quero ser estraga prazeres nem nada, sei que gosta de repreender garotinhas mas bem ... você meio que está puxando a princesa com as mãos sujas de sebo — riu Castiel que por razões desconhecidas por mim aparecera de lugar nenhum.

O homem como se tivesse levado um choque largou o meu braço imediatamente e se jogou de joelhos no chão.

—Perdão senhorita — pediu de cabeça baixa , sua voz tremia , era obvio que ele estava morrendo de medo.

—Tudo bem — disse um tanto constrangida quando todos começaram a olhar a cena ajudando-o a se levantar — E hmm.... que não se repita?

—Não se repetirá milady — Concordou brevemente antes que seu lugar fosse tomado por uma senhora igualmente gorda, de ar simpático e bochechas coradas.

—Aqui senhorita, estávamos levando para o seu quarto não esperávamos que a senhorita aparecesse aqui. — entregou-me uma cesta com biscoitos, maças fatiadas e uma garrafa de leite — Por favor não fale para o senhor seu pai sobre o erro de meu marido, seria na melhor das hipóteses exilados e nós...

—Tudo bem eu não falo — sorri pegando a cesta agradecida, estava morrendo de fome.

—E você rapaz volte para o trabalho ! — gritou o homem para Castiel.

—Na verdade eu vim para solicitar ajuda, acredito que a desse homem deva servir — falei em meu melhor tom real tocando levemente o braço de Castiel.

***

Os jardins reais eram simplesmente estonteantes, caminhos de pedra que passavam sob a sombra de grandes árvores frutíferas com ocasionais pátios floridos , todos levando a um grande lago artificial que ficava no centro do enorme jardim. Castiel e eu nos sentamos à sombra de uma macieira de onde podíamos ver o lago e a silhueta do castelo. O ruivo me olhava com certa curiosidade , havia malicia com certeza, mas principalmente curiosidade. Antes de começar a comer procurei por sinais da pedra mas não a encontrando coloquei uma maçã na boca.

—Então foi procurar ajuda na cozinha ? — perguntou descrente.

—Na verdade eu acabei na cozinha por acaso, mas parecia que você levaria uma bronca — confessei.

—E você se importa comigo desde quando princesa? — perguntou deitando-se na grama e me puxando pela cintura fazendo com que eu me deitasse por cima dele. — Tem certeza que não foi à cozinha ó pra me ver? — Me solta !- ordenei tentando me soltar dos seus braços mas parei ao ver sob sua camisa algo vermelho.

Castiel aproveitou-se da situação para roubar um beijo estalado e começou a sorrir como se tivesse ganhado na loteria.

—Você é um idiota — comentei rolando para o lado para longe dele mesmo que sua mão ainda segurasse a minha. Não queria que ele sentisse meu coração batendo, parecia que todos faziam meu coração bater por ali mas devo comentar que quando um charmoso e belo rapaz lhe rouba um beijo num lindo cenário digno de uma peça de shakespeare e enquanto você veste um vestido como aqueles não tem como não se sentir uma mocinha de uma drama de época.

—Um idiota por você — completou ele -Não quero que ache que tudo que eu quero é te levar pra cama — comentou virando-se para me olhar nos olhos — Nem porque você é uma princesa linda e rica ... a parte do rica influencia muito na verdade.

—Então por por que ? — perguntei realmente curiosa, eu não sabia como eu era naquela época, talvez eu fosse bem puta e aproveitasse o dinheiro pra pegar quem eu quisesse.

—Não sei se você lembra... na verdade eu já te falei isso eu acho , bem não importa falarei novamente. — Disse , sua expressão suavizando-se conforme ele olhava pro nada e se perdia nos seus próprios pensamentos — Foi há muito tempo atrás, suponho que não se lembre, eu não era mais tão criança mas mesmo assim estava sofrendo muito com a morte do meu pai, minha mãe sempre foi uma rameira e nem sequer hesitou antes de me mandar trabalhar e sumir no mundo. Eu não era tão criança mas era pequeno demais pra trabalhar, doente de mais pra fazer trabalhos manuais e não era simpático e inteligente a ponto de trabalhar na casa dos mais ricos e sem mãe ou pai acabei nas ruas , aqueles tempos foram difíceis, como uma nobre você não deve saber mas não existe comida ruim quando se está morrendo de fome, eu não aguentei por muito tempo e passei a roubar , mas um dia enquanto tentava roubar um homem que saía de uma estalagem fui pego e o homem e as pessoas que passavam na rua começaram a atirar pedras em mim. — disse com mágoa na voz , eu não gostava nem de imaginar o pequeno Castiel morrendo de fome e sendo apedrejado em praça pública — Mas então a estalajadeira cobriu-me com a sua capa e me levou pra dentro apesar dos gritos de reprovação da multidão, ela me banhou , me alimentou e vestiu-me com roupas limpas e quando eu já estava recuperado das feridas feitas pelas pedras ela me treinou para que eu cuidasse da estalagem e em suas horas vagas me ensinou a ler e escrever. Sempre perguntei a ela o porque disso tudo mas ela só me respondia que tinha uma filha da minha idade e tinha saudades dela, desde então passaram-se alguns anos, eu já era mais velho com meus quatorze anos e já conseguia cuidar de tudo sozinho, a senhora fez uma viagem que durou alguns dias no final da primavera e quando voltou já era verão, ela trouxe com ela baús e mais baús de roupas caras e bolsas de dinheiro além de uma comitiva de guardas reais . Eu fiquei realmente assustado achei que finalmente tinham vindo me buscar para punir-me pelos roubos - riu — foi então que de trás da minha empregadora saiu aquela garota e ela era linda, usava um vestido bonito azul, seu rosto era simplesmente fascinante , ela tinha esse nariz empinado de princesa — apertou meu nariz afetuosamente — e esses grandes olhos escuros com um cabelo castanho escuro que puxava para o vermelho e branca como um fantasma, ela era tão doce e mesmo que não devesse me ajudou, ela era tão parecida com a mãe e naquele verão eu me apaixonei. Voltei com a comitiva de guardas para trabalhar no castelo dando a desculpa de que ficaria de olho nela para a senhora e aqui estamos nós.

—Parece que você era simplesmente grato à minha mãe — comentei .

—Não rebaixe meus sentimentos à mera gratidão ! Eu faria qualquer coisa por você princesa — afirmou me puxando em um abraço carinhoso.

—Qualquer coisa ? — perguntei com o mecanismo do meu cérebro funcionando a todo vapor.

—Sim qualquer coisa .

Puxei delicadamente o cordão revelando a pedra de um vermelho quase transparente que estava sob sua camisa.

—Você me daria isso ? — perguntei esperançosa

Castiel sentou-se e tirou o cordão rapidamente colocando a pedra em minhas mãos quando me sentei .

—Não sei porque pediria algo assim , você que me deu afinal — comentou confuso

—Eu ...

—O que pensam que estão fazendo?! — Armin perguntou aparentemente zangado caminhando em nossa direção e ajudando-me a levantar — Você deveria estar na cama descansando e fica aqui fora nesse frio de conversa com esseladrãozinho.

—Não comece uma briga que sabe que não vai ganhar senhorzinho — Castiel levantou-se abruptamente limpando a própria roupa e saindo sem olhar pra trás .

—Não quero que converse com ele Anya — falou Armin parecendo culpado por me repreender — Ele não é boa companhia, há boatos sobre ele correndo pelo castelo a anos ... dizem que ele matou um soldado que vigiava seu quarto.

—Não é verdade ! — ri de sua expressão séria

—Pode não ser mas todo cuidado é pouco ... inclusive com sua saúde, queria acompanhá-la até seu quarto porém tenho um compromisso com um embaixador de um reino vizinho, se quiser companhia procure aquele príncipe engomadinho ou a Amber, ambos são melhores dos que esse marginal — pediu antes de ir embora .

Mais uma vez eu estava sozinha, e ainda mais perdida, Castiel me levara ali e eu realmente não sabia como ir embora então andei pelo caminho de pedra que parecia levar ao castelo mas conforme eu andava adentrava mais em um bosque do que pareciam ser salgueiros e , ao chegar ao fim do caminho, não me deparei com uma construção de pedra mas como uma garota morena com uma coroa de flores , um vestido de boneca familiar e pés descalços .

Ela não precisou falar nada para que eu entendesse o que estava acontecendo , apenas me ofereceu a mão e aceitei despedindo-me silenciosamente da vida de princesa que eu tive por uma noite.