Notas iniciais
Adoro a relação de irmãos da novela.

Darcy seria pai. Ele olhava a si mesmo no espelho antes de descer para procurar Charlottepara lhe contar a melhor novidade de sua vida. Não que se apaixonar por Elisabeta, ser merecedor do seu amor fossem coisas pouco especiais, mas um filho, ele não cabia em si de tanta emoção.

E como Charlotte era sua irmã especial, não só por ser a única, ele não via a hora dela comemorar com ele mais este momento.

Charlotte era mais nova que Darcy, quase como uma filha, mas a amizade de irmãos, o zelo, a proteção , tornava-os únicos um para o outro. Sempre estiveram juntos nos bons e maus momentos.

Foi no ombro dele que Charlotte chorou quando se entregou a Diogo Uirapuru, e o embuste aceitou o dinheiro de seu pai para ir embora e deixa-la. Foi uma falta grave mentir para ela sobre a participação dele nesta historia, ele sabia, mas esse assunto foi resolvido entre eles, quando ele reconheceu que não poderia decidir para sempre a vida dela. Por isso, quando percebeu o envolvimento dela com Olegário fez uma promessa de não se intrometer, mas ficar de olho.

Charlotte também foi porto seguro dele algumas vezes, e os ouvidos para suas mais íntimas confidências sobre Elisabeta. Ela comemorou , mas o alertou para que se protegesse, quando ele e Elisa reataram, após a recusa do pedido de casamento. Ela entendeu e vibrou quando ele contou sobre a primeira noite de amor dele com Elisabeta, mesmo não sendo casados.

E agora ele seria pai. Num dia tão contraditório , onde morte e vida, perda e renovação se misturaram numa mistura de emoções que ele não saberia descrever. Elisabeta, como sempre, foi o bálsamo de salvação em sua vida, lhe dizendo que tudo fazia sentido. Que esperava um filho. Eles seriam pais. No momento em que ele se sentia perdido, por não ser mais filho de ninguém, ele seria pai.

Perdido em pensamentos, meu irmão ? — Charlotte apareceu diante dele num bonito vestido azul com branco. Desde que ela e Olegário estavam namorando o semblante dela estava sempre leve e ela mantinha um sorriso no rosto. Mas não naquela manhã, onde a vermelhidão do rosto mostrava que ela chorara bastante durante a noite.

Estava a sua espera, Charlotte. – Ele respondeu preocupado, gostaria de poder fazer algo para aplacar a dor da perda do pai, mas não podia. Só podia contar sua novidade logo para que ela também se animasse. – Vejo que teve uma noite ruim, seus olhos não mentem. Venha aqui ! – ele a chamou e apertou nos seus braços, para tentar aquecer seu coração. – Eu trago uma notícia maravilhosa, depois do dia de ontem, nós merecemos !— ele completou.

O que há, meu irmão? . Minha noite não foi agradável. Eu me senti culpada por deixar nosso pai partir, por ele ter passado o que passou com a megera de nossa tia. – Charlotte falava enquanto as lagrimas teimavam em descer novamente, e Darcy a abraçava, mas Charlotte curiosamente notava que ele tinha um sorriso no rosto, uma calma no olhar que não combinava com a situação.

Não chore, minha querida. Ou melhor, chore o quanto precisar. Mas não se culpe. O que aconteceu a Lord Williamson foi covarde, mas em nenhum momento foi sua culpa. Não podíamos imaginar que nosso pai, nosso forte pai, seria ludibriado pelas maldades de nossa tia. – ele permitiu que ela chorasse mais um pouco em seu ombro, até que se acalmasse. Então a colocou de frente para ela e disse a boa nova : — Charlotte, eu vou ser pai. Eu e Elisabeta vamos ter um filho!— ele falou, emocionado com as palavras. – um filho, Charlotte. Você será tia.

Oh, meu irmão, que notícia maravilhosa. – Charlotte se agarrou a ele, chorando mais ainda. Que benção era a vida, ela seria tia, uma criança chegaria à família Williamson bem momento em que o Lord os deixava, no momento em que Darcy e ela mereciam renovar as esperanças. – Oh Meu Deus, como está Elisabeta ? quando vocês souberam ?— ela estava eufórica.

Calma, Elisabeta está bem. Um pouco indisposta ainda, mas está bem. Está lá em cima repousando, e eu vou levar algo leve para ela tentar comer. — ele respondia a Charlotte com olhos marejados e a cara de pamonha apaixonado que ele adquirira desde que Elisabeta entrou em sua vida. Nada o alegrava mais.

Um filho. Meus Deus , eu vou ser tia. – ela exclamou , maravilhada. — Ou filha, meu irmão. Você tem preferência ? porque eu adoraria ser a tia de uma garotinha .

Garotinha ? ele se surpreendeu.

Sim, garotinha. Um linda garotinha , talvez um pouco mais altas que outras da sua idade. Com olhos claros e cabelos cacheados, sapeca , atrevida e muito respondona. – Charlotte sorria. – meu irmão , você não entende a grandeza dessa momento ? você nasceu para ser pai, ou irmão, ou marido, de todas as mulheres do mundo.— Charlotte tinha os olhos marejados, mas um sorriso de orelha a orelha.

Darcy olhou a irmã. Ele não pensou no sexo de seu filho, na verdade, nem por um momento ele havia pensado nisso. Não faria diferença, é verdade. Ele e Elisabeta gostariam de uma criança forte, saudável, e se ele pudesse escolher, com um temperamento misturado dos dois. A forma destemida de Elisabeta ver a vida , aquela ânsia de liberdade dela que o deixava louco, — bom , essa parte poderia ser abrandada por ele e seu temperamento sensato — . Mas sim, uma linda garotinha, porque não?. Elisabeta iria amar a ideia, e ele também.

Você ainda não se convenceu , Darcy ? Acha que é todo irmão que ampara uma irmã diante do que me aconteceu ? Ou que a protege para que a mancha dela não seja mal vista por toda a sociedade ? E sobre Elisabeta ? o seu amor por ela, pela mulher que ela é, que você permita que ela seja ? Isso é muito grande meu irmão, maior até mesmo que o seu tamanho. Você seria um pai maravilhoso para qualquer mulher que precise. Ou acha que é coincidência que Felisberto Benedito tivesse cinco filhas ? — ela continuou – Darcy, Elisabeta só pode ser quem é pelo pai que teve, e pelo marido que encontrou. E eu desejo que vocês tenham muitas filhas para que elas cheguem mais longe ainda que Elisa.

Eu me convenci de que a minha filha terá o privilegio de ter você como tia, além de todas as Benedito. Venha, vamos ver Elisabeta para que você e ela confabulem sobre como essa criança quebrará as próximas barreiras do mundo. Eu prometo me certificar de protegê-la e educa-la para que isso aconteça em segurança para ela.— Dito isso ele a abraçou novamente e seguiram em direção ao quarto da futura mamãe que dormia serena, protegendo e sendo protegida pelo amor dos que a cercavam.

Notas finais
a fic nasceu.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!