Uma cicatriz, um recomeço

1 Capítulo único


Notas iniciais
Voltei, com mais uma história Hotchniss, desse shipper lindo e maravilhoso, que parece impossível de acontecer, mas a esperança não morre nunca não! Porque se a Prentiss voltou, o Aaron pode voltar sim, nada é impossível e no coração eles já são o OTP supremo. Espero que vocês gostem e que eu tenha consigo representar um pouquinho da grandeza de Hotchniss. Boa Leitura!

Ela ouve a porta abrir, finalmente ele estava chegando, mas aquilo já não era novidade ou apenas pelo trabalho, agora era a rotina, ele chegar de madrugada, não por um caso ou qualquer coisa ligada ao FBI, mas sim porque havia incluído em suas vidas as traições, enquanto todos viam Emily Prentiss e Aaron Hotchner o casal perfeito, uma chefe do antiterrorismo da Interpol o outro chefe de unidade da BAU, resolvidos profissionalmente e sentimentalmente, não viam a relação arruinada, falta de tudo o que um dia eles tinha de sobra, cumplicidade. Ela estava ali no sofá, acompanhada por 2 garrafas vazias de vodka e outra na metade de uísque, talvez fosse isso que a incentivará a iniciar aquela conversa.

—Se não é o tão renomado agente Aaron Hotch, que chegou em casa às 3 horas da manhã, será que ele estava em um caso? Ah não, ele tinha algo mais importante, hoje foi dia da Alicia? Ela sabe que você tem outras além dela?

—O que você está fazendo acordada?

—Esperando meu marido perfeito!- Emily fala irônica.

—Você bebeu tudo isso sozinha?- Vendo as garrafas

—Ainda não trago amantes para casa querido.

—O que aconteceu?-preocupado.

—Como se você realmente se importasse.

—Me diga.

—Não importa!- Ele analisa a sala com o olhar e vê uma caixa branca, não qualquer caixa branca, mas aquela que tinha guardada toda a pequena história, responsável por um sofrimento enorme para ambos.

—Por que você está com essa caixa? Com essas coisas?

—É melhor você subir e dormir, amanhã você trabalha.- O olha, ele encontra naquele olhar dor, raiva, magoa e sofrimento, mesmo sendo sentimentos tortuosos, eram sentimentos, diferente dos olhos vazios e indecifráveis que a acompanhavam dês do ocorrido.

—Não vou te deixar aqui assim.

—Você já me deixou em estado pior.

—Você me afastou.

—Estou te afastando agora.

—Me deixa te ajudar?

—Você não pode me ajudar se você também precisa de ajuda.

—Se nós tivéssemos nos ajudado no começo não teríamos chegado a esse ponto.

—Mas chegamos, e não tem volta.

—Você tem certeza disso?

—Vou para o meu quarto- se levanta cambaleando sem conseguir andar, com agilidade e rapidez o homem chega até ela a segurando.

—Calma.- Aaron a olhou no fundo dos olhos, intensamente.

—É dessa forma que você as olha?

—Não olho pra ninguém como olho para você.

—Preciso subir.

—Ok, te ajudo.- A ajuda a chegar até o quarto.

—Obrigada- se desvencilhando dele e novamente quase cai.

—Te trouxe até aqui, só saio quando estiver dormindo.

—Não preciso de uma babá.

—Não, precisa do seu marido.- Um riso de alegria, camuflado com sacarmos, sai dos lábios da mulher, ele a coloca na cama sentada, agacha e começa a tira os sapatos.

—Posso tirar meus sapatos -o homem não diz nada e continua o que estava fazendo, depois de terminar, para e começa a encarar, ela não desvia o olhar.

—Por que você fez isso?

—Não foi por querer!- Falavam da caixa e não da bebida.- Vi e não consegui evitar.

—Isso te faz mal.

—Tem tanta coisa me fazendo mal, achei que não ficaria assim.

—Vulnerável?- Ela afirma com a cabeça, o olhava fixamente, quando uma vontade terrível de vomitar a atinge, ela leva à mão a boca e ele entende, a leva para o banheiro o mais rápido que consegue, segurava seu cabelo enquanto vomitava.

—Desculpa- quando terminou.

—Essa não é a primeira vez que faço isso, e não será a última- sorri.

—É melhor eu tomar um banho e dormir!- Aaron concorda com a cabeça.- Pode ir, vou ficar bem.

—Não vai acontecer.

—Vai me dar banho também?

—E por que não?

—Porque você provavelmente tomou banho com alguém essa noite- se arrepende- certo, desculpa, eu preciso de ajuda!- Ele sorri.

Ela tira a roupa com auxílio dele e vai para debaixo do chuveiro, água, sabonete, porém a única coisa que Emily sentia tocar sua pele era as mãos dele, aquele era o momento mais íntimo que eles tinham sem estarem ambos bêbados, estar desta forma os afetava, deixava explícito a falta que um sentia do outro, ele ensaboava as costas dela, então ela encostou o corpo sobre o marido, percebeu a reação imediata, então se virou o olhando, ela via luxúria naqueles olhos, o puxo para beija-lo, correspondido de imediato, ele a apertava mais contra si, um beijo intenso, voraz, repleto por desejo, saudade, era a vontade de apagar tudo o que passaram e apenas matar o desejo guardado dentro deles, quando Aaron parou, e eles ficaram se encarando.

—Você não precisa fazer isso, eu sei o que estou fazendo.

—Você sabe que é difícil fazer isso, mas esse não é o momento.

—Ou já se divertiu muito hoje?-colou a testa na dela.

—Emily eu nunca resistiria a você, se não soubesse que é o melhor para ti.

—Não é como se não tivéssemos transado apenas bêbados nos últimos meses.

—Essa noite é diferente das outras.

—Eu te quero.

—E me tem, mas agora você precisa de mim de outra forma- termina de banhar, coloca uma camisola nela, a mulher se deita.- Vou buscar água pra você- sai do quarto.

Um filme do último ano começa a passar pela cabeça da mulher, em segundos tudo pelo que haviam passado, o turbilhão de lágrimas, a tristeza, o olhar perdido dele, as luzes do hospital, o desespero, a equipe reconfortando eles, a dor de o ver sofrer calado, a vulnerabilidade, o medo, a ajuda, ela o afastando, ela se trancando dentro de si, o acumulo de trabalho, as conversas diminuíram, distanciamento, dor, sofrimento, bebedeiras, noitadas, traições, mais traições, dias fora de casa, sofrimentos, lágrimas, dor, quartos separados, amante, sofrimento. Com tudo isso as lágrimas se tornam incontroláveis, mais do que em qualquer outra noite, elas caiam como em uma cachoeira, o desespero, o medo e todos aqueles sentimentos que ela vinha segurando saiam, de uma vez, chorava como uma criança, os soluços começavam, quando o homem entra no quarto ela tenta, mas o controle já não estava em suas mãos, vê-la daquela forma, o preocupa e faz sofrer, no entanto traz esperança, de que ele consiga a recuperar.

Aaron vai até a cama e se senta a puxando e abraçando, a mulher se aconchegou nos braços dele e continuou a chorar e liberar tudo o que a atormentava, quando começa a sentir a respiração irregular do marido, mentalmente ela agradece por aquilo, finalmente ele havia se permitido chorar perto dela, como ele não fazia a tempo, ele escondeu por tanto tempo as lágrimas e a dor que sentia com tudo que aconteceu, querendo ser forte para ela, o que não sabia é que Emily não queria alguém que fosse forte por ela, queria alguém com quem compartilhar a dor, precisava de um companheiro e não de um protetor, isso foi à única coisa que ele não percebeu.

Aos poucos eles vão se acalmando, o choro vai cessando, vão ficando sonolentos, ela se vira deitando por completo na cama, o puxa pra que faça o mesmo, seu braço envolve ela, a respiração dele em sua nuca, ai como ela amava aquilo; o cheiro dela tão presente, a mão dela sobre a sua, a falta daquilo era tão grande.

***

Ela acorda e antes de abrir o olho já se dá conta da presença dele, aquilo a faz bem e tudo que ela menos queria era sair dali; a cabeça pesa, a ressaca havia chegado, as lembranças da noite passada chegavam com lapsos de memória. Ela descia a procura de arquivos de um caso antigo, em meio à bagunça do porão, a caixa branca é avistada, sem entender o porquê a pega e sobe, pega copo e garrafa de bebida, se senta no sofá e respira fundo antes de abrir, ao abri-la começa a remexer em tudo aquilo, todos os exames, os ultrassons, o álbum que haviam começado a montar, o primeiro macacão, os sapatinhos que uso para contar a notícia a Aaron, e mais em baixo o pesadelo, a certidão de nascimento junto ao atestado de óbito, os exames dela, os papéis do funeral; as lágrimas já saiam sem pedir permissão, reviveu cada segundo da perda do filho, os piores dois dias de sua vida, já estava na terceira garrafa e ele chega, eles conversam com farpas, ele a ajuda, estão no banheiro, ele a banhava, o toque, o desejo, ela o beija, toda saudade, ele a pressionado contra si, ele para, conversam, a coloca na cama, os dois abraçados chorando, dormem juntos; ela percebe que ele acordou.

Ele acorda abre os olhos e a vê em seus braços, aparentemente ainda dormia, sorri com aquilo, quanto tempo não dormia assim, mesmo com tudo que aconteceu na noite anterior, ele havia dormido como já não dormia há meses; tê-la ali o tranquilizava, o confortava, dava paz, ele se aproxima e beija a cabeça dela e inspira o cheiro dos cabelos dela, ele sente a mão dela acariciar a sua, o sorriso aumenta.

Emily levanta e corre para o banheiro, o corpo dela estava se livrando do álcool, ele vai atrás e segura os cabelos dela, a cabeça latejava, o estômago parecia não aguentar nada, mesmo com uma das melhores noites que teve no último ano, seu corpo estava um estrago, e vai escovar os dentes, ele sai do quarto e ela não entende o porque, se olha no espelho, os olhos ainda estavam inchados por causa do choro, fica se encarando tentando decidir o que fazer agora, eles haviam passado algumas noites juntos nos meses anteriores, mas não assim, sem sexo e com excesso de sentimento, nas outras noites eles simplesmente acordaram e continuaram como antes, porém agora não parecia certo, é verdade que ela já havia perdido todo o senso do que era certo e errado entre eles, ela ouve um celular tocar, volta ao quarto, no criado-mudo o aparelho tocava, pega por instinto, quando vê era o dele, na tela a imagem de uma mulher, não JJ, PG ou Tara, nenhuma das que trabalhava com ele, era a amante fixa dele, por assim dizer, aquilo a quebra, o celular para, uma mensagem.

"Te espero 12h no nosso restaurante, te amo".

Aaron desce em busca de água e algo leve para a esposa comer, quando ia subir com uma garrafa de água e um pote com algumas frutas cortadas olha para a sala, a caixa com coisas fora dela, ele vai até lá, começa a guardar tudo, e sua mete começa a vaga até o acontecimento, ele estava em Nova Iorque, o telefone toca, Emily havia ficado no meio de uma explosão, ele volta para Washington, chega ao hospital, eles corriam risco, ele não podia perder os dois, os médicos conseguem fazer o parto prematuro demais, estava apenas com seis meses, ela fica bem, o filho vai para UTI Neonatal, ele registra, os médicos fazem de tudo, mas não conseguem, Benjamin Leonard Hotchner não resistiu, morreu no segundo dia, eles recebem a notícia, era dor demais, David organiza o funeral, Emily se culpava, ele se adormentava, nosso filho, o pequeno havia ido embora, nós ficamos devastados, o caixão sendo enterrado; ele chorava como era difícil relembrar cada detalhe, coloca tudo o mais rápido que consegue e fecha a caixa, seca as lágrimas, pega as coisas e sobe.

Chega e a vê com o celular dele em mão.

—É melhor você se arruma ou vai se atrasar para o almoço.- Emily não o olhava.

—Como?

—Alicia estará 12h, no restaurante de vocês.- Ele não sabe o que falar, ela o olha analisando sua reação.- É melhor do que ficar bancando o marido preocupado- aquela frase o irritou.

—Você achar que isso é fingimento? Pelo amor de Deus, Emily, eu estou preocupado com você, sei como é difícil reviver tudo o que reviveu noite passada, sei que tá doendo mais que qualquer coisa, eu sinto essa dor assim como você, não finja que noite passada foi uma farsa, que não me preocupo com você de verdade, que só cuidei de você por cuidar, eu cuido de você porque eu te amo, eu te amo mais que tudo.- A mulher desvia o olhar e não diz nada, ele se cala leva as coisas até ela, e se agacha, como na noite anterior em frente à mulher, o olhar deles se encontram.

—Não preciso ser cuidada, preciso ser acompanhada!- Ficou confuso.- Aaron, não te quero escondendo o que sente, não preciso de você me esperando dormir pra chorar, quero você chorando comigo, pôde ser forte por você às vezes, não que seja sempre forte por mim, quando nós ficamos juntos buscava um companheiro – para de falar por um instante – quando nosso filho morreu você deixou de ser um, se tornou um protetor, não falava comigo sobre o que aconteceu, e percebi como eu te fazia mal, você estava carregando a minha dor e a sua; carregava tudo sozinho, eu era mais um peso, não podia ser só isso, então me fechei, não queria ser mais uma carga.

—Você estava devastada, não podia...- Ela interrompe.

—Você também, vinha nos seus olhos.

—Você o estava gerando.

—Você o amava tanto quanto eu.

—Por que não me disse? Por que me excluiu se sabia que eu precisava de você? Emily quando se tranca dentro de si é impossível entrar, você constrói uma muralha intransponível, pareceu que na explosão perdi tudo, mesmo você ainda estando aqui, sua recusa a mim, seu afastamento me corroíam por dentro, não aguentei, te ver se escondendo de mim, se esquivando, se ausentando, precisava de você, mas não te tinha, me perdi por completo, procurei os piores meios pra me sentir vivo.- Chorando Aaron olha para o celular.- Sabe há quanto tempo minha consciência me faz sentir um lixo? Isso é tão destrutível pra mim.- Ela seca as lágrimas com beijos, as testas coladas.

—Nós podíamos ter evitado tanto sofrimento.- Parece que a ficha dela cai, e Emily é tomada por amor, percebeu o mal que estavam fazendo ao outro, e naquele momento quis mais do que tudo recuperar a vida deles.

—Você acha que tem como voltar atrás?

—Não tem como, mas nós podemos continuar da maneira certa.

—Mesmo com tudo que fiz?

—Se você quiser tanto quanto eu, sim!- Ambos sorriem radiantes, se beijam, cheio de amor, o telefone dele começa a tocar, eles se separam, conseguem ver o visor, era Alicia, volta o olhar para a mulher com um medo de que ela volte atrás.

—É melhor atender.

—Posso fazer isso depois.

—É melhor não, vou está te esperando!- Garante Emily e coloca o celular nas mãos dele, o homem pega e vai para varanda.

A mulher fica no quarto, bebe um pouco de água e come uma parte das frutas que estavam ali, o estômago dela não se mostrava completamente a favor daquilo, olha para a sacada e Aaron parecia um tanto preocupado e nervoso, as mãos na cabeça, parecia explicar com delicadeza, porém a conversa era complicada, não queria ficar vendo aquilo, ela desce em busca de café, olha para a sala a caixa estava com tudo dentro, mas já havia visto tudo que tinha ali por tempo suficiente na noite anterior, e tentando ignorar segue para a cozinha, liga a máquina de fazer café, pega duas xícaras e cápsulas de café cremoso, as faz, no entanto seu olhar por vezes estava direcionado a sala, ela pega as xícaras o mais rápido que consegue e sobe, ao chegar Aaron estava saindo da varanda, meio cabisbaixo.

—Café?- Estendendo a xícara.

—Obrigado- sorri fraco.

—Sinto muito por isso.

—Não sinta, já devia ter feito isso antes.

—Isso tenho que concordar- fala de forma leve, para tirar a tensão do local, ele sorri com aquilo.

—Sou um pouco lento.- Emily sorri e coloca a mão na cabeça.

—Como detesto ressaca, o que bebi ontem?

—Pelo que vi, vodka e uísque.

—Vodka, lembrar de não comprar mais isso!- Meio que rindo da desgraça.

—Pode deixar!- Rindo da cara que ela fazia.

—Isso não é legal!- Indo até a caixa de remédios, toma um e se deita na cama, coloca a xícara no criado-mudo.

—Quer que faça algo?

—O que você pode fazer para me livrar dessa ressaca?- Com os olhos fechados, ele a beija.- Não sei se vai adiantar, mas não custa tentar!- Agora o olhava, puxa mais para perto de si aprofundando o beijo.

A mãos dela se afundam nos cabelos dele e passeavam por suas costas, as mão deles caminhavam por todo o corpo dela, boca beijava seu pescoço, e então o celular toca novamente, eles param.

—Só pode ser brincadeira.

—Atenda!- Ela ri da situação.

—Ou posso deixar tocando.

—Pode ser importante.- Aaron pega o celular sem sair de onde estava.

—Hotch... está tudo bem... eu sei que não me atraso... oh não, não Garcia, não está acontecendo nada de grave... sim, ela está bem... não se preocupe-a mulher segurava o riso-... preciso organizar algumas coisas... certo, se aparecer algo urgente me ligue.

—Penélope?

—Acredita que ela estava nervosa comigo?

—Está 1 hora atrasado, não a culpe, você que é sempre pontual e certinho demais.- Ele ri, se estica e pega o celular dela o entregando.

—Sua vez.

—O que?

—Avise que não vai hoje.

—Quem disse que não vou?- O olha desafiadora.

—Você não pode ir, olha o seu estado, não pode aparecer de ressaca.

—Oh claro, minha ressaca.

—Claro, nós só ficaremos em casa pra cuidar da sua ressaca.- Emily pega o telefone e faz a ligação, ele desliga o celular dele e joga em um canto e faz o mesmo com o dela.

—Ei, eles podem nos ligar.

—Se for importante dão um jeito de nos achar, mas isso não vai nos atrapalhar mais hoje.

—Acho bom.- O puxa pra si.- Temos que colocar tudo em dia e claro curar minha ressaca.

—Nós daremos um jeito nisso!- Volta a beijá-la.

“A vida não pode ser escrita a lápis. Você não pode apagar um erro, e corrigi-lo. Mas pode recomeçar em outra linha.” Autor Desconhecido

Notas finais
Como foi????? Eu to tão ansiosa para saber o que vocês acharam, conte pra mim, ok? Comentários, amo eles, sou louca demais rsrsrsrsrsrs me façam feliz, por favor! Beijos, JA
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!