Uma chance de ser mais
11 Capitulo 10 - Conflito
Notas iniciais
Me sentia horrível, pior impossível. Espera, seria possível sim, se aquela enfermeira aparecesse falando que Lydia tinha... Eu enlouqueceria. Não conseguia tirar de dentro de mim a culpa que me consumia, de algum modo eu sabia que aquilo era culpa minha.
Minha cabeça explodia de dor e flashes desconexos de mim mesmo naquele mercado dias antes. Minha cabeça estava confusa e isso já havia acontecido uma vez e parece que estava acontecendo de novo, o que me apavorava mais e mais. Como dar essas suposições a Scott e Lydia. Nenhum de nós aguentaria novamente um retorno... Dele.
Passei a mão pelos cabelos, nervosos. Tudo que eu precisava era de noticias de Lydia.
–Stiles...
Não, aquela voz de novo não!
–Viu como é fácil para mim? Fácil ter o controle de tudo, manipular e causar dor. Você não pode fugir de mim, ninguém pode. Agora você precisa colaborar ou as coisas vão piorar.
Colaborar com o que?-Pensei, sabendo que ele podia ouvir. –Não vou tira-lo dessa caixa.
Eu quase podia ouvi-lo rir doentiamente.
Não é isso que eu quero, é outra coisa, logo você vai saber, mas até la. Não ouse falar qualquer palavra sobre o que está acontecendo.
Está maluco se acha que não vou dizer nada do que esta acontecendo. Comigo falando ou não alguma coisa você vai continuar causando dor, matando pessoas.
–A questão é que não estou lhe dando uma escolha, se você sequer pensar em falar eu vou saber, então vou assumir o seu controle e impedi-lo, você não tem escolha ou sequer controle dos seus atos, não mais. Mas eu achei que gostaria de saber que em alguns momentos vou deixa-lo ser você enquanto não é útil para mim e se quiser continuando ter essa liberdade, fique quieto, ou eu o impeço de contar a verdade e nunca mais poderá sequer levantar um dedo por conta própria.
Senti minhas mãos tremulas e respirei com dificuldade. Senti uma mão em meu ombro e me virei, encontrando Scott.
–Stiles, ela vai ficar bem cara, calma. –Tentou me acalmar, mas eu podia sentir sua voz tremula também.
Olhei em volta notando que Kira não estava ali, alias eu não a via há algum tempo.
–Scott, onde está Kira?
Ele franziu o cenho.
–Ãn? Kira viajou por uns dias com os pais, eu lhe contei Stiles, lembra-se?
Ele contou?
–Ah... E-Eu... Claro que sim, só achei que ela já tivesse chegado.
–Acho que amanhã a noite ela terá voltado.
Desviei o olhar do dele, balançando o corpo de forma hiperativa, eu não aguentava mais esperar. Horas se passaram quando finalmente Melissa chegou na sala de espera e nos olhou. Um alivio enorme percorreu o meu corpo ao perceber que ela abriu um sorriso ao se aproximar.
–Ela está bem, deve acordar daqui a pouco. Os ferimentos não foram graves, tivemos apenas que dar alguns pontos no ombro, ela ficará bem.
Respirei aliviado.
–Eu posso entrar para vê-la? –Perguntou a mãe de Lydia.
–Claro, dois por vez.
Scott e eu nos entreolhamos.
–Vai lá cara, você vai ter um ataque se não a ver logo. –Scott sorriu ao dizer, era visível seu alivio tanto quanto eu, acho que nenhum de nós aguentaria outra morte no grupo.
–Valeu.
Acompanhei a mãe de Lydia até o quarto e meu coração se apertou ao avistar Lydia ali, deitada na cama de hospital com os aparelhos cardíacos ligados ao seu corpo. Alguns arranhões na bochecha e na sobrancelha. Me aproximei de um lado da cama e Sra. Martin do outro lado. Seus olhos estavam vermelhos pelo tanto que tinha chorado quando chegou.
Peguei a mão de Lydia e passei meu polegar carinhosamente ali. Olhei sua mãe que também segurava sua outra mão que estava envolta com algumas faixas.
–Me desculpe. –Deixei escapar, sem me conter, a culpa me consumia. Eu quase havia matado a garota que eu amo, e uma dor inexplicável esta ali dentro de mim. A pior parte é que eu não podia contar a eles. Nogitsune não permitiria e a sensação de senti-lo se alimentar da minha dor era quase palpável por mim, ele estava ficando mais forte e eu não podia fazer nada.
–O que? –Sra. Martin perguntou. –Te desculpar pelo o que?
–Eu... Eu estava lá e não consegui fazer nada. Eles foram comigo, eu pedi a eles para irem comigo e...
–Stiles! Não diga isso, por Deus, isso não foi culpa sua Okay? Aconteceu. Algum maluco teve essa ideia horrível e a policia já está cuidando disso. Tenho certeza que seu pai logo vai pegar o culpado.
Engoli em seco assentindo apenas para encerrar o assunto. Também tinha meu pai. Novamente o colocaria nessa situação. Nogitsune iria colocar o terror na cidade de novo, problemas apareceriam. Problemas que meu pai não podia resolver, por estar fora do alcance dele e novamente seu filho seria culpado pelas mortes sem explicação. Ele não teria um culpado para o que iria acontecer e isso poderia novamente colocar em risco seu emprego.
TRÊS DIAS DEPOIS
POV Lydia
Stiles apareceu ao meu lado nos corredores da escola, indo para meu armário.
–Bom dia. –Eu disse, beijando sua bochecha.
–Bom dia. –Respondeu sorrindo. –Você está melhor?
–Estou Stiles, relaxa, vou ou médico hoje, acho que já vou poder tirar isso do meu braço. Não doi mais. –Respondi.
Cheguei em meu armário e o abri, deixando meus livros pesados ali e só tirando o de matemática.
–Posso ir com você se quiser.
O olhei e o analisei rapidamente. Estava com olheiras profundas, cabelos mais desarrumados que o normal e até mesmo parecia meio pálido. Momentaneamente pensei no modo estranho que ele tem agido desde o acidente no mercado. Na verdade ele já estava um pouco estranho antes disso, mas depois ficou ainda mais diferente.
–Claro, podemos dar uma volta depois, aonde você vai me contar o que está acontecendo com você.
–O que? Como assim o que esta acontecendo comigo? Estou ótimo. –Respondeu, balançando as mãos imperativamente.
–Okay, então vamos falar disso agora Stiles.
–Lydia...
–Não. Eu já te perguntei ontem e você ficou enrolando. Anda muito estranho, não só comigo. Você não responde mais perguntas na sala de aula, foi mal prova de matemática passada, coisa que nunca aconteceu. Esta com... Essa cara de quem não dorme há dias ou sequer come. –Eu mal o deixava falar, citando tudo o que conseguia me lembrar no momento. Ele me diria o que estava acontecendo e seria agora. –Sem falar nas coisas estranhas que tem acontecido com seus poderes, por exemplo, você... Sei lá, eu sei que tem algo errado Stiles não pode esconder de mim. Disse que me ligaria noite passada e não ligou. Sempre enrola quando te pergunto o que está acontecendo. Parece até que você esta sendo... –Parei no meio da frase me tocando com o que eu ia dizer. Isso o amedrontaria. Stiles tinha muito medo de algum dia Nogitsune o possuísse outra vez e eu não podia soltar essa possibilidade assim em cima dele. É claro que isso não estava acontecendo.
Ele respirou fundo.
–Não esta acontecendo nada comigo, é impressão sua.
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POV Stiles
Tudo que eu queria era gritar para ela o que realmente estava acontecendo. Mas eu não conseguia, um bolo me sufocava e parava em minha garganta me impedindo de dizer o que eu queria. Me sentia estranho, como se flutuasse de um modo ruim e nauseante. Minha cabeça começou a latejar e percebi que não conseguia mexer os dedos de uma das minhas mãos, mas os via se mexer. Meus lábios se moviam dizendo algo a Lydia e comecei a entrar em pânico, ele estava tomando o controle.
Senti as mãos de Lydia em meu roso e sua expressão preocupada.
–Sei que algo esta acontecendo, Stiles... Você pode confiar em mim, eu vou te ajudar, assim como você sempre me ajuda.
–Não preciso da sua ajuda. –Eu disse, quer dizer, as palavras saíram da minha boca, mas não foi o que eu quis dizer. Lydia! Eu tinha que avisa-la, ela precisava saber.
Em uma recuperação rápida de controle ergui meu braço e segurei seu pulso, tentando avisa-la de que algo estava errado. Eu não conseguia falar nada, era desesperador. Mas fiz o possível, sem querer soltar seu braço. Meu braço tremia enquanto eu lutava para ter controle dele. Nogitsune queria me impedir de toca-la e eu estava lutando contra ele.
Observei os olhos de Lydia me olharem intrigada, enquanto minha boca traíra dizia palavras que eu não queria dizer.
–Não preciso da sua ajuda e não preciso de você Lydia!
A olhei desesperado, mas consciente de que esse olhar não era o que ela estava vendo, pois não era eu quem estava no controle.
Minha mão soltou seu braço e o desespero cresceu ao sentir que estava me afastando dela. Lydia me olhava chocada e magoada, esse olhar doía.
–O que? O que você esta dizendo? Isso não é verdade. –Pude ver seus olhos marejados.
Claro, Lydia notaria que algo estava errado, ela nunca acreditaria que eu estava dizendo algo assim pra ela. Não seria tão fácil Nogitsune engana-la.
Ouvia os passos de seu salto andando atrás de mim. Saí pela porta da escola chegando ao pátio vazio, já que era para todos estarem na aula. Eu só queria ter o controle do meu corpo, parar de andar, me virar e pedir desculpas eternamente para ela e acima de tudo contar o que estava acontecendo realmente.
Até que alguém que eu não imaginava encontrar novamente tão cedo, entrou em meu campo de visão. Malia? Ela estava ofegante e parecendo um tanto desesperada. Parou na minha frente receosa, que estranho. Será que ela... Sabia?
Eu queria gritar seu nome, implorar para que contasse a verdade para Lydia. Malia se encostou na parede parecendo muito cansada.
–Stiles! –ouvi Lydia me chamar, finalmente chegando ao pátio também. Meu rosto a olhou por um momento e depois para Malia.
–Lydia! –Gritou Malia. Torci como nunca para que ela dissesse a verdade para ela.
Até sentir meu corpo correr até Malia, uma das minhas mãos empurrou sua cintura contra a parede e a outra encontrou sua nuca a puxando para mim e selando nossos lábios. Entrei em desespero ao ouvir os passos de Lydia parar atrás de mim.
Aquilo tinha que parar, eu precisa olha-la e me explicar, mas sentia de uma forma estranha, meus lábios nos de Malia, ela parecia lutar contar, conseguindo se afastar por segundos em tempo de balbuciar qualquer coisa incompreensível e meus lábios se apossar dos dela novamente. Sentia minhas mãos apertarem seu pulso com força e aquilo devia estra doendo. Aquela não era a minha força, era a força dele, a força dos meus poderes, dos seus poderes.
–Se contar a ela eu a mato bem aqui na sua frente, vai viver com essa culpa e Stiles irá te odiar para sempre. –Me ouvir dizer no ouvido de Malia, voltando a beija-la. -Agora encene. –Murmurei uma ultima vez.
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POV Lydia
Meu estomago se revirava e meus olhos se enchiam de lágrimas, Stiles estava ali se agarrando com ela, bem na minha frente. Meus olhos estavam cegos pela raiva que começava a me consumir.
Me aproximei da ceninha dos dois e quando percebi estava gritando com ele.
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POV Stiles/Nogitsune
–O que esta fazendo? –Ouvi Lydia gritar. Meus lábios se separaram dos de Malia, nós dois estávamos muito ofegantes e Malia me olhava com pesar, parecendo não saber o que fazer.
Eu sabia o que se passava na mente dela, ela estava pensando na ameaça de Nogitsune, sabendo que se ele matasse Lydia tudo se desmoronaria, que eu quebraria e me culparia pelo resto da minha vida, cada segundo e que nunca mais seria o mesmo. Provavelmente também estava pensando que eu a odiaria, como Nogitsune tinha lhe dito.
–Claro, agora tudo faz sentido. Por isso estava tão afastado de mim nos últimos três dias, por isso andava estranho daquele jeito? Porque você...
–Porque eu não preciso de você, não vê o quanto me machucou todo esse tempo? Me ignorou por anos e agora vem achando que vai ter algum lugar especial dentro de mim? Não vai! Cansei de esperar Lydia, o mundo não gira em volta de você e é tarde demais. Não sinto mais nada por você, cansei de esperar, de ser ignorado e ver você ficar com tantos garotos melhores do que eu e fingir que não existo. Mesmo depois de virarmos amigos, você continuou agindo como se não soubesse do que eu sentia por você, você me fez muito mal e finalmente me dei conta disso, cansei de me preocupar com você, de ouvi-la reclamar de seus poderes ou de ouvi-la contar sobre seus pesadelos, tenho meus próprios problemas para pensar sabia.
Mas do que diabos ele estava falando agora? Eu amava Lydia, não havia desistido dela, apenas deixado um pouco de lado esse sentimento e me permiti ser apenas seu amigo, eu a amava e Lydia sabia disso certo? Mas o mais importante... Porque ele falava com ela como se ela gostasse de mim também? Quer dizer... Nós tínhamos nos beijado aquele dia, mas... Não, Lydia Martin não gostaria de Stiles Stilinski desse modo, não mesmo.
As lágrimas rolavam visivelmente pelo rosto de Lydia e aquilo estava me quebrando.
–Pensei que fosse meu amigo, que gostasse de mim, e... –Ela sussurrou.
Eu não disse nada. Lydia secou as lágrimas, endireitando o corpo, ela era orgulhosa e em um momento como aquele não deixaria que eu a visse frágil, fez uma expressão raivosa, mas ainda estava visivelmente abalada.
–Você me queria longe de você? Ótimo! Foi o que conseguiu Stilinski.
Não Lydia! Não!
Eu gritava desesperado em minha mente.
–Lydia... –Ouvi Malia dizer atrás de mim pela primeira vez. A olhei apavorado e ela se calou, provavelmente Nogitsune a olhou de forma ameaçadora.
–Adeus Stiles. -Esbravejou Lydia pela ultima vez, me dando as costas e andando para cada vez mais longe mim.
Não! Não faça isso, me deixe ter controle!
Eu sentia algo estranho, como se estivesse ficando mais forte, uma sensação prazerosa que agora percebi que de certa forma eu estava sentindo durante toda a discussão. Ele estava se alimentando.
Me virei para Malia que tentou se afastar, mas minha mão foi rapidamente para sua cabeça e a empurrou para a parede com força. Malia caiu desacordada na minha frente e o desespero só cresceu dentro de mim.
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