Uma aleatoriedade de textos ao acaso
1 Sobre viver de luzes apagadas
Hoje eu ouvi a seguinte frase: "Apaixone-se pelo imprevisível."
E então, tudo fez sentido.
A sensação que eu vinha sentindo durante tanto tempo, esse vazio, essa dor latente que me leva a pensar que, às vezes, eu preferiria não estar aqui... tudo isso tem uma causa: O imprevisível. E eu não era apaixonada por ele.
Eu sempre tive uma forma não muito bem sucedida e saudável de lidar com o imprevisível: tentar tornar-lo previsível. Canais no youtube sobre tarot, tiragens que prometem revelar seu futuro amoroso... são passatempos que me instigavam — instigam, ainda, confesso -, mesmo que, no fundo, eu saiba que se tratam de soluções ilusórias. A vida parece adquirir um manto de estabilidade quando escolho tiragens boas no tarot, que me dizem o quão sucedida serei, que em breve surgirá o homem perfeito ou que minha vida será maravilhosa. Isso me consola e me fez pensar que o futuro será bom e continuo, ultrapasso momentos ruins, porque isso me dá ânimo pra continuar a viver.
Lidar com o que não se pode prever é um verdadeiro desafio. Como continuar vivendo sem um pingo de esperança? E aos que tem esperança, como fazem para a ter? Seria a esperança uma crença ingênua e fervorosa em ilusões? Realmente não sei a resposta. Não sei se gostaria de saber também. Dizem que a graça da vida está no imprevisível.
Se você soubesse como iria ser sua vida inteira, como seria? Também não sei essa resposta, ou ao menos nunca cheguei a uma conclusão sequer. Entro em pânico, admiro, reflito, entristeço... mas o imprevisível me fascina de um jeito estranho... Talvez seja essa sensação de que posso ser surpreendida a qualquer momento e que minha vida pode mudar radicalmente assim como a roda da fortuna — para os que creem no tarot, como eu -... Definitivamente, isso assusta e dá medo, mas também excita.
Tenho permanecido em um hiato, esperando o momento da grande virada. Não sei se haverá uma grande virada, mas é esse o modo no qual me encontro: prendendo a respiração e esperando algo. Uma familiar sensação me assalta. Borboletas no estômago, nervosismo latente, como se estivesse apaixonada, quando na verdade, são apenas os sintomas de viver com as luzes apagadas.
Sei que quando eu olhar pela janela, não serei mais a mesma, e espero mesmo que eu não seja. Quando eu olhar para fora, verei o azul melancólico do fim de tarde... uma imensidão que promete o infinito. Talvez eu chore por não ter controle de nada, talvez eu sorria por estar em um ponto tranquilo da vida, talvez eu me sinta letárgica por sentir que nada acontece, talvez eu seja invadida por uma alegria pueril e insana simplesmente por fitar o céu azul em um dia bonito... talvez, mil talvezes... Não sei como acordarei ou se acordarei amanhã, mas, se há algo que sei é que nunca estarei imune à dor e à magia que é viver — e se me permitem a redundância — o imprevisível.
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