Uma aleatoriedade de textos ao acaso
15 Sobre os porquês da vida
"As coisas são porque são."
Esse foi o pensamento que mudou minha vida em um entardecer à beira de um rio. Acredito que a natureza sempre nos convida à reflexão. Depois de tantos maus dias, sinto-me recuperando aos poucos quem eu era. Foi então que eu soube ao refletir e encarar as margens. Milhões de perguntas quiseram vir à tona, mas eu as contive porque subitamente encontrei as respostas que vinha procurando durante todo esse tempo: porque é.
Estive submersa, as vezes sem oxigênio. Como foi difícil sobreviver a cada dia lutando contra mim mesma, lutando contra pensamentos negativos. Eu quis submergir de vez e nunca mais voltar. Como uma criança que respira pela primeira vez, ao voltar, eu senti como se fosse a primeira vez. A primeira vez em muito tempo desde que eu respirava sem reservas, sem medo, o ar puro. É a primeira vez que me sinto de volta à superfície, não mais lutando contra ondas terríveis para sobreviver, mas sim em águas tranquilas, as ondas batendo suavemente no meu peito, aves cantando ao céu... é assim que me sinto.
Agora volto a me conhecer também e esse é um processo contínuo. Pergunto-me o porquê de tudo o que aconteceu e só consigo encontrar uma explicação: porque é, porque foi. As coisas sem explicação, as ondas selvagens... é preciso se afogar para entender que às vezes não há palavras suficientes para explica-las e nem necessidade. Elas são porque são e essa é a coisa mais bonita que podemos fazer por nós mesmos: deixa-las ir assim como chegaram.
Se alguém me perguntar como estive tanto tempo submersa, não posso dizer porque é, só posso dizer que é fácil, muito fácil.
Abraço a mim mesma ao sair da água, um abraço pra lembrar que estive sempre aqui, às vezes submersa ou paralisada pela tristeza ou pelo medo, mas estive sempre aqui. É como um batismo... sair das águas e me ver outra vez. Muita coisa mudou e ao mesmo tempo nada mudou. Olho meu reflexo refletido nas águas escuras e profundas, águas da minha alma, e tenho medo de cair lá de novo e me ver envolvida por ondas selvagens, fazendo-me afogar outra vez. Respiro fundo. Prometo a mim mesma não sentir mais medo. São só... sentimentos.
No céu, a lua brilha tanto que cega meus olhos. Uma lua como nunca antes. É como um despertar após um longo sono. Não sei onde estou, mas sei que esse é um lugar melhor. Sou alguém melhor. Sinto novamente fagulhas nas estranhas do meu corpo, estou queimando outra vez, um pouco timidamente a princípio. A luz da lua me alimenta, alimenta esse fogo que foi apagado há tanto tempo pelas águas escuras. Viro-me em direção aos astros e faço uma promessa de manter acesa essa pequena chama de esperança em mim.
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