Uma aleatoriedade de textos ao acaso
3 Sobre as fases da lua
É incrível e estranho como o tempo pode ser capaz de grandes magias — ou milagres -, deixo a cargo do leitor decidir.
Não vou dizer que o tempo cura tudo, mas o tempo tem uma característica que muito me interessa: a capacidade de proporcionar recomeços. A ideia de dividir uma determinada quantidade de tempo em dias, meses e anos é genial, justamente por nos permitir "zerar" aquela parcela do tempo não tão legal, apagar aquele caminho não tão bem sucedido, deixar para trás os sofrimentos e os amores e seguir em frente como um ser renovado.
É claro que nada disso é zerado automaticamente e as coisas ruins continuam lá, e nem seria bom que sumissem — mas disto, eu trato em outro texto. Porém gosto dessa ideia de pensar que eu posso mudar a cada ciclo, assim como a lua.
Eu gosto muito da lua e é difícil explicar qual o motivo da minha fascinação, que tem me impelido a querer tatua-la, inclusive. Gosto da ideia das fases. Fases me lembram ciclos, os quais me lembram a vida. Não é dizer que o mundo dá voltas, e sim que nós damos voltas e quebramos a cara, caminhamos por um determinado ciclo, temos fases felizes e tristes. E também temos a oportunidade de nos redesenhar a cada ciclo.
Essa ideia cíclica da vida às vezes me gera um pouco de pessimismo por pensar que nada é eterno. Quando conheço alguém, penso sempre em "Como será que irá acabar?" ou "Até quando iremos ficar juntos?" e já sou assaltada pelo medo de perder aquele momento. E acabo me esquecendo que momentos são marcados pela efemeridade.
Talvez eu esteja dando voltas. Eu não sou de planejar textos, tenho a natureza impulsiva dos signos de fogo; o que eu sinto, eu escrevo. Não sei se o texto irá alcançar a centelha do que sinto agora.
Hoje eu li a seguinte frase: "Aproveite a viagem". E isso me fez refletir sobre a vida. Talvez eu não devesse me ligar tanto ao fim. Me vejo tentando completar várias regrinhas sociais e me pergunto: O que fazer quando zerar a vida?
Digo por zerar a vida: Estudar, ter um emprego bom, casar e ter filhos. Zerar a vida parece sem graça e mesmo assim é um objetivo que gostaria muito de alcançar pra dizer que zerei a vida (?) E o que vem depois de zerar a vida?
Sempre me perguntei isso. Ao zerar um jogo, qual a sensação? Embora estejamos impelidos pela vontade de chegar ao topo, de zerar, ao final o que nos espera? A sensação de terminar gera satisfação e alívio, mas também um vazio. Esse vazio geralmente se dá pela sensação de não saber o que fazer. E então surgem as lembranças de ter gostado de jogar um certo nível ou do quanto se divertia enquanto jogava. Essas lembranças refletem muito mais a nossa caminhada do que o fim, em si.
O que quero dizer na verdade é que mais valem os momentos do que se apegar ao final. Em muitos momentos do ciclo passado eu estive presa a finais, ao meu passado, e verifico que este não é um problema apenas meu. Tendemos a viver demasiados presos ao passado. E por quê? Já não vale sonhar um futuro?
A minha resposta seria: Sempre acho que não vou viver nada que supere a experiência anterior. Talvez eu coloque muita fé nas coisas do agora, tanta fé que me cega para o futuro.
Mas a vida mostra que temos novos ciclos. Eu e você, leitor. Temos novos ciclos e podemos e devemos nos libertar dos ciclos passados — e aprender com eles. Essa é a dádiva do tempo. Essas reticências [...] eu posso completar com o que eu desejar enquanto eu viver.
Enquanto somos lua, que sejamos gratos por cada fase. É o que desejo. Olhe para esse novo ciclo da melhor forma e "aproveite a viagem".
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