Uma aleatoriedade de textos ao acaso
4 Sobre a lentidão da vida
Fecho os olhos tentando captar uma energia boa que me faça acreditar na vida. Tento dizer a mim mesma que tudo é fase, aprendizado.
"Esses momentos ruins vão passar".
Mas a verdade é que não passam.
A cada dia me sinto pior. Estou tanto nesta casa que mais pertenço à mobília. Já não me sinto confortável onde estou. Lateja em mim uma ânsia forte de mudança. Aspirar novos ares, conhecer novas pessoas que me façam acreditar que a vida vale a pena ser vivida.
Sei que vale a pena e sei que eu deveria me bastar. Acontece que no momento eu não me basto, no momento eu preciso que alguém me dê a mão, um abraço e diga que é só uma fase ruim e vai passar.
Estou cansada de esperar pelo melhor. Esse melhor que nunca vem. E espero, espero e espero. Uma vida de espera pelo quê? Será mesmo que vale a pena? E quando eu consegui-lo, estarei feliz?
São questionamentos que me faço... Por ora, estou cansada e meu corpo dói. Não é apenas uma dor física, mas uma dor que vem da alma. Tudo dói e cada pedaço do meu corpo me lembra de que sou.
Eu sou.
E ser é tão complicado.
As vezes não quero mais ser, porém me permito viver mais um dia, por mais doloroso que seja, porque talvez, quem sabe, amanhã seja melhor e eu encontre o que venho esperando. Por enquanto dói e a extensão dessa dor na linha do tempo da minha vida eu não sou capaz de medir. Às vezes gostaria de prever o futuro.
Desculpe, as palavras estão um pouco rebeldes e por demais melancólicas hoje.
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