Uma Vida - Inacabada
3 Capítulo 3
Coisa Linda
''Você é o que me faz ser eu
O que me faz sorrir
Quando eu caio e não consigo me recuperar,
recuperar, me recompor''
(Grace Vanderwaal — 2016)
****
Fecho meus olhos no tempo em que Camila penteia meus cabelos devagar para não machucar meu couro que está dolorido pela agressão. Consigo sentir cada parte do meu corpo se arrepiar por causa da dor que estou sentindo a cada escovada do pente. Sei que Camila também sente minha dor, não é por nada, que ela está quase desistindo de terminar de pentear meus cabelos, insisto:
— Continua. Você pode continuar, eu aguento. — minha voz saiu tão fraca que eu cheguei a pensar que nem terminaria a frase.
— Por que fizeram isso com você?
Eu tento pensar em alguma resposta para a sua pergunta, porém nada vem à mente eles fazem por fazer, fazem por que gostam de causar dor. Tento sentir o aroma de rosas nitidamente em minhas narinas, um cheiro agradável impossível não sentir o seu cheiro ao passar perto do jarro. Era rosa de pétalas macias uma cor marcante e inesquecível. Eu observo ela tocar delicadamente meu rosto que pela expressão em seu rosto está marcado a mesma passa seus dedos em volta do meu olho direito eu tento não demonstrar que estou sentindo dor não afasto meu rosto por nenhum segundo, a dor no fim, se torna um refugio. Ela me olha triste voltando a tocar meu rosto e ouço sussurrar:
— Eles. São tão maus.
— Sim. — admito com a cabeça.
Vejo-a me abraçar, vislumbro a janela do galpão observo uma linda borboleta caminhando pela janela, ela tem listras em suas asas que se notar bem formam o número 88. Sorrio de canto quando a vejo entrar dentro voar em nossa volta e a vejo pousar na perna de Camila que solta um riso e logo em seguida voar novamente. Eu pego a mão de Camila e a seguro em meu peito e digo confiante:
— Eu acredito em nossa liberdade. Seremos livres ainda minha amiga.
Ela abre um lindo sorriso em seu rosto e dessa vez eu posso dizer que é um sorriso verdadeiro. Dou um beijo em sua testa e deito do seu lado observando a linda borboleta sair pelo mesmo lugar que entrou provavelmente ela voltara para casa e um dia nós também voltaremos para nossas.
***
Ultimamente Camila anda tão cansada, sonolenta e com muita dor de cabeça. Sua pele está mais pálida do que o habitual. Acaricio delicadamente seus cabelos curtos, observo um sorriso de canto aparecer e ela segura minha mão apertando-a levemente a vejo sussurrar:
— Eu te amo demais, Nadia. — sorri acariciando meu rosto. — Você é uma ótima amiga.
Eu beijo sua testa e a vejo adormecer. Sinto lágrimas brotarem em meus olhos, limpo-a antes que elas começassem a cair do meu rosto. É como se eu soubesse o que há de errado com ela, mas ao mesmo tempo eu não sei, e é o que me deixa mais preocupada, não saber. Ela está cada vez pior e eu estou com medo, medo de ela me deixar aqui eu não quero ficar sozinha nesse lugar. Não quero que ela desista agora, não agora.
Camila acorda melhor depois de um tempo e ficamos conversando enquanto observamos a janela escurecer. É um tédio ficar dentro desse quarto dia após dia sem nada para fazer além de conversar. Ao anoitecer, nós ouvimos a porta se abrir eu seguro a mão dela olhando-a nos olhos, nossos olhares já dizia o que iria acontecer a partir dali passa delicadamente seus dedos em minha bochecha em um gesto carinhoso e o vejo afastá-la de mim tento ir com ela, porém os dois do lado dele me seguraram. Simon a faz sentar na cama dela e ele fica acariciando sua mão pelo rosto dela, vejo lágrimas começarem a descer pelo seu rosto e a vejo sorrir verdadeiramente para mim.
Sinto lágrimas começarem a brotar em meus olhos, ela volta os olhos para ele observando-o com fúria e a mesma o chuta no meio das suas pernas. Observo ele se ajoelhar no chão xingando-a enquanto geme de dor. Ela se afasta dele e começa a chorar dizendo:
— Não faz isso comigo. Por favor. Não hoje já chega disso.
Ele se levanta depois de um tempo, eu tento sair do meu lugar imaginando o que iria acontecer a partir dali, no entanto, Rodrigo me impede segurando meu braço eu faço força para me soltar, porém ele é forte demais. Simon olha para mim sorrindo e diz:
— Ah, Camila por que tinha que me provocar.
E o vejo começar agredi-la, ela grita sem parar pedindo para ele parar, eu começo a chorar querendo ajudá-la, mas ele não larga minhas correntes:
— Por favor, o faz parar — choramingo fazendo força sentindo meus pulsos sangrarem. — Pare! Pare de bater nela!
— Eu não posso fazer nada, fica quieta! — sussurra.
— Ele está machucando ela! —desabo de joelhos no chão. — Pare, por favor, bata em mim, mas deixe-a em paz, pare, por favor. — suplico ouvindo-a chorando baixinho.
Simon para de machucá-la e me olha nos olhos chega perto de mim acaricia meu rosto e logo sem seguida coloca sua mão esquerda em meu pescoço e me levanta no ar, me sufocando enquanto sorri e acrescenta:
— Quanto tempo será que ela levara para se curar de socos?
— Não, não, não. — minha voz sai baixa em meio ao sufoco de não ter ar.
Ele me joga no chão eu tento segurar seu braço o que resulta em um tapa forte na minha cara, posiciono minha mão sobre a parte em que lateja de dor, consigo imaginar em minha mente o vermelhidão que irá surgir daqui um tempo. Ele chega perto dela desfecha dois golpes em sua barriga ela se contorce colocando as mãos na barriga a mesma começa a tossir descontroladamente, no tempo em que ela começa a chorar eu tento sair do meu lugar para poder consolá-la, no entanto, Simon me vê chegando perto dela e brada tão alto que chega ecoar pelo quarto e me assustar mais do que já estou assustada:
— Fique no seu lugar!
Eu paraliso na hora, abaixo minha cabeça e observo o chão tentando conter minhas lágrimas que insistem em continuar descendo, tento levantar minha cabeça para encará-lo, porém o medo me consumiu. Eu ouço trovejar nervoso:
— Sua imbecil, isso é para você aprender a não mexer comigo.
Ele passa sua mão por sua cabeça tentando provavelmente se acalmar o mesmo olha seus companheiro para que certamente saíssem do quarto deixando nós as sós com ele, sinto meus batimentos aumentarem quando percebo que estamos sozinha com ele, Simon se agacha diante de mim toca meu rosto na parte em que ele desferiu o tapa e em seguida se levanta saindo do quarto dizendo:
— Você estragou o clima hoje Camila. Mas se fazer de novo mato vocês duas. — fecha a porta atrás de si.
Eu posso minha mão em meu rosto que ainda posso sentir doer, eu vislumbro Camila que continua a chorar compulsivamente, eu vou até ela as partes visíveis de seu corpo estão de fato com hematomas que estão roxos e vermelhos, as feridas que estavam se cicatrizando voltou a sangrar, seu olho esquerdo está inchada e um pouco vermelha, a boca dela tem um pequeno corte que sangra e que ao mesmo tempo está ficando inchada. Ela continua a tossir sem parar eu passo minhas mãos pelas suas costas para vê se eu consigo aliviar o incomodo que Camila está sentindo. Eu a vejo parar de tossir como antes a mesma segura minha mão forte e sussurra numa voz rouca:
— Eu vou ficar bem. Prometo que irei ficar bem.
E ao terminar de falar volto a chorar novamente, eu deito do seu lado e ela pousou sua cabeça em meu peito abraçando-me tentando parar de chorar. Quando ela parou de chorar eu já não ouvia mais nada provavelmente eu dormi e supostamente ela também com toda dor que ele causou é um grande alivio pensar que ela conseguiu dormir.
Acordo sentindo uma leve dor de cabeça eu coloco minhas mãos sobre as têmporas massageando-as, logo me lembro do que tinha acontecido na noite anterior olho na direção de Camila e a vejo continuar a dormir, no entanto, ela se afastou de mim e continua um pouco contorcida provavelmente ainda está com dor. Tento chegar perto dela, mas as correntes em meus punhos chegam ao limite. Franzo minhas sobrancelhas um pouco confusa por qual razão Camila estaria tão longe de mim? Eu a chamo numa voz calma e baixa:
— Camila, acorda.
Ela não me responde então repito no mesmo tom baixo:
— Camila, acorda.
Acho estranho ela nem se quer se mexer talvez esteja com raiva do que aconteceu e não quer papo comigo, não agora ou ela está com raiva de mim por eu não ter a ajudado, mas não foi por falta de tentativa. Espero alguns minutos, entretanto percebo que há algo de errado com ela eu estico meus braços e consigo tocar sua blusa eu respiro fundo ao sentir meus punhos latejarem por causa da força que fiz até conseguir tocar sua blusa. Tento novamente e consigo puxar sua blusa e arrastá-la até a mim eu observo-a e seu corpo todo está mais pálido do que costuma estar e logo percebo que ela não está respirando. Meu batimento cardíaco começa acelerar e meus olhos começam a se encher de lágrimas, sinto minha garganta começar a arder de vontade de chorar e eu acaricio o rosto dela que está gelado:
— Você não pode estar morta, não me deixa aqui Camila. — beijo sua testa tremendo.
Eu coloco minha cabeça em seu peito na esperança de ouvi a qualquer momento seu coração bater, lágrimas ameaçam cair a qualquer momento, eu suplico rouca achando que é uma brincadeira de mau gosto:
— Camila, por favor, acorda. Não faz isso comigo.
Eu a achocalho implorando enquanto as ameaçadoras lágrimas corriam pelo meu rosto:
— Minha amiga, não brinca comigo desse jeito. Vai, abrem esses lindos olhos Cami!
E desde começo eu não tive nenhuma resposta, acreditei cegamente que fosse apenas uma brincadeira chata dela, não era a primeira vez que ela fingia se de morta para cima de mim. Ela estava ficando rígida e manchas roxas já começaram aparecer por quase todo seu corpo e ali mesmo eu me toco que realmente ela está morta, minha melhor amiga está morta e eu não posso fazer nada é tarde demais, eu a perdi.
Cubro a boca com as mãos e solto um grito abafado, eu quero muito gritar alto, berrar para o mundo todo me ouvir para as pessoas sentirem o que eu estou sentindo nesse exato momento, porém não posso gritar simplesmente não posso. As lágrimas não param de descer pelo rosto minhas bochechas estão quentes e molhadas, muito molhadas.
"Porque ela Deus? Traga ela de volta eu preciso tanto dela! Por que esta fazendo isso comigo''.
Eu reclamo em pensamento isso é a única coisa que eu consigo pensar, enquanto sinto meu sangue ferver que ela me pertence ao mesmo tempo em que meu peito arde de tanta dor. E então eu simplesmente não consigo segurar a vontade de gritar, logo minha mente me tortura com todas as lembranças que passamos juntas, os segredos, seus ódios, alegrias, família, amigos e até mesmo momento engraçados e felizes que tivemos mesmo sofrendo muito, cada lembrança mais dolorosa que a outra, que ela nunca mais vivera. Eu grito desesperada me debatendo no chão me meios aos soluços. Logo eu ouço a porta se abrir e eles entram no cômodo sem entender o que esta acontecendo, Simon me olha nos olhos e franze as sobrancelhas ficando nervoso e brada:
— O que está acontecendo aqui?!
— Você... Você a matou. — falo quase sem voz.
Vislumbro Augusto chegando perto dela e colocando sua mão perto do pescoço dela para vê se tem pulsação, ele abaixa sua cabeça ficando imóvel por alguns segundos o vejo me fitar, eu posso ver em seu olhar o que ele diria a partir de agora:
— Sim... Ela está mesmo morta. — esclarece dando pequenas pausas.
Volto a chorar compulsivamente olhando para ela Simon chega perto de mim se agacha e tenta me tocar, porém eu me afasto ainda chorando e ele fala:
— Ela se foi querida, pare de chorar. — da uma risadinha.
— Canalha! — eu berro cuspindo em seu rosto.
Ele desfere um tapa tão forte no meu rosto que no momento eu não sinto a dor, o sentimento que tomou conta de mim foi a extrema raiva que estou sentindo dele. Ele franze suas sobrancelhas afastando-se de mim rosna olhando para o corpo de Camila:
— Tirem o corpo dela daqui, veremos o que faremos com ele.
Os dois fazem o que ele manda enquanto um sai com o corpo dela nas mãos o outro abre a porta para poder sair e assim eles saem me deixando sozinha no quarto, eu observo o telhado tentando não voltar a chorar novamente, mas é em vão e mais uma vez eu me pego chorando e dessa vez estou sem controle eu não consigo parar mais, vem em minha mente sua voz repetindo a mesma coisa ''vem vou cuidar de você agora'' como um mantra martelando meu cérebro sem parar, eu já sei que nunca mais ela cuidara de mim que nunca mais vou vê-la acariciar meus cabelos, eu estou sozinha agora e ficarei até meu ultimo suspiro. Deito minha cabeça na cama tentando suportar a dor que estou sentindo acabo apagando ali mesmo. É tanta dor em meu peito que chega a me deixar sem ar, eu preciso dormir para aliviar essa insuportável dor.
***
Já passou semanas desde morte de Camila eles levaram-na para algum lugar onde provavelmente ninguém a encontrara. Os abusos mentais e físicos ficaram mais freqüentes de me fazer querer está morta, querer ter morrido no lugar de Camila. Estou encostada na parede observando a janela onde eu tento de alguma forma fitar o céu azul, o cheiro do prato ao meu lado libera um cheiroso aroma, mas eu não consigo comer nada há dias e pago caro por isso, porém nada importa mais.
Suspiro enquanto tento coçar meus pulsos que com o passar do tempo ficou com feridas que quando se abrem são dolorosas. Eu ouço uma espécie de sirene que parece estar quilômetros de distancia de onde eu estou, consigo sentir uma leve esperança crescendo-se dentro de mim. Levanto-me rapidamente e coloco minhas mãos sobre a parede tentando escutar a sirene e realmente o som ficou mais alto. Tento arrumar forças para gritar por socorro, mas eu estou me sentindo tão fraca por não estar comendo há dias. Quando arrumo forças eu tento gritar alto, no entanto, minha voz aparenta tão baixa parece que até minha voz some no ar, presa nesse lugar. Eu ouço a porta de aço preto se abrir e rapidamente Simon corre na minha direção tampando minha boca impedindo-me de gritar novamente tento tirar sua mão da minha boca, porém ele aperta e Ricardo e Augusto me seguram impedindo que eu consiga me soltar e tirar a mão imunda dele, então Simon sussurra em meu ouvindo acariciando meus cabelos:
— Nunca vai ser encontrada você é minha para o resto da sua vida.
Lágrimas começam a brotar em meus olhos ameaçando a cair a qualquer momento a sirene que eu ouvia ficou mais alta dando a noção de que está chegando cada vez mais perto de onde estamos. Augusto tira as correntes dos meus pulsos e Simon comunica numa voz baixa:
— Vamos pela porta dos fundos.
Ele continua a tampar minha boca e sai arrastando-me até a porta dos fundos, ele abre a porta de correr que também é de aço e aquele clarão que invade o corredor, cega meus olhos por alguns segundos agora eu estou do lado de fora do galpão à brisa do vento faz meus cabelos balançarem lentamente. Eu olho em volta e tudo é cercado de alambrado e no topo com arame farpado para caso alguém queira fugir desse inferno. Ele me empurra para dentro de um carro prateado meio antigo com os vidros bem escuros e senta-se do meu lado Ricardo entra no carro e o liga, no entanto, Simon prende minha boca com um pano branco e em seguida passa seus dedos pelo meu rosto acariciando. Eu estou em choque não consigo me mexer, nem falar e nem reagir a nada tudo para mim não faz mais sentindo. Eu estou tão cansada de tudo, tão triste que eu não suporto a dor que eu carrego, mas depois do que ele disse a dor se tornou minha força, a única força que restou.
Saímos da estrada deserta e agora vejo que Ricardo está correndo por ruas que não faço à mínima ideia de onde é. Fecho meus olhos e suspiro lentamente voltando a me mexer, eu olho para trás e vejo Augusto e Valentin em um carro vermelho também antigo, logo noto a policia atrás deles eles se desesperam e correm mais rápido virando em uma rua aleatória. E eu me sinto aliviada, talvez agora eu possa ver minha família novamente. Simon vira meu rosto para frente e eu obedeço-o olhando para meus pulsos que estão coçando, vermelhos e feridos. Esfrego delicadamente para a coceira aliviar, Simon me olha e toca meu queixo dizendo:
— Você é tão linda.
Eu só abaixo meus olhos ele tira o pano preso em minha boca e expressa sua voz é bem rouca:
— Eu sinto muito por isso, mas não posso deixá-la ir.
Ele coloca suas mãos em meu pescoço apertando devagar o olho com medo sinto meus batimentos acelerados tento tirar suas mãos do meu pescoço, porém ele é muito forte percebo que já estou em lágrimas:
— Não, por favor! Não!
Então ele aperta com muita força eu me debato debaixo dele com esperança que ele me soltasse e deixasse-me respirar a qualquer momento. Será que esse é o meu fim? Eu vou morrer aqui? Não posso morrer não agora, agora não. Minha visão fica escura aos poucos já não consigo respirar ele continua apertando com a mesma intensidade, já não me debato mais, minhas forças estão se indo e eu estou ficando incapaz de lutar já não ouço ou vejo alguma coisa. Reparo meu corpo ser jogado do carro ainda em movimento, não vejo nada e nem consigo ouvir, porém eu sito a dor, o sofrimento de não conseguir respirar e a angustia do corpo. Passo minha mão lentamente para saber, pelo menos, saber onde estou, percebo que estou jogada em um gramado. Tento respirar normalmente, mas não consigo algo dentro de mim me diz que hoje é meu fim.
Sinto pessoas me tocarem, porém não ouço o que elas dizem minha visão está voltando aos poucos, mas está tão embaçada. Vejo uma garota morena de cabelos castanho-escuros brilhosos articular alguma coisa lentamente, porém eu não ouço nada do que ela fala percebo que estou sorrindo de canto enquanto observo-a.
Ela é minha única esperança agora, quando ouço alguma coisa só consigo escutar sirenes de ambulância, talvez seja da minha cabeça as sirenes, mas me conforta ouvi-las, reconforta saber que ela está aqui comigo. Mas logo eu fecho meus olhos e tudo se apaga, as sirenes, a moça em minha mente, a dificuldade de respirar, tudo apenas se vai como as ondas no mar.
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