Uma Sereia em Forks - Embry Call
29 29| Vampiros Legais?
— Por que estamos entrando no meio do mato? Você não está pensando em me matar, está? — Drica questiona após Edward entrar numa pequena estrada de chão escondida entre as árvores.
— Por quê? Está com medo? — rebati olhando a loira, sentada no banco de trás, pelo retrovisor.
— Não! Só não quero a Swan chorando por eu ter feito churrasquinho de você. — comenta sorrindo fazendo Edward revirar os olhos.
— Ele está nos levando para a casa dele. Lá é muito bonito, você verá quando chegarmos. — Bella fala tímida.
— No meio do mato? — Drica duvida.
— Você é muito hipócrita, você mora no meio do mato também. — Edward fala com desdém.
— Eu não sou hipócrita! E também não moro no meio do mato. A casa da Emily é na entrada da floresta, não no meio dela! — retruca ofendida.
— Lá é o único lugar onde eles podem ser eles mesmos, e eles não queriam correr o risco de alguém ver ou descobrir o que eles são por estar perto das pessoas. — Bella explica.
— Então não deveriam se misturar no meio dos humanos e nem se envolver com uma, nesse amor estranho de vocês. — Drica acusa.
— Digo e repito: você não tem moral pra falar, já que namora um lobo. — Edward retruca enquanto encosta o carro próximo à entrada da casa.
— Não tem nada de errado com os lobos! Eles são protetores do povo deles de criaturas como vocês. E eles continuam vivos e parte humanos, não são uns mortos-vivos que além de não terem um coração batendo ainda matam pessoas inocentes sugando todo seu sangue. — Drica responde.
— Nós não matamos pessoas! — Edward retruca a encarando pelo retrovisor.
— Então ninguém, nenhum de vocês nunca mataram ninguém? — Drica questiona irônica fazendo Edward desviar o olhar e Bella se encolher no banco. — Foi o que pensei!
— Carlisle, Esme e Alice, eles nunca... mataram um humano. Carlisle salvou todos nós, somente Alice e Jasper se juntaram a família algum tempo depois. — comenta com o olhar distante.
— Ele parece ser uma boa... pessoa?! — observa meio incerta.
— É ele é! — concorda Bella.
— Vamos entrar, estão todos esperando. Se estiver disposta a ouvir nossas histórias sem julgamentos antes, acredito que todos estariam dispostos a contá-las.
— Tudo bem, topetudo! Mas não prometo nada. — Drica responde a caminho da casa fazendo Edward revirar os olhos com o apelido. — Qual é a do topete esquisito? Parece mais uma imitação barata do Elvis.
— Não é da sua conta. — retruca.
— Ah, qual é? Você não disse que contariam suas histórias?
— Eu gosto. — murmura por fim e Drica arregala os olhos surpresa.
— Cada louco com sua loucura! — sussurra sem saber que todos exceto Bella havia escutado.
— Seja bem-vinda, querida! — Uma mulher de cabelos médios castanhos abre a porta segurando a risada. — Eu sou Esme Cullen e é um prazer te conhecer.
— Eu diria que o prazer é meu, mas... ainda não decidi nada sobre isso.
— Eu entendo, querida. — responde Esme com um sorriso amável no rosto.
Eles entram na casa, e Esme os guiam até a sala onde os outros estão reunidos. Todos encaravam a sereia com curiosidade.
Carlisle toma frente apresentando toda a família para Drica, que se sente um pouco intimidada por ter aqueles vários pares de olhos dourados a encarando, mas ela nunca ia admitir isso.
— Edward, nos contou que é uma sereia... — começa o patriarca fazendo Drica encarar o vampiro em questão, indignada. — Fascinante! Não sabia que existiam outros seres além de nós, os transmorfos e os filhos da lua.
— Incrível, como essa cacatua consegue ser mais fofoqueira que aquelas velhinhas que não tem nada pra fazer e senta na porta da rua pra observar a vida dos outros! — Drica comenta sarcástica fuzilando com o olhar.
A maioria dos vampiros segura a risada em respeito ao membro da família, porém Emmett explode que gargalhadas recebendo um olhar feio do pai e o irmão.
— Não foi bem assim... eu só disse porque talvez Carlisle soubesse algo sobre sereias. — Edward tenta se explicar.
Logo a vampira menor, de cabelos pretos – que não estava na noite anterior – se aproxima de Drica, saltitando e com um sorriso enorme no rosto.
— Eu sou a Alice. Não consigo ver nada sobre você, não sei se é pelo fato de ser sereia, ou porque você age por impulso e não toma decisões... mas sei que seremos boas amigas! — Alice fala a abraçando, que logo se esquiva do abraço.
— Eu acho que não... — Drica começa fazendo o sorriso de Alice sumir imediatamente do rosto. — Não me leve a mal, mas pessoas alegres e otimistas demais... me dão medo! Qual é?! Ninguém consegue ser feliz o tempo todo.
Alice volta rapidamente aos braços de Jasper, parecia uma criança emburrada por não ganhar algo que queria. Emmett continuava rindo apesar de ter sido repreendido, ele estava adorando o mau-humor da garota e como ela era direta. Rose ainda estava quieta ao lado do companheiro, um sorriso mínimo brotou em seu rosto ao reparar na sereia.
— Você se transformou em sereia ou sempre foi assim? — Edward questiona curioso.
— Pelo que eu me lembre vocês que iriam contar suas histórias, eu nunca disse que contaria a minha. Aliás, eu nem sei porque estou aqui. — Drica responde olhando para todos os presentes.
— Me desculpe, senhorita...
— Pode me chamar só de Drica mesmo. — Ela interrompe Carlisle.
— Certo, Drica! Bem... eu pedi ao Edward para te trazer aqui primeiramente porque estava preocupado com você após ser mordida por aquele vampiro.
— Eu estou bem.
— Se importa se eu olhar...? — Carlisle começa indicando o pescoço da garota, que parece um pouco relutante, mas concorda. Ele se aproxima de Drica tocando-a no local que estremece pelo toque gélido. No mesmo instante flashs da noite anterior vem a mente da garota a assustando. — Desculpe.
— Não tem problema... — Drica engole seco tentando se acalmar. — É só que me lembrou do que aconteceu... ontem.
— Espera! Ele disse o quê sobre o bichinho de estimação dos Cullen's? — Edward questiona encarando Drica preocupado e todos ficaram apreensivos de repente.
— O quê? — Drica pergunta confusa.
— O vampiro de ontem o que ele disse exatamente? — Edward começando a se irritar.
— Baixa a bola aí, topetudo. Espera... Você entrou na minha mente de novo? — Ela questiona irritada Edward que a olhava com a expressão culpada em seu rosto.
— Drica? O vampiro de ontem... ele disse alguma coisa? — Bella chama a atenção da loira.
— Eu não sei, Bella. Eu estava ocupada tentando sair dali pra prestar atenção no que ele dizia. — Drica responde e todos suspiram desapontados, até Carlisle havia parado de examiná-la para prestar atenção.
— Por favor Drica, tenta se lembrar é importante. — Bella insiste e todos a olham em expectativa, menos a loira Rosalie que parecia irritada com alguma coisa.
— Vou tentar. — Drica solta um suspiro antes de virar para perguntar a Carlisle. — Já terminou?
— Sim, e estou completamente admirado em como a srta. se curou. Mas se não for pedir muito eu poderia tirar uma amostra de sangue para fazer uns exames e uns testes?
— Você está parecendo o Leo! — ela solta um suspiro.
— Quem? — Carlisle questiona interessado.
— Um amigo meu, bom... ele costumava ficar pegando amostras de DNA pra tentar descobrir algo sobre esse negócio de sereia. — ela fala fazendo careta ao recordar das inúmeras vezes que entraram em apuros por causa dele.
— E ele conseguiu algo? — Carlisle questiona curioso.
— Na verdade, não, mas era engraçado ver ele tentar! — ela sorri com a lembrança dos amigos.
— Então... será que eu posso...? — Carlisle questiona indicando o braço da sereia.
— Claro.
Drica logo viu o Dr Cullen sumir e logo voltar com uma seringa, agulha e alguns frascos vazios. Ele disse um "licença" antes de amarrar o braço da loira e começar a retirar o sangue. Drica ficou curiosa com a naturalidade dele e perguntou.
— Como consegui? Você não se incomoda com o sangue?! Sabe, tipo querer enfiar suas presas em mim como o outro vampiro?
Carlisle sorriu.
Na sala estava apenas Drica, Bella, Edward e o dr Cullen. Os outros assim que viram que Carlisle ia tirar o sangue dela, eles saíram com medo de não conseguirem se segurar.
— Não.
Ele disse calmamente antes de continuar.
— Já são muitos anos de prática, o cheiro não me incomoda mais. Nem todos os monstros fazem coisas monstruosas!
Drica se encolhe se sentindo culpada por julgar eles sem nem ao menos conhecer a história deles.
— Eu sinto muito!
A sereia declara o observando encher a seringa com seu sangue.
— Não tem problema. — Carlisle sorri a tranquilizando. — Foi lhe apresentado uma versão da história. Nem todos os vampiros são como os quileutes contam.
— Eles contam também sobre os vampiros de olhos amarelos, sobre vocês. Que vocês não representam perigo para os humanos e por isso fizeram um tratado com vocês.
— Sabe, não é porque algo ruim aconteceu no passado que te dá direito de ser ruim. A vida é feita de escolhas! E aqui cada um, tenta ser o seu melhor para não ceder aos instintos do vampirismo. Prontinho.
Carlisle finaliza retirando o elástico do braço de Drica e distribuindo o sangue nos potes antes de guardar em seu escritório em velocidade vampírica e retornar a sala.
— Como se tornou vampiro? — a sereia questiona curiosa.
Carlisle contou sobre sua vida quando era ainda humano, como ele tentou suicídio depois que se transformou. Como ele descobriu que poderia sobreviver só com sangue de animais.
Contou em como ele estudou e se dedicou para ser médico e ajudar as pessoas. Contou quando ele 1911 cuidou de Esme, quando era adolescente, após ela quebrar a perna ao cair de uma árvore.
Falou em como ele transformou e salvou Edward, após sua mãe implorar pra ele fazer qualquer coisa para salvá-lo antes de falecer.
Em como mais tarde salvou Esme, após encontrá-la no necrotério onde foi dada como morta e seu coração ainda batia fracamente.
Como encontrou Rosalie na rua quase morta e a salvou. E como dois anos mais tarde Rosalie encontrou Emmett quase morto de ataque de urso o levando pra ele salvá-lo.
E como Alice encontrou Jasper e se juntou a eles, graças as suas visões.
Ele não aprofundou na história de nenhum deles, afinal cabia somente a eles contarem. Algo que Drica compreendeu, ela também não gostaria de alguém contar sua história sem sua permissão.
Os outros voltaram a medida que Carlisle foi contando a história de cada um.
A sereia observando todos reunidos na sala como uma família de verdade, decidiu que eles eram vampiros legais!
Ela franze a testa com tal pensamento.
Isso saiu mais estranho do que o esperado.
Vampiros legais?! Oras onde já se viu!
Mas ela achou eles legais, com exceção de Edward, é claro!
Drica não sabia porque ela não tinha simpatizado com o topetudo. Talvez seja pelo o que os garotos haviam falado sobre o namoro dele com Bella, ou talvez, seja o fato dele poder ler os pensamentos de todos. Inclusive os seus. Mesmo que seja em poucos momentos em que ela esteja descontrolada.
Drica acreditava ser a segunda opção. Ela odiava ter sua privacidade invadida.
E bom... Edward invadiu no momento em que ela estava mais fragilizada.
Talvez seja por isso que ela quase chegava a odiá-lo.
Ela decidiu ajudar, não sem antes almoçar a comida que Esme fez sem nem perceber enquanto estava absorta na história que Carlisle contava.
— Ele disse que um tal de Riley não ia gostar — ela tentava se lembrar — ele disse algo sobre visita. Ah, claro! Ele disse que era apenas para fazer uma visita ao bichinho de estimação dos Cullen's. Então vocês têm algum bicho de estimação? — questiona curiosa.
— Oh!
Bella solta assustada.
— Sou eu! Eu sou o bichinho de estimação. — a humana finaliza preocupada encarando o namorado que tinha expressão de dor e culpa em seu rosto.
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