"Estou decepcionada com você!"

A primeira frase que ouvi ao telefone me causou um certo impacto.

"Quê?"

"Saiba que foi a maior dificuldade para conseguir o telefone do Palácio de Buckingham! Mandei uma carta para o Stefan escrevendo meu telefone. Aí ele me ligou de volta e me passou o seu telefone. Estou sedenta por respostas! Você prometeu me atualizar sobre tudo, e aí, do nada, eu acordo com Suki no jornal desembarcando em Ottaro."

Osten havia soltado uma nota sobre a saída de Suki ser motivada por questões pessoais e um consenso com ele. E também disse que não pretendia fazer mais eliminações até o fim da viagem.

Depois de pedir muitas desculpas a Phoebe, contei-lhe sobre tudo o que ocorreu com Lorenzo, Suki e o karaokê, o que a trouxe um tanto de revolta. Tentando cortar o assunto comentei sobre Paige e o rei Nathaniel.

"TÁ DIZENDO QUE ELES VIRARAM UM CASAL??!!"

Minha primeira fonte de informação foi Osten: ele flagrou ambos durante os dias em que ficamos num resort em Carolina para o casamento da May. O restante foi passado por Paige, depois de um interrogatório de Jade.

Expliquei a cronologia completa: Durante o aniversário de Kerttu, Nathaniel pisou no vestido de Paige, que rasgou até quase a cintura, assim que ela deu um passo.

Ele deu cobertura para que ela saísse da festa e esperou do lado de fora do quarto, enquanto ela se trocava, para pedir desculpas outra vez. Assim, passaram a conversar. No final daquela noite, ele deixou uma carta para ela prometendo compensá-la.

Nos próximos dias, ele (nem um pouco emocionado) encomendou dois vestidos e um bracelete de presente. Paige resolveu agradecer por uma carta, que ele logo respondeu, assim eles tiveram comunicação amigável até que se vissem novamente no resort.

Duas selecionadas, Cintia e Lydia, notaram de cara o clima entre os dois. Elas, Osten, Lorenzo e Delfina armaram vários momentos para que os dois interagissem, inclusive deixando-os a sós.

Eles continuaram a se comunicar por cartas pelos dias que se seguiram, embora Paige estivesse insegura. Mas tudo isso serviu para encher Nathaniel de coragem para um pedido precipitado.

Eu não a julgava. Foi realmente muito repentino para se tomar uma decisão de casamento. Deu no que deu na Itália. Depois de certos desentendimentos, Paige e Nathaniel iniciaram um relacionamento, mas não anunciaram.

Paige pretendia aprender o que pudesse de diplomacia por enquanto até o fim da Seleção. Em poucos meses ela iria se mudar com a família para Itália e combinou com Nathaniel que se encontraria com ele para que se conhecessem com calma.

"Mas isso não pode vazar tá, Phoebe?"

Por sorte, o quarto tinha telefone, então não precisaria ficar preocupada com a entrada repentina de alguém desconhecido.

"Ok, pode deixar. Céus, a menina se deu bem, hein! Próxima rainha da Itália... E a essa nova Seleção na Inglaterra? Como está o andamento aí?"

"Confesso que isso me pegou de surpresa."

"A todos. A monarquia inglesa sempre preferiu casar os filhos com gente do círculo deles."

"As selecionadas logo, logo estarão aqui."comentei" Vamos até conhecê-las. Eu imagino o que deve estar passando na mente dessas meninas. Eu, pelo menos, agradeço pelas duas semanas que tivemos antes da mudança para me acostumar com a ideia de ter sido sorteada."

"Pra mim foi uma ansiedade pura. Só me decepcionei quando entrei, mas enfim... Elas não sabem o que as espera. Esse tipo de ambiente tóxico. Ainda bem que estou livre disso!"

"Sim..."

" E, Rosie, desculpe se essa foi a forma como você veio a conhecer o Osten, mas a verdade é que essa competição sempre despertou o pior de nós. Tudo por uma pessoa."

Suspirei.

"Verdade. O próprio Osten de certa forma se arrepende de ter concordado com isso."

"Ué, é mesmo?"

"Uhum... Sempre houve uma motivação política, além da dor de cotovelo pela Delfina. Ele acreditava que com a Seleção a crise política de Illea iria dar uma acalmada. Serviria como uma distração enquanto tentavam resolver a violência e a corrupção."

" Ah, sim... Avisa pra ele que isso não adiantou de nada! Acredito que ele já tenha reparado, mas é mais perceptível fora do palácio: ninguém mais liga para a Seleção. Qualquer outro programa de TV dá mais audiência. Os comentaristas estão até falando sobre o quanto é entediante o tour de vocês pela Europa. E o país continua uma confusão do mesmo jeito. Ontem mesmo teve um ataque. Foi na casa do governador de Sonage."

"Eu não soube... O que..."

"Não morreu gente, ainda bem, só deu o que falar..."suspirou"Ridículo isso da Inglaterra tentando aderir a essa ideia falida de Seleção. Mas confesso que queria ser uma mosquinha pra estar aí. Juro. Só para assistir de camarote esse príncipe perder a cabeça com mulher atirando sapato uma na outra!"

"Bom... acho que nesse caso ele vai amar."

"Uh, então ele é o que diz na capa? Sempre vi ele como um playboy galinha, fresco como um peixe."

"Não conheço ele muito bem, mas tem cara."

"Pois, então,meus pêsames às selecionadas... Ou não né, porque QUE HOMEM MARAVILHOSO. E aquele Pietro lá da Grécia?! Ai, que inveja de você por ter respirado o mesmo ar que ele!"

Phoebe se divertiu quando comentei sobre os elogios inapropriados que o príncipe Pietro fez a Elite na Grécia.

"E ele falou isso na frente dos outros familiares, muita vergonha alheia pra processar." continuei" O Osten quase subiu pelas paredes de raiva."

"Sabemos que o Sr. Schreave só tem ciúmes de uma. Vai, me conta, como é seu anel de noivado?"

"..."

"Rosie?!"

"...Ainda não sei."

E o surto vinha em 3,2,1...

"Rosie. O Osten..." sua voz era incrédula."O teu namorado, "EM QUE MUNDO ELE ESTÁ?! COMO ele não te pediu? ISSO É TOTALMENTE SEM NEXO!"

Tentei acalmá-la por um bom tempo, e ela ficou com raiva de mim por tentar explicar que combinamos noivar com certeza após a viagem, e que o tempo era dele. Quando senti que desligaria o telefone na minha cara, Phoebe respirou bem fundo. Percebi que ela estava se segurando para não perder a paciência.

Mudamos o assunto para sua vida amorosa e o clima foi ficando para trás.

"Tive um caso aqui, outro ali. Mas ninguém pra me apegar."

"Toma jeito, menina!" Meneei a cabeça, enquanto ela me narrava os encontros.

"Quase aceitei namorar o Travis. QUASE. Não rolou, porque odiei o discurso dele: 'todos estão querendo te conquistar agora que você saiu do palácio, mas saiba que eu não sou como eles'. Ah, tá. Só porque eu sou uma ex selecionada to valendo um diamante?"

"Mandou bem! Ele não te merece."

"Mas você tem ideia do quanto foi difícil não aceitar aquele pedido, Rosie? Ele trouxe chocolate com amêndoas! Eu AMO chocolate com amêndoas!"

Eu ainda tentava me recuperar da imitação grotesca que ela fez do cara.

"Phoebe arrasando corações!"

"Só se for o meu! Devia ter pegado o chocolate e depois dado o pé na bunda daquele infeliz!"

...

Sentei-me ao lado de Ophelia no sofá depois que ela fez um sinal. Mostrei o título do meu livro, ao que ela assentiu.

Naquele dia ela não estava de fato lendo um livro. Eram folhas grampeadas, e ela esboçava algumas frases nos cantos das folhas.

Ophelia era alguém com quem eu gostava de estar ao lado em silêncio. Não tínhamos muitos assuntos, mas ela era alguém que passava muito conforto com um sorriso, e suas covinhas só a deixavam mais amável.

“Eu tô muito feliz que o Osten tenha colocado um evento de debate no nosso itinerário.” falou após um tempo.

“É mesmo? Vai ser onde?"

"Numa escola inglesa, alunos de fundamental e ensino médio. Vamos ajudar no debate. Eu já pedi para dar uma olhada no tema..."

"Vamos ter que decorar isso e falar lá na hora né?” Não evitei a careta.

"Isso, mas não se preocupe! Os alunos são os que mais vão atuar.”Assenti."Quer ver as discussões? Ah, isso é trabalho." Ela selecionou a pilha de folhas para que eu lesse um tanto sobre o tema."Osten me passou uns assuntos do trabalho dele, assim vou me acostumando para meus futuros estágios,"Explicou."Ele me pediu para elaborar umas propostas, para me avaliar."

"Ah, legal, isso vai te ajudar muito."

"Demais. Osten é um mentor incrível, sempre está disposto a ensinar..."

O que peguei eram folhas de argumentos contra e a favor de um tema ambiental a ser defendido pelos alunos ingleses: a energia nuclear como solução sustentável para a crise climática.

Eu... sinceramente preferia voltar a minha leitura, mas continuei a ler alguns parágrafos por educação, e também porque uma hora ou outra iria ter que ler aquilo.

“Os melhores debates que participei foram na escola.” comentou” Aquele clima de competição. Ter que se segurar para não comemorar em voz alta quando alguém do time adversário não tem argumento bom para te rebater. Uma vez..."

Ophelia parou de falar de repente. Segui seu olhar até a porta, encontrando o príncipe inglês nos encarando.

Noah tinha a mesma idade que Osten. Seus olhos e cabelos eram bem escuros, ele também tinha uma covinha no queixo, como suas irmãs. A altura de seu corte se mantinha do mesmo jeito que vi revistas de Taylor e Hanna, na altura do ombro da orelha. E bom, ele meio que devia viver na academia.

“Espero não estar atrapalhando…”ele disse, entrando.

“Não, não atrapalha,Alteza!”disse Ophelia.

“Sim, tudo certo.”assenti.

”Estou com um amigo, Osten e outras duas da Elite na sala de jogos, estamos chamando quem ainda estiver acordado e quiser vir. Vamos fazer uma partida de sinuca.”

“Hum, interessante. Eu vou.”

Ophelia olhou para mim, e eu não tive coragem de dizer não.

“Osten é um nerd,” Noah comentou assim que começamos a segui-lo. “Ele estava numa ligação há duas horas. Quase tive que obrigá-lo a vir, mas depois de muita insistência ele concordou”.

“Ah, mas é o trabalho dele. Eu tenho lá minha parcela de culpa também quando me animo ou estou obcecada com algum projeto.”

“Hum…Faz projetos de que?”

“Também faço Relações Internacionais. Parei quando fui selecionada, mas pretendo voltar a fazer.”

“Diplomacia é um ramo admirável,”ele disse” mas me identifico mais com a carreira militar.”

“Oh, você é soldado?”

"Major," ele interrompeu, com uma expressão satisfeita. "Não é para me gabar, mas é uma posição que requer determinação e habilidade, e estou muito grato por tê-la alcançado."

"Impressionante! Deve ser uma grande responsabilidade..."

Prendi o riso. Se tinha uma coisa que Ophelia sabia era ser amigável e comunicativa.

"Sem dúvida. Mas é um dever que eu assumo com orgulho.”

Ela continuou a elogiar com muita educação os atos e feitos que Noah nos contava de sua carreira, ele estava claramente se enaltecendo para nós.

Encontramos Osten, Katie e um jovem de cabelo castanho claro, cacheado e roupas que gritavam ‘classe alta’. Tratava-se do duque Gilbert, o tal amigo do príncipe Noah.

As paredes do local eram revestidas com painéis de madeira escura e decoradas com quadros de cenas de caça e cavalos. Havia um grande lustre de cristal no centro do teto, iluminando a mesa de sinuca verde esmeralda no meio da sala.

Notei também tabuleiros de damas e xadrez, jogos eletrônicos, um jogo de pebolim (totó) e um de dardos que pendia em uma parede. Um armário no canto abrigava copos e bebidas, lembrando uma adega. O cheiro forte de madeira polida misturado com o aroma de bebidas me deixava um tanto enjoada.

“Eu te ajudo, Rosie,” ofereceu-se Ophelia quando percebeu que eu estava perdida no jogo. “É só acertar o taco na bola branca com a força e a posição certas para ela bater na vermelha e cair no buraco. Se você der um golpe forte, a bola vai mais rápido, mas é mais difícil controlar. Se der um golpe mais fraco, ela vai devagar e você pode mirar melhor.”

“Ah, certo.”

Tentei seguir suas instruções, ajustando o taco como ela indicava.

“É só achar o equilíbrio certo entre força e posição. Vamos tentar de novo, você vai pegar o jeito!”

Ela e Osten bateram palmas quando pontuei. Enquanto jogavamos, falavam sobre esportes ingleses e sobre o tempo de convivência de Osten, Noah e Gilbert em uma escola.

Noah e Gilbert faziam piadas e brincadeiras, mas eu percebia que Osten não parecia tão à vontade quanto os outros, apesar de tentar interagir como colega.

"Como eu te dizia, Ophelia, é preciso muito treino para chegar onde estamos. Gilbert acabou de ser promovido," disse Noah, com um tom de orgulho.

"Parabéns, Gilbert," disse Ophelia, sorrindo.

“Parabéns.”Katie colocou a mão no ombro dele, e o mesmo agradeceu às duas.

Noah então lançou um olhar irônico para Osten.

"Claro, não há espaço para covardia na vida militar. Alguns preferem a segurança da diplomacia, não é, Osten?"

Osten ergueu uma sobrancelha e abaixou a cabeça por um momento com um sorriso.

"Covardia…Interessante ouvir isso de alguém que queria desesperadamente colar nas provas obrigatórias, não é, Noah?"

O príncipe inglês riu, como se aquilo não o afetasse.Seu olhar caiu diretamente sobre Ophelia.

"Ele sempre usa o QI dele como escudo. Mas, sinceramente, foi constrangedor ver como ele ficou para trás durante um dos nossos treinamentos obrigatórios. A equipe quase teve que carregá-lo na corrida."

“Isso…”

“Não que eu precise esclarecer, Alteza”a voz de Ophelia sobressaiu a minha” Mas existem outras diferentes formas de coragem e competência. Não se trata apenas de carregar uma arma na mão para resolver um conflito. Às vezes a negociação pode ser melhor para poupar mais vidas.”

Ela foi perfeita e cirúrgica.

“É… eu tenho que concordar um pouco com você, Srta. Ophelia. Tem razão.”

Noah finalmente parou com as provocações. Porém, algo intrigante também chamou minha atenção: seus olhos frequentemente se fixavam em Ophelia, enquanto ela respondia às suas perguntas diretas com um sorriso cortês, embora seu tom parecesse um tanto forçado.

Em certo momento, Ophelia comentou com Osten sobre os documentos que trouxe, o que serviu para que os dois abandonassem o jogo para discutir sobre eles.

Apesar de não me importar muito com o fato de que Noah, Katie e Gilbert pareciam estar se divertindo com os meus erros, a vontade de ir embora só aumentava pelo tédio que era ver os três conversando sobre esportes ingleses.

Quando a partida terminou, Noah foi preparar o jogo para atirar dardos em um painel. Enquanto isso, Katie e Gilbert mantinham uma conversa animada, ou melhor, uma troca indireta de flertes que me surpreendeu.

Talvez fosse coisa da minha cabeça, mas algo me dizia de que Katie não estava fazendo tanta questão naquele momento de chamar a atenção de Osten.

Dirigi-me até Osten e Ophelia, que estavam sentados em um sofá, para me despedir deles. Não queria atrapalhar a conversa, mas sentia que era hora de ir embora.

Osten levantou a cabeça e me lançou um sorriso, que não durou muito tempo com minha sentença.

“Estou indo…”

“Agora?”

“Mas já? Agora que vamos voltar a jogar.”

“Estou morrendo de sono,” respondi a Ophelia.”Vejo vocês amanhã de manhã, vamos sair, não é?”

Osten assentiu.

”Também estou cansado. Vou dormir após mais uma jogada… Boa noite.”sorriu.

“Boa noite!” Ophelia o imitou.

“Boa noite,”acenei de volta para ela.

Eu me despedi do restante do grupo e saí dali, sentindo certo alívio por não precisar mais aturá-los.

"Parece que vamos dar um passeio na London Eye…" disse Audrey assim que paramos ao lado do rio Tâmisa. Ela apontou para a roda gigante, um dos principais pontos turísticos da cidade.

Osten rejeitou a proposta dos instrutores de passarmos na frente de outros. Porém, praticamente nos obrigaram a ir na roda gigante primeiro, e os guardas acharam isso melhor, para não ficarmos tanto tempo expostos ali.

Estava bem frio e nublado, eu sentia que poderia nevar em pouco tempo. Tiramos fotos com várias pessoas antes de entrar.

Amy e Audrey me puxavam para olhar em todos os lados daquela cápsula, grande o suficiente para caber todo o grupo, inclusive o pessoal da segurança.

Elas estavam curtindo bastante a viagem. Inclusive, ainda na Grécia, tinham saído para conhecer um pouco de Atenas durante outros compromissos que tive com a Elite. A guia turística delas foi a garçonete com quem conversamos num jantar.

Jade se aproximou para apontar a Abadia de Westminster que Audrey e Amy procuravam, indicando outros detalhes da paisagem.

Dava para ver o parlamento e Big Ben dali, as casas, as pontes sobre o rio Tâmisa e outros pontos da cidade ainda desconhecidos.

Senti um toque no ombro.

Osten.

“Está tudo bem?Você por acaso não tem medo de altura, ou…”

“Não, tá tudo bem.” sorri de volta.

“Então, o quê…”

“Ah, só estou cansada, dormi tarde ontem. Mas estou curtindo o passeio, não se preocupe. A vista está linda…”

“Sim…” ele concordou.”Toma isso.”

Franzi a testa quando ele retirou as luvas da mão e estendeu.

“O quê?”

“Você esqueceu suas luvas e nem tira a mão do bolso praticamente,”

“Ah, não precisa…”

“Não vou te observar se congelando.”

Ele puxou minha mão para colocá-las.Isso chamou a atenção de Jade ao lado, que deu uma revirada de olhos.

Suspirei cedendo e o agradeci.

Osten pediu que todo o grupo se reunisse para tirarmos uma foto, com a câmera que ele trazia. Após descermos da London Eye, ainda estava planejado retornar aos carros para uma volta pelo Hyde Park antes de voltar ao palácio.

A transmissão do sorteio para a Seleção da Inglaterra ocorreu à noite.

O rei George não tinha o hábito de aparecer semanalmente em um jornal com a família, como a rainha Eadlyn, mas aparentemente, queriam seguir o modelo da Seleção de Illea: trazer atualizações sobre as participantes a cada semana.

"Como você lida com o fato de que suas opções amorosas estarão limitadas a um sorteio?”

No palco, Noah respondia à pergunta da apresentadora com um sorriso confiante.

"Na vida lá fora, muita gente não precisa conhecer tantas opções pra escolher. E não acredito que vai ser aleatório. Acredito no destino", ele sorriu para câmera. "Temos bons exemplos de Seleção de Illea. Estou otimista."

Impossível não me lembrar de Suki, e de como nossa amizade havia sido arruinada.

Me incomodava profundamente ver uma nova seleção emergindo, com novas relações, falsidades e amizades desfeitas. E, de brinde, essas selecionadas inglesas iriam competir por um príncipe que não merecia um minuto de sua atenção.

Vários parentes e amigos da família real estavam presentes na plateia. Me sentei atrás de várias tias e tias-avós do príncipe inglês.

Elas teciam elogios a Noah, comentando sobre o orgulho que sentiam dele.

Era comum ver senhoras tradicionais usando chapéus na sociedade inglesa, e essas não eram exceção.

"Foi uma decisão bem pensada do meu irmão," disse Louise, a princesa herdeira. "Sempre admiramos as Seleções de Illea. Ficamos felizes por poder reproduzir aqui e que as jovens estejam animadas com a competição."

Louise devia ter pouco mais que 30 anos, tinha cabelos ondulados num tom castanho médio. Era casada com um duque chamado Patrick e grávida de 4 meses de seu primeiro filho. Tão cedo seria rainha, porque seu pai,o rei George, queria mais uns anos de reinado.

Já a princesa Victoria tinha um cabelo negro liso em corte chanel e olhos acinzentados. Ela ainda era nova, por volta de 24 anos, recém-casada com um duque chamado Cameron.

"Estou ansiosa para planejar um casamento perfeito para minha futura cunhada!"

Victoria estava no comando dos preparativos para recepção das selecionadas e desde que chegamos fez questão de nos apresentar as criadas, os vestidos confeccionados e os alguns spoilers dos eventos que fariam.

Imaginei o frenesi que deve ter sido no palácio de Illea pouco antes da Seleção. Os corredores de Buckingham estavam cheios de funcionários correndo de um lado para o outro, carregando móveis, ajustando decorações...

Por sorte, a sala de música não estava sendo utilizada naquela manhã. Estar sozinha me proporciona mais liberdade para treinar, sem me envergonhar com eventuais erros.

Primeiro fiz minha lista de exercícios técnicos, começando com escalas e arpejos para aquecer e desenvolver agilidade nos dedos.

Em seguida, as técnicas específicas:staccato (notas curtas e separadas) e legato (notas tocadas de maneira suave e conectada, criando um som contínuo e fluido).

Isso servia para aprimorar meu controle sobre o arco e a mão esquerda.

Depois, escolhi a peça musical que estava trabalhando. Um pequeno trecho da 'Primavera' de Beethoven. Foi uma boa distração, até que me dei conta de que devia estar terminando o meu 'dever de casa'.

Quando ainda estávamos na Grécia, o ex-mentor de Osten, Benjamin, reuniu a Elite em uma sala para sugerir uma tarefa.

Ele queria que a gente preparasse uma apresentação individual com uma proposta de comércio entre Illea/Inglaterra/Índia. Pisquei atônita, o restante das meninas também ficou pasma com a tarefa.

Jade foi a primeira a questionar, dizendo de um modo sutil que não estávamos acostumadas a lidar com aquele ramo para de repente ter uma ideia de projeto.

Ophelia nos acalmou quando ele saiu. Apesar de gostar do assunto, ela entendia que era uma tarefa inadequada para qualquer um que não fosse da área. Não era nossa função fazer aquilo. Ela salvou a nossa pele ao conversar com Osten e ele nos deu vários modelos e ideias para os projetos, apenas precisaríamos fazer um discurso argumentativo.

Como eu não queria deixar para terminar de última hora, já que ainda precisava treinar a oratória, guardei meu violino na caixa e saí a contragosto do cômodo. Fui surpreendida por três figuras que estavam ali: um mordomo e duas faxineiras locais.

"Estávamos ouvindo você tocar", disse uma delas.

"Você deve amar esse instrumento", comentou a outra mulher.

"Sim, eu amo", respondi, sorrindo sem graça e agradecendo aos elogios.

“Vamos precisar limpar o ambiente e usá-lo como depósito para alguns pedidos que estão chegando para as selecionadas, a pedido da princesa Victoria”, explicou o mordomo.

“Ah, sim. Sem problemas”, respondi, prontamente.

Passei pela sala de retratos reais para chegar ao lance de escadas. Aquele tipo de ambiente era um clichê de todo palácio.

Depois de deixar meu violino no quarto, fui para a biblioteca, onde encontrei Audrey fofocando com outras criadas.

Olhei pela janela. Elas assistiam à troca de guarda que acontecia lá fora.

"Duas novidades de Illea para você," Audrey disse ao me notar. "Chegou um fax da sua prima Hanna. Eu deixei no seu quarto. E o Eduard pediu para falar com você."

Ela me levou até a sala onde Amy já estava em ligação com Sullivan.

"Ei, Rosie, como está?" Ainda era Sullivan na linha.

“Tudo bem, Sullivan, e você?”

“Tudo certo. Queria dar um oi pessoalmente, mas já vou passar para Eduard. Você e Audrey... cuidem bem da Amy pra mim, tá?"

"Está com ciúmes dos europeus, Sr. Sullivan? Vou contar pra tua namorada," ri, encarando Amy, que ficou confusa. "Pode deixar que cuidamos dela."

"Obrigado."

Ouvi ao fundo uma discussão sobre quem assumia o telefone. Reconheci as vozes de Lee e Eduard antes que ela assumisse a ligação.

Lee passou o recado de que Kerttu e Stefan estavam na escola e Tyler estava no trabalho, mas que tinham mandado um abraço. Quase não tive tempo de falar com ela também, ou perguntar como estava, porque ela passou rapidamente para Eduard.

Ele, como imaginei, tinha atualizações sobre a procura pela ex-namorada de seu melhor amigo.

Aquele assunto sobre Megan estava meio esquecido, confesso, mas a ansiedade voltou assim que ele mencionou que a mesma havia escrito uma carta para mim.

“Sullivan tentou por tudo pesquisar a origem da carta, e o bizarro é que ela veio de uma agência do interior da Espanha. Achei que era algum erro porque não faz sentido nenhum, mas enquanto vamos tentando averiguar isso, o mais importante é você saber o conteúdo da carta. Não te enviei por fax, porque achei meio arriscado algum funcionário daí ler. Então vou ler para você, tudo bem?”

“Sim, pode ler.”

“Cara Rosie Ambers, deve ser estranho receber uma carta dessas, já que nos vimos apenas uma vez. Sou a pessoa que ajudou Harry Fletcher, um guarda do palácio de Illea, a te defender de um grupo armado em um hotel no centro de Angeles. Não foi aleatório. Você seria raptada naquele dia, a pedido de alguém para quem Harry trabalhava. E o motivo de tudo isso é complexo demais para se falar por uma carta. Vou fazer contato com você quando for para França. Somente espere e não espalhe essa informação se for uma pessoa esperta. Até breve. Megan.”

“ROSIE.”

“EU.” dei um pulo e olhei para trás vendo que Jade também saiu do salão onde almoçamos.

“Te chamei por mais de três vezes. Achei que estava me ignorando.”

“Ah, não… desculpa. Pode falar.”

“Seguinte, tenho permissão para ir a um desfile de moda. Mas a princesa Victoria me recomendou ir junto de outra pessoa da Elite.Você não me parece tão má companhia."

"...Obrigada?!"

"Obrigada pelo quê?"

"Estou lisonjeada, é sério. Sempre agiu como se fosse um martírio ter que dividir alguma tarefa comigo."

"Quer me fazer mudar de ideia?"

"Só estou dizendo uma verdade."

Dei de ombros e ela revirou os olhos mais uma vez.

"Se você não quiser é só dizer. Pensei em você por causa de Amy, seria bom ela ter contato com algo da indústria de moda. Me dê a resposta em 15 minutos, se não eu chamo outra pessoa."

É claro que Amy e Audrey amaram a ideia.

Mais tarde, encontramos Jade e as duas criadas que acompanhavam- Lorelai e Dila- na entrada principal, o ponto combinado para aguardar o carro.

“Esses dois…” comentou Audrey em um sussurro.“Podiam ser menos óbvios.”

“Concordo.”

Olhei para a direção em que todas estavam olhando. Katie e Gilbert conversavam próximos às escadas.

“E é como eu tinha dito, ela sabe bem escolher os alvos.”disse Jade.”Osten, Nathaniel e agora Gilbert.”

“Ela deu em cima do Nathaniel?!”

“Você é sonsa ou o quê?”Jade me encarou.” Ela o perseguia por todo canto na Itália, até ignorou a Paige depois que descobriu sobre os dois.”

“Ah, eu não reparei, realmente.”

”Ela sempre quis alguém que a sustentasse."completou Lorelai.” Está atrás desse aí pelo dinheiro.”

“Ele é muito bonito...”disse Dila.

"Fico pensando, no quanto sou trouxa. Esse cara é rico e facilmente impressionável. Pena que Katie laçou ele primeiro.”

Riram do comentário de Jade, que foi a primeira a se levantar com o sinal que o guarda nos fez.

Tive a impressão,após um bom tempo rodando, que estávamos mais é passeando pela cidade do que indo com urgência ao desfile.

Estava de noite, e era possível ver o início de algumas decorações de natal colocadas com antecedência em alguns estabelecimentos.

"Olha lá, a Torre da Rainha!"Audy agitou o braço de Amy, que se virou rapidamente para a direção indicada.

Mais alguns minutos de carro e paramos no estacionamento interno. Saímos em meio aos bastidores do desfile.

Estava um caos, mas, de certa forma, era um caos organizado.

Jade ficou avaliando o figurino. Ela fez amizade com a designer chefe numa velocidade que eu até assustei, e puxou Amy para que ela ouvisse e participasse das conversas e comentários sobre as peças.

Comecei a procurar por Audrey, que sumiu com Dila e Lorelai em meio a multidão. Elas tinham ido parar na área em que maquiavam as modelos. Andei pela sessão sentindo ser observada. Já agradecia internamente por ninguém me abordar, até que…

"Somos Prudence e Thalia" Revelou uma modelo, a loira, indicando a morena ao lado.”Vem com a gente um minuto?”

Fui andando a contragosto até uma área mais vazia, ao lado de um trocador.

”Somos amigas de Bridget Collins, e queríamos uma palavra com você.”

Suspirei. Depois da palavra Bridget eu já senti que as coisas iriam ladeira abaixo. Pra falar verdade, eu não esperava coisa boa quando elas se aproximaram com o olhar de que estavam julgando até minha alma.

Tinha um tempinho que eu não era mais questionada sobre Bridget. Sendo ela famosa, sempre teria pessoas me odiando e me questionando sobre o assunto.

Eram as mesmas perguntas de sempre, com o detalhe de que aquelas mulheres estavam obstinadas em me destruir com palavras por ir contra a atriz no julgamento de Denise.

Eu estava sem paciência para aquilo, e acabei deixando-as sozinhas falando com a parede. Audrey notou o meu estado alterado quando me aproximei, assim que sussurrei ‘Bridget’ ela fez uma cara de compreensão.

Acompanhamos os últimos preparativos e fomos para alguns bancos que nos ofereceram ali mesmo.

Como viemos de surpresa, não existiam lugares disponíveis na plateia. Mas foi possível ver o desfile por uma televisão.

Também presenciamos algumas mulheres se preparando psicologicamente antes de entrar.

Assim que chegavam, não tinham tempo nem pra respirar direito, pois já indicavam um camarim jogando uma roupa nova para que vestissem.

Fiz uma cara de paisagem todas as vezes que Thalia e Prudence passaram por perto, antes de entrarem na passarela.

Pelo menos Amy e Audrey estavam se sentindo realizadas, batendo palmas e gritando junto ao pessoal a cada modelo que se apresentava.

“Quer que sabor?” Jade apontou para os sabores de pizza que ofereceram no refeitório para os funcionários do desfile. Indiquei a calabresa.

“Não entendo porque tanta simpatia comigo, Srta. Jade.” quando essa me estendeu o prato.

“É mesmo?”levantou as sobrancelhas.”Eu deveria dar o pedaço a outra pessoa.”

"Vamos lá.” roubei o prato que ela suspendeu no ar de volta.”Não banque a inocente.”

“Tudo bem, que a verdade seja dita”ergueu as mãos em ênfase” Não suporto pessoas como você, que tentam ser mocinhas por onde andam.Seu nível de simpatia é tedioso. Talvez seja por isso que nunca te suportei, ou Talvez seja força do hábito te provocar.”riu” Não preciso de uma explicação científica.”

"E o que te fez mudar de ideia?"

"Como é? Não entenda errado, Rosie, não somos amigas."

"Antigamente você só me chamava de Ambers, percebeu a mudança?”Jade me olhou com irritabilidade. Sorri satisfeita. “Sabe, você me lembra muito a ex-namorada do Tyler. Não se deram bem de cara comigo e ainda tem o fato de serem modelos. Eu tinha o maior preconceito, admito. Sempre julguei vocês de esnobes.”

"Desculpa. Veronica Brooks? Nem em sonho eu gostaria de parecer com aquele projeto de modelo! Aquela menina não tem valores. Deu vontade de dar uma abraço apertado no seu amigo enquanto ele contava do chifre... Comovente.Que é?"Continuei a encará-la, já sem conseguir conter o riso."Sei o que está pensando, mas pé no chão, Rosie, só…”

“Pé no chão? A confissão está toda no seu rosto! Você bem que ficou uma fera com a notícia de que ele era meu suposto affair!”

“Só conversei com Tyler algumas vezes, mas não é por termos nos dado bem, que estou gostando ou me encontrando com ele ou algo do tipo.”

“Uhum…”

Ela rolou os olhos.

“Acredite no que quiser. Me envolver com um cara que acabei de conhecer e nunca mais vou ver na vida não faz o meu tipo."

"Então, se você tivesse uma chance de ficar com ele..."

"Quem sabe.” deu de ombros” Mas, por experiência própria, um relacionamento não sobrevive a caminhos distintos, não importa o quanto você ache que ame uma pessoa. Não é o suficiente."

Encarei seu rosto perplexa. Havia muito escondido naquelas palavras, e elas me atingiram como um soco no estômago. Mas não perguntei mais nada.

Seja lá o que tenha acontecido no passado de Jade, era particular. Não tínhamos uma amizade sólida ou confiança o suficiente para que ela se sentisse à vontade para contar.

A programação do dia seguinte ficava a quase uma hora de distância do centro de Londres. O palácio de Windsor era uma segunda propriedade -diziam que a preferida- da família real inglesa. Fomos para lá, porque Noah e as irmãs queriam um tempo para visitar seus cavalos.

Caminhamos pelos jardins e pátios por uns dez minutos até o campo. Uma tenda foi preparada por causa do sol. Amy e Audy me avisaram que iriam explorar mais pelos arredores.

Me arrependi de não ir junto com elas. Em vez disso, cedi a ficar por perto das princesas Louise e Victoria, que já tinham o restante da Elite e várias amigas para poderem sequer sentir a minha falta.

“Vamos jogar polo mais tarde,” o príncipe Noah anunciou, depois de trocar palavras com Gilbert e Osten.

“Polo?” questionei.

“Polo equestre,” especificou Jade. “Você nunca viu?”

“Já ouvi falar, mas...”

Osten veio com um cavalo até mim.

"Vai andar também?" perguntou.

"Nem me obrigando."

Ele riu.

"Tem certeza de que não quer? Posso te ajudar a subir."

"Sim, tenho. Não estou muito segura pra tentar..."

"Corrida depois?" Ophelia parou ao nosso lado.

"Por que não?" Osten respondeu, enquanto arrumava a sela do cavalo de Katie.

"Valendo três pontos para que não seja um empate."

"Não estávamos empatados?"

"Nos seus sonhos, Osten."

Ele meneou a cabeça e estendeu a mão para Katie, ajudando-a a subir no cavalo.

"Se mudar de ideia, é só pedir para um dos guardas."Osten me encarou montando em seu cavalo e se foi com elas.

Me sentei num banco próximo de onde Jade e Paige estavam.

Iniciamos uma conversa com a corte inglesa sobre o que rolou na Seleção com Bridget, Scarlet e Denise e o sumiço das joias.

A princesa Victoria expressou sua frustração, mencionando que essa era a única desvantagem que lamentava em uma competição por casamento: possíveis confusões entre as selecionadas.

Ela estava interessada em saber como era o real caráter de Bridget, e ficou impressionada ao saber isso por Jade.

“Ela parecia ser um amor…”

“As aparências enganam,” comentou Paige.

A princesa Louise ficou conversando com a gente depois que Victoria e uma de suas amigas se juntaram a um jogo de polo com Katie, o duque Gilbert, Noah, Osten, Ophelia e conhecidos de Noah que vieram para fechar os times.

Dei algumas espiadas no campo. Pelo que eu sabia, polo era um jogo praticado a cavalo, onde o objetivo principal era marcar gols com uma bola. Katie parecia se esforçar tentando jogar. Noah e Gilbert pararam a partida várias vezes para questionar os pontos adversários.

Percebi também que em certos momentos, Osten parava com o cavalo entre Noah e Ophelia, provavelmente ajudando-a a não ficar presa em uma conversa com ele.

Claro, pra quem fosse um bom observador, iria notar o quanto Noah vinha abordando Ophelia sempre que possível.

"Rosie Ambers?" A voz de uma senhora me assustou e ela se divertiu com isso. Era uma das tias ou tias-avós dos príncipes que eu vira no dia do sorteio.”Poderia me acompanhar por um momento?”

“Ah, sim, claro, Sra.!”

“Sou Isla, duqueza de Wintervale, mas pode me chamar de Isla.”assenti.”Você parecia desesperada por sair dali," comentou. "Não gosta do tema de casamento, bem?"

Franzi a testa, explicando que ela havia me interpretado errado.

"É porque já acompanhei cada detalhe do casamento de May Singer e até mesmo a princesa Delfina já me mostrou tudo a respeito. Elas falam tão rápido que mal consigo acompanhar.” A mulher continuava a me observar atentamente. Suspirei. "Bom, eu estava um pouco entediada, sim."

“Entendo… Essas são Charlotte e Jude."

"Muito prazer."sorri para elas e me sentei na mesa onde estavam.

"Aceita chá?" Charlotte estendeu o bule, já a ponto de encher uma xícara à minha frente. Confirmei com a cabeça.

Estava perdida quanto ao motivo de quererem conversar comigo até que a primeira pergunta veio.

Acabamos em uma inusitada conversa sobre... plantas.

“Os jornais de Illea sempre te representaram como uma menina apaixonada por flores. O que você sabe sobre botânica?” Jude me lançou um olhar inquisitivo

Ela tinha cabelos curtos grisalhos e olhos azuis acinzentados como os da princesa Victoria.

Eu já tinha lido sobre ela anteriormente: Era a mãe da falecida rainha consorte e tinha o jardim de inverno como presente do rei George e sua filha. Morava no palácio com as amigas e cuidava do jardim com muito esmero.

“Ah, só tenho alguns conhecimentos básicos sobre jardinagem,e curiosidades meio… aleatórias sobre espécies de plantas que meu pai estuda. Eles me levavam para algumas viagens nas reservas.”

"Em reservas?! E quanto às cobras?"Charlotte perguntou.

"A gente tem alguns cuidados.Eles sempre arranjam um lugar para acampar perto da civilização.Fecham tudo na hora de dormir. Não deixamos resto de comida por perto."

"Nunca foram assaltados? Acho que pode ser perigoso.”

Respondi à Isla explicando que sempre tinham seguranças com o pessoal."E é uma equipe bem grande que vai."

"Então é relativamente seguro."

Concordei com Charlotte.

"Tenho uma pergunta pra você…”Jude fez uma pausa para tomar um gole de seu chá”Se for escolhida, vai fazer projetos reais de botânica?”

"...Acho que não. Posso até trabalhar com isso, mas gosto mais de música."

"Oh, música!" Isla sorriu, continuando a sessão de perguntas.Elas pareceram gostar da minha narrativa sobre como comecei a tocar violino.

"Mas você planeja ser música? Como vai fazer isso sem ser perseguida? Ouvi dizer que o marido falecido da rainha Aimee tinha largado tudo, mas sempre sofreu por isso."

Jude levou um olhar de advertência de Charlotte.

Sorri fraco.A minha mente voltou na rua, a abordagem das pessoas. Em qualquer lugar seria isso.

"Tenho outros projetos em mente para música. Tenho tudo planejado, não se preocupem."

Acompanhei o curso das conversas sobre o jardim de inverno de Jude. Depois elas começaram a rir sem parar sobre a história sobre o cachorro de uma delas.

“Com licença, desculpa interromper” Ophelia disse” Você não quer mesmo andar a cavalo?”

As senhoras me incentivaram a ir com argumentos de que eu precisava aproveitar a viagem e ‘minha juventude’. Fui apenas porque insistiram demais.

“Eu te ajudo a subir.” ela disse quando chegamos em seu cavalo e me deu uma breve explicação, me ajudando com um impulso.

“Valeu.”

Imediatamente segurei nas rédeas do cavalo com um medo tremendo de cair.

“Vou ficar aqui embaixo segurando a corda também para te ajudar.”

“Obrigada, fico mais tranquila.”suspirei. O cavalo caramelo, que Ophelia apelidou de Eclipse, parecia mansinho. Eu esperava que ele se comportasse até o final do trajeto e não me lançasse longe ou saísse correndo sem que eu pudesse controlá-lo.

“Finalmente! Como conseguiu convencê-la?”

“Ah, olha Osten, um esquilo!”

“Ha, ha.”

Isso arrancou uma gargalhada dela.

"Descobri que Osten tem medo de esquilos no nosso primeiro encontro. Ele quase morreu quando um pulou de uma árvore no ombro dele.”

Eu não me aguentei, olhei para ele com um olhar de desculpas ao rir com Ophelia. Ele se afastou com o chamado de Noah.

“Coitado, ele tem um certo trauma.”continuou Ophelia.” Ele disse que já foi atacado por alguns quando criança, estava tentando roubar a comida deles, e enfrentou a fúria dos bichinhos…”

”Nossa, não sabia disso…”

“VAI CORRER TAMBÉM, OPHELIA?” gritou Noah.

“Vou! Que horas começa?”

“Agora mesmo.”

Ophelia me olhou sem graça.

“Vai lá” comecei a descer (ou a tentar, pelo menos), mas ela insistiu que pelo menos voltássemos ao ponto inicial para isso.

"Desculpe a intromissão, mas esse príncipe, Noah," comecei, "ele não tentou nada a força com você, né?"

"O que?" Ophelia pareceu confusa.

"Tome cuidado. Qualquer coisa, me avise."

"Está bem óbvio, né? Eu agradeço. Não tinha percebido as indiretas de Noah de início. Osten também me disse para avisá-lo, qualquer coisa. Vocês dois são muito atenciosos. Tem muita sorte, Rosie." Ophelia sorriu.

Observei enquanto Osten liderava no início da corrida, sendo passado por Gilbert e depois por Ophelia e Noah. No final, Ophelia venceu, sendo aplaudida por todos ali presentes.

Apesar de Osten ter ficado em terceiro lugar, ele não pareceu se importar muito com as provocações de Noah. Em vez disso, trocou farpas com Ophelia sobre ela ser uma ‘dama’ e eles muito ‘cavalheiros’ para vencê-la, o que pareceu despertar a fúria da morena.

“Ah, é? Então vamos pra valer. Preciso fazer você comer poeira novamente!”

Os risos aumentaram entre os funcionários. Os dois se prepararam para uma nova corrida.

“Rosie, a gente precisa falar com você sobre uma coisa…” disse Amy, fechando a porta do quarto. Tínhamos acabado de voltar ao palácio de Buckingham.”Nós não estamos aqui para causar divergências entre…”

“Estamos achando o Osten um babaca nos últimos dias.”Audrey a interrompeu.” Ele quase não vem mais te ver e anda falando com todas as integrantes da Elite do que com você. Isso tá certo?”

“Audrey…”

“Espera, eu não acabei! Sei que você gosta da Ophelia, mas tá bem claro que ela tem um grande interesse pelo Osten. Eu já desconfiava, mas ficou muito claro depois da corrida de hoje. E eu te pergunto: e ele? Está tudo bem pra você ver Osten interagir daquele jeito com ela? E em público?"

Fechei os olhos, com um suspiro.

“Eu sei…Percebi, mas… não funciona assim. Ela é minha amiga, os dois são amigos e se dão bem, e daí? E Ophelia já me deu a palavra de que não está querendo nada com ele."

Quando conversei com Ophelia na biblioteca da Noruécia, ela acabou me dizendo que gostava dele no início da Seleção e desistiu de conquistá-lo quando viu que ele se envolveu de modo sério comigo. Sua motivação para ficar mais tempo na Seleção era por causa das aulas e da viagem de diplomacia.

Por outro lado, ela não disse, mas ainda poderia gostar dele.

“Então não vai questioná-lo.”

“Não.”

Ela estalou a língua.

“Impressionante. Eu não daria essa confiança! TEM CERTEZA?”

“TENHO, AUDREY. Não sou do tipo de pessoa que sai enfrentando os outros e cuspindo fogo por todo lado!”

Um silêncio.

“Quer saber? Você e Lee são muito lerdas quando o assunto é resolver as coisas com um diálogo.” Ela entrou no banheiro,batendo a porta com força.

"...Eu não queria ser radical como Audy, mas…cuidado." Amy colocou a mão em meu ombro.

“Eu vou ter, relaxem, tá? Agora, com licença.”

Eu precisava esfriar a cabeça antes que discutisse com ambas. Fui em direção ao violino. Um tempo na sala de música iria me fazer bem.