Notas iniciais
Boa leitura S2

“Você está fugindo de suas lições.”

A princesa não me respondeu, apenas riu desviando o olhar, enquanto pintávamos a casinha de cachorro.

Bella, o cachorro labrador de pelo dourado que Kerttu tanto queria que Lorenzo a desse estava finalmente entre nós. Ela já era adulta, e veio acompanhada de um cachorro filhote de outra raça: um Beagle com pelo branco, preto e marrom, e chamado de Murphy por Stefan.

Murphy e um conjunto de jogos haviam sido o presente de aniversário dado pelo príncipe italiano.

O combinado era que os cachorros ficariam sempre no jardim e campo aberto, mas eu já estava vendo a hora em que estariam presentes no interior do palácio.

"O Stefan está começando a desconfiar da surpresa." Kerttu sussurrou, embora o garoto estivesse literalmente rolando na grama com Murphy a uns metros.

A festa seria realizada originalmente na escola de Stefan, com os seus amigos e família, mas isso mudou desde que Jade sugeriu de fazermos no palácio.

"É sério, por que você acha? Nem começamos a trazer as coisas ainda!"

"Ele é esperto. Escuta as conversas do outros e vai juntando os pedaços. O tio Aspen e a tia Lucy não são lá tão discretos." Eu ri." É verdade que a festa vai ser a fantasia?"

"Bom... estamos confirmando, mas acho que sim."

Ela vibrou.

"Acho que vou me vestir de tigresa! Já tenho algumas ideias de maquiagem...e voc..."

"Alteza, está na..."

"Hora da minha aula, eu sei" Kerttu suspirou, levantando com o aviso do guarda. "Mamãe volta daqui a pouco, tá bem?" acariciou Bella.

...

"Eu chamei vocês aqui para dividirmos as tarefas para a festa surpresa de Stefan. Estou com a administração de nossos gastos e os principais contatos. "disse Katie. Aquilo já tinha sido conversado com Eadlyn e Silvia.

A responsabilidade por tudo ficou 100% conosco. Eu sabia que as meninas estavam encarando aquilo como um teste.

"Posso ficar com o bufê" disse Jade.

"Eu fico com a decoração." falou Suki.

"Eu queria muito cuidar das fantasias das crianças."

"Ok, Ophelia. Mas vamos precisar de uma pessoa."

"Eu posso. "disse Paige.

"E eu? Sobrou algo para fazer?"

"Você" Katie analisou a prancheta." Acho que pode ajudar a Suki com a decoração e os convites. Pode ser?"

"Ok." Assenti olhando de soslaio para minha amiga, que já analisava uma pilha de folhas.

Como eu imaginei, não demorou muito para que começassem discussões sobre o que faríamos, principalmente, porque Katie estava com uma postura de líder, e convenhamos que ela era bem chata e criteriosa.

Eu aceitaria numa boa, mas algumas pessoas (vulgo Jade e Suki) não estavam aceitando arbitrariedade.

Ophelia trocou um olhar comigo.

"Total perda de tempo." sussurrou. E eu concordei.

Uma batida na porta mudou todo o clima do lugar. Osten passou pela porta dizendo que viera para analisar as nossas propostas.

"Nossa quantas informações" ele riu lendo a prancheta." Vejo que estão bem empenhadas e agradeço. Mas não se sintan pressionadas a fazer tudo perfeito. Eu não vou brigar com ninguém. Se precisarem de ajuda podem contar comigo."

"Obrigada, Osten. Aliás, eu tive a ideia de contratarmos um pula pula enorme."disse Jade.

"Seria uma ótima ideia, mas precisamos ver o orçamento. "Katie interrompeu."A Silvia nos passou um limite máximo. Apesar de sabermos que não faltaria dinheiro, seria ótimo cumprir com o combinado que fizemos com ela." Encarou o príncipe.

Esse suspirou.

"É eu valorizo isso." Percebi que a resposta inflou o ego dela. " Mas não quer dizer quer precisamos descartar a ideia. Nada está definido, vocês podem calcular tudo e decidir o que tirar depois."

"Não se preocupe, Osten. Eu mesma faço esse cálculo e repasso para Katie e para você."

"Ok, Jade. Conto com você." Piscou. Seu olhar se encontrou com o meu pela primeira vez. Sorriu, e eu me senti aliviada, de algum modo com isso."E as fantasias de vocês?"

"É surpresa."disse Suki.

"Espere e se surpreenda." foi a vez de Ophelia.

"Hum... esperarei, então." assentiu franzindo a testa. "Estou um pouco na dúvida, se marinheiro, cowboy, surfista, policial... Pode ser que eu fique indeciso e apareça com uma peça de cada."

"Está preocupado com o quê?" Katie lhe deu uma cotovelada."Você vai ficar bem de qualquer jeito, Ten."

Dei tudo de mim para controlar a expressão lendo a tabela de contatos, enquanto absorvia o riso nervoso de Osten.

"Estou lisonjeado." Vi pelo canto de olho que tentou se recompor."Aproveitando que estão todas aqui, eu queria dar um pequeno esclarecimento para vocês sobre as viagens diplomáticas que faremos."

Ficaríamos um tempo pequeno em cada país, tanto para conhecer algumas pessoas do dia a dia do trabalho de Osten, quanto para visitar alguns locais.

Ele nos pediu licença no final da sua explicação. Sua mãe chegou em seguida para iniciar a aula de música.

“Precisa de ajuda?” perguntei a Suki que afinava o violino.

“Não, eu consigo.”

“Ok.” assenti.

Katie começou demonstrando uma pequena versão de Chopin — Nocturne in C Sharp Minor.

“Alguém andou treinando” Ophelia sussurrou. Assenti, pois ela estava mandando muito bem.

“America, você poderia demonstrar também?"disse Jade ao final." Não é desprezando o que Katie fez, ficou maravilhoso.”

“Obrigada, flor.”

Ouvi a risada abafada de Ophelia. E se estivesse mais no clima de zoá-las teria rido, visto que um clima de inveja pairava no ar.

America tocou por quase uns dez minutos seguidos. Era um consenso entre nós que essa era a melhor parte da aula.

"Está tudo bem?" Senti uma mão no ombro antes de sair.

"Hum?"

"Senti você participou menos hoje. Não mostrou seu trecho."

"Ah, isso é porque ainda preciso treinar a música mais um pouco. Quem sabe na próxima?"

"Se precisar de ajuda, é só falar" sorriu.

Assenti de uma maneira até tímida demais e me repreendi por dentro. Por mais que a mãe de Osten fosse sempre boa e gentil, acho que demoraria um bom tempo até eu me sentir confortável e desinibida com ela.

"Com licença, America, eu fiquei com uma dúvida no último trecho."

"Ah, sim, Katie, pode falar."

Troquei um breve olhar com a morena antes de sair e me segurei para não revirar os olhos na sua frente.

Eu sabia que não deveria me sentir assim com a atitude das meninas por coisas tão pequenas. Osten era educado com elas e não tinha culpa estavam lutando para chamar sua atenção.

É tudo momentâneo. Vai acabar.

...

“Com licença, olá!" disse entreabrindo a porta do escritório de Osten. Sua atenção demorou uns segundos para ser minha.

“Oi. Desculpa. Eu tenho…”

"Evitado todo mundo e trabalhado demais. Relaxa, eu sei que está ocupado. Não sabia que tinha óculos de leitura."apontei para o seu rosto." Vista cansada?"

"Engraçadinha. Devo te informar que tenho um leve grau."

"Você fica uma graça com eles."

"Você acha?" Suspirou empurrando a papelada e veio me cumprimentar.

"Com certeza."

Aproveitei para roubar seus óculos e ver como ficava era visão com ele. Osten cruzou os braços me encarando.

"Acho que você fica muito melhor com eles."

"Eu duvido muito" rolei os olhos. "Posso voltar outra hora. Ou melhor, você pode me chamar quando estiver livre. Não quero atrapalhar."

"Não! Por favor, não vai agora." me segurou."Eu estava doido por uma pausa."

"Você parece bem estressado..."

"É só trabalho acumulado, e também tive uma discussão com o primeiro ministro essa tarde."

"Ah...Bom, ..."

"Marid não tem limites. Ele me pediu para estender a Elite por muito mais tempo que planejei. Eu não quero e nem teria essa coragem. Já dei a ele o suficiente." Pisquei atônita." O meu maior erro foi ter comentado com ele que a Seleção seria ótima pra compensar os problemas políticos. Ele não estaria me enchendo tanto."

“Ah...Sim..." A pergunta que rondava por minha mente era 'por quanto tempo você planejou?', mas resolvi preencher o silêncio com outra abordagem." Como eu ia dizer, acho que você precisa relaxar. Quer dar uma volta comigo?"

"Hum?" franziu a testa.

Não acreditei quando ele aceitou de primeira.

Osten pegou minha mão e deixou que eu o guiasse, ficando confuso quando indiquei para continuarmos andando até o bosque fechado.

"Você costuma andar por esse lugar?"

"Costumo." ri de sua expressão de reprovação e assombro. "E antes que diga ser perigoso, não costumo ir muito longe, e de qualquer jeito, sei que a vigia está sempre por aí." Apontei para os guardas nos seguindo.” Venho quando quero colocar a cabeça no lugar. Eles sempre me seguem, não se preocupe!”

Osten respirou fundo e soltou algumas vezes.

"Estou acostumada, tá? Sempre fiz trilhas com meus pais em lugares muito piores. Isso aqui não é nada." Apontei ao redor.

“Um lugar com verde para pensar.” senti um leve humor em sua voz quando ele olhou para a copa das das árvores. "É a sua cara."

“É isso aí.” Meneei a cabeça. ”Vim algumas vezes depois de tudo o que aconteceu com o Allan e a paternidade negativa. Me ajudou de certa forma. Às vezes, ficar trancado remoendo o que passou só piora.”

“Você tem razão” disse parando-me por um instante. ”Obrigado, eu estava precisando.”

“Por nada. Não vou te fazer andar muito, a gente volta depois daquela árvore, ok?"

"Não precisamos voltar agora. Por que não ficar um pouco por aqui?"

Ele se sentou recostado em um tronco e me puxou, não vendo o estado crítico do meu rosto quando apoiei minhas costas nele.

"Hoje, mais cedo, foi impressão minha ou estava fervendo de raiva do apelido que a Katie me deu?" Nosso olhar se encontrou e ele sorriu." Explique-se, senhorita."

Fui impedida de sair por seu abraço.

"Foi uma armadilha, eu deveria ter adivinhado!"

Osten achou graça.

"Não é como se você não gostasse da ideia de ficar aqui." sussurrou a última parte em meu ouvido abraçando-me mais. "Amo quando você fica vermelha por mim."

Eu não pude fazer nada a não ser aceitar a provocação.

"Você sabe..."continuou. "Convivemos há tanto tempo e não temos apelidos um para o outro."

"Achei que já tínhamos. Você me chama de senhorita, e eu te chamo de cafajeste."dei de ombros." Não te chamo de Os, porque sua tia já te chama assim e isso é fofo quando é dito por ela. Eu até poderia ter pensado em te chamar de Ten, mas depois de hoje, já percebi o quanto soa brega, e..."

Fui interrompida por sua gargalhada.

"D-desculpe, eu vou parar, é sério."

"Acho bom mesmo. Como eu ia dizer, não será possível se quiser me chamar de Ro, porque o Tyler já me chama assim e isso meio que é dele. Então, só lamento."

"Poxa, entendo...Mas eu não estava falando de abreviatura de nomes. E sim de uma maneira carinhosa, como um casal, sabe?"

"Algo do tipo 'Meu amor'?"

Ele se divertiu com minha careta.

"Sim, algo do tipo, mas sem ser tão simples. O que você acha de ursinha?"

"Ursinha!?"

"Sim, eu quase te chamei há um tempo atrás disso, mas foi estranho, porque não estávamos juntos. Mas agora..." me olhou sugestivo.

"Está querendo morrer, só pode."

Ele fez um pequeno gesto de desapontamento.

"Não é não, ok... Minha princesa?" ergui as sobrancelhas" Ma Princess?" Ele sorriu." Você parece ter gostado." Talvez francês seja uma boa língua para pronúncia." Seus olhos pareceram brilhar com a ideia."Meu amor, mon amour. Minha querida, mon cheri. Minha senhorita, Ma mademoiselle, o que acha?"

"Quer saber." Toquei sua bochecha, dando-lhe um beijo ali."Como você preferir. Menos ursinha, é constrangedor demais."

Recebi um beijo na bochecha em retribuição.

"Como quiser, Mon coeur."

Meu coração, mon coeur.

Por um momento me frustrei por lembrar que estávamos sendo observados pelos guardas. Mas detive esse pensamento.

Era bom imaginar que éramos apenas nós dois aproveitando a companhia um do outro.

Por entre as árvores dava para ter um vislumbre do campo aberto, onde a iluminação começava a decair, o que me fazia lamentar, pois em breve precisaríamos voltar.

"Sabe, eu tenho que admitir algo."

"O quê?" Encarei-o.

"Eu estava te ouvindo treinar violino por esses dias, do lado de fora do seu quarto."

"Ah, sério? Coitado. Deve ter sofrido com os meus erros."

"Não seja modesta."

"Sou honesta."

"Okay."riu. "Talvez você erre um pouco."

"Um pouco, muito."

"Mas está evoluindo. Eu fico muito feliz com isso. E aliás, não sou só eu com essa opinião. Já te disse que os meninos da Alemanha queriam vir junto comigo pra te ver."

Susi, Kayla, Klaus e Anelise. Eles me mandaram uma escultura de violino como presente de agradecimento.

"Tenho saudade deles, de todos eles, e das aulas. Me deixavam sem ação tagarelando várias vezes fora de hora, e brigavam bastante entre si, mas era bom demais..."

"Pretende trabalhar com isso? Digo dar aulas de música e..."

"Eu ainda não tenho certeza. Mas, sim, isso passa por minha cabeça."

Ele assentiu afogando o rosto em meu cabelo.

“Eu te apoio nisso, pode contar comigo."

"Obrigada..."

"E quando você vai dedicar uma música pra mim?” me encarou.

“Bom... isso depende." dei de ombros." Talvez o preço seja você me dar uma amostra do seu talento para canto.”

Sua expressão foi de choque.

"Quem te falou isso?”

“Um passarinho… ruivo.“

“Ah, só podia ser minha mãe.” Balançou a cabeça.

“Ela me contou que sua voz é muito linda...” Eu ri quando percebi que foi sua vez de ficar levemente corado.

...

‘O país passa por um vexame político de corrupção. O descrédito dos cidadãos ao governo parlamentar é tão grande que novos grupos e estudiosos políticos estão sugerindo propostas como o retorno da monarquia absoluta ou mudanças na Constituição parlamentar.

Há um menor grupo que apoia uma ditadura temporária, essa ideia é defendida por alguns estudiosos políticos, para tentar colocar ordem no país e posteriormente instituir uma República. Concomitante à instabilidade política, alguns ataques violentos a políticos acusados de corrupção têm se tornado uma moda nos últimos meses.

O exemplo mais marcante foi o assassinato do governador de Angeles, Leonard O’Brian, em um hotel. Alguns especialistas sugerem que a autoria do ataque tem vindo de antigos componentes de grupos rebeldes, conhecidos popularmente como sulistas e nortistas, que foram se dissolvendo gradualmente há décadas.

Cientistas políticos comentam sobre a possibilidade de um novo grupo, formado por pessoas que restaram desses dois, estarem reerguendo um novo grupo que no futuro possa ter um novo nome. Nada está confirmado.

Com a proximidade das eleições para governadores e parlamentares, disseminou-se o medo entre a população e seus representantes políticos de que novos ataques aconteçam, de modo que aproximadamente noventa por cento das propagandas eleitorais passaram a ser transmitidas ao vivo.’

Essa era a reportagem escrita na revista de um dos cozinheiros. Estavam todos comentando sobre a situação do país quando cheguei para esperar o horário de almoço de Tyler.

"Está passando na televisão."

"Aumentem o volume!"

"Mas estamos em horário de serviço."

"Podem aumentar" disse o chefe" Estamos quase terminando, não é para tanto."

Um novo ataque em forma de protesto tinha acontecido a um há um dia, em uma praça pública, em Kent.

"Agora seguimos com informações de Angeles. Boa tarde, Jimmy."

"Boa tarde, Michael, boa tarde, a todos. Estou em frente ao prédio onde foi realizada uma reunião do comitê de segurança. A expectativa para os próximos comícios é se aumente a segurança em lugares públicos de todas as províncias.

As investigações seguem sem progresso, mas as autoridades estão trabalhando para garantir a segurança da população, inclusive dos candidatos."

"Olha, eu me preocupo bastante com as coisas que estão acontecendo. Eu tenho medo desses grupos rebeldes voltem." disse Tyler.

"Você acredita nessa possibilidade?"

Ele deu de ombros para o colega.

"Talvez. A sorte das pessoas aqui no palácio é não controlarem mais o governo como antes, caso contrário estaríamos sendo alvos de ataque aqui dentro. Eu não quero me encontrar com esse tipo de gente nunca mais na minha vida."

"Mas acho que é uma questão de tempo até a corrupção ser mais controlada, ou então dissolverem esses grupos. Nada que possamos interferir, infelizmente." disse outro cozinheiro.

"Sim..." Tyler assentiu. Me aproximei dele sorrateiramente. "Quase acabando." sussurrou.

Assenti, e me sentei numa cadeira disponível.

...

"Meu pai me ligou e me disse de uma surpresa para mim, mas ainda não podia me dizer. Você que estava em Columbia há uns dias, sabe o que pode ser?"

"Mesmo se eu soubesse, acha que eu te falaria?"

"Ah, você podia..."

Tyler me encarou com diversão.

"Hum... O que será que pode ser... Será que temos um irmãozinho a caminho?"

A sugestão dele me fez gelar.

"Aah, te odeio! Eu não tinha pensado nisso, agora vou é morrer de curiosidade!"

"Se for verdade, pelo menos ganha um irmão ou irmã que preste, não?"

"Nem me fale." Eu já tinha o atualizado sobre Oliver. "Sua madrasta está de quantos meses?"

"Quatro. Se for menino, chamará Brandon, e se for menina, Evelyn. "sorriu" Torço para que seja menina, porque se for outro cabeça dura que nem Douglas..."

"Não fale assim de seu irmão!" o repreendi com uma batida na cabeça.

Um riso irônico nos chamou a atenção. Pertencia a Jade. Pensei que ela fosse passar direto para falar com outro cozinheiro, mas parou do meu lado.

"Vim para confirmar os ingredientes do bufê. Como vai a decoração, Rosie?" se escorou no balcão.

"Tudo certo, amanhã bem cedo chega tudo."

"Só amanhã? Está em cima, hein."

Respirei fundo.

"Sim, mas é o que ficou combinado com a empresa que contratamos."

"Sorte é que Suki está nessa tarefa, também."continuou."Você é muito irresp..."

"Ei, não vou deixar que fale as..." calei a boca de Tyler com a mão, ele lutou contra ela."Ei."

"Jade, termina o que você tem que terminar. Nem eu te quero aqui, nem você quer gastar saliva e tempo comigo."

Ela sorriu irônica para Tyler.

"Pelo menos, eu posso elogiar sua amiga pelo pingo de sensatez. Com licença."

Ela saiu andando em direção à dispensa.

"Você tem algum tipo de imã para pessoas ruins?"

"É o que eu queria saber..." sorri." Não se preocupe, já estou acostumada com ela. Prefiro quando a pessoa é assim: odeia abertamente."

Tyler balançou a cabeça.

"Bom...Muito melhor do que a época em que Veronica era péssima sem que eu notasse. Eu estava cego. Muito cego. Me desculpe."

"Ei, ei, ei. São águas passadas. Ela mesma já me pediu desculpas."

"Ela pediu o quê?"

" Desculpas.Quando nos encontramos no hotel e fomos assistir ao seu programa." Ele me olhou admirado." Lembro que foi um dos motivos pra eu começar a apoiar mais vocês. Ela parecia... arrependida."

Ele riu sem humor.

“Não sei se acredito nisso. Mas, enfim, acabei não te contando como as coisas terminaram entre a gente..."

"Quê, não! Não precisa!"

“Claro que precisa. Você até quis nos ajudar, me dando alguns conselhos. Isso é o mínimo."

Rolei os olhos, depois que ele me convenceu a segui-lo para um local mais reservado (um banco no jardim) para contar sobre aquilo.

Em linhas gerais, Veronica era ciumenta demais.

Ela controlava todo o relacionamento, de modo que Tyler não podia sentir um mínimo ciúme de seus colegas de Clermont, mas ela podia sentir de qualquer garota, inclusive de mim.

Quando um visitava o outro, Veronica sempre arranjava um jeito de transformar a viagem num covil de brigas. Eles nunca estavam em paz. E, assim, a relação desgastou.

”Ela me traiu com o atual namorado dela.”

Eu não conseguia acreditar. Tyler foi me dando alguns detalhes de como foi desconfiando da traição.

"Não é algo que acontece da noite para o dia. Dá para sentir a mudança, isso reflete no relacionamento. Então fico feliz ao menos por esse capítulo da minha vida já ter acabado."

"Você vai encontrar alguém Ty." Segurei sua mão."Na hora certa. Não é preciso pressa."

"Não, nenhuma! Minha cabeça precisa de um pouco de paz, por favor."

Eu ri, acompanhada dele.

"E você e o Osten?" ergueu as sobrancelhas. "Parece que as coisas entre vocês vão bem." Assenti.

"Sim, e a Seleção já está bem no final...Em pensar..."ri" Isso definitivamente não estava no meu projeto de vida."

"Como assim?"

"Eu não vim para o palácio pensando em me casar. Me inscrevi influenciada por Hanna e Taylor e depois do sorteio não tive coragem de me negar a vir. Eu cheguei aqui e estava muito perdida quanto ao que sentia. Tinha você..." sorri sem graça, e ele assentiu. "E tinha o fato de que eu demorei muito para confiar no Osten. Digo. Eu..."

"Você o achava um galinha. É, eu também.Você por acaso deu um fora bem dado nele?"

"Oh, minha nossa...sim..."

Nós rimos.

" Eu pagava pra ver isso! Orgulho." Deu duas batidinhas topo da minha cabeça."Eu confesso, que passei dias e dias tentando entender o que te fez vir para Angeles. Você não fazia o tipo super apaixonada pelo príncipe. Mas então, tudo mudou, não é?" sorriu de modo malicioso." Ele ainda não te pediu em casamento, ou pediu?"

"Ah, não, ainda não!"

"Ah, bem..."sorriu." Eu ficaria muito chateado se fosse um dos um dos últimos a saber."

"De jeito nenhum eu te deixaria de fora disso. O posto de padrinho é todo seu!"

Ele meneou a cabeça.

“Grato, mas...posso te fazer uma pergunta?”

"Hum? Pode, o que foi?"

Não estava entendendo o porquê de sua hesitação.

”Você tem certeza de que quer abrir mão de uma vida normal, por ele?”

“Como?”

"Você sabe. Se casar com Osten, sempre vai ter que lidar com o comentário da mídia para qualquer movimento que fizer. Não vai conseguir passar despercebida por qualquer lugar. Sempre vão comentar, bem ou mal de você. E vai ter que viver de esclarecimentos para qualquer má interpretação que tiverem. Se tiver filhos, eles vão ser príncipes ou princesas, e nunca vão ter uma infância e uma vida norm... Rosie!" Segurou meu braço quando me levantei. "Espera, não quis dizer isso!"

"Não quis dizer?! Você quis."

"Não quis te chatear com isso." Nos encaramos." Me desculpa."

Respirei fundo.

"Tyler... Me diz, porque eu não entendo. Por que você sempre me apoiou com o Osten e só agora me vem com esse tipo de argumento?"

Ele desviou o olhar.

"Eu apoio vocês e quero sua felicidade. Senti precisava comentar, porque te conheço. Você nunca foi fã de holofotes, e eu odiaria te ver sofrer no futuro por não conseguir viver em paz. MAS."Segurou minha mão."Se o que você sente pelo Osten, e o que ele sente por você for suficiente, não acho que vai ser um problema."

Suspirei.

"Eu já pensei várias vezes em tudo isso que você falou. Até porque isso já meio que sou alvo de opiniões desde que o dia que anunciaram meu nome no Jornal Oficial. Se sou bonita, inteligente, competente para o cargo de princesa... e por aí vai. Pessoas que não me conhecem de verdade pra terem o direito de julgar. Mas, paciência."

"Não falei isso pra te deixar pra baixo.É sério, me desc..."

"Relaxa. Você tá certo, isso é algo com o que eu realmente vou precisar me acostumar. Mas não vai fazer diferença, se eu estiver feliz."

"Sinto muito, de verdade, Ro."

"Tudo bem. Eu sei. Vou na frente, e não se preocupe." sorri" Obrigada, de qualquer forma."

Fechei os olhos. Não tinha sido lá um briga, mas era incrível como uma conversa tão boa acabara desse jeito.

Tyler me procurou mais tarde, e veio me trazer um 'agrado' da cozinha para tentar me comprar. Sabia que ele só estava preocupado e não queria guardar mágoa.

...

“Vocês três, minhas três fadas madrinhas, estão mais que deslumbrantes.”

Kerttu insistiu que elas participassem, por mais que dissessem mil vezes não serem tão próximas assim de Stefan. Aceitaram, por fim, contanto que ajudassem a servir a comida durante parte da festa.

A mãe de Lee e Audrey foi quem sugeriu as fantasias, que contavam com pequenas asinhas costuradas por Lee e Kerttu.

Depois de pronta, desci para encontrar Suki e conferir pela última vez o local.

Um tapete guiaria os convidados até o jardim. A mesa principal com o bolo estava no Grande Pátio e o restante das mesas estavam espalhadas ao ar livre, onde também estariam pula-pulas (um inflável e outro normal), um espaço para as crianças jogarem futebol e uma bancada para jogos de tabuleiro.

A decoração ficou bem concentrada nos tons de azul, preto e verde, cores de preferência de Stefan.

"Às 16h eu vou dar um tour com as crianças pelo palácio. Às 17:30, fazemos a sessão de fotos e às 18h cantamos parabéns. Alguma dúvida?" perguntou Katie.

Negamos.

"Espera, contratamos um palhaço?" Paige apontou para a entrada do jardim.

Um casal estava ali. Ao menos, eu pensei ser um casal.

"Oi, AMORES, que bom rever vocês!" Phoebe retirou a máscara que compunha sua fantasia de heroína.

Seu cabelo estava com mais mechas loiras. Sua roupa era vermelha e azul, a capa vermelha. Não estava conseguindo identificar o personagem, talvez aleatório.

"Que saudade!" Ela se atirou sobre mim e Suki.

“Lorenzo?!”

"Alteza?"

Desviei o olhar dela para o palhaço, já sem o nariz característico.

“Eu mesmo” ele se aproximou sorrindo em resposta à indagações de Jade e Katie. "Onde está o aniversariante?"

"Vocês são os primeiros a chegarem" disse Suki."Stefan vai chegar daqui a pouco, depois do passeio com os pais, para dar tempo de todos os convidados chegarem."

"Ah, sim." assentiu.

"A propósito. Amei os visuais de vocês. Super criativas!" Enfatizou Phoebe.

Katie e Jade fizeram que não entenderam, visto que ambas estavam de anjo, e não tinham mais como mudar a fantasia. Uma de vestido longo, outra de curto, ao menos.

Paige escolheu uma roupa de bailarina, estava completamente a caráter: colã e saia rodadas rosa-claro, coque e sapatilha de ponta.

Suki estava de sereia, com um vestido justa com azul-água que se abria mais na região do tornozelo, para simular a cauda.

Ophelia de mímica, mas sem a típica maquiagem branca no rosto, apenas de vestuário. Blusa preto e branca listrada, com uma macacão, calça preta e uma maquiagem com batom vermelho, combinando com uma boina da mesma cor.

"E você está muito fofa. Eu teria escolhido algo mais ousado, mulher-gato."

Rolei os olhos quando Phoebe deu um peteleco no guizo que Lee costurou em minha blusa preta.

Minha calça e bota também eram pretas. No rosto, eu tinha uma máscara e tintura de bigodes e focinho, desenhados por Kerttu. Também usava arquinhos com orelhas de gato.

"Bem-vindos! Como foram de viagem?"

"Pra mim foi ótimo, o vôo..."

A gargalhada de Lorenzo começou assim que ele pôs os olhos em Osten, e pela sua intensidade, nenhuma de nós aguentou ficar séria.

"Explique, o que levou você achar isso uma boa fantasia?"

"Olha quem fala, você tá de palhaço."

Eu tinha entendido a de Osten. Sua fantasia era a de um cosplay de geek, como em filmes antigos. Camisa social branca, uma alça de macacão de cada lado, e uma calça xadrez verde e vermelha. Ele inclusive usava sua armação de grau.

Foi isso que ele tentou explicar.

"Antes fôssemos dois palhaços. Que traje ridículo, cara. Hoje você se superou."

"Então estou mais patético do que um palhaço." Ergueu as sobrancelhas risonho nos interrogando com o olhar.

"Mas está uma gracinha, Ten. Como eu te disse: bem de qualquer jeito."

As outras meninas também tentaram enrolá-lo com o discurso de que tinha ficado bom, mas foram saindo uma a uma para rir.

"Ai, ai... esses meninos... Quero ver Willow, Fanny e Darla. Vem comigo?"

Assenti para Phoebe.

"Ficou assim tão ruim, Rosie?" Osten tocou meu ombro, com uma cara desapontada."Me fale a verdade."

"...Miau?!"

Ele estalou a língua.

"Tá de brincadeira."

"Desculpa aí, nerd, mas a gatinha vem comigo."

"Não! Rosie, volta aqui!"

Eu ri acenando enquanto era puxada por Phoebe para o andar de cima.

"Não demora, Rosie" Suki disse." Temos tarefas."

"Ok."

...

Stefan pode ter desconfiado, mas com certeza não imaginou a dimensão daquela festa. Ele estava muito admirado com tudo.

"Phoebe!" Correu até minha amiga, que o ergueu no ar.

Além de seus amigos de sala, foram chegando crianças e mais crianças trazidas pelas famílias convidadas.

Tivemos sorte de ter previsto uma boa quantia de pessoas, caso contrário a comida não ia dar.

Jade e Katie ficaram com a função de checar o andamento da festa: Se as pessoas estavam sendo servidas e precisavam de algo. Ajudei-as um pouco com isso.

Passei pela mesa dos pais de Kerttu e de Osten, que estavam acompanhados dos pais de Stefan e de outros familiares e pessoas mais próximas. A sra. Brice me deu um leve aceno, estava ali conversando com Grace, quem nem olhou para meu rosto direito.

"Ei! Aceita algo?"

Tyler me estendeu uma bandeja de doces. Ele estava servindo como garçom. Não estava a caráter, mas com um chapéu de marinheiro, que elogiei.

"Por falar em fantasia, o que deu nele?"

Indicou Osten há uns metros. Ele estava constantemente rodeado por crianças e famílias interessadas em conhecê-lo.

"É uma roupa geek. Ele sabe que é brega, mas só tá preocupado em fazer graça para as crianças."

"Pelos céus... a custo de quê?"

Eu ri.

Pra quem não conseguiu pensar em fantasia e quisesse entrar no clima da festa, Ophelia e Paige pensaram em um baú com máscaras, capas, chapéus, óculos e arquinhos aleatórios. Tinha até adulto usando. O pessoal do bufê e do som também.

Ophelia fazia tarefas diversas: vigiar o pula pula com os funcionários, ajudar com dobraduras e esculturas em bola de soprar e distribuir algodão-doce.

Paige auxiliava na escolha das músicas e tentava chamar as pessoas para pista de dança, inclusive ensinando passos específicos de balé para as menininhas.

"Rosie."

Me virei, mas já sabia quem era.

O príncipe se aproximava com Darlan no colo.

"Preciso de um suco de manga. Ele está morrendo de sede e quer muito um. Você sabe se estão servindo isso? Cuidado não pegar de laranja, ele é alérgico."

"Céus. Vou ver para você, mas acho que tem sim."

Fui a cozinha o mais rápido que pude e voltei com o suco.

Osten trocou um olhar comigo, enquanto Darlan bebia, provavelmente pensando o mesmo que eu: Ele era MUITO fofo.

"Você é uma gatinha?" Pisquei atônita quando o garoto me encarou devolvendo o copo.

"Er... sou."sorri.

"Ela é uma gatinha muito linda, não?"

Olhei repreensiva pra Osten, e Darlan só fez que sim com a cabeça, tocando meu arquinho e meu 'focinho'.

"Tenho que levar ele para a mãe. Te vejo por aí, mon petit chat." Osten piscou.

Rolei os olhos.

Os gritos vindo do campo improvisado de futebol aumentaram de repente. Phoebe era goleira, e tinha levado um gol. Os meninos comemoravam.

Desde o início da festa ela se enturmou com os amigos de Stefan, e estava acompanhando eles nos jogos.

"Rosie, vem jogar com a gente!" acenou.

"Não!" balancei a cabeça."Não tenho jeito pra isso. Podem continuar."

Andei até onde Lorenzo estava.

"Oi."

Ele sorriu ao me ver.

"Oi! Como estão as coisas por aqui?"

"Estou vigiando os cachorros para Kerttu. Algumas crianças tem medo, então precisei prendê-los, mas outras queriam muito andar com eles." Falou prestando atenção à gêmeas de aproximadamente cinco anos que acompanhavam o cachorro de Stefan pela coleira.

"Ah, e só por curiosidade, cadê a Bella?"

"Ficou presa perto da casinha. Está brincando com garotos maiores."Apontou.

"Hum, sim. Então... Como está a Delfina?" ele me olhou" Ela está bem depois de tudo o que houve?"

"Ah, ela está bem. Minha prima, a Violet, lembra dela?" Assenti." Ela está fazendo Delfina sair sempre que pode para várias festas e eventos. Clarabella saiu algumas vezes com elas, mas acho que vai demorar um pouco até voltarem à amizade que tinham antes."

"É compreensível..."

"Sim..."

"Fico feliz por ela. Mande um abraço." ele assentiu."Vai passar quanto tempo aqui?"

"Só uma noite. Eu tenho serviço amanhã cedo em aqui em Illea, mas preciso viajar para Itália de novo."

Cruzei os braços.

"Vocês nunca param de trabalhar, não é?"

"Infelizmente não. Viajar, por outro lado é bom. Eu acho que iria ficar entendido se ficasse sempre no mesmo lugar. Gosto pessoal." sorriu.

Acabei por me despedir e ir ajudar Suki.

"Desculpe o atraso."

"Tudo bem."

"A fila estava começando a encher." comentei.

"Sim, você chegou na hora certa."

Fizemos desenhos de borboleta, gato, cachorro, estrela, coração, barco, flor, entre outros no rosto e nos braços das crianças.

Uma mãe se aproximou no momento em que eu iria começar uma abelha no braço de uma menina de cabelos loiros encaracolados.

"Com licença, você é Rosie, não é?"

"Ah, sou, sim."sorri amarelo.

"Ah, bom, fica um pouco difícil reconhecer você com essa máscara. Eu já tinha dito pra minha filha pra ela não fazer essa tintura. Que bom que não começou."

Ela levou a garota, 'consolando' seu choro no caminho com uma conversa.

Franzi a testa retirando a máscara.

"Eu estava tão irreconhecível assim?" questionei Suki."Essa máscara só cobre meus olhos."

Ela deu de ombros.

"Acho que é porque você está com a cara muito pintada."

"Ela é a Rosie?" ouvi a voz de outra mulher.

"Bom saber. Vamos filho, sai dessa fila."

"Mas eu quero pintar um cachorro."O garoto à minha frente fez o maior escândalo quando a mãe passou a puxá-lo.

"Só se for uma pintura da Suki. Pode ir para o final da fila dela, porque na da Rosie você NÃO VAI."

E então, o choque.

Por sorte, a mulher não falava tão alto para que todos da festa ouvissem, mas isso atraiu a atenção de quem estava perto. Diga-se de passagem: outros pais e alguns garçons.

Essa mesma mulher chamou algumas de suas amigas e elas também retiraram seus filhos dali. Várias crianças foram migrando para a fila de Suki, que também estava sem palavras.

Uma garotinha morena de olhos verdes permaneceu na minha reta e se aproximou.

"Oi. Minha mãe e meu pai também não gostam de você porque você falou mal da Bridget Collins na tv. Mas eu te acho legal."

"...valeu."

Minha teoria acabou sendo confirmada por suas palavras.

"Meu nome é Giullia. Eu sou sua fã e quero uma borboleta, por favor!"

"É pra já" retribuí seu sorriso. "Quantos anos você tem, Giullia?"

"Oito. Depois você também pode fazer uma flor também meu braço?"

"Posso!" pisquei.

Ela era a irmã mais nova de um dos melhores amigos de Stefan. E tinha um pôster de cada selecionada da Elite em seu quarto.

"GIULLIA."

"D-desculpa." sussurrei.

Aquele grito me fez borrar a flor.

"Tudo bem, eu limpo. É a minha mãe. Pelo menos deu tempo de fazer a borboleta... Obrigada."

Acenou pra mim e foi correndo para o lado oposto.

"Suki..."

"Tudo bem, eu assumo. Pode ir."

...

Decidi permanecer com a máscara pelo resto do aniversário. Mesmo assim, não era muito para passar 100% despercebida, principalmente porque a revelação de minha 'identidade' foi passando de boca em boca.

Poderia ser exagero da minha parte, mas muitos pais pareciam me encarar de longe.

"Oi, posso te pedir um favor? Eu estava escalada para o tour com a Katie e as crianças, mas acho que não levo muito jeito com elas. Eu poderia ficar no seu lugar?"

Ophelia me olhou confusa.

"Eu não acho que você não leve jeito, mas confesso que estava doida para ir. Tem certeza? Meu trabalho é tão chato."

"Sim. Sim, pode deixar comigo."

Só faltava eu implorar.

Escolher a tarefa de vigiar qualquer defeito no pula pula e cuidar da barraca dos algodões doces em seu lugar foi a melhor coisa que fiz.

Se eu me aproximasse de novo de qualquer criança poderia causar um problema maior.

Katie, Ophelia e Osten ficaram rodeados pela maioria da criançada durante o tour pelo palácio. Por outro lado, quase não tive clientes na barraca. O tempo de certa forma se arrastou, mas finalmente estávamos tirando fotos e cantando parabéns.

A programação final foi de músicas tanto para o público adulto, quanto infantil. A pista de dança se encheu, então dancei por um bom tempo com Phoebe, Lee, Audrey, Amy e Kerttu.

Fui me cansando aos poucos. Os olhares ainda eram descarados por ali. Procurei um lugar para descansar e achei um palhaço pensativo em uma mesa.

"Posso me sentar aqui?"

Lorenzo ergueu a cabeça.

"Pode."

Franzi a testa com o seu tom um tanto seco.

"Tá tudo bem?"

Lorenzo não me respondeu de imediato. Ele olhou para algo em minha roupa e tocou o R. O meu colar de R.

"Eu o vi entrar numa loja de joias na Alemanha."

"O quê?"

"O colar, eu sei que Osten comprou para você. Por outro lado, Amy estava com o que eu te dei hoje. Ela comentou comigo que você usa esse aí o tempo todo."

Fiquei sem palavras diante o sorriso dele, um sorriso que não chegava aos olhos.

Meu coração acelerou. Eu tinha esquecido completamente que Amy tinha minha permissão para usá-lo quando quisesse, e não tinha reparado em sua escolha para aquela noite.

"Lorenzo, isso é um mal entendido. Não é que eu não ligue para o colar que você me deu. Ele só me trazia... um certo embaraço." Ele me encarou.

"Era ruim olhar para ele e pensar no fato de que me declarei para você quando te dei?"

Engoli em seco. Como eu poderia dizer que ele estava certo, e que inclusive queria devolvê-lo por esse motivo?

"Esquece. Isso é infantilidade minha."

"LORENZO. Por favor, não foi intencional."

Tentei segurá-lo. Sem sucesso.

Basicamente teimei em persegui-lo.

"Tá tudo bem, Rosie, eu não tô com raiva."

"Por favor, para."

Ele não me ouvia.

"PODE ME DEIXAR EM PAZ?"Ele se virou se supetão assim que entramos no palácio. Pareceu arrependido ao me encarar. "Só por hoje. Não venha atrás de mim. É extremamente irritante ser perseguido desse jeito."

"...Sinto muito."

Esperei-o desaparecer de vista para voltar ao jardim, vendo que outra pessoa vinha andando rápido na minha direção.

"O que aconteceu? O Lorenzo saiu muito rápido e você atrás. É alguma emergência?"

A preocupação estava estampada no rosto de Osten.

"Não há nada grave, não se preocupe." sorri fraco. "Mas..."

"Mas? Mas o quê?" segurou meus ombros.

Encarei seus olhos e criei coragem.

"Precisamos conversar sério sobre uma coisa."

Notas finais
e F pela Rosie que sofreu horrores nesse cap...