Notas iniciais
Boa leitura s2

Fui a primeira do quarto a acordar, mas ainda estava cedo demais para me arrumar para o café. Katie, Bridget e Blair estavam em um sono profundo, pelo fato da festa de casamento de May ter se estendido até bem tarde.

Eu me deitei tarde e demorei a dormir, porém, embora cansada, conseguia apenas fechar as pálpebras sem adormecer de fato.

A imagem de Osten no terraço retornou sem minha permissão. O modo como ele me olhava, sorria, tocava em meu rosto, me beijava…

Respirei fundo, reprimindo uma risada.

O quão idiota eu consegui ser para negar o que sentia e tentar empurrá-lo de volta para Delfina, enquanto ele se declarava para mim com todas as letras?

Porém, agora, tudo iria ser diferente...

Meus pensamentos se fixavam nisso enquanto caminhava até a sala de refeições do Resort.

Osten estava em pé à mesa falando com um de seus irmãos, Ahren.

Notei seu olhar quando passei perto. Ele sorriu de um jeito que me desnorteou.

Retribui o sorriso rapidamente e me concentrei em puxar minha cadeira, tentando me concentrar em Phoebe ao meu lado, que reclamava da ressaca.

Osten passou o café com uma conversa humorada com Ahren e Kaden.

Ele me flagrou olhando em sua direção quase no final da refeição e aumentou o sorriso me interrogando com sua expressão. Sorri apenas e balancei a cabeça discretamente encarando o prato de novo.

“Acho que vou dar um cochilo no quarto e depois ir para piscina.”disse Phoebe.

Emma e Suki avisaram que iriam direto para a piscina.

“Talvez eu vá daqui a um tempinho… Teria que me trocar primeiro.” falei ao me levantar.

A última coisa que Osten me disse quando nos despedimos foi que queria me encontrar após o café, mas eu não quis atrapalhar a conversa que ele ainda mantinha, principalmente porque Ahren e a família voltariam para França naquele dia.

“Oi, Rosie! Bom dia!” Kerttu parou ao meu lado, assim que chamei o elevador.

” Quer ir à praia com a gente? Lá perto das pedras tem uns peixinhos coloridos que eu vi ontem!”

“Aah, sim, claro!”

Percebi que Osten se aproximava e o encarei com um pedido de desculpas, pois não conseguiria apresentar uma justificativa convincente para não ir, sem chatear a princesa.

“Peixes coloridos, hã...”a voz e proximidade dele perturbaram a minha homeostase” Não se esqueça de tirar uma foto pra me mostrar.”

“Sim, sim! Eu já ia levar a câmera! Até daqui a pouco, Rosie. Vamos te esperar perto da piscina! Não esquece de passar protetor solar!”

“Ok!”

Acenei para a princesa, e Osten,por sua vez, se adiantou segurando o elevador recém aberto para que entrássemos.

Apertei o botão do meu andar e o dele, ouvindo um riso baixo de sua parte.

“Por que está tão nervosa?” semicerrou os olhos.

“Bom, é que…Osten, aqui tem câmeras! Alguém pode estar checando agora e…”

"E...?" Ele tinha uma mão em meu rosto, me encarava risonho, mas acabou olhando para cima com um suspiro. ”Ah, sim, eu entendo que você não queira chamar a atenção de ninguém, no início.”

“Sim, desculpe… Eu tenho que ir agora, pra… me arrumar…”

“Uhum…”

Arrependimento, isso foi o suficiente para uma mudança repentina.

Num instante eu estava de saída, no outro, retornei ao vão entre o piso do elevador e do meu andar, puxando-o pela camisa, num gesto de total insanidade.

Ele respondeu prontamente, envolvendo-me com braços firmes, e, à medida que seus lábios tocavam os meus, as mesmas sensações do beijo da noite anterior voltaram com intensidade.

“Por favor, eu imploro. Acabe de vez com toda a sua timidez e me beije assim a todo instante que quiser.”

Eu não consegui evitar uma risada. Ele também sorriu, mas logo se concentrou em deixar um selar em minha têmpora.

“Acho que temos que deixar o elevador ir…”

“Isso é um convite para que eu fique com você nesse andar?” ele ergueu as sobrancelhas e, antes que eu pudesse repreendê-lo, me roubou mais um beijo rápido e voltou para dentro do elevador. “Depois nos vemos”Piscou.

Só pude agradecer pelo fato de aquele elevador não ser do tipo que fecha as portas abruptamente e por ninguém ter aparecido durante aqueles quase dois minutos?

Kerttu estava como combinado me esperando no ponto marcado com a prima Giselle e as das minhas francesas Corinne e Valerie.

“Desculpe a demora, estava passando protetor.” expliquei.

O sol estava escaldante. Segui-as pelo quebra ondas. Fomos até a curva da praia e curvamos algumas rochas altas.

“Agora vamos ver os peixinhos coloridos. Naquelas pedras.” Kerttu apontou para quase o início do nosso trajeto na praia.

“O quê?!”

Um barulho diferente das ondas, me chamou atenção para as pedras mais próximas.

“Tchau, tio!”

Osten emergiu, do nada, com roupas de banho e acenou para a sobrinha, que saiu rindo com as outras. O guarda que veio junto conosco as seguiu, deixando o Osten e eu sozinhos.

O príncipe deixou o riso escapar. Encarei-o em busca de explicações.

“Eu só queria um tempo com você. E acho que não conseguiríamos vir sem algum curioso nos seguindo se viéssemos juntos.”

Suspirei balançando a cabeça.

“Você não existe…”

“Quer nadar?”

Travei diante de sua pergunta, encarando minha saída de praia.

Certo, já tinha jogado vôlei com ele e outras pessoas vestindo roupas de banho, então não havia motivos para sentir vergonha, mas mesmo assim…

“Se não está a vontade,entra com o vestido, eu dou um jeito de conseguir roupas secas para você voltar depois...”

Olhei para sua mão estendida e sua expressão de súplica.

“Ok, mas sem gracinhas! Não jogue água, nem me puxe de vez!”

“Sim, senhorita!”

Revirei os olhos, ao passo que ele me guiava.

Ele se divertiu às minhas custas, pois eu optei por ir me acostumando com o frio da água, ao invés de mergulhar de uma vez.

“Ainda está com frio?”

Neguei com a cabeça, e afundei antes que uma ondulação me pegasse de surpresa.

“Céus, Rosie, você está tremendo mesmo?” riu.

“Ah, droga, sim. Mas estou curtindo, relax...”

“Espero não estar exagerando.” falou depois de cercar meus ombros por trás.

“Não, não se preocupe…” Senti ele apoiar a cabeça na curva do meu pescoço. Por um momento, me estranhei, porque não estava me sentindo assim tão nervosa quanto estaria com aquela proximidade.“Eu gostei daqui.”

O céu estava limpo, sem uma nuvem sequer, de um azul profundo e sereno. Atrás de nós, a areia e o verde da vegetação preservada, enquanto as pedras à nossa direita formavam uma barreira natural, impedindo que qualquer pessoa próxima ao Resort nos visse.

“Que bom… Eu estava falando sobre esse lugar quando encontramos minha tia e minha avó.” Franzi a testa, mas me lembrei de dois dias atrás, quando esbarramos em Magda e em sua tia May no saguão do resort. “E esse é o primeiro de muitos lugares que quero te mostrar…”

Olhei-o de lado, e dei-lhe um beijo na bochecha.

“Estou ansiosa para os próximos.”

Quando me dei conta, meu corpo já tinha sido erguido. Me odiei por baixar a guarda.

“Eii, eu disse sem gracinhas! Ost… Ah, deixa!” Acabei rindo com ele, que deu alguns giros comigo dentro d’água.

Osten parou e me colocou de pé diante dele.. Continuei envolvendo seu pescoço, compartilhamos um sorriso bobo.

Mas, então, ...

“O que foi?” perguntou.

“Nada, é que… desculpe, deixa pra lá.”

“Tem certeza? Pode falar!”

Olhei-o chateada por estragar o momento.

“Você não fez nada de errado, é que… eu só pensei aqui…” suspirei” Eu tinha um melhor amigo, você tinha uma melhor amiga, mas depois que as coisas deram errado, nos afastamos deles.”

“Eu discordo. Você e eu estamos conseguindo nos conectar a eles, de pouco em pouco.”

“Mas para nós é mais fácil, crescemos com eles, frequentamos o mesmo ambiente de vez em quando.”

“Onde você quer chegar?” ele franziu a testa.

“...Começamos como amigos. Mas e se, um dia, tudo der errado entre nós? Automaticamente, não poderíamos voltar a mesma amizade, e não estaríamos mais juntos todo dia e…”

“Rosie, escuta. Eu também tenho esse medo.” Sua mão tocou meu rosto, acariciando minha bochecha com ternura. “Vamos tentar fazer isso dar certo, juntos. Mas, se tudo der errado, prometo que não vou sumir da sua vida. Farei o que for necessário para que você esteja bem e feliz.”

Vi no fundo dos seus olhos a confirmação daquela promessa, e o respondi.

“Prometo fazer o mesmo.”

Querida Rosie,

Finalmente achei sua carta. Ela ficou entre alguns documentos que não eu tinha urgência de revisar, dentro de minha pasta. Lembro de ter guardado tudo de uma vez em Londres.

Com o que disse nela, consigo entender melhor sua decisão repentina de aceitar o convite de sua família biológica para passar um tempo na França… Sei que o motivo vai muito além de apenas estar longe da atenção da mídia e de toda a pressão sobre o assunto “Seleção e Elite”.

Desconfiei que algo estava errado com sua pressa em partir, mas agora compreendo que minhas atitudes foram determinantes para sua escolha.

Preferia conversar sobre isso com você em outras circunstâncias, mas o escândalo recente me obriga a explicar por escrito.

Quero que saiba que Ophelia e eu nos demos bem de cara. Eu considerei ela como uma opção real, já desde o primeiro encontro, dentre todas as outras selecionadas. Enquanto você me lembrava Delfina em vários aspectos, como já sabe.

E mesmo depois que os sinais começaram a ficar óbvios, eu ainda me recusei, de certa forma, a aceitar meus sentimentos. Ophelia foi uma das primeiras pessoas a perceber, e me aconselhou a me declarar, mesmo que você me enxergasse apenas como um amigo.

Ela fez um acordo comigo de permanecer na Seleção, porque sempre gostou do estudo de idiomas e da ideia de uma viagem na Elite. Me disse que estaria ali, caso você nunca retribuísse o que eu sentia.

E você retribuiu.

Apesar disso, Ophelia me implorou para ficar. Só pude tentar ser um bom amigo para compensar isso… O meu erro foi não conseguir mandá-la embora. Acabei machucando vocês duas.

Não sei até que ponto acredita nisso, dado o mal entendido, mas escolhi aquela aliança para apenas uma pessoa.

Eu sei o quanto falhei com você. Me perdoe.

Quanto a sua dúvida sobre como me comportei depois do Karaokê, não foi nada mais do que meus ciúmes falando alto por Lorenzo ter se declarado e tentado algo com você primeiro. Não me afastei por ressentimento.

A verdade é que fomos pouco a pouco nos perdendo, seja pela minha ausência com os compromissos de trabalho, seja com os nossos mal entendidos.

Rosie, você me pediu para ser honesto quanto ao que eu sentia, agora peço que faça o mesmo.

Eu te observei durante toda a viagem. Quis que conhecesse a minha rotina e, talvez, o que seria a sua rotina no futuro, caso decidisse seguir ao meu lado.

Eu precisava ter a certeza de que estava fazendo a escolha certa, mas, ao longo dos dias, notei como você foi perdendo o brilho no rosto.

Vi seu esforço para cumprir todas as tarefas e como suportou todas as críticas que surgiam ao longo do caminho. Isso me fez sentir uma mistura de orgulho, esperança, angústia e culpa.

Você estava certa sobre o que disse naquele dia: Somos diferentes. É por isso que jamais deveria se esforçar para “merecer” estar ao meu lado.

Eu nunca quis que se adaptasse a uma imagem de “parceira ideal de um diplomata" e estou certo de que você também não.

Sinto sua falta. Mas, nos momentos em que eu quase me arrependo por sugerir essa distância extra entre nós, me lembro de que o tempo em que está longe é importante para você.

Espero que estar em Paris tenha lhe dado clareza sobre o que quer.

Não quero e não vou te prender a um futuro em que esteja isolada de todos, cumprindo um “papel” ao meu lado, se o que pode realmente te fazer feliz é estar em outro lugar.

Eu te amo, Rosie. Isso não vai mudar, mesmo que você siga seu caminho.

Osten Schreave.


Notas finais
>>>>>> O que foi esse capítulo Curto? - Uma prévia que ficou pronta para o próximo capítulo que espero eu terminar nos próximos dias (e não hiatar mais um mês) >>>>>> Esclarecimentos pra quem perdeu o ritmo da história: - O flashback desse capítulo se passa após o capítulo 47 (é uma cena de transição que eu senti que faltou. Não era obrigatória, mas acabou me vindo em mente). >>>>>> Reforçando o meu planejamento: - Finalizar a história de modo fechado, com Epílogo e Cena extra. (confirmado) -Pov do Príncipe Osten (confirmado) -Pov de outros personagens (talvez) Bjss ;)