Uma Seleção com Rosie Ambers
54 Capítulo 50
Notas iniciais
Eles abriram a porta. Vinham rindo de algo, mas pararam quando me viram esperando-os no sofá de casa.
"Filha, está tudo bem?" Meu pai foi o primeiro a se pronunciar aproximando-se com cautela.
Eu queria saber o porquê deles não terem me contado antes. E de onde eu tinha vindo, e como me acharam, e por que resolveram ficar comigo?
"Você pode não ter vindo daqui."Minha mãe apontou para a barriga. "Mas sempre vai estar aqui." apontou para o coração, e me deu um abraço.
“E se algum dia, seus pais vierem te encontrar, não vamos atrapalhar você de falar com eles.” O olhar do meu pai expressava calma e afeto, eu sabia que poderia confiar neles.
Daquele dia em diante, passei a sentir falta de duas pessoas sequer conhecia, mas sempre agradeci por aquelas pessoas que cuidaram de mim e me mantiveram ao seu lado.
Conversar com Allan, saber mais coisas sobre o meu 'passado' estava me deixando tão realizada...Mas agora eu havia voltado a estaca zero.
Embora Oliver pudesse estar por trás daquilo, nada descartava a chance de que tudo ser uma coincidência. Após a saída de Allan, vaguei sem muito ânimo para meu quarto.
No outro dia, ele estava ali: um bilhete, repousando sobre minha bancada.
'É realmente uma pena que você não seja uma Beaufoy.'
A pessoa que fez aquilo com certeza era alguém que tinha ficado sabendo do teste. Algum funcionário, possivelmente, quem sabe até a cargo de Oliver.
A mensagem era claramente uma ironia, e eu já não estava mais com paciência para aquilo. Então tudo o que fiz foi me livrar do papel.
…
“Ei, sobre o seu amigo Tyler...”
“Nem fala, Veronica que não cruze o meu caminho.”
Pouco tempo após romper com Tyler, Veronica foi vista junto com um garoto um pouco mais velho e revelou para um entrevistador estar namorando novamente.
E toda aquela história de ter se apaixonado de verdade por ele? Era de revoltar.
"Enquanto isso, Tyler deve estar sozinho, e morrendo de saudades dela."
Audrey andou de fininho até a pequena televisão e desligou, acabando com a minha ideia de fritar a Veronica e seu novo namorado com os olhos.
“Eu nem conheço ela, mas odeio ela!” Kerttu resmungou.
“Muito bem. Vamos nos voltar para as coisas boas" Delillah disse se levantando da mesa de jantar" Temos sobremesa! Quem aqui aceita um pedaço de bolo novinho?”
“EUUU”
“EUU” Kerttu ergueu os braços para acompanhar o gesto de Stefan, mas quase derrubou o copo, sorte que Amy pegou."Hehe, obrigada."
"Por nada, Alteza."
"Eu te ajudo a trazer, mãe." Lee se levantou.
Dellilah tinha resolvido fazer um mini jantar comemorativo pelo fato de Sullivan finalmente ter chamado Amy para sair.
“Bom, Amy, temos que desenhar o seu vestido!” Audrey disse assim que a maioria terminou a sobremesa.
“Sim, claro, podemos começar pela parte em que decidimos de vez o tecido e o corte da saia.” Willow sugeriu. “Isso está gerando controvérsias."
"Vai ser de que cor?" Kerttu se escorou entre as duas para observar melhor o esboço.
"Amy quis azul, depois de falarmos mil vezes que ela ficaria melhor de vermelho."
“Começou a parte chata. Fui”. Stefan soltou um muxoxo pegando em seguida o último pedaço de bolo."Tchau, galera! Obrigado pelo jantar, tia Dell!"
"Volte sempre, meu lindo!"
“Eu vou querer uma roupa assim também. Tenho um encontro. Com o Johnny."
"Com o Johnny?!"
"É, mesmo? Parabéns!" Audrey e Amy a abraçaram.
"Parabéns!"
“Parabéns, minha flor!"
Fiquei chocada e olhei de canto para Lee. Willow, a criada que cuidou de Phoebe, e ex-namorada de Eduard, estava seguindo em frente.
"Quem é Johnny? É aquele guarda alto do olho azul que sempre fica por perto delas?"
"Não, esse é o Eduard." sussurrei de volta para a princesa.
"Tanto romance com final feliz! Seria ótimo se minha filha desencalhasse, não é Lee? Muitas ótimas opções aqui no palácio e pra você nunca nenhum pretendente a 'altura'..."
“Ou melhor: que aguente os espinhos dela. Tá bom! Parei, parei!” Audrey se defendeu dos mini tapas de Amy. Olhei para Lee, e ela olhava para frente com indiferença.
"A não ser que seja o Eduard." Delillah voltou a falar."Ah, mas eu achei tão engraçado quando fizeram deles o casal mais votado, o que achou disso Lee?"
A loira deu de ombros.
"Ele e outros guardas daqui são muito bonitos, mas isso não significada nada. Vocês não podem estar pensando que sou tão superficial assim! Aliás, já sabem que não tenho paciência para relacionamentos." A voz ácida de Lee nos silenciou.
Eu havia questionado Lee sobre o que aconteceu no dia da festa dos funcionários, quando sua irmã a inscreveu junto ao nome de Eduard na lista de melhores casais, sendo que Willow estava presente.
Ela me respondeu que além de estar tudo bem entre ela e Willow, ainda prometeu à melhor amiga que jamais se envolveria com Eduard.Por iniciativa própria. Willow não fez questão disso.
Amy e eu, então, conversamos sobre o assunto com Audrey. Essa entendeu que não deveria mais interferir, embora continuasse com suas indiretas e discordância sobre a decisão da irmã.
Há um dia, quando eu caminhava com Lee pelo palácio, percebi que ela tinha travado a caminhada. Segui o seu olhar e encontrei Eduard e Sue, em uma conversa bem íntima. Sua atitude se resumiu a uma risada de deboche, e saiu andando para o lado oposto. Ela podia me afirmar quantas vezes quisesse, mas não iria me convencer de que não sentia nada por ele.
Seria uma grande mancada de Eduard se envolver com outra pessoa, sentindo o que ele sentia pela Lee. Eu só poderia esperar fosse um mal entendido.
“Afinal, muito bom esse bolo.”
"Sim. Está de parabéns!" Willow disse após Amy.
“Ah, é realmente uma ótima receita… Mas não fui eu quem a criou.”
“Então foi quem?”
“Isso é um pequeno segredo.” Delillah sorriu enigmática e saiu assobiando de propósito.
"Aquilo soou como um coração partido?" Kerttu sussurrou em meu ouvido assim que voltaram a ligar a televisão.
Dei de ombros para ela. Tentei me concentrar no canal de notícias, mas notei seu olhar curioso se manter sobre Lee pelo resto do jantar.
...
Cheguei ao ponto de encontro achando estar atrasada, mas Osten não estava lá. Meu primeiro palpite estava certo. Ele estava no escritório.
"Me desculpe, nós iríamos... Eu esqueci completamente da hora. Eu já estou indo, só estava terminando um trabalho.” falou ainda encarando o papel.
"Não tem problema. Leve o tempo que precisar, se quiser terminar o trabalho, podemos nos ver só amanhã de manhã."
”Não. Vamos descansar, amanhã eu termino isso, na viagem.”
Encarei-o enquanto ele guardava os documentos.
"Me diga que já comeu alguma coisa."
"Eu quase me esqueci." Deu uma pequena risada." Mas me avisaram, sempre avisam quando isso acontece."
“Não está se forçando demais? Eu sei que você é todo ocupado, mas parece bem estressado por esses dias...”
“É que, por enquanto, está um pouco complicado. Acho que vai ser bem difícil amanhã, na conferência."
"Mas... vocês já têm uma linha do que fazer, não é?"
Embora a guerra da Nova Ásia tivesse acabado, inclusive com a retirada das tropas de Illea e outros países, novos conflitos surgiram na área por causa do controle político. Não bastasse isso, agora havia o atrito com Noruécia por um território.
Osten iria participar de uma tentativa internacional de pacificação entre os dois países. A conferência seria na Federação Alemã, um país até então neutro como Illea.
"Temos o que dizer, mas eu estou incerto. É aquilo que te falei: nem a Noruécia, nem a Nova Ásia querem abrir mão da ilha. Tem gente que não faz questão de parar, fazem de tudo por uma guerra. É porque não serão os filhos deles indo para um campo de batalha."
"Guerras são boas para o comércio de alguns. O motivo é esse, não é?"
"Infelizmente sim. Parando para pensar, o conflito na Nova Ásia já foi muito longe, mas eles não aprendem com os erros. Só os recriam de maneira ainda pior. A guerra foi assim, e se outra começar acho que só tende a ser mais devastadora. Eu sinceramente não sei se nossas propostas vão funcionar, ou melhor, se vão ser ouvidas."
"Faz só o que é possível. Seu dever de casa que eu sei que você faz direito. Existem coisas que realmente saem do nosso controle, não por nossa culpa."
Ele assentiu. Eu pensei em dizer mais alguma coisa, mas ele cortou meu pensamento com o desvio do assunto.
"O que vai fazer enquanto eu estiver fora?"
"Só estudar infelizmente. Amanhã mesmo logo depois que você for, temos aula com a Grace..."
"Grace? Ah, sim, ela é uma ótima professora"
"Ela me disse que você já deu aula para você."
"E seu o problema com ela é..."
"Está tão evidente assim?"
Osten riu, e me encarou com curiosidade.
"Ela é realmente um boa profissional. Só pega um pouco demais no pé da gente." Principalmente do meu, acrescentei em mente.
“Hum.. falando em Grace, toda vez que ela me passa os relatórios, fica um bom tempo falando de você. Diz que você é bem preguiçosa..." Pisquei, mas sem surpresa.
"Pois é, eu não sou do tipo a melhor aluna."
Ela realmente ter feito os piores relatórios possíveis.
"Você tem sorte. Se eu não estivesse completamente na sua, poderia ter pensado em te cortar a um bom tempo." Ele se divertiu com meu olhar mortal.” Não se preocupe, eu sei que você se dedica."
Meneei a cabeça.
"Pelo menos amanhã temos aula com a Sra. Brice, de francês."
Estava morrendo de dela ser muito exigente como a Grace, mas o jeito dela me cativou de primeira. Eu acabei pedindo algumas coisas extras para fazer, e agora meio que tinha que dar conta.
“Não me surpreende. Afinal, ela é minha tia.”
“ELA, O QUÊ?!”
"Er..."Osten olhou para os lados parecendo estar arrependido por ter dito em voz alta.
Precisei esperar chegarmos a sala de cinema para que ele me explicasse melhor. A minha professora de francês era simplesmente a filha ilegítima do rei Clarkson.
"E… para sempre ela vai ser considerada como alguém fora da sua família?”
“Infelizmente. Meu pai sempre teve medo de algum louco querer matar ela, por conta das antigas leis da monarquia. Depois que a política mudou, ele e Eadlyn optaram por não expor a minha tia, e ela mesmo nunca fez questão de uma coroa, ou posição na linhagem. Ela sempre gostou de trabalhar com ele, e depois com Eadlyn. Acabou por se ligar à política, de qualquer forma. Bom...até enjoar.”
A sra. Brice fez a 'estreia' do cargo de primeiro-ministro, quando Eadlyn mudou o modelo de governo, mas preferiu não se estressar muito com o ofício há poucos anos, quando teve o primeiro filho e quis se dedicar mais a ele. Ela nos disse que se encontrou ao escolher lecionar, e pretendia permanecer para sempre nesse ramo.
Por coincidência, escolhemos um filme com o tema de filhos ilegítimos. Apesar da trama envolvente, senti que Osten continuava um pouco tenso. Era como se não tivesse se desligado totalmente do trabalho.
“Parece que alguém aqui vai sentir a minha falta” Osten semicerrou os olhos e segurou minha mão, que havia parado sobre seu rosto sem que eu me desse conta. Ele deu um beijo sobre ela. "Às vezes, eu me esqueço do quanto sou sortudo."
"Eu também..."retribui seu sorriso dando um beijo na ponta de seus dedos.
Sua mão livre deslizou por meu pescoço e ele me beijou sem muito suspense, provocando a costumeira pane em minha mente, que processava o cheiro de colônia e a textura de seus lábios somados à maciez do seu cabelo e mescla de nossas respirações.
Osten me surpreendeu ao dar uma pequena mordida em meu lábio inferior. Seu olhar procurou o meu na mesma hora com um teor de desculpas. Respondi-o segurando cada lado de seu rosto e lhe dando um selar profundo, que rendeu uma nova onda de beijos.
"Vai querer terminar o filme?” sorriu após me dar o último de uma série de selinhos. "Acho que está meio tarde..."verificou o relógio de pulso. Olhei também, assim como a barra para terminar o filme.
“Está com sono? Sem prob..."
"Por mim" deu de ombros. "Você sabe que durmo tarde."
"Então pode rodar.” ele deu uma voltada no filme, em alguma parte que lembrávamos.
"Sou um ótimo travesseiro, não?” Me encarou pouco depois que me deitei em seu ombro.
“Com toda certeza.” Envolvi mais o seu braço.
Apesar de meus problemas com insônias, eu fiquei realmente tentada a dormir pelo conforto. Osten ainda entrelaçou nossas mãos para fazer carinho em meus dedos.
Mas eu não podia de jeito nenhum pegar no sono. Fiquei de olho no seu relógio de pulso, esperando pela meia noite.
...
“ELE JÁ FOI?” perguntei desesperada quando Amy e Audrey chegaram no quarto. Não sei como não saí tropeçando.
"Ele quem?"
"O Osten? Para a viagem. Por que não me acordaram, eu queria me despedir...Agora não vai dar tempo."
Apontei para o relógio, voltando a procurar um vestido não tão arrumado para a manhã, mas estava difícil. Eu ainda precisava tomar um banho em tempo recorde.
"Calma, não te acordamos porque ele só sai 7:30!"
"7:30? Não 7h? Vocês tem certeza!?
"Sim, fomos todos informados."
"Pode se arrumar com tranquilidade." Amy segurou o riso.
Suspirei.
"Eu tinha ouvido ele dizer que estaria no aeroporto às 8h."
"Agora, Rosie, por que você dormiu de vestido?"
Sorri nervosa.
"Ah... isso? É uma história meio bizarra..." elas riram.
Senti um grande alívio ao vê-lo na entrada. Suki, Katie e Paige ainda estavam na minha frente para abraçá-lo.
Por um segundo quis surtar por não ser a única a entregar um cartão, mas logo me cortei. Isso era patético, já que não tínhamos tido oportunidade de entregar algo para ele, pois simplesmente não tínhamos DINHEIRO para comprar algo.
Fiquei encarando o chão ou qualquer outro lugar enquanto esperava o prolongar das conversas.
"Feliz aniversário!" avancei sobre ele, dando-lhe um mini susto.
"Opa, calma!" ele riu por quase perder o equilíbrio.
Naquele dia, Osten fazia vinte anos. Era uma pena ele ter que viajar a trabalho bem na ocasião.
"Eu planejava ser a primeira a te parabenizar, assim que desse meia noite, estava tudo certo, mas..."
“Você tem um sono bem pesado...”
“Ah, nem começa!”
"Tem certeza de que não estava fingindo dormir só para que eu pudesse te levar?"
Rolei os olhos.
"Aliás, obrigada por isso."
"Você sabe que não importo nem um pouco de fazer esse serviço..." Osten me deu mais um leve aperto no abraço antes de me soltar.
"Esse é o seu cartão, não! Não leia agora!"
"Por quê? Alguma declaração?" sorriu de lado"Ok... só vou ler no primeiro momento em que tiver sozinho." disse guardando no bolso e abaixou o volume. "Eu não vou ficar hospedado no mesmo lugar que Allan, por isso devo encontrar ele só na reunião."
"Tudo bem, obrigada."
A ideia sugerir ao Allan de fazer um novo teste de DNA. Osten teria ligado antes, se não houvesse o risco de algum funcionário atender primeiro, e Oliver ficar sabendo da história.
Precisávamos da certeza de que o novo exame não seria manipulado. Se Osten fosse discreto, talvez pudesse convencer Allan a marcar uma data.
Pelo canto do olho, percebi que um dos seguranças estava tentando fazer contato visual com ele.
"Acho que está na hora... Boa viagem! Vai dar tudo certo. Não gaste seu tempo todo livre trabalhando! Descanse, e se puder divirta-se, por favor!"
Osten assentiu com um sorriso torto e deu alguns passos para trás.
"Espero ter a sua companhia nas próximas."
...
"Qual a idade mínima para atuar na diplomacia de Illea?"
"18 anos."
"Quais as principais línguas que se deve falar?"
"Francês e inglês."
Aquela era mais uma das entediantes aulas com Grace, que além de ainda me dar aula de italiano, havia chegado a um acordo com Silvia para assumir a maioria das matérias.
"Conseguem citar algumas funções de um diplomata?"
"Representar o Estado, informar o seu governo sobre a situação do exterior, atuar em conferências e reuniões internacionais e fazer negociações comerciais." disse Jade.
"Também proteger e dar assistência aos cidadãos de Illea que estiverem no exterior." Ophelia completou.
Para piorar, Grace estava repetindo o seu método de mandar lermos algum assunto e fazer um questionários durante a aula. Era clara a sua satisfação em criar um insuportável ambiente de 'competição'.
"Quais níveis um diplomata pode percorrer durante a carreira?"
Paige e Suki levantaram a mão ao mesmo tempo.
"Terceiro-secretário, segundo-secretário, primeiro-secretário, conselheiro, ministro de segunda classe e ministro de primeira classe ou embaixador." disse Paige.
"Além de ter 18 anos, quais são os outros pré-requisitos?"
"Passar num concurso específico."
"E ter um ensino superior completo" falei após Suki.
Não era obrigatório fazer Relações Internacionais como Osten. Ele me disse que escolheu esse curso, porque queria conhecer um pouco mais da profissão, e juntar esses conhecimentos ao seu serviço como estagiário. A Seleção o obrigou a dar uma parada, mas ele estava ansioso para voltar.
"Em que lugares um diplomata pode trabalhar no país e fora do país?"
"Fora do país, em embaixadas ou consulados. Dentro do país, o nome vai variar, mas aqui em Illea se chama Departamento de Estado de Illea."
"E qual seria a diferença entre um embaixada e uma consulado?"
"Embaixadas cuidam mais da política externa, da relação entre os países. Consulados tratam de problemas e situações com indivíduos no exterior, como documentação, passaportes, prisões e repatriação, que, no caso, seria uma 'ajuda' para uma pessoa voltar para sua pátria."
"Muito bem Katie, essa foi a última. A parte final da aula será de um exercício com mais perguntas.”Grace distribuiu as folhas.
Travei logo na primeira pergunta, e fui obrigada a dar um leve toque no ombro de Suki.
“Sabe o que significa Legação?”
“Missão mantida por um governo em país onde não existe embaixada.”
"Hum... ok obrigada." Assenti com uma careta.
Era como se ela tivesse decorado o livreto que Grace passou.
Respirei fundo. Não fazia ideia de quantas etapas tinham a prova para se tornar um diplomata.
"Nada de conversa, vocês” Grace repreendeu quando voltei a pedir ajuda.”Estou deixando ficarem lado a lado, mas se for preciso espaçar as cadeiras ou pedir que alguma selecionada falante se retire, certeza que o farei.”
Escondi a carranca, e controlei o impulso de querer entregar a atividade em branco. Deveria ter alguma coisa possível de responder. Eu devia ao menos tentar. Por Osten.
Pensei em seu semblante feliz de mais cedo, quando me disse sobre querer minha companhia nas próximas viagens.
Aquilo seria uma rotina no futuro. Eu precisava me acostumar com isso e com a nova relação que Osten e eu criamos. Também precisava ignorar as preocupações, ou mais especificamente o medo das coisas darem errado.
...
“O que acham de falarmos um pouco sobre os pontos turísticos da França? Vocês pesquisam um texto dentre os livros presentes na biblioteca e podem fazer um resumo sobre ele. Claro, que em francês. O trabalho pode ser feito individualmente ou em duplas. A representante do grupo irá recitá-lo na próxima aula.”
Katie e Paige formaram dupla instantânea.
Jade olhou de mim para Suki e convidou ela.
“Preciso de alguém competente para esse trabalho.” Fingi não ter ouvido.
“Vamos fazer dupla, Rosie?” Ophelia me cutucou e eu assenti.”Somos a últimas de qualquer jeito…” riu
“Sim…” balancei a cabeça.
Houve uma verdadeira disputa pela Torre Eiffel, que ficou com Suki e Jade. Katie e Paige escolheram a Ópera Garnier. Ophelia e eu com o Château de Chenonceau.
"Boa escolha. Esse castelo tem uma história intrigante, vocês vão ver!"
A aula foi invadida por Kerttu e o filho de 3 anos da sra. Brice. Ele tinha cabelos e olhos castanhos escuro, um rostinho com bochechas que certamente Tyler gostaria de apertar e usava um pequeno terninho.
"Ah, ele é uma gracinha." Katie riu quando ele deu um beijinho em seu rosto. As outras meninas também começaram a pedir também.
Senti um cutucão no ombro, e dei um mini pulo.
"Perdão!" minha professora achou graça."Sobre que você me pediu. Esse livro vai te ajudar muito na gramática e na escrita.”
Foi inevitável olhar para ela e começar a caçar semelhanças com a família de Osten.
“Obrigada, Sra Brice.… “
...
Deveria estar engraçado de se ver: eu estava uma pilha de nervos.
A mãe de Osten queria uma conversa particular comigo. E, embora já houvessem passado meses desde que a minha chegada ao palácio, nunca trocamos mais do que algumas frases.
Bati à porta de seu quarto, conforme o recado dela pedia, e a resposta veio quase imediatamente. O pai de Osten pareceu surpreso ao me ver, ao passo que dei uns três passos instintivamente para trás.
“Ah, Rosie! Boa tarde, tudo bom com você?”
“Boa tarde, tudo certo, e você?!” Minha voz saiu mais fina que o normal. Maravilha. ”A sua esposa me chamou, por isso estou aqui...”
“Você veio!” America apareceu com uma expressão alegre.” Vamos, entre!" Ela me puxou para dentro." Fique a vontade. Querido, infelizmente vou ter que te expulsar."
"Assim, tão fácil?"
"Sinto muito. Segredos de mulheres." piscou para mim.
Segurei o riso com a expressão sofrida de Maxon. Isso explicava o melodrama de certo alguém...
"Ok, eu supero. " Ele deu um beijo na bochecha dela e um aceno para mim. America balançou a cabeça fechando a porta.
“Você quer sentar em alguma cadeira, ou no sofá?"
"Bom...sofá?"
Ela assentiu, mas me impediu de ir de imediato com um toque no ombro.
“Antes, eu só quero deixar claro que está tudo bem. Isso não vai ser nenhum interrogatório, e de jeito nenhum alguma conversa séria para te mandar se afastar do meu filho. Eu já estive no seu lugar. A mãe de Maxon foi ótima para mim, aliás, para todas as selecionadas e não pretendo fazer diferente com nenhuma de vocês.”
"Certo." sorri de volta.
Foi incrível como um certo alívio tomou conta de mim.
Basicamente, esses eram os meus medos.
Mas, então, pensei: se ela não iria fazer isso, para quê a conversa?
Fiquei na expectativa nos segundos que se seguiram, enquanto tentava me distrair com os elementos do ambiente.
Havia um mural de fotos bem maior do que o meu, ou o de Kerttu, mas não dava para vê-las com detalhes, visto que estavam na parede oposta. Além da cama de casal, guarda roupa, escrivaninhas, criado mudo, e outros móveis normais de um quarto, estavam presentes um piano e violino.
"Eu já devia ter tido essa conversa com você a mais tempo, pedido desculpas a mais tempo, pela minha mãe. May me disse que sempre quando vocês conversam elas joga farpas em você, mesmo que nas entrelinhas. E naquele dia... foi uma vergonha a acusação que ela fez em relação a você e sua mãe."
'America, minha filha, acorda para vida. Ela é a filha da mulher que quase roubou o SEU HOMEM (...) E se essa garota só veio para causar confusão? Se ela veio para se vingar pela mãe? (...)'
"Está tudo bem." assenti." É normal vocês pensarem assim porque são casos e casos de vingança que acontecem. Eu sempre tive medo de vocês me rejeitarem, mas fui muito bem recebida. Obrigada. Aliás..."
' (...)Rosie, por que não vamos para a outro lugar repassar essa história com calma? (...)'
'(...)Não estamos em condições pra isso. Por que não chama a atriz para sair?(...)'
" Uma vez... você viu uma briga minha e do Osten." Ela franziu a testa,mas confirmou."Sobre isso..."
"Relacionamentos nem sempre são perfeitos. É o que torna tudo mais interessante."deu uma piscada" Não precisa se preocupar com isso. Eu nunca quis interferir na vida amorosa do meu filho. Na verdade, te chamei para falar das aulas de violino."
"Hã?"
"Esse é o assunto principal."
Ela me disse que sempre deixou o convite aberto para tocar, mas nunca me chamou de fato. Combinamos então de treinar em horários distintos ao que eu ensinava Kerttu e Stefan. As meninas da Elite também seriam convidadas.
O tempo que se seguiu a nossa conversa foi incrivelmente confortável.
America pediu que trouxessem um lanche, e fez algumas perguntas sobre minha mãe, meu pai e minha vida em Columbia. Também me demonstrou algumas músicas no piano e violino.
"Osten é o único dos meus filhos que nunca se animou muito em aprender nenhum instrumento."
Não consegui segurar o riso.
"Sim, ele me disse que realmente era uma negação..."
“Mas ele tem uma voz e tanto..."
"O quê?!"
"Eu já o vi cantando uma canção para Kerttu dormir, depois ele ficou com vergonha e nunca mais fez isso.”
"Está brincando."
“Não!" balançou a cabeça." Talvez um dia você o convença a cantar…”
Franzi a testa com o comentário. Em seguida meneei a cabeça rindo.
“Se ele fica com vergonha, acho muito pouco provável.”
“Se você acha” Levantou as mãos."E como tem sido a aula com Kerttu e Stefan?"
"São muito boas, eles me divertem na maior parte do tempo. Eu... sinto muita falta da turma cheia, dava um pouco mais de trabalho, mas..."Dei de ombros.
"Eu sei, quanto mais companhia melhor. Você realmente parece gostar disso. Queria trabalhar com música desde sempre?"
"Eu sempre gostei, mas comecei a pensar nisso como um futuro desde que comecei aprender violino, há um ano atrás."
No dia seguinte, na academia do palácio, o comentário rolava solto sobre a proposta de America. É claro que todas aceitaram.
"Acho que todas podíamos treinar alguma música para receber o Osten, como um presente de aniversário."disse Katie, ao que logo se seguiu um 'péssima ideia' de Jade.
"Daqui somente você, Rosie e Ophelia sabem tocar violino. Seria injusto com o resto."
"Vocês que sabem" Katie revirou os olhos.
"Vamos Rosie, deixa um pouco essa esteira. Acho você já pode começar a tentar esses pesos maiores."Ophelia quebrou o breve silêncio.
Graças a Phoebe eu tinha saído um pouco do sedentarismo. O meu normal não seria frequentar aquele lugar. Podia ouvir Emma dizendo coisas sobre a saúde, como evitar doenças cardiovasculares.
Elas tinham razão. Fora que exercício melhorava muito os ânimos para o dia.
Eu me sentia feliz por continuar motivada (ou sendo motivada), mesmo sem as duas ali.
"Quer dividir os pesos comigo, Suki?"
"Não, não." sorriu"Prefiro o yoga."
A ela se juntou Paige.
"Suki, quase me esqueço, a carta de Emma chegou hoje bem cedo. Vou tomar café com os funcionários, mas depois te entrego, tudo bem?" Ela assentiu.
Ophelia riu da minha careta ao levantar o primeiro peso.
Ela me lembrava Phoebe em personalidade, e até em aparência. Ambas eram morenas, mas o cabelo de Ophelia, porém era um pouco maior e mais escorrido que o de Phoebe e ela tinha um sorriso com covinhas muito fofas.
Por falar em semelhança, Katie tinha o cabelo do mesmo tom em castanho-claro que minha prima Taylor, os olhos, porém, de Katie, porém, eram azuis-piscina.
Os de Paige eram cacheados, até a cintura, mas ela naquele momento sempre prendia o cabelo num coque. Me lembrava bastante a irmã do melhor amigo de Tyler em Columbia.
"Isso é uma sessão de tortura, Ophelia."
"Já está quase no final. Um, dois, é isso."
"Graças aos céus!"
"Amanhã você tem que fazer mais uma, vai se sentir melhor, vai ver!"
"Se os braços dela não caírem." Jade disse em deboche.
"A primeira aula com a America está marcada para hoje às 18h ." Anunciei dando me apressando na direção de Lee, pois iria tomar café da manhã com ela,Amy, Delilah e Audrey " Só preciso tomar um banho rápido e me trocar. Sua mãe já serviu a mesa?"
"Mudança de planos..."
"Como assim?"
Lee suspirou. Seu rosto ficou bem sério.
"O Eduard quer falar uma coisa com você."
...
'Cara Rosie Ambers,
o que está achando do Castelo? Há um abismo enorme entre ele e o mundo de fora,não acha?'
'Cara Rosie Ambers,
Quando vai perceber, se não já percebeu, que não é nada para a família real?'
'Cara Rosie, você é uma iludida se acha que com vários guardas de escolta está segura.'
Encarei o rosto de Eduard. Junto a nós estavam Lee, Amy e Audrey no dormitório dos guardas.
"Ok... estão me mostrando os primeiros bilhetes misteriosos porque descobriram quem escreveu?"
Vi que as meninas ficaram um tanto tensas.
Detalhe, eu estava estranhando o fato de Lee estar no mesmo ambiente que Eduard. Esse soltou um longo suspiro e trouxe uma caixa.
"Eu tinha ido na casa dele por esses dias. Gregg e Finn tinham resolvido vasculhar as coisas do irmão, e não entendiam quem poderia ser a namorada que enviava cartas para ele. Acabei achando alguns escritos dele para ela. Não os trouxe, mas trouxe o necessário."
'Gregg, estou saindo para o serviço. Tem macarrão no forno.'
"Esse claramente é um recado de um dia que ele saiu e deixou comida pronta para os irmãos mais novos."
"H-Harry?"
"Sim, foi ele que te escreveu. A letra bate." Ergueu todas as folhas de papel.
"...Por que...?"
Por que raios Harry me escreveria?
"Não sei. Mas não é só isso que quero te mostrar." Eduard puxou mais dois papeis da caixa.
Harry,
Eu deveria ter me despedido melhor. Me desculpe por sair daquele jeito. Você sabe que não concordo com o que ele pensa, e manda você e os outros fazerem. Eu acredito em você.
Não precisaremos de muito tempo até conseguirmos morar na França. Apenas pense sobre aquela bolsa de estudos em Paris. Eu tenho dinheiro o suficiente para você e seus irmãos viverem aqui. Apenas preciso de um tempo até acertar as coisas com aqueles dois.
Você tem que parar de só escrever enigmas para ela. Ela merece saber a verdade. Não dá para perder mais tempo.
Estarei de volta a Angeles em menos de um mês. Te encontro no lugar de sempre.
Megan.
“Repara nessa frase, Rosie: 'Você tem que parar de só escrever enigmas para ela.’ Foi isso que me deu o clique. Achei que estivesse louco, mas não é de hoje que estamos tentando entender o que Megan estava fazendo ajudando Harry a te proteger naquele dia. Eles te tinham como objetivo. Isso aqui deixa claro. Intenções? Se boas, se ruins. Não temos como saber."
“Você está desconfiando do seu próprio amigo?!”
Ele se sentiu incomodado por um momento pelo comentário, mas deu de ombros resignado.
“Olha, então, essa outra carta."
Harry,
Eu não vou dizer outra vez. Trate de ficar perto dela durante todo o passeio. Inclusive no parque de diversões. Não perca-a de vista. E trate de não espalhar isso, nem para aquele seu melhor amigo enxerido. (Ele não me passa uma impressão muito boa, desculpe). Nos encontramos no lugar combinado, assim que toda correria começar.
M.
"Os guardas já sabiam do parque de diversões antes mesmo de você. Harry e eu ficamos sabendo dias antes. Tempo suficiente para ele e Megan planejarem. Agora… o que, e por quê.. Eu avisei! A chave para entender tudo o que aconteceu naquele ataque sempre foi essa garota! Agora, mais do que nunca, temos que achá-la.”
“Também precisamos saber sobre o resto dos bilhetes."disse Lee." Os últimos tem a letra diferente dos primeiros."
"Sim, isso é outra questão relevante. Depois que Harry morreu, alguém aparentemente continuou te escrevendo."
Desde o início, eu desconfiei que Bridget era a pessoa que escrevia. Pensei em Jade, e em algumas outras selecionadas que não iam muito com a minha cara, porém descartei essas opções desde que Osten comparou a letra delas, no exercício de idiomas que estava corrigindo, com a letra do bilhete.
Me restava a letra de algum funcionário, que poderia ou não ser alguém mal intencionado, se eu me deixasse levar pelas ideias paranoicas de Eduard. Era mais provável que viesse de um criado que não me visse como a favorita, para me assustar ou algo assim.
Mesmo as provas de que a letra não era de Bridget, não deixei de desconfiar que podia ser um trote de sua parte. Ela poderia ter dado a função a alguma de suas ‘fiéis’ criadas para continuar a escrever e me perturbar, mesmo após sua saída. Ela ainda poderia ter motivos tão fortes para querer me incomodar, embora nós tivéssemos nos dado bem melhor em seu último dia na seleção.
Por fim, desconfiei da ironia de Oliver, ou de alguém a seu serviço. Talvez, agora, fosse necessário retirar a desconfiança sobre eles, e me focar em possíveis novas respostas.
...
Suki / Rosie,
Estou triste por termos que interagir apenas por cartas. Antes da Seleção eu tinha na minha cabeça de que não faria nenhuma boa amizade em Angeles, mas a vida é irônica, não é?
Vocês, Phoebe e tantas outras vão fazer muita falta para mim. Vocês se tornaram o meu dia a dia, e é um tanto melancólico pensar que não poderemos nos ver com a frequência que eu queria, de agora em diante.
Estou seguindo a minha vida como tinha planejado antes de aceitar entrar para o sorteio da Seleção: quase no final do meu curso e com um emprego já garantido no hospital. Fico mais tranquila por poder ajudar meus pais financeiramente e digo que me encontrei mais aqui do "lado de fora".
Eu não estou chamando o palácio de prisão, mas toda aquela rotina estava me sufocando, porém isso não quer dizer que seja assim para vocês.
A razão de não dar certo aí, além de eu não ter me apaixonado de verdade pelo príncipe, era que no fundo não era exatamente essa vida que eu queria.
Eu até poderia dar um jeito de ser enfermeira, mas jamais poderia fazer isso de maneira tão livre e autônoma, sem ninguém me incomodando por eu ser da 'família real'. Entendem o que eu quero dizer, não é?
De qualquer forma, acho que combinam mais do que eu e Phoebe combinamos com esse estilo de vida.
Desejo tudo de melhor para vocês e revê-las muito em breve!
Emma.
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