Uma Segunda e Verdadeira Chance a Nós
19 Fim do dia na praia
Depois de mais algumas tentativas, Lucas conseguiu pegar uma onda menor outra vez. Quando a água abaixou e ele voltou à prancha, ele viu Tamires observando tudo. Tinha que admitir que a garota estava linda à luz do sol, o cabelo comprido cacheado molhado, o maiô verde água brilhando com as gotículas do mar e a luz e o rosto bondoso que nada parecia abalar.
Por um momento, Lucas sentiu as bochechas corarem, mas logo se recompôs.
—Eu melhorei, Tamis? Quer dizer, que nota você me dá, professora? — ele perguntou, depois de se aproximar dela.
—Acho que merece um 10 pelo esforço, mas lembra que você tem que se divertir também — ela recomendou, com um sorriso leve e doce.
Eles ficaram mais um tempo na água, enquanto os outros irmãos Suli se ocupavam com outras atividades. Natan brincou um tempo com Tainara na água, até resolverem chamar Karla para o mar.
—Você tem que ir, é muito bom! — Tainara a puxava pelo braço, com um sorriso animado estampado no rosto.
—Tá bom, eu posso ir com você, pelo menos molhar os pés — foi o que a mais velha prometeu, aumentando a alegria da mais nova.
Natan então tomou o lugar de Karla, sentando-se ali na frente, apreciando a vista. Tinha que admitir, era uma bela vista. Por um momento, pensou que morar em Meticaína não era tão ruim assim. Despertando-o de seus pensamentos, apareceu em seu campo de visão duas figuras conhecidas, Rian e Laís. Ele logo se lembrou que eles também tinham sido convidados para o passeio também.
—Oi, Natan, faz tempo que chegaram? — Rian cumprimentou, enquanto Laís permaneceu quieta ao seu lado.
—Ah faz um pouco sim, mas não se preocupa, não vamos embora agora — ele deduziu.
—E você sabe onde o Arthur está? — quis saber o amigo dele.
—Ah ele foi surfar com o meu irmão e a Tamires — Natan avisou — não saíram do mar até agpra.
—Tá bom, vou lá com eles, a gente se fala mais tarde — Rian pegou sua prancha e foi para o mar com empolgação.
Natan percebeu que surfar era realmente algo que eles adoravam fazer ali, mas logo em seguida, se lembrou de Laís e pensou se talvez com ela essa realidade fosse diferente.
—Você também curte surfar? — ele puxou assunto, sendo educado e lembrando da timidez dela.
—Eu não, eu sei que é uma coisa do litoral, mas eu meio que tenho... medo — ela confessou, envergonhada — eu não sei se consigo, também nunca tentei.
—Você podia tentar — ele sugeriu, sendo simpático — mas também não precisa, se não quiser, quer dizer... você deveria fazer o que você quiser.
—Entendi o que quis dizer, obrigada — ela se sentiu mais à vontade, até agradecida por Natan se mostrar compreensivo — e você? O que gosta de fazer quando vem pra praia?
—Ah eu não sei, tô descobrindo — ele deu uma risadinha que Laís considerou fofa — eu nadei um pouco com a Tai e agora tô vendo o mar e o movimento de todo mundo, mas confesso que tô com uma curiosidade de uma coisa.
—O que é essa curiosidade? — ela perguntou, interessada no assunto.
—Provar alguma comida da praia, os vendedores não param de gritar, me deixaram maluco e curioso — Natan contou.
—Eu sei o que pode ser muito bom aqui — foi a vez de Laís rir — eu te mostro.
—Vamos lá — Natan se levantou, a seguindo.
Ele deixou que Laís fizesse as vezes de comprar para ele um espetinho de frango e de sobremesa, picolé de bombom. Ele se ofereceu para pagar, mas Laís insistiu que era uma cortesia. Ele apenas sorriu e aceitou, os dois sentaram juntos para comer e apreciaram a comida.
—Isso foi bem legal — Natan elogiou a proposta toda.
—Obrigada — ela agradeceu.
—Talvez eu tenha descoberto o que gosto de fazer na praia por causa de você, valeu mesmo, Laís — ele acrescentou, o que a deixou um pouco mais lisonjeada.
Era claro que agora ela entendia um pouco melhor o que Tamires via em Lucas, porque ela estava vendo algo em Natan. Talvez o charme fosse algo comum na família Suli.
Quando o sol começou a se pôr estava claro de que a hora de ir embora tinha chegado, mas ninguém do grupo queria ir embora, tinha sido um dia legal, com certeza.
Antes que Teodoro se organizasse para ir buscá-los, acabou encontrando Tiago na frente de casa e um convite surgiu.
—Nós vamos buscar as crianças, você e a Natália não querem ir com a gente? — ele propôs ao vizinho.
—Bom, eu ia gostar, não estou ocupado agora, eu só preciso checar com a Nat, claro, ver se ela vai querer ir também — Tiago respondeu, considerando ir.
—Claro, entendo, eu posso esperar, com certeza — Teodoro disse.
Tiago então assentiu para ele e disse à esposa o que tinha acontecido.
—Eu não sei, eu nunca fui à praia, não sei o que eu faria lá, claro além de entrar no mar, mas não quero entrar agora — Natália ponderou — mas eu também quero ver as crianças, e ir também serve pra eu saber onde fica a praia. Tudo bem, eu vou com vocês.
Com a confirmação, os casais se encontraram, com Natália e Roberta mais caladas uma com a outra, enquanto Tiago e Teodoro falavam animadamente pelos cotovelos. Suas esposas tinham que sorrir diante do fato de que eles tinham se tornado amigos muito rápido.
Chegando à praia, não demorou muito para encontrarem seus filhos.
—Mãe, pai, tudo bem? A gente se divertiu muito! Eu quero vir de novo, eu posso vir de novo amanhã? — Tainara sugeriu, super animada.
Apesar de mais contidos, os irmãos também queriam voltar outro dia como ela.
—A gente pode vir outro dia, mas não amanhã, tá bom, meu amor? — Natália propôs — e vocês fizeram o que?
—Entramos no mar — Natan constatou.
—Mas foi mais legal do que ele fez parecer — Karla acrescentou — e você ficou um tempão conversando com a Laís.
—Quem é Laís? — Tiago quis saber.
—Uma amiga da escola — Lucas disse no lugar da irmão, atropelando a vez dele de falar, pois queria dizer o que tinha aprendido — eu aprendi a surfar, gente! Eu tenho um segundo esporte favorito, graças à Tamires.
—Olha só, seu skate que não te ouça — o pai deles deu um assobio.
Depois de reunir a família, os Suli e seus vizinhos voltaram para casa, contentes por verem a alegria dos filhos, que tinham passado um ótimo e divertido dia juntos.
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