Uma Segunda Chance
1 Uma Segunda Oportunidade
Notas iniciais
Afinal, é ficção, né gente?!
Um beijão e espero que gostem.
Após a discussão com Betty no Almirante Padilha, Armando foi para seu apartamento e continuou a beber.
Ele bebia, chorava e ao mesmo tempo suplicava a Deus por uma segunda oportunidade.
— Meus Deus, eu imploro apenas por uma oportunidade. Não posso viver sem a minha Betty! Prefiro a morte, a ficar sem ela. Não suporto mais isso... – Armando conversava com Deus, em meio as lágrimas.
Ele lembrou-se do que disse a Dona Júlia sobre pagar com a vida... E seus pensamentos tomavam um caminho sombrio. Ele já havia tentado antes, quando arrumou briga naquele bar.
A verdade era que Armando estava destroçado e já não suportava mais a rejeição de Beatriz e tampouco a ausência de seus doces beijos.
Ele estava desesperado de amor e saudade. Se fosse preciso, ele lhe daria a vida sem sequer pensar uma segunda vez. Por ela, seria capaz de enfrentar o mundo e mover montanhas. Seria necessário apenas uma palavra ou mínimo sinal dela... E ele demonstraria que ela era a mulher de sua vida, se casaria com ela na igreja, teria filhos com ela, dedicaria o resto de sua vida a ser o príncipe que ela sonhou...
Acabou desmaiando no sofá, devido seu estado alcoólico.
******
Ao acordar, na manhã seguinte, Armando se viu dormindo no apartamento de Marcela Valencia. Não sabia como e porquê havia ido parar alí.
Já se levantava disposto a pedir desculpas a Marcela e ratificar que não voltaria a ficar com ela.
Nesse momento, Marcela entrou no quarto e ele se assustou ao reparar que ela estava com os cabelos diferentes. Estavam mais compridos e claros, como a alguns meses atrás.
Marcela lhe sorriu e o abraçou, como se nada tivesse acontecido, como se o tempo não tivesse se passado. Já não tinha a feição atormentada, parecia serena... Foi então que lhe disse:
— Meu amor, precisa se arrumar, afinal, hoje tem que entrevistar a Patrícia e a feia para decidir quem será sua secretária.
Armando a olhava atônito. Como era possível?! O que estava acontecendo? Será que sonhou tudo aquilo? Resolveu fazer um teste. Precisava se certificar que era real, que não era um sonho...
— Marcela, que dia é hoje? O que passa? Ainda sou o presidente da Ecomoda? – Questionava atrapalhando-se e atropelando as palavras.
— Como assim, meu amor? – Perguntou preocupada com o noivo – Você está bem? É claro que hoje é dia 13 de outubro. – Disse como se fosse lógico – E quanto a ser presidente, bem... Tecnicamente seu pai ainda é o presidente, mas na reunião da semana que vem você será oficialmente nomeado novo presidente da Ecomoda.
Armando estava perplexo. Será que seu pedido havia se realizado? Será que aquela era a segunda oportunidade que ele tanto clamou? Incrédulo, deu um tapa no próprio rosto, tentando acordar daquele sonho estranho, no entanto, nada aconteceu.
— Marcela, eu tenho que entrevistar a Patricia Fernández e a Beatriz hoje? – Estava de repente cheio de euforia e esperança na voz.
— Armando, estou preocupada contigo. Está estranho e não diz coisa com coisa. É claro que vai entrevistar a Patricia hoje... E a moça super qualificada que Gutierrez diz que é feia. Eu não lembro o nome dela, mas sim, marcou de conversar com as duas e decidir quem ficará com o cargo.
Armando estava no céu. Ele não podia acreditar que aquilo fosse mesmo real e que suas preces tivessem sido atendidas.
Ele pensou por um momento e, então, resolveu que deveria agir rápido e ser muito assertivo. Não há ia tempo a perder. Não erraria novamente. Não perderia a mulher de sua vida novamente. Se aquela era a chance que a vida lhe dava, ele aproveitaria com humildade e gratidão.
Precisaria pensar nos próximos movimentos, mas, para acertar a vida, o primeiro passo a dar, sem dúvida, deveria ser resolver definitivamente sua situação com Marcela Valencia. Ela provavelmente acharia que ele estava louco, mas isso não lhe importava.
Foi então que ele a chamou para que conversassem e começou a lhe explicar que a relação deles não tinha futuro e que seria um erro continuarem juntos e mais ainda se casarem.
Teve de dizer que tudo entre eles estava definitivamente terminado e que eles nunca se casariam, que ele não a amava.
— Armando, como pode fazer isso comigo?! Eu fui contra meu irmão para te apoiar.
— Marcela, não é justo que eu siga essa relação contigo, sem amá-la. Entenda que assim será bem melhor para nós dois. Eu sinto muito por magoá-la, mas é necessário. A longo prazo, verá que foi melhor, tenho certeza.
Armando pegou sua mala e colocou todos os seus pertences e foi embora, deixando Marcela destroçada, implorando para que ele não fizesse isso com ela.
******
Ele dirigiu até seu apartamento, deixou suas coisas e correu para a Ecomoda.
Ao chegar, constatou que tudo havia voltado ao que era. Aura Maria ocupava novamente a recepção, com as roupas e jeito provocantes de sempre.
Ao sair do elevador, viu a ex secretária de seu pai, Carmem, ocupando seu antigo posto.
Entrou na presidência nervoso e viu seu pai na cadeira que fora sua e depois se tornou de Betty.
Ele se aproximou de Roberto para lhe falar. Queria deixar tudo tão claro quanto possível, então, já foi explicando ao pai que havia terminado tudo com Marcela e, em uma conversa muito franca, explicou ao seu pai que ele não poderia mais enrolar Marcela, que não era justo com ninguém, principalmente com ela.
Roberto, embora tenha ficado desapontado, pois tinha Marcela como filha, entendeu as razões de seu filho e sentiu orgulho em constatar que Armando estava agindo de maneira responsável e madura pela primeira vez na vida, portanto, decidiu apoiá-lo.
******
A secretária de Roberto, Carmem, ligou informando que as senhoritas Patricia Fernández e Beatriz Pinzón haviam chegado.
O coração de Armando estava a mil ao sentar na sala de reuniões.
Ficou encantado quando a sua Betty, desengonçada e com o antigo visual adentrou a sala e se pôs a falar sobre suas competências daquele jeitinho que o encantava.
Nesse momento, Marcela entrou com violência e fez a mesma cena que Armando se lembrava, colocando Betty e Patricia lado a lado para compará-las, a fim de humilhar Beatriz.
Essa atitude de Marcela havia lhe aborrecido também da primeira vez e olha que ele ainda era o Armando vazio e fútil. Agora então que ele era um novo homem e, principalmente, amava a Betty, aquilo foi insuportável para ele, o deixando irritado e desconfortável.
Ele olhou com raiva para Marcela e pediu então para que Beatriz e Patrícia aguardassem do lado de fora da sala e se pôs a falar.
— Sabe, Marcela, sua conduta de agora foi desprezível. – Ele afirmou com irritação e repulsa. — Além do mais, a secretária será minha e você não tem o direito de interferir em absolutamente nada e nem em vir aqui humilhar ninguém.
— Mas eu sou sua noiva...
— Não, você não é mais minha noiva. Já te disse mais cedo e já até mesmo contei para o meu pai, então não perca seu tempo. – Falou, cortando Marcela, antes que ela pudesse desenvolver a frase. – Sobre as moças, sim, você tem razão, a Beatriz não serve como minha secretária. Ela é qualificada demais para o cargo. Sendo assim, eu vou contratá-la como minha assistente e isso é coisa decidida. Agora quanto a sua amiga Patricia, se quiser, contrate ela e eu ficarei com a Mariana como minha secretária. Mas a Patrícia eu não contrato.
Após muita discussão entre os três, Armando, apoiado por Roberto, resolveram pela contratação de Betty como assistente e a transferência de Mariana para a presidência. Patrícia seria contratada como secretária de Marcela.
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