Uma Segunda Chance
2 Reescrevendo Nossa História
O próprio Armando mandou chamar Betty para lhe dar a notícia. Ele tinha o coração acelerado e ao ver sua Betty entrar na sala de reuniões, para falar com ele a sós, ficou ainda mais ansioso e muito emocionado.
Sua vontade era de tomá-la nos braços e beijá-la feito louco, mas isso a assustaria. Resolveu que teria de conquistar seu amor e confiança aos poucos.
Betty estava que era puro nervosismo e ansiedade também. Primeiro porque precisava do emprego e segundo porque estava absolutamente deslumbrada por Armando Mendoza e seu irresistível sorriso.
Ela lhe sorriu tímida e ele lhe deu seu melhor e mais bonito sorriso ao cumprimentá-la. Avisou que ela não seria contratada como secretária e sim como sua assistente, a deixando surpresa e emocionada.
— Beatriz, por favor, sente-se. Preciso lhe pôr a par das responsabilidades que espero que tenha. – Tentava controlar suas emoções, enquanto falava a amada.
Betty o olhou com seu jeito sonhador e chorando muito de emoção, pois não acreditava que aquilo fosse real.
— Doutor, eu não sei como lhe agradecer pela oportunidade. Eu juro que serei a primeira a chegar e última a sair. Serei muito competente e absolutamente incondicional com o senhor.
Armando ficou comovido com a doçura de Betty e com suas lágrimas. Então se aproximou de sua amada e a abraçou e enxugou suas lágrimas. Tinha vontade de lhe dar um beijo doce nos lábios, mas sabia que teria que ir com calma, pois só ele conhecia a história deles. Mas, pelo que leu em seu diário, sabia que ela havia se apaixonado por ele a primeira vista.
A conquistaria e mostraria seu amor e fazia questão de ser o responsável por auxiliá-la em sua transformação. Ele se encarregaria de dar confiança a ela e lhe mostrar quão bela era, mas não antes de lhe provar que a amava, mesmo com a aparência antiga.
Estava decidido a lhe cortejar e lhe namorar, exatamente como deveria iniciar uma relação normal. Não haveriam mentiras e enganos. Dessa vez, não cometeria erros com ela.
— Beatriz, eu tenho certeza que você será absolutamente perfeita como minha assistente. É a mulher para mim. – Declarou, enquanto segurava seu queixo. – Mas deixe-me dizer que eu prefiro que me chame de Armando e nada mais. Não quero que me chame de doutor ou de senhor. Tenho certeza que seremos bons amigos e que você será meu braço direito, então, sem formalidades entre nós. – Ele disse sorrindo.
Betty ficou deslumbrada. Estava perdida naqueles olhos, naquele sorriso, no seu cheiro... E ele estava tão perto de si. Ela poderia jurar que aquele homem a olhava com algo a mais no olhar. Mas é claro que não deveria sonhar tanto. Era um homem belo e importante. Nunca olharia para alguém como ela. Obviamente era um homem muito amável, apenas isso.
— Doutor... melhor dizendo, Armando. — Ela sorriu enquanto fazia uma pausa para dizer seu nome. – Eu vou tentar chamá-lo apenas pelo primeiro nome. E pode contar sim com minha amizade e lealdade.
Armando sorriu afetuosamente para Beatriz e seguiu dando instruções a ela do que esperar.
— Beatriz, eu vou lhe entregar a minha proposta de metas. Eu entendo que cometi erros na proposta que apresentei a diretoria e que me fez ganhar a presidência e confio que você possa corrigir isso. Quero que trabalhemos em uma nova proposta, um novo projeto, que vise a modernização do maquinário e da informatização da Ecomoda e que seja economicamente viável. Quero implementar um sistema de franquias, a fim de conquistar maior visibilidade e lucros. Preciso de você para me ajudar a encontrar os erros da proposta e fazer uma nova, melhor e mais consistente. Quero apresentar e pedir uma oportunidade a diretoria. Eu não quero mentiras, não quero pôr a empresa em risco. Quero iniciar minha gestão com clareza. Você me entende?!
— Claro, dout... Armando. Pode contar comigo. Posso começar agora mesmo, se quiser.
— Não, Beatriz. Comecemos amanhã. Trabalharemos da minha casa durante essa semana, se não se importar. Ainda não tenho uma sala oficial, já que meu pai ainda não me entregou oficialmente a presidência e ainda preciso preparar aquela que será a sua sala. Preciso fazer umas melhorias nela, para acomodá-la como merece.
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Armando ligou para Gutierrez e pediu que o mesmo fosse até a sala de reuniões.
Quando Gutierrez adentrou a sala, Armando lhe deu uma série de avisos, tudo diante da presença de Beatriz que olhava e escutava tudo atentamente, fascinada pelos modos de Armando.
— Gutierrez, já deve saber que resolvi contratar a senhorita Beatriz Pinzón para o cargo de Assistente da Presidência.
— Of course, doctor. E quanto ao soldo da senhorita...
— O salário dela, deixe-me pensar... Pois acho que o melhor é que seja de cinco mil líquidos mensais. O que acha, Beatriz?
— Doutor... Desculpe, Armando. – Respondeu com a voz embargada pela emoção – É muita generosidade...
— Excuse me, doctor. Mas não é muito? Lembre-se que a moça está apenas iniciando e não tem experiência... – Disse Gutierrez interrompendo.
— Gutierrez, não pedi sua opinião ou sugestão. E, na verdade, mudei de ideia, sabe... O salário deve ser de 6 mil líquidos para ela. Faça as contas direitas de maneira que ela fique com seis mil líquidos para si. – Declarou de maneira firme e até um pouco ameaçadora. – Isso é tudo, Gutierrez. Pode ir e providencie logo o contrato definitivo da Beatriz.
— Perdão, seu Armando, mas contrato definitivo? Tem certeza? Não é melhor um de dois meses de experiência?
— Gutierrez, estou dizendo que quero que providencie o contrato definitivo. Não é necessário contrato de experiência, estou dispensando isso. Faça de uma vez o contrato dela. – Disse sem paciência.
— E quanto a senhorita Patricia Fernández...
— Ela será contratada como secretária da Marcela, veja isso com ela. – Disse Armando antes que Gutierrez terminasse a frase. — Eu ficarei com a Mariana como minha secretária. Providencie a mudança do contrato dela, com sua nova posição. E aumente o salário dela, que deverá ser o mesmo que era de Carmem.
— Of course, doctor. E com relação a sala da senhorita Beatriz?
— Ela ficará na sala da presidência, junto de mim. Naquela sala anexa que era depósito. Só que eu providenciarei uma reforma para que pareça com uma sala de verdade para ela. Vou contatar agora mesmo uma arquiteta e designer muito boa.
Gutierrez saiu para providenciar as contratações e a transferência de Mariana.
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Armando pegou o telefone e ligou para a arquiteta e pediu que viesse com um engenheiro, pois queria fazer mudanças na estrutura, como colocar uma janela grande para trazer luz e um ar de sala.
Dessa vez, ele transformaria “A Cova” na mais bela sala da Ecomoda. Não queria abrir mão de tê-la alí bem ao seu lado, mas também não podia admitir que ela sentisse que foi jogada em um canto escuro e sombrio.
Encomendou a arquiteta que se colocasse uma bela e grande janela e uma linda pintura e decoração na sala dela. Disse que a sala era muito pequena, pois foi projetada para ser um armário, mas que gostaria que fosse uma linda salinha, aconchegante e digna de uma princesa. Queria que estivesse tudo pronto até segunda, quando ela se apresentaria oficialmente para o novo cargo.
Beatriz escutava a conversa do novo chefe ao telefone e se derreteu com o comentário de Armando sobre o desejo de que fosse uma sala digna de um princesa.
Ela achou que só poderia estar sonhando aquilo tudo. Era irreal aquele homem, que se comportava tão amavelmente com ela, lhe dando um bom cargo, salário e que encomendava uma reforma para que ela tivesse uma sala digna de uma princesa.
Armando falava e fazia tudo aquilo olhando com carinho para Betty. Queria que ela se sentisse querida e valorizada por ele. Queria que ela se sentisse como uma princesa, pois era isso que ela era para ele. Ao desligar o telefone lhe disse:
— Beatriz, já não tenho mais nada para fazer por hoje. Vou apenas pegar o plano de metas para lhe entregar e dar instruções para o Gutierrez para que ele trate da contratação da Arquiteta e engenheiro que trabalharão esses dias na sua sala. Me espere aqui, sim, pois vou pegar tudo que preciso e depois a levo para sua casa.
— Mas, Armando, não quero incomodá-lo. Eu moro longe e, quanto a sala, não é necessário gastar com reformas e decoração... Basta uma escrivaninha e um computador.
— É necessário sim, Beatriz. Eu faço questão que a mulher que será o meu braço direito tenha uma linda sala e quanto a me incomodar, me encanta te levar para casa. Isso não tem discussão, vou levá-la. – Afirmou com devoção na voz.
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Ele a deixou na sala de reuniões e foi até a sala de Gutierrez para dar as instruções sobre a sala de Betty, reforma e decoração.
Deu ordens para autorizar todos os gastos da arquiteta e da sua equipe. Depois foi até a presidência e pegou seu laptop, suas coisas e a pasta com a proposta.
Ele se despediu de seu pai e o avisou da reforma e que viria uma equipe para tratar de tudo e também avisou que trabalharia o resto da semana em sua casa.
Voltou para a sala de reuniões e chamou Betty para irem. Foram juntos, sob os olhares curiosos do quartel e, ao chegarem no carro de Armando, no estacionamento, ele abriu a porta para ela, todo sorrisos.
Já dentro do carro, lembrou-se de pedir o endereço, de modo a fingir que já não conhecia tão bem aquele caminho.
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Durante o trajeto, ele dirigiu bem devagar, pois queria desfrutar de cada segundo ao lado da amada.
Armando colocou um CD de jazz para tocar baixo e fazia todo o tipo de perguntas para Betty. Ele queria conhecer seus gostos e sonhos. Queria estar bem próximo dela, como nunca. Perguntou sobre sua infância, família, cor favorita, música favorita, filme, comida... Tudo o que pôde pensar.
Ela respondia a tudo com animação e lhe devolvia as perguntas porque também queria lhe conhecer.
Armando lhe contou sobre seu término com Marcela e disse que não a amava. Que não queria mais viver mentiras, não queria mais relacionamentos e aventuras vazias. Afirmou que estava pronto para viver um grande amor de verdade e lhe olhou bem profundamente q
uando disse isso, fazendo Beatriz corar e ficar toda arrepiada diante daquele olhar e daquela declaração.
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