Uma Segunda Chance
9 O Confronto: O Amor Superando As Adversidades
Marcela começou a gritar, ao pegá-los naquela situação, patrocinando um verdadeiro escândalo. Todos no setor administrativo podiam ouvir seus gritos e suas acusações.
Mário, que estava falando e dando instruções a Sandra, assustou-se e, imaginando o que estaria acontecendo, resolveu ir até lá para ajudar o amigo.
A ex noiva de Armando gritava e dizia tantas barbaridades sobre Beatriz, que Betty só fazia chorar.
— Claro, por isso necessitava dessa mulherzinha desclassificada enfiada aí nessa salinha. Para ficar se agarrando, na minha empresa, com sua amante. – Marcela, transtornada, gritava.
Armando estava cheio de ódio de Marcela a essa altura e, vendo as lágrimas de Beatriz e o escândalo que Marcela patrocinava, agora sob o olhar das secretárias, Gutierrez e de Mário que assistiam a tudo da porta da presidência, que ela havia deixado escancarada, ele passou a berrar com Marcela.
— Escuta aqui, Marcela Valencia, eu não te dou o direito de vir a minha sala insultar a Beatriz e fazer escândalos. Você não é mais minha noiva e nós não temos mais nada um com o outro. – Cuspindo as palavras cheio de ódio. – A Beatriz, para que você e todos que nos assistem saibam, é minha namorada. Temos uma relação séria, que já assumi para a família dela e também para a minha. Portanto, não te dou o direito de vir aqui fazer acusações e distribuir insultos. Nunca mais se dirija a mulher que eu amo dessa maneira. Nunca. Você entendeu bem?
— Como assim vocês tem uma relação se até a segunda passada era meu noivo? E como assim que seus pais sabem? – Questionava, já baixando o tom de voz e chorando.
— Eu não te devo satisfação, Marcela. Mas, se quer saber, eu conheci a Beatriz depois que terminei contigo e, sim, me apaixonei rapidamente por ela. Dessa forma, quis oficializar nossa situação o mais rápido possível e não me incomoda em nada que você e todos saibam. Não estamos escondendo nada. Agora chega, saia daqui. – disse apontando a porta para ela e, se voltando para os demais, emendou. – E isso serve para todos aqui. Voltem ao seus postos de trabalho. Acabou o espetáculo.
Mário, vendo que Marcela não se movia e temendo a reação de Armando, a puxou e a direcionou para fora da presidência.
Armando mentalmente agradeceu a ele novamente. Mas sua atenção principal era para Betty, que chorava muito. A conduziu até o sofá da presidência e pediu a Mariana para trazer uma água e um chá para Beatriz.
Ele foi em direção a ela e se ajoelhou diante da amada lhe pedindo perdão por tudo aquilo. Ele queria ser capaz de arrancar toda a tristeza dela.
— Meu amor, por tudo o que é mais sagrado, me perdoe por tudo isso. Meu Deus, por favor, não chore. É tudo minha culpa... Eu tento acertar, mas apenas erro. – Chorava enquanto dizia as palavras.
Betty, vendo as lágrimas e desespero de Armando, parou de chorar e secou suas lágrimas. Teria de ser mais forte, se quisesse estar ao lado daquele homem que tanto amava.
Quando ia dizer algo a Armando, Mariana entrou com o chá, água e até um calmante para ela.
A secretária se assustou vendo que Armando estava ajoelhado diante de Betty chorando. Foi Betty que se levantou para agradecer e pegar a bandeja com Mariana.
Betty pegou o chá e o calmante e deu a Armando. Ele não entendeu nada, ela então disse com firmeza.
— Armando, me desculpe pelo meu descontrole. Eu deveria ser mais forte. – Disse enquanto o ajudava a se levantar e sentar no sofá – Você não tem culpa de nada. A dona Marcela estava completamente descontrolada.
Sentaram os dois juntos no sofá. Betty convenceu Armando a tomar o chá com o calmante e tomou o copo de água. Depois, ela colocou os copos na mesa e foi ficar abraçada com Armando.
Após alguns minutos, ambos estavam mais calmos e Armando enfim conseguiu falar.
— Meu amor, a culpa foi sim minha. Sabe... Errei muito com Marcela. Eu sou o principal responsável por ela ser dessa maneira. – Sua voz era pesarosa. – Nunca lhe fui fiel, mesmo quando ainda gostava dela. Sempre voltava para os braços dela e ela sempre me perdoava, não importava a canalhice que aprontasse. A tornei controladora e neurótica. E agora, que dei um fim a relação, ela manteve a fixação em mim. Devia achar que voltaria para ela, como sempre fiz...
Betty acariciava e beijava seu rosto, a fim de dar algum conforto a ele. Armando seguiu seu lamento.
— No dia em que terminei com ela, eu fui sincero. Disse que já não a amava fazia muito tempo e que não voltaríamos, mas ela manteve a ilusão. E agora, ela a ofendeu gratuitamente... Meu Deus, quando penso nas coisas que ela te disse... – Fechou os olhos com sofrimento.
— Não se culpe ou preocupe comigo, meu amor. Eu estou bem, é sério. De agora em diante eu serei mais forte. Forte, por você e por nossa relação. – Declarou pegando seu rosto e o beijando delicadamente.
Ficaram se beijando por mais um tempo e se soltaram depois, com o barulho do telefone. Era Mariana, informando que uma senhorita Mônica Rubledo queria falar com ele, então, ele mandou que ela avisasse que ele estava comprometido e que não tinha assuntos a tratar com ela.
Betty o olhava admirada e emocionada por ele a tratar com tanto carinho e por defendê-la.
Quando desligou o telefone, Armando a olhou com ternura, uma que ele jamais pensou que existisse. Se aproximou, acariciou seu rosto e a convidou para saírem dali e descansarem um pouco, depois de todo o drama com Marcela.
Betty lhe explicou que poderiam sair, mas só às seis e meia da noite. Ela tinha coisas a fazer, relatórios e estava se inteirando de todos os documentos que Olarte havia deixado. Além de tudo, esperava pelo crachá.
Armando aceitou a contra gosto, afinal, ainda demoraria duas horas até às seis e meia da noite. Mas assim era melhor, pensou ele, pois poderiam jantar, beber, conversar e dançar. A levaria no Meson de San Diego e dessa vez a memória não seria estranha, mas sim feliz. Sorriu com o plano que desenhou na mente e, nesse momento, Bertha entrou, se desculpando e dizendo que havia trazido os crachás de Armando e Betty. Eles sorriram e agradeceram a secretária, que saiu com um grande sorriso.
Armando viu a linda foto do crachá de Betty e ficou curioso.
— Meu amor, que foto tão linda! Quando foi que tirou? – Não se recordava dela ter feito isso e tão pouco achava que havia tido esse tempo.
— Ah, imagina que o doutor Gutierrez pediu que o fotógrafo que fotógrafa as modelos da Ecomoda tirasse hoje. Foi depois que saiu para almoçar com seus pais... – Fez uma pausa e depois disse, quase que como um sussurro. – O que seus pais disseram?
Armando a olhou cheio de carinho e preocupação. Era óbvio que aquilo havia lhe amargado durante esse tempo. Deveria ter lhe dito logo, mas não teve tempo com todo o ocorrido da tarde.
— Meu amor, eu não peço autorização para os meus pais. Apenas os comuniquei minha decisão e disse que a amava muitíssimo, que não quero outra mulher na vida que não seja você. – Disse pegando suas mãos e beijando-as. – Eles nos desejaram felicidades e disseram que devemos marcar um jantar ou almoço, na casa deles, antes que eles viajem para Londres.
— Mas eles não ficaram decepcionados pela dona Marcela? Eu sei que eles a tem como filha e... deve ser difícil para eles.
— Meu amor, serei sincero. Eles me perguntaram se eu estava certo da minha decisão e que eles amavam e cuidaram de Marcela, que ela era como uma filha e que me amava... Mas eu fui firme quando lhes disse que não amava Marcela e que não seria justo me prender e prendê-la a uma relação fadada ao fracasso. Eles concordaram e meu pai chegou a dizer que você parecia ser bem especial. E, como já disse, nos desejaram felicidades e nos convidaram a almoçar ou jantar. – Disse lhe acariciando o rosto e concluiu com uma pergunta. – Poderia ser no sábado, que acha?
— Claro, meu amor! Só terei que te pedir o favor de... Você sabe... – Disse corando. – De me ajudar a escolher um vestido que seja elegante e condizente com o momento. – Sorriu com timidez, encantando Armando.
— Tenho certeza de que ficará linda de todo o jeito, meu amor. Mas me agrada que queira minha opinião. – Disse encantado que ela confiasse nele para essas coisas. – Tem um vestido vermelho de alça que eu acho que vai ficar lindíssimo em você. Ah, e você poderia usar com esse presente que lhe comprei. – Falou tirando de dentro do paletó um estojo de veludo preto.
Armando entregou a ela, que abriu e ficou fascinada. Era uma correntinha de ouro com um delicado crucifixo.
— Sabe, próximo ao Lenoir tem uma igrejinha bem bonita e eu queria agradecer por uma graça alcançada. Fiquei com isso na cabeça desde aquele dia em que fomos a missa juntos. E, quando passei pela lojinha dentro da igreja, vi essa correntinha de ouro e pensei que seria um presente lindo para te proteger. Está abençoado. Pedi ao padre. – Sorriu afetuosamente.
Betty, com lágrimas nos olhos, se aproximou e lhe beijou docemente, afastando-se logo e lhe agradecendo. Afastou os cabelos e pediu que Armando colocasse nela. Ele assim o fez e sentiu uma eletricidade passando pelo seu corpo quando viu ela lhe mostrando o pescoço daquela maneira e ainda mais quando encostou em sua pele e a sentiu arrepiar-se com seu toque.
Armando não sabia quanto tempo aguentaria mais sem tê-la em seus braços, lhe deu um beijo e ela foi para sua sala.
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Ele pegou o telefone e ligou para a mãe, combinando um almoço no sábado, só os quatro. A mãe perguntou do que ela gostava e ele disse que ela gostava de risoto, mas que não tinha preferências e que a única coisa que ela gostava muito era de seu suco de amoras.
Após desligar, ele se pôs a focar no trabalho e pensou na foto de Betty do crachá e teve uma ideia. Ligou para o estúdio de fotografia e, ao constatar que estava liberado, avisou que ele iria com a senhorita Beatriz para tirar uma fotografia.
Foi até a sala de Betty e lhe chamou para resolverem um questão importantíssima na área do estúdio. Ela estranhou, mas foi com ele. Saíram da presidência em direção ao estúdio, de mãos dadas, sob os olhares de Mariana, Sofia e Bertha.
Ao chegarem lá Armando informou que tirariam uma foto juntos para colocarem em seus escritórios e na casa dele também. Armando já havia se livrado das fotos com Marcela, mas precisava colocar uma fotografia com a sua Betty. Queria encher sua vida com suas lembranças, sua presença...
Eles se abraçaram e sorriram de rosto colados, ambos sem óculos. Depois, Armando aguardou pelas fotos deles e também pediu uma de Betty sozinha.
Quando finalmente retornaram, já estava praticamente na hora de irem. Pegou os porta retratos que costumavam guardar uma fotos dele com Marcela e outro que tinha uma foto de Marcela apenas e colocou as fotos de Beatriz e dos dois juntos. Ligou para Mariana e a chamou, informando que Betty e ele sairiam um pouco mais cedo.
Nesse momento, Sofia ia pedindo licença para entregar um relatório a Betty. Armando agradeceu e disse que ele entregaria a ela. Foi até a sua sala levando o relatório e a convid
ou para saírem. Betty guardou suas coisas e segurou o braço que ele lhe ofereceu e assim foram.
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