—Presumo que você seja a esposa de meu filho? -perguntou a ruiva para Maryssa.

Ela confirmou com a cabeça, esperando com paciência a avaliação de Catelyn Stark.

Por mais que a mãe de Robb tentasse disfarçar, ela sabia que estava sendo julgada.

—Entre querida, vamos nos conhecer, você é minha nova filha agora.

Maryssa aceitou e acompanhou Catelyn, sentando em um banco ao lado dela.

—Como tudo aconteceu?

Maryssa explicou o acordo que seu avô fez com Robb.

—Eu posso estar enganada, mas presumo que você não gosta muito do seu avô pelo tom da sua voz ao falar dele.

Maryssa revirou os olhos.

—Ninguém gosta do meu avô. Se alguém falar que sim está contando uma mentira das grandes. -ela diz, sem esconder a amargura que sempre sentiu quanto a ele. -E do mesmo jeito meu avô não sente afeto por ninguém. Ele não gosta dos filhos e netos e gosta menos ainda das filhas e netas. Somos todos peças do seu jogo sádico por mais poder.

Catelyn entendia melhor Maryssa. Tinha uma preocupação com a garota, medo de que seu sangue Frey a fizesse trair Robb. Mas ouvir as palavras de Maryssa a deixou mais tranquila quanto a esse casamento. Ela não era leal a Walder Frey. E se Robb tentasse cativar a menina da maneira certa, ela poderia ser um trunfo para a Casa Stark.

—Poucos são aqueles que ouvem a nós mulheres e o que nós queremos. Para os homens é fácil nos sacrificar para os seus interesses mesquinhos, eles não conseguem nos enxergar como pessoas. Alguns até nos consideram inúteis, como se não tivéssemos capacidade de pensar só por que não temos um pau. Esse é o erro deles. Nós pensamos, nós sentimos, nós somos capazes. Ter filhos não é nossa única função.

—Somos tão subestimadas.

—Eles não fazem ideia de como é ter uma responsabilidade como a nossa. Arriscar nossas vidas a cada vez que damos a luz, dar de mamar a um filho, cuidar, proteger e amparar até a vida adulta e depois. Ao menos me casei com um homem que me valorizava mas isso é uma raridade. Ser mulher, esposa e mãe é mais difícil que ser guerreiro. Dar a morte é fácil, proteger a vida é muito mais difícil.

Maryssa entendia o que Catelyn queria dizer por trás dessas palavras.

"Pesada é a responsabilidade que te espera."

—Eu serei uma rainha a altura do Norte e uma esposa a altura de Robb.

—Eu realmente desejo que seja assim.

Depois dessa conversa, Catelyn e Maryssa se falavam com constância, a Frey estava aberta a ouvir a experiência da mulher mais velha, pois Catelyn sabia o que era ter um casamento repentino com alguém que não esperava ser jogado em sua direção e tirou o melhor proveito que podia da situação.

Maryssa desejava ser a melhor possível para Robb, queria construir com ele o que os pais dele construíram um com o outro.

Afinal, não encontraria nada daquilo em sua família de origem, nem experiências felizes e muito menos apoio e compreensão, tirando seus pais e irmã.

E quando menos esperava, foi testada em uma questão difícil que teve que tomar a frente.

Rickard Kastark matou meninos Lannister que Robb tinha como reféns.

Maryssa tomou a frente e decidiu ela mesma o castigo, antes que chegasse aos ouvidos de Robb.

Ela o levou para a frente do exército para que todos ouvissem.

—Lord Kastark, quem o senhor escolheu como seu rei?

—Robb Stark.

—Certo. Então além de seu senhor feudal Robb é seu rei, correto?

—Sim.

—Por que matou os meninos Lannister?

—Eles tinham que pagar! Eu perdi meus filhos nesta guerra contra o maldito do Tywin!

—Entendo. Mas não estou perguntando o que Tywin fez, estou perguntando por que matou os meninos Lannister, estes que por acaso não fizeram mal a sua família, quando o seu senhor e rei tinha dito claramente que não era para fazer isso, milorde.

—Eu queria vingar meus filhos.

—Certo. Você matou dois meninos, que eram inocentes. Você desrespeitou na frente de todo mundo a palavra de Robb Stark. Você fez meu marido parecer fraco e sem palavra, além de sem controle sobre seus vassalos. E de quebra, fez Robb perder reféns valiosos, diminuindo as chances de recuperar as irmãs que ele ama e quer salvar, além de agora termos trunfos a menos contra Tywin Lannister, o homem de quem você quer tanto se vingar. Bom trabalho senhor Kastark.

O homem fez uma careta de desgosto, mas ficou em silêncio.

—Pois eu digo como sua rainha. Eu darei ao senhor e sua família a chance de vingança e de lutar contra os Lannister. Mas sua ação foi um desrespeito enorme, além de prejudicar muito seu senhor e rei. Por ter manchado a imagem de Robb e do Norte fazendo a palavra de seu rei parecer fraca e sem valor e nos feito perder reféns valiosos, eu decreto que ao fim da guerra o senhor vai tomar o negro. Vai se tornar um irmão juramentado da Patrulha Da Noite.

Rickard aceitou a punição e os Kastark concordaram que era justa.

—Que a palavra de meu marido seja mais respeitada por vocês. Se vocês nortenhos não respeitam a liderança de Robb, que chance temos contra nossos inimigos?

Quando o assunto chegou a Robb, já estava tudo resolvido e Maryssa conquistou um pouco do respeito de seus vassalos.

—Bom trabalho, Maryssa. Estou muito orgulhoso de você.