Uns dois meses acabaram se passando muito rapidamente e depois de tanto tempo chegou a hora de terminar a guerra de uma vez por todas.

Maryssa já estava recuperada e bateu o pé contra Robb para acompanhar a ele e seu exército.

Sua barriga começou a aparecer levemente, e ela fazia questão de usar apenas os vestidos que destacassem bem o volume. Ela percebeu que quando os homens do Norte olhavam para ela e sua gravidez se sentiam mais motivados a lutar, pois viam nela o futuro do Norte, o futuro de todos eles.

Com a ajuda de Robb e Edmure, seu pai se estabeleceu como Lord Frey. Passaram um bom tempo discutindo os problemas internos que precisavam de uma intervenção a muito tempo e que seu avô totalmente ignorou pela ganância de poder. Resolvidos os assuntos internos, foram feitos acordos.

Seu pai cobraria apenas o preço justo para quem quisesse atravessar as Gêmeas. Edmure abriu mão do dote de Roslin em troca do acordo permanente, assinado por todos os Freys, homens e mulheres, não importasse a idade.

Além disso, Tyta e Hostella Frey teriam uniões arranjadas dentro das Terras Fluviais pelo próprio Edmure, além disso Tysane e Emberlei Frey teriam casamentos arranjados com nobres do Norte de menor importância, indicados por Robb.

Hildegard, irmã de Maryssa, teve a sua mão prometida a Pequeno Jon Umber, o casamento se realizaria depois da guerra.

O arranjo satisfez a ambos os lados.

—Ao Norte e as Terras Fluviais! -brindou Edmure.

—Ao Norte e as Terras Fluviais! -gritaram de volta.

—Hoje somos um só reino sob Robb, um homem do Norte e Maryssa, uma mulher da Terras Fluviais. Que nossas uniões sejam eternas, que hoje as alianças que fazemos seja gravada nos livros da história!

Todos levantaram suas taças e brindaram mais uma vez.

Foi um alívio para Maryssa ver que algo de bom estava saindo de seus atos.

(...)

Os exércitos de Stannis e Renly se reuniram ao de Robb depois de muito planejamento.

Na mesma tenda estavam Stannis, seu irmão mais novo, Robb, Maryssa, Catelyn, Edmure, Brynden, Mace Tyrell, Margaery e os líderes principais do exército de cada um.

—Recebi uma carta de Dorne. -revelou Robb para os irmãos Baratheon.

—E o que diz nela?

—Que Oberyn Martell vai nos ajudar na invasão da cidade.

—Estou confuso, Oberyn não está do lado de Tywin Lannister?

Robb olhou para Renly incrédulo. Stannis fez, o mesmo.

—Príncipe Renly, o senhor não lembra de Elia Martell e seu triste destino?

—Sim. Mas depois de tanto tempo?

—O tempo apenas cozinha a raiva pouco a pouco até ficar maior. Se algo desse tipo pudesse acontecer as minhas irmãs...

Robb sentiu o coração dar um salto só de pensar na possibilidade.

—Não importa quanto tempo passasse. Na verdade, eu demoraria apenas para infligir a maior dor possível nos responsáveis. O que aconteceu com a princesa dornesa... É imperdoável. É além de qualquer crueldade matar os filhos de uma mulher indefesa e depois a estuprar até a morte ainda sujo com o sangue de seu bebê assassinado.

A fala de Robb causou cada um na tenda um nojo em diferentes níveis nas suas expressões.

Não importa o tempo, a morte de Elia era algo que estaria marcado para sempre, tanto na mente de quem estava vivo na época quanto nas de quem estudasse a história da época.

Tywin Lannister, Amory Lorch e Gregor Clegane eram nomes odiados e desprezados e passariam para a posteridade conhecidos como homens malignos e sem honra.

—Ah não, Doran e Oberyn Martell não são pessoas de aceitar pacificamente a morte da irmã e dos sobrinhos inocentes e sentar calmamente diante do homem que ordenou isso e se aliar a ele sem fazer nada. Eles estavam esperando o momento certo para destruir Tywin e seu poder! É o que eu faria na situação deles.

—O que dizia na carta de Oberyn Martell?

—Ele aceitou uma posição no Conselho e está passeando pela cidade para observar seus pontos fracos de forma discreta. Ele até mandou um mapa com esses pontos fracos marcados.

Robb mostrou a folha para todos.

—Os soldados estão mais fracos onde está marcado em vermelho. Oberyn e os homens que foram com ele na comitiva de Dorne roubaram alguns uniformes dos guardas que cuidam dos portões da cidade. Eles vão abrir para nós quando chegar o dia.

Renly deu uma risada.

—Que irônico, Oberyn vai fazer com a família de Tywin o mesmo que Tywin fez com os Targaryen no passado!

—Justiça poética. -disse Mace, dando de ombros.

Robb resolveu deixar seus pensamentos claros.

—Olhe... Eu vou ser bem taxativo agora. Nós não vamos fazer o mesmo que o exército Lannister na invasão da cidade. Não vamos invadir matando o povo e estuprando mulheres. Digo aqui e agora, se alguém for pego fazendo isso, não importa a posição, vou castrar pessoalmente e mandar para a Muralha.

—Eu concordo. -disse Stannis.

—Creio que nem é preciso discutir, é algo que todos concordam. -redarguiu Renly.

—Perfeito. Nós marcharemos para a capital amanhã. Temos um casamento para impedir.

—Que casamento?

—Tywin vai forçar Sansa a se casar com o seu neto asqueroso. Temos que chegar lá o mais rápido que pudermos. Eu não posso deixar isso acontecer.