Uma Princesa Nortista
3 Saudade de Irmãs
Notas iniciais
" — Se estivéssemos em uma corrida talvez eu ganhasse — sorri enquanto me aproximava de minhas irmãs e minha mãe, estávamos conversando no jardim — e... fiquem de olho na mamãe!
– Mãe, o que está fazendo? — Agatha perguntou a encarando
– Eu prometo não ser a rainha pelas próximas horas, pelo menos com as minhas princesas — ela sorriu docemente para nós, e eu sorri também.
– Só espero que isso não envolva sorvete! — disse eu brincando, o pote de sorvete estava próximo e eu achava que a rainha também brincaria conosco, doce ilusão, sorri ao pensamento.
– Amei a ideia! — disse Nebraska enquanto ela e Agatha a abraçavam — Estava com saudade mãe.
Sentei-me no chão e chamei-as para perto, mas demorou um pouco até que se soltassem, enquanto isso as olhei atentamente, não posso ficar longe delas nem mais um minuto – pensei comigo mesma, então levantei e as abracei também."
– ... Lucy? — eu estava encostada em uma parede e brincava com duas bolinhas de gude enquanto olhava para baixo, William estava explicando como sará a nossa próxima ida ao castelo e foi quando eu comecei a lembrar de minha família. Apenas levantei os olhos e ele assentiu com a cabeça — Então pessoal, é isso por hoje, quero vocês treinando na floresta amanhã cedo. Estão dispensados.
Ditas essas palavras todos começaram a se levantar e logo se retiraram. Ele esperou até que eu também me levantasse.
– O que houve? Você viajou completamente, te chamei um milhão de vezes e...
– Will por favor, eu só quero pensar... — o interrompi abaixando o olhar, ele se agachou e ficou na minha altura.
– Tudo bem, mas você tem que ir amanhã, certo? — concordei com a cabeça e me levantei.
– Boa noite Will.
– Boa noite Lucy.
Saí de sua casa e caminhei pela rua escura, nós costumávamos nos encontrar na casa de William em um bairro da casta oito, eu gostava mais dos encontros na floresta, era perto do castelo e ao ar livre. Cobri minha cabeça com o capuz do casaco e caminhei até meu apartamento, também na casta oito, enquanto me divertia com as lembranças daquela seleção.
***
O castelo estava lindo esta manhã, eu o observava em cima de uma arvore, estávamos perto, mas em uma distancia apropriada. Ouvi alguém chamar o meu nome, William, suspirei e desci da arvore, ele estava me esperando.
– Sabe como é perigoso você querer observar os da realeza? — cruzei os braços.
– Will, eu não preciso de babá, e você já esqueceu que eu também estou nesse "da realeza"? — perguntei enquanto andava até o acampamento, eu estava mesmo afastada dele, mas também estava longe do castelo.
– Ahh... — o ouvi resmungar — Tinna, uma das criadas da rainha, nos informou que estão pensando em te deserdar — ele continuou caminhando até me alcançar e eu parei para encara-lo — não estou brincando... Querem te tirar da família.
– Não é exatamente isso...
– Claro que é!... Por que você quer tanto defende-los? Eles são uns corruptos que não ligam para ninguém!
– Você fala como um Sulista! — vi quando ele engoliu em seco, aquele era um grande insulto para os nortistas, mas não esta mentindo — William, eu os conheço mais do que você, sei como eles são, e têm motivos para fazer o que fazem, como nós temos nos nossos...
– E como os Sulistas também têm — interrompeu-me ele
– Isso... Eu sei que o que tiver que acontecer, acontecerá — disse eu de cabeça baixa.
– Vamos, estamos atrasados — ele mudou de assunto e continuamos caminhando até o acampamento.
Era na ala proibida da floresta, ninguém ousaria violar uma ordem do Rei, apenas sua família podia entrar lá, e já que eu irmã do tau não vi problema. Ajudei a fazer as bombas caseiras, eram simples, mas potentes, atingia quem estivesse por perto, mas não causava problemas graves, nem podiam matar.
Quando anoiteceu, todos começaram a ir para suas casas, cada um levava uma caixa com os equipamentos, e cada um tinha uma função, claro. Os únicos que ficaram eram aqueles que entrariam essa noite no castelo, e claro que eu não perderia por nada.
– Prontos? — Jeff, o líder dos nortistas pergunta, ninguém respondeu, ele não esperava uma resposta.
Andamos cautelosamente até o castelo, subimos nas arvores mais próximas e pulamos o muro, o castelo estava silencioso, vimos alguns guardas, nortistas ou amigos de nortistas, eu tinha conhecimento dos turnos dos soldados e tivemos o cuidado de não nos esbarrar com nem um sulista.
Nos separamos, um grupo continuou no jardim, e os outros dois entraram no castelo, meu grupo subiu as escadas e o outro continuou no andar de baixo. Nós tínhamos que nos separar, sempre fazíamos isso pois assim ficava menos óbvio.
Eu já estava andando sozinha por entre os corredores, aquilo me assustava um pouco, então comecei a brincar com a saia do uniforme que usava, todos nós estávamos disfarçados, as mulheres de criadas e os homens de soldados. Fui até o escritório de minha mãe e vasculhei os seus documentos, uma das gavetas estava trancada, mas consegui mexer nas outras.
– Documentos... Registros... Fotos... — estava cochichando para mim mesma, até que ouvi passos nos corredores e arrumei os papeis no lugar, arrumei também o meu uniforme e me adiantei para sair logo daquele cômodo.
Olhei pela abertura da porta até que vi a criada passar e então saí fechando a, olhei para trás até não ver mais a criada e andei rapidamente na direção oposta, fui até a porta de um cômodo que eu tinha certeza que daria na cozinha, atrás do armário havia uma entrada, era o meu quarto.
Estava prestes a abrir a porta quando ouvi passos em minha direção, abaixei a cabeça e me afastei da porta, caminhei novamente pelo corredor, estava procurando a escadaria, até que encontrei aqueles olhos me encarando, ela estava ali, percebi que parou tudo o que estava fazendo para me observar, eu queria abraça-la, e ao mesmo tempo me esconder. Mas a única coisa que pude dizer foi:
– Agatha?
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